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| Ted 2 | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , on 29 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

2.0

Ted2
Cinquenta tons de Ted

Nunca fui um grande conhecedor do humor de Seth MacFarlane, mas me diverti bastante com o hit surpresa Ted, em 2012, que fora sua estreia como diretor e roteirista no cinema. Porém, ano passado o criador de Uma Família Pesada entregou a decepcionante comédia faroeste Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola, e agora, Ted 2 chega para confirmar que o acerto de MacFarlane em 2012 foi mera sorte de principiante.

Na trama, o urso falante Ted (MacFarlane) se casa com sua namorada Tami-Lynn (Jessica Barth) e anseia por ser pai, seja por doação de esperma de seu amigo John (Mark Wahlberg) ou através de adoção. Porém, o Estado se nega a considerar Ted como algo a mais do que uma propriedade (leia-se, um brinqued0), fazendo-o entrar numa batalha judicial para comprovar sua humanidade.

É uma premissa que diverte pelo absurdo, e que poderia muito bem ser transformada num pesado drama caso o protagonista não fosse um ursinho de pelúcia. E é aí que reside o grande problema de Ted 2, que revela-se uma obra assustadoramente descontrolada e sem sentido, que transita entre o humor escatalógico até cenas de tribunal que tocam seriamente em temas como escravidão e defesa de minorias, sem ter muita certeza aonde quer chegar. MacFarlane acerta em seu sempre eficaz trabalho vocal de Ted, mas como diretor, realmente deveria reconsiderar suas escolhas, já que a narrativa do filme é prejudicada por timing ruim de piadas, uma montagem inconstante e um ritmo tedioso.

Por exemplo, a trama principal com a advogada de Amanda Seyfried é constantemente interrompida por cenas aleatórias de John e Ted tentando causar algum tipo de humor, mas de nenhuma forma que caiba dentro da história: seja por aleatoriamente atirar objetos em corredores, referenciar Clube dos Cinco ou invadir um clube de stand-up para sugerir temas tristes como 11/9 ou Charlie Hedbo aos comediantes (essa fez rir, ok). De maneira similar, Liam Neeson e Morgan Freeman ganham participações sem graça, enquanto a narrativa é comprometida por uma entrada no road movie que simplesmente não empolga, mesmo que o roteiro de MacFarlane aposte pesado em referências pop – rendendo uma boa piada com Jurassic Park. Temos até uma grande luta na New York Comic Con (e pelas barbas de Odin, MacFarlane ganhou muita grana para promover brinquedos de Transformers…), mas que só entretém pela variedade de cosplayers envolvidos.

Nem mesmo a química de Wahlberg com o urso funciona muito bem aqui, principalmente porque o ator parece completamente desinteressado e a computação gráfica de Ted mostre-se estranhamente inferior à do primeiro filme. Seyfried também não rende boa participação, enquanto o vilão de Giovani Ribsi divirta, mas sem o impacto surpresa causado no longa anterior.

Falta a Ted 2 o humor certeiro e o roteiro bem elaborado do primeiro, limitando-se a uma trama sem graça e entediante, só pontualmente capaz de rir. Acho que Seth MacFarlane deveria pensar bastante antes de decidir arriscar-se no cinema novamente.

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| Homem-Formiga | Crítica

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Aventura, Cinema, Críticas de 2015 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 14 de julho de 2015 by Lucas Nascimento

4.0

AntMan
Querida, encolhi a gente: Paul Rudd experimenta o traje

Já são tantos filmes lançados pela Marvel Studios nos últimos 7 anos que, como apontei em meu texto de Vingadores: Era de Ultron, a fórmula e seus personagens já começam a demonstrar sinais de ferrugem. São 5 filmes com Robert Downey Jr, 4 com Chris Evans e Chris Hemsworth… Foi um alívio quando Guardiões da Galáxia trouxe novos e refrescantes elementos no ano passado, e a sensação é similar quando termina a sessão de Homem-Formiga: algo familiar, porém original.

A trama começa quando o ladrão Scott Lang (Paul Rudd) é solto após dois anos numa prisão de São Francisco. Buscando meios de se aproximar de sua filha, ele aceita participar de um golpe para invadir o cofre do milionário aposentado Hank Pym (Michael Douglas). O item em questão é o traje de encolhimento do Homem-Formiga, o qual Lang adota sob a tutela de Pym, que o seleciona para ajudá-lo num plano para impedir o ambicioso Darren Cross (Corey Stoll) de roubar sua fórmula.

