Arquivo para referências

| O Artista | O filme mudo que tem dado o que falar

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 11 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

4.5


Os ótimos Jean Dujardin e Bérénice Bejo

É impressionante quando um filme consegue te fazer voltar no tempo, ainda mais quando é nostálgico como O Artista. Filme francês mudo e em preto-e-branco dirigido por Michel Hazanavicius, é disparado o favorito ao Oscar e certamente merece suas 10 indicações ao prêmio, sendo uma linda homenagem ao cinema dos anos 30.

A trama acompanha um dos momentos mais revolucionários da História do cinema: a chegada do som em um ambiente dominado por produções mudas, e como a inovação resultou no colapso de inúmeras estrelas. Nesse cenário, temos George Valentin (o ótimo Jean Dujardin) como um artista mudo que entra em decandência, a passo que a novata Peppy Miller (a apaixonante Bérénice Bejo) vai ascendendo como atriz do cinema falado.

É preciso muita ousadia fazer um filme mudo em pleno século XXI. Em tempos em que a indústria cinematográfica é sustentada, em sua maioria, por computação gráfica e conversões em 3D, eis que surge um pequeno grande filme que é bem sucedido justamente por retroceder às origens do cinema. O Artista parece e sente como um longa dos anos 20; desde sua apresentação (com os créditos antes do filme) até a montagem habilidosa e repleta de transições típicas da época. Eu não sou especialista no cinema mudo, mas percebe-se que o espírito de tais produções era o que é visto aqui: a grande expressividade dos atores que dá lugar às palavras (Dujardin e Bejo, assim como todo o elenco, são espetaculares) e o uso constante da trilha musical, no caso as ótimas composições de Ludovic Bource.

Hazanavicius entende o espírito da coisa e entusiastadamente usa-se de diversas referências. Há um pouco de Crepúsculo dos Deuses (não só pelo tema de transição, mas uma situação que remete bastante à de Norma Desmond no filme de Billy Wilder), Cantando na Chuva (que, curiosamente, é mais um exemplar do tema) e uma espetacular cena de sapateado digna de Fred Astaire. E mesmo assim, ele faz do filme algo seu e mostra-se criativo em suas composições visuais, como a ascenção de Peppy, que é brilhantemente retratada na cena de sua “subida” nos créditos de elenco e pela rima temática que traz Valentin saindo de um cinema lotado  durante a estreia de seu filme, conhecendo Peppy, apenas para posteriormente os papéis se inverterem e o astro mudo se tornar mais um na plateia, enquanto o nome de sua colega agora surge imponentemente no mesmo cinema. Genial.

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.

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| Amor a Toda Prova | Comédia romântica divertida e imprevisível

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Romance with tags , , , , , , , , , , , on 31 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento


Strangers in a Bar: Steve Carrell e Ryan Gosling lideram um ótimo elenco

Hoje em dia é muito difícil fazer uma comédia romântica cujo final não fique óbvio na metade da projeção. Amor a Toda Prova é um memorável aprimoramento no gênero, acertando em sua estrutura e narrativa – que conseguem esconder surpresas e reviravoltas em sua trama – e no talento de seu ótimo elenco, mesmo que caia no clichê em alguns momentos.

Na trama, acompanhamos diferentes histórias de amor que estão (inesperadamente) relacionadas, entre elas o choque de Cal (Steve Carell) ao descobrir que sua esposa quer o divórcio e, no momento de desepero, recebe conselhos do misterioso garanhão Jacob (Ryan Gosling), que ajuda-o a mudar seu estilo e vida.

Primeiramente, o que chama a atenção no longa é seu bem equilibrado e entrosado elenco. Começando com Steve Carell, mais contido do que o comum, utiliza de um humor bem mais sutil e cujo timing funciona perfeitamente – assim como sua química com a carismática Julianne Moore (que interpreta aqui a esposa de Cal). Quem surpreende é Ryan Gosling (mais uma vez em um filme que questiona os valores do amor), que consegue evitar o estereótipo de “conquistador” exibindo bastante segurança no personagem e incorporando uma postura de “mestre” (com referência a Karate Kid) magnética e, devo acrescentar, inspiradora.

Enquanto isso, Emma Stone continua arrasando e me conquistando a cada novo papel com sua intensa e bem humorada expressividade (fato curioso são as referências ao trabalho da atriz em A Mentira, que vão da leitura de “A Letra Escarlate” até antológica frase da “vida censura PG-13”), Marisa Tomei faz um papel menor divertido e o jovem Jonah Bobo mostra grande talento como o filho apaixonado de Cal. Todo o elenco junto em cena faz valer o ingresso e torna a experiência extremamente agradável.

Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa, os cineastas trabalham bem os movimentos de cena e os mise-en-scène, utilizando muito a subjetividade e outros eficientes recursos (com destaque para o plano que passa por sapatos e saltos-alto sofisticados apenas para depois focar-se nos tênis capengas de Cal) que geralmente não se vê em filmes do gênero. Movendo e circundando o longa, temos o ótimo roteiro de Dan Fogelman, que cria belos diálogos e situações imprevisíveis (a melhor delas, mais para o final…), mesmo que recorra ao clichê típico dos romances – há até uma piadinha metalinguística com Carell na chuva – e decepcione um pouco com as decisões tomadas no clímax.