Mesmo que a estrutura básica permaneça a mesma, há diversos pontos inovadores aqui. O roteiro de… Bem, é uma situação confusa pois, como bem sabem, Edgar Wright e seu colega Joe Cornish estiveram ligados ao projeto desde 2008, antes de serem dispensados após “desavenças criativas” com o mandachuva Kevin Feige. Os créditos de Wright e Cornish foram mantidos, mas Adam McKay e o próprio Paul Rudd ajudaram a reescrever e estruturar o roteiro para se encaixar no padrão que a Marvel vem montando no cinema. Fica difícil apontar quem fez o quê ali (mesmo que as piadinhas infantilóides associadas aos outros filmes do estúdio sejam facilmente identificadas aqui), mas o texto já merece créditos por seguir a linha de Guardiões da Galáxia ao se focar em um protagonista que claramente é um criminoso.

Claro, um criminoso de bom coração, adepto de uma filosofia Robin Hood que só quer ver sua filha no fim do dia, mas ainda assim, um personagem mais complexo do que o costume; e Rudd se sai muito bem aqui, seja no lado mais cômico (afinal, é sua especialidade) quanto no mais maduro, sendo um contraponto divertido para o carrancudo Hank Pym de Michael Douglas (que, em certo ponto, ganha também um dos melhores rejuvenescimentos digitais que eu já vi). Homem-Formiga também é eficiente como um exemplar do subgênero heist, utilizando da ágil montagem de Dan Lebental e Colby Parker Jr, e também de uma divertida sincronia labial promovida pelo personagem de Michael Peña, quando este explica as diversas conversas paralelas que o levaram a certo plano. Mais importante: o filme também não se revela dependente de fazer referências masturbatórias aos Vingadores, limitando-se a uma ou duas referências, além de uma participação que avança a trama de forma inteligente – e empolgante, digamos.

AntMannn
O Jaqueta Amarelo de Corey Stoll

Ainda que longe do dinamismo vibrante de Wright, o diretor Peyton Reed (Sim Senhor!) faz um trabalho decente, merecendo créditos pela condução das excelentes sequências na qual o protagonista encontra-se encolhido. Os efeitos visuais quase as transformam em animações, mas funcionam à medida em que o longa se desenrola e também por conseguirem transmitir com sucesso a visão do herói e seu senso de maravilhamento, a grandiosidade de objetos pequenos e saber explorar visualmente os cenários; a primeira cena de encolhimento deve entrar para a lista de melhores momentos do gênero, facilmente, enquanto uma determinada descoberta durante o último ato impressiona pela ousadia, ainda que falhe ao explorá-la por completo. A escolha de um vilão cujos planos são mais simples do que o velho “vamos destruir o mundo” também ajuda, adicionando também o ótimo Corey Stoll e seu elaborado uniforme do Jaqueta Amarela.

Mesmo que eu tenha orgasmos em imaginar a versão de Edgar Wright, este Homem-Formiga revela-se uma das melhores produções da Marvel Studios, que acerta ao apresentar novas personalidades e fugir de fórmulas prontas, ao mesmo tempo em que entrega um satisfatório filme de origem de super-herói à moda antiga.

Obs: O 3D convertido não acrescenta absolutamente nada.

Obs II: Você sabe o procedimento… Duas cenas extras, durante e após os créditos.

| Os Estagiários | Google – O Filme, sem graça

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , on 31 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

1.5

TheInternship
Vince Vaughn e Owen Wilson vão trabalhar no Google…

Sempre faço questão de frisar, antes de comentar um filme do gênero, que a comédia é muito relativa. Você pode não rir das mesmas piadas que eu e vice-versa, mas eu acho realmente difícil que tenha alguma coisa verdadeiramente engraçada neste Os Estagiários. Mesmo que tente repetir a química entre Owen Wilson e Vince Vaughn (que deu certo no ótimo Penetras Bons de Bico), o filme de Shawn Levy soa mais como um corporate movie do Google e, pior ainda, sem graça alguma.

A trama é assinada por Jared Stern e pelo próprio Vaughn (e tendo em vista que ele também trabalhou no roteiro de Encontro de Casais, seria melhor que o ator ficasse longe da função), e traz os amigos Nick (Owen Wilson) e Billy (Vaughn) arriscando-se em um programa de estágios do Google, após ambos terem perdido sua firma de vendas de relógios. Lá, bem, a dupla enfrenta diversas equipes a fim de conseguir um emprego definitivo na empresa.