Amor a Toda Prova mostra-se mais eficaz do que a maioria das comédias românticas da atualidades, beneficiando-se com seu excelente roteiro, direção estilosa e um elenco imensamente talentoso. Se todos os filmes do gênero fossem dotados dessa qualidade, não seriam restringidos apenas ao público feminino.

| Planeta dos Macacos: A Origem | Clássico da ficção científica ganha vida nova

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , on 27 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

4.0


Só faltou o Kong: Liderados por Cesar, os símios atacam a ponte Golden Gate

Eu estou muito orgulhoso e satisfeito com a Fox. Por muitos anos, a empresa foi responsável por alguns dos blockbusters mais imbecis da atualidade, cujo foco não passava além de arrecadação nas bilheterias (pra citar um exemplo, X-Men Origens: Wolverine). Vida nova no estúdio, que acerta grande pela segunda vez este ano (quem esqueceu do X-Men – Primeira Classe?) com um excelente retorno ao Planeta dos Macacos.

Inspirando-se no quarto filme da franquia (A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972), a trama mostra os eventos que levaram os símios a dominarem o planeta, girando em torno do macaco Cesar e as alterações genéticas que o tornaram superinteligente.

Planeta dos Macacos: A Origem é uma grande surpresa. Na minha opinião tinha tudo para dar errado, mas felizmente o resultado é mais do que satisfatório. A começar pelo roteiro de Ricka Jaffa e Amanda Silver, que traça perfeitamente a saga dos personagens e cria diálogos e situações eficientes que sucedem em contar bem a história – mesmo que não escape de algumas incoerências (como uma explicação mais elaborada no vírus ALZ 112). De quebra, ainda há muito respeito pelo original (atenção a uma importante notícia de jornal) e diversas referências empolgantes (fiquem até o fim dos créditos!

Com um roteiro consistente em mãos, o diretor Rupert Wyatt respeita o material e elabora diversas táticas visuais para adaptá-lo às telas, mostrando-se um talentoso contador de histórias que sabe bem quando equilibrar o drama (é tocante a cena em que Cesar olha assustado a seu redor após proteger seu mentor) e a ação – aqui, um espetacular ataque na ponte Golden Gate. Wyartt também mostrou habilidade em trabalhar com efeitos visuais impressionantes.

Encarregados pela Weta – a empresa de Peter Jackson que trabalhou em O Senhor dos Anéis, King Kong, Avatar, entre outros – os efeitos digitais que criam os diversos sídios do filme garantem a eles um realismo assombroso. Chimpanzés, gorilas e orangotangos enchem as telas e têm todas as suas feições e movimentos espelhados pelo CG, que conta com a tecnologia de captura de performance (a mesma de Avatar), que  ajuda a fortalecer a sensacional performance de Andy Serkis.


A tecnologia de captura de performance transforma Andy Serkis no macaco Cesar

Serkis, especialista em personagens computadorizados, mostra mais uma vez que tais performances merecem reconhecimento de premiações. Perfeito como o macaco Cesar, ele utiliza como grande trunfo os olhos (humanos ao extremo), que servem para o personagem expressar-se de forma bem subjetiva, e a captura de performance mantém o impecável trabalho do ator, que merece uma indicação ao Oscar pelo trabalho.

Mesmo com Cesar na linha narrativa principal, os humanos também conseguem brilhar. James Franco continua apresentando imenso talento ao preencher o dr. Will Rodman de determinação, enquanto John Lithgow acerta ao explorar corretamente a doença do pai de Will. Do outro lado, Freida Pinto serve apenas como enfeite e Tom Felton repete o estilo malvado do Draco Malfoy de Harry Potter, ganhando destaque por trazer de volta os icônicos bordões de Charlton Heston.

Entre os valores técnicos, a direção de arte é criativa no design dos laboratórios e nas terríveis jaulas onde os macacos ficam aprisionados. A montagem é ágil e bem coordenada – principalmente nas cenas de ação – e a trilha sonora de Patrick Doyle é excelente, empolgando nos momentos mais radicais a passo em que funciona também nos mais dramáticos.

Alcançando o efeito de reboots como Star Trek e Batman BeginsPlaneta dos Macacos: A Origem é um ótimo retorno à franquia original – não incluo aí o fraco remake de Tim Burton – e um dos melhores blockbusters do ano, repleto de agradáveis referências e uma trama bem equilibrada e cheia de conteúdo para refletir. Parabéns Fox, continue assim.

Ficha Técnica

Análise Blu-ray | DEIXE-ME ENTRAR

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 1 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

O Filme

Deixe-me Entrar foi recebido com certo preconceito pelo público (a limitada quantidade de pessoas que o assistiu, isto é) por tratar-se de um remake de um cultuado longa sueco. Com razão até, Deixa ela Entrar de Tomas Alfredson é um belíssimo filme e quase irretocável, mas se a versão de Matt Reeves consegue ser respeitosa, artística e apresentar suas próprias características – que resultam em um grande filme -, não vejo motivo para aversão ao longa. Crítica

Extras

Comentário em Áudio com Matt Reeves

O diretor e roteirista Matt Reeves acompanha o filme com um excelente comentário em áudio, onde revela os desafios em readaptar a história (mudando acertadamente o foco da narrativa), sua paixão pelo material original e suas (ótimas) técnicas e referências, que vão de O Bebê de Rosemary até os filmes de Alfred Hitchcock. Esse extra só aumentou meu respeito pela produção e o cineasta.