Ao ouvir da premissa, eu realmente não sabia o que esperar. Não parecia que havia muito o que falar ou explorar comicamente durante 120 minutos (o que é uma duração muito longa para um filme do gênero, que é sentida aqui), então Os Estagiários aposta basicamente no mesmo tipo de piada: as diferenças de idade entre os personagens de Wilson e Vaughn e a equipe jovinal com quem são forçados a trabalhar. De referências a filmes dos anos 80 (e também elementos da cultura pop, como Harry PotterGame of ThronesStar Wars) até Vince Vaughn repetindo “on the line” umas 4 vezes, o filme chega a causar vergonha alheia. O pior é que o roteiro até tenta dizer alguma coisa nas entrelinhas de suas “piadas” acerca do desemprego pós-crise de 2008 e a crescente dependência em cima da internet móvel. Mas se nem fazer rir o filme consegue, o que dizer de comentário social?

Infelizmente, nem o elenco salva. Wilson faz um preguiçoso piloto-automático e Vaughn dispara seu típico diálogo ultrarrápido, mas é mesmo a interação entre os dois que (em um ou dois momentos) faz valer, um pouco, a experiência. Todo o restante dos intérpretes abraça os mais variados arquétipos e ajudam a tornar cada piada mais previsível ou simplesmente imbecil: o que dizer do antagonista vivido por Max “sotaque britânico” Minghella? Um personagem que existe pelo único propósito de nos fazer odiá-lo, e de uma maneira forçada.

Irritante, longo demais e provocador de tédio, Os Estagiários é uma comédia previsível e completamente apoiada em todos os clichês conhecidos pelo Homem. Mas aposto que o Google deve estar muito feliz com a quantidade de pessoas que irá utilizar a ferramenta para confirmar se a empresa realmente é o local paradisíaco demonstrado no filme.

Obs: O diretor Shawn Levy faz uma rápida ponta em certo momento.

| O Homem de Aço | O lado humano do maior super-humano dos quadrinhos

Posted in Ação, Adaptações de Quadrinhos, Cinema, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 29 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

4.0

ManofSteel
Uma coisa é certa: nunca antes o Superman teve um uniforme tão bonito quanto este

Sem dúvida o mais icônico super-herói de todos os tempos, Superman é uma figura complicada de ser trabalhada nos cinemas. Sua invulnerabilidade é um fator decisivo para o afastamento emocional do personagem com o público (vide o Batman, cuja persona é mais identificável pelo fato de Bruce Wayne ser apenas um humano), e foi justamente esse ponto que Zack Snyder buscou corrigir com O Homem de Aço: o lado “humano” do herói.

A trama é roteirizada por David Goyer, a partir de um argumento elaborado por este e o diretor Christopher Nolan, retomando a origem do Superman (Henry Cavill) desde a partida de seu planeta condenado Krypton até a chegada na Terra. Enquanto aprende a controlar seus poderes e descobrir mais sobre seu passado, é perseguido pela determinada jornalista Lois Lane (Amy Adams) e pelo implacável general Zod (Michael Shannon), um remanescente de sua espécie que traz a promessa de destruição ao planeta.

É irônico que este novo filme concentre-se no lado mais emocional do Superman – e proponha uma abordagem mais realista quanto à sua posição na sociedade – ao mesmo tempo em que abrace pesadas doses de ficção científica. Goyer explora a fundo a mitologia de Krypton (e o design de produção de Alex McDowell impressiona pelo visual dark e com claras influências de H.R. Giger) e oferece um intrigante clima alienígena ao herói, Zod e seus comparsas: a cena em que o militar promove uma transmissão mundial afirmando que os humanos “não estão sozinhos” funciona espantosamente bem por remeter a grandes longas que tratam sobre invasões extraterrestres. Nesse sentido, a fotografia do iraniano Amir Mokri aposta em uma coloração predominantemente fria e repleta de elegantes luzes em flare (essa foi pra você, JJ Abrams), enquanto o diretor Zack Snyder deixa de lado o slow motion e adota a técnica de câmera-na-mão durante toda a projeção – uma decisão que afeta de maneira positiva as espetaculares cenas de ação do filme.

Snyder e Goyer acertam também na estrutura escolhida para contar a origem do herói. Ainda que o constante uso de flashbacks quebre a linearidade esperada de um filme de apresentações, serve como uma eficiente forma de narrar o desenvolvimento de Clark sem se limitar a refazer o original de 1978 (como foi o grande problema de O Espetacular Homem-Aranha, prejudicado pelas gritantes semelhanças com a trilogia de Sam Raimi) e ao posicionar cada volta no tempo em pontos-chave da narrativa. Merece aplausos o trabalho do montador David Brenner, que proporciona ritmo ao filme e elabora transições de cena criativas que até servem para criar humor: o momento em que os militares avistam as naves alienígenas com seus satélites é logo seguido por um painel que traz um ameaçador alerta de “Emergência”, apenas para revelar-se uma inofensiva impressora pedindo por cartuchos de tinta.

O que nos leva ao protagonista Henry Cavill. Mais conhecido por sua participação na série de TV The Tudors, o ator inglês faz um ótimo trabalho ao criar um Superman “em fase de gestação”, cheio de dúvidas e ainda longe de tornar-se a figura bondosa e politicamente incorreta pelo qual é conhecido (aqui, Clark até usa suas habilidades para vingar-se de um estranho) e por carecer de um senso de responsabilidade por suas ações; já que praticamente destrói toda a cidade em suas batalhas épicas. Vale apontar também a competência de Russell Crowe e Kevin Costner no papel das figuras paternas de Clark e como Amy Adams e Diane Lane criam mulheres fortes (ainda que a performance de Adams já fosse o bastante, tornando desnecessário que a jornalista pegasse em armas) e protetoras. Para fechar, Michael Shannon faz um vilão memorável ao acrescentar motivos reais para as ações de seu Zod; mesmo que seu plano seja uma cópia descarada do de Sentinel Prime em – sim, que vergonha – Transformers: O Lado Oculto da Lua.

O Homem de Aço oferece uma interessante reinvenção para o Superman. Não chega à altura do trabalho realizado por Christopher Nolan em sua trilogia do Cavaleiro das Trevas, mas representa um grande passo da DC Comics nos cinemas e reacende a franquia de um personagem que simplesmente não pode cair no esquecimento. Que venha mais!

Obs: Fãs hardcore da DC, atenção: há diversos easter eggs ao longo da projeção, seja de um certo vilão careca ou de uma tal de empresas Wayne.

Obs II: O 3D convertido do filme não cheira nem fede.

Obs III: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme, em 28 de Junho.

Leia esta crítica em inglês.

| Homem de Ferro 3 | Nova aventura de Tony Stark traz clima de conclusão

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 28 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

IronMan3
Hora do descanso: O homem e a armadura se refugiam no Tennessee

Quando Robert Downey Jr revelou ser o Homem de Ferro no primeiro filme do personagem, nascera um novo ícone do cinema moderno. Cinco anos depois (nossa, já faz tudo isso?) e um universo de quadrinhos estabelecido nas telas, Homem de Ferro 3 surge para continuar a grandiosa saga da Marvel e acaba por trazer um inesperado clima de conclusão. Mesmo que empalideça diante dos filmes já lançados pelo estúdio, explora rumos inéditos de seu carismático protagonista.

A trama começa com Tony Stark sofrendo com ataques de ansiedade e uma irreparável paranóia, consequências dos eventos de Os Vingadores – The Avengers. O perigo novamente bate à sua porta (literalmente) quando reencontra figuras de seu passado (os personagens de Guy Pearce e Rebecca Hall), tendo que lidar também com a presença do terrorista Mandarim (Ben Kingsley), que ameaça sua vida pessoal e a segurança de sua amada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow).

Com o sucesso bilionário da superequipe da Marvel Studios (que já botou a concorrente DC Comics pra correr com o vindouro Liga da Justiça), ficou com o diretor e roteirista Shane Black a tarefa de assumir o cargo de Jon Favreau (que reprisa o papel de Happy Hogan, dessa vez trazendo alguns – muitos – quilos a mais) e entregar um filme que ficasse à altura dos anteriores. Como peça de um conjunto, o longa faz pouco sentido pois, mesmo reparando o principal defeito de Homem de Ferro 2 ao evitar as referências masturbatórias a uma nova reunião dos Vingadores, apresenta incongruências dentro do próprio universo: se o presidente dos EUA encontra-se em perigo, por que não convocar o Capitão América e os agentes da SHIELD? Claro que este é um filme do Homem de Ferro, mas se a Marvel apostou tanto nessas histórias interligadas, deveria ao menos ter exigido de seus roteiristas uma justificativa que comprove a ignorância de Nick Fury (Samuel L. Jackson) diante da situação.

E os problemas são ainda maiores se vermos Homem de Ferro 3 isoladamente. Tomando como base uma série dos quadrinhos batizada como “Extremis”, o roteiro de Drew Perce e do próprio Black decepciona ao apostar em antagonistas extremismente extremamente estúpidos, que consiste, em seres humanos geneticamente modificados que têm a habilidade de cuspir lava e até regenerar membros – figuras absurdas até mesmo se pensarmos que Stark já enfrentou chicotes elétricos e um exército de alienígenas. O núcleo de história também se perde com os novos personagens: a botânica de Rebecca Hall é completamente desinteressante e pouco faz para mostrar-se relevante; ao passo em que Guy Pearce surje inspirado na pele Aldrich Killian, uma figura vilanesca cativante, mas cujos objetivos jamais são revelados totalmente.

Mas o que os fãs realmente queriam ver era a estreia daquele que prometia ser o mais perigoso oponente do herói: o Mandarim. Vivido por um versátil Ben Kingsley, o terrorista e seus métodos de exibição midiática são um eficiente retrato do atual contexto de “guerra ao terror” dos EUA (a comparação entre o país e um biscoito da sorte é brilhante) sem recorrer ao ufanismo, mesmo tendo um herói batizado como Patriota de Ferro (nova armadura trajada por Don Cheadle), fonte constante de merecidas piadas e citações irônicas do tipo: “Ele agora se chama Patriota de Ferro, caso as novas cores tivessem sido muito sutis”. Aliás, a subtrama do coronel James Rhodes consegue ser muito mais empolgante do que aquela do personagem-título.

Ainda que se beneficie do ótimo trabalho de Robert Downey Jr, que surpreende ao explorar facetas de desespero de seu Tony Stark, os roteiristas o enfiam em uma investigação tediosa pelo estado americano do Tennessee que conta até mesmo com um inusitado parceiro mirim para o sujeito – que na ausência de suas armaduras, transforma-se num verdadeiro McGyver ao invadir uma mansão com armas construídas a partir de mercadorias de uma loja de departamentos. Isso sem mencionar as coincidências: de todas as 6,456 milhões de pessoas que Stark poderia encontrar no Tennessee, ele acaba por se abrigar justamente na oficina de um mecânico…

Com espetaculares cenas de ação que impressionam pela coreografia de simultâneas armaduras trabalhando juntas, Homem de Ferro 3 é decepcionante em quesitos de trama. Surpreende pelas mudanças no protagonista e pelos corajosos rumos que este poderá seguir a partir de agora, mas mostra-se o mais fraco da trilogia. Mas que os fãs não se preocupem, mesmo com todo o tom de encerramento, é certo que ainda veremos Robert Downey Jr em seu mais icônico papel.

Obs: O 3D convertido do filme é razoável.

Obs II: Como de costume em filmes da Marvel, há uma divertida cena pós-créditos.

Obs III: Os créditos finais são muito estilosos, e provocam nostalgia ao trazer diversas cenas do primeiro filme.

Obs IV: Tony Stark, além de McGyver, também é James Bond. Ao fim da projeção surge a frase “Tony Stark Will Return”.

Leia esta crítica em inglês.

| Ted | A fábula moderna de Seth MacFarlane

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 23 de setembro de 2012 by Lucas Nascimento

Ted já é divertido desde sua criativa proposta: trazer uma espécie de continuação para os arquétipos contos de fada em que objetos/animais falam com seus donos solitários, apresentando sua versão para o que viria a seguir. Nas mãos do comediante Seth MacFarlane, criador da série animada Uma Família da Pesada (que não acompanho por falta de tempo, não interesse), a “fábula” transforma-se num bromance chulo e sem escrúcupulos.

Partindo da premissa discutida acima, a trama acompanha John Bennett (Mark Whalberg), que depois de um amizade de 27 anos com seu ursinho falante Ted (MacFarlane), precisa encontrar espaço em sua vida para sua namorada Lori (Mila Kunis), e encontrar um propósito para sua vida.

É a já conhecida estrutura do jovem adulto que precisa assumir as responsabilidades e enfim amadurecer. Não há nada de inovador nos rumos tomados pelo roteiro de MacFarlane, Alec Sulkin e Wellesley Wid, que apela a soluções bem clichês (aquele velho exemplo onde o protagonista fracassa e sua namorada lhe dá outra chance, um dispensável antagonista com interesse amoroso pela mesma) e torna a experiência previsível em pontos-chave. O que faz a diferença é o engraçadíssimo leque de referências pop que o texto traz à tona: um atestado de amor ao seriado Flash Gordon e as citações de filmes (“Merda, tô parecendo o robô do Aliens – O Resgate“) e, principalmente, a piada final com uma celebridade em particular, estão entre os destaques.

Claro que isso de nada adiantaria se Ted não ganhasse o afeto do público. E com um trabalho de motion capture verossímil e o trabalho vocal espetacular de MacFarlane (convenhamos, o sujeito tem uma das vozes mais engraçadas do planeta), o bicho de pelúcia fala e faz coisas que nunca imaginaríamos vir de uma figura tão dócil e ingênua – e é justamente isso que o torna tão memorável. Vale comentar também a bela performance de Mark Whalberg, que abraça com eficiência o perfil infantil que o personagem requer, e da sempre deslumbrante e talentosa Mila Kunis.

Não se deixe enganar pelos cartazes de divulgação, Ted é uma comédia para adultos. Seth MacFarlane faz uma bela estreia no cinema e ainda que o filme seja imperfeito (o a conclusão traz soluções que, mesmo dentro do universo de ursos falantes, não convencem), é uma experiência divertida que nos apresenta a um personagem que ficará na memória.

Imaginem Ted em Toy Story

| O Vingador do Futuro | Vejam só como minha esposa é gostosa!

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2012, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , on 18 de agosto de 2012 by Lucas Nascimento

Rekall Total: Colin Farrell iniciará uma nova vida

Ser cinéfilo jovem na sociedade atual traz um dilema curioso quanto à remakes: assistir o novo ou o original primeiro? É certo que cada obra é um reflexo de sua época, mas sempre busquei a primeira opção. Com O Vingador do Futuro optei por encará-lo como um longa novo, sem assistir ao filme dirigido por Paul Verhoeven, e o resultado foi medíocre de qualquer forma.

A trama é inspirada pelo conto We Can Remember It for You Wholesale de Phillip K. Dick, e traz um futuro distópico/cyberpunk onde o operário Doug Quaid (Colin Farrell) sofre com sonhos misteriosos e um crescente sentimento de inutilidade. Sua vida é radicalmente alterada quando este se envolve no programa Rekall, que fornece memórias ao gosto de seu cliente. Acho que seria spoiler revelar mais do que isso.

Primeiramente, já entrei na sessão do filme receioso ao saber que Len Wiseman comandaria o projeto. O medíocre diretor da franquia Anjos da Noite (e também de Duro de Matar 4.0, seu único acerto) continua mostrando-se um “cineasta” descontrolado e previsível, decepcionando até nas monótonas cenas de ação (reparem que em todas elas, em algum ponto, um dos personagens salta dramaticamente de um nível mais alto até atingir o solo). Wiseman também é muito orgulhoso de seu casamento com Kate Beckinsale, já que insere diversos planos com o posterior da atriz como, se quisesse dizer: “Vejam só como minha esposa é gostosa!”.

E é lamentável ver (pela enésima vez) o belo design de produção do filme ser desperdiçado. Os cenários de Patrick Tatopoulos tomam referências de Blade Runner ao retratar a decadência da Colônia (constantemente castigada pela chuva, como no filme de Ridley Scott) e da estética clean de Minority Report e Eu, Robô nos arranha-céus e veículos da F.U.B. O resultado fica espetacular na tela, mas a fotografia de Paul Cameron exagera nos flares (alguém, por favor,  me explique a função narrativa dessas luzes inúteis).

Quanto à história, basta dizer que ela poderia ser melhor se ousasse mais. Lembrando mais uma vez de que não assisti ao filme original, mas este parece mais um A Identidade Bourne futurista, com um agente secreto (!) incrivelmente bem treinado (!!) lutando para descobrir seu passado (!!!). Por um breve momento o longa poderia ter seguido um caminho muito interessante, quando Doug questiona se o que está acontecendo é de fato realidade ou uma fantasia proporcionada pelo Rekall. Os roteiristas poderiam ter entrado na questão da ambiguidade, mas isso requeriria que o espectador usasse mais de sua inteligência, que consequentemente, notaria a exiguidade da trama.

Trazendo um elenco que funciona (mas que não surpreende), O Vingador do Futuro teria sido fascinante se recorresse mais à ficção científica do que às genéricas cenas de ação. O lado positivo é que provavelmente aproveitarei mais o filme com Arnold Schwarzenegger, já que não pode ser pior do que a nova versão.

Obs: Nunca entendi esse título nacional… Não acham que “Total Rekall” seria mais divertido?