Um Olhar por dentro do making-of de Deixe-me Entrar

Um pequeno making-of sobre o filme, que explora em entrevistas com o elenco e produtores, a força da obra de John Ajvide Lindqvist e sua importância no mito do vampiro. Acompanhamos também a entrada de Matt Reeves na direção, a escolha de cada intérprete do longa e também as mudanças na trama.

A Arte dos Efeitos Visuais

Bem curto e objetivo, o extra deixa as imagens falarem por si próprias e exibe diversas tomadas do filme que apresentam uso de efeitos digitais, apresentando as fases de composição até chegar no resultado final. Bacana, mas em algumas cenas os efeitos eram completamente desnecessários (sangue no rosto, por exemplo).

Cena do acidente de carro passo-a-passo

A sensacional cena da capotagem do carro de Richard Jenkins ganha uma análise mais detalhada neste breve extra. Reeves explica os diferentes processos da sequência, que envolveram um dublê dirigindo, uma réplica do carro girando em estúdio e efeitos digitais para o cenário visto no retrovisor e janelas do veículo. Trabalho complicado, mas que fica muitíssimo bem em cena.

Dissecando Deixe-me Entrar

Extra interativo exclusivo do Blu-ray, ele apresenta um picture-in-picture em certos momentos para detalhar curiosidades sobre a produção (como informações sobre o personagem de Richard Jenkins, o cubo mágico e diversos outros). Boa sorte para encontrar todos…

Cenas Excluídas

Aqui temos 3 cenas que foram cortadas da edição do filme: Abby brincando com um quebra-cabeças (bem curta), uma conversa entre Owen e o Professor Zorin (muito interessante) e o flashback que mostra o ataque sofrido por Abby, que a transformou em uma vampira (intenso e trazendo uma ótima performance de Chloe Moretz). É possível também assistí-las com comentário de Reeves, que explica os motivos da ausência de cada cena no longa.

Galerias de Trailers e Pôsters/Imagens de Bastidores

Bem, o título é auto-explicativo… Temos duas galerias separadas com pôsters e imagens de bastidores e trailers de divulgação do filme. Na minha opinião, é sempre um bônus quando esse tipo de material marca presença nos extras.

Nota Geral:

O blu-ray de Deixe-me Entrar ainda não está disponível no Brasil, mas é extremamente recomendável que ele faça parte de sua coleção quando chegar ao mercado nacional. O filme é impecável em imagem e som, e seu material extra é satisfatório. Esqueça Crepúsculo e vá atrás deste.

Obs: Agradecimentos à Giovanna Penteado por ter trazido o filme de sua viagem aos EUA.

Especial Pixar Studios

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de junho de 2010 by Lucas Nascimento

Com a estreia de Toy Story 3 hoje, nada mais justo que um especial relembrando meus filmes preferidos daquela que é, incontestavelmente, a melhor empresa de animação do cinema.

Toy Story (1995)

Um marco nas animações 3D, é antes de mais nada, uma das mais originais e divertidas histórias já contadas, que não deixa o visual prevalecer sobre a narrativa. Os personagens são inesquecíveis e o bom humor está a mil.

Toy Story 2 (1999)

Tudo que já era bom no primeiro filme, ficou ainda melhor na sequência, que já começa a saga “séria” da Pixar, mas é claro, sem perder o muito bom hum0r. Os novos personagens são excelentes, a trama é mais empolgante e não faltam referências marcantes (O Império contra-ataca). Clássico.

Monstros S.A. (2001)

A clássica história do monstro do armário, que toda criança ja ouviu, ganha uma bela e divertida homenagem. A ideia de uma empresa de monstros é tão criativa que explica a razão de filmes animados merecerem prêmios. Não só a premissa, os personagens são bem desenvolvidos e memoráveis.

Os Incríveis (2004)

Parecendo uma versão infantil de Watchmen, a família de super-heróis impressiona não pelas cenas de ação, história bem elaborada ou a animação caprichada, mas sim, o sempre presente cuidado em construir os personagens e estabelecer relações entre eles. Ótimo filme.

Procurando Nemo (2005)

Já ouviram “Beyond the Sea” de Bobby Darin? É essa música que sempre me vem a cabeça quando assisto a saga aquática dos peixes Marlin e Dory à procura do pequeno Nemo. É interessante observar as divertidas referências, não só a filmes, como por exemplo os tubarões, que representam os grupos de alcoolismo ou as “tartarugas surfistas”. Diversão de primeira.

Carros (2006)

No início, achei a ideia de Carros completamente ridícula, mas fui me interessando pelo filme quando ele começou a fazer mais barulho (é um dos filmes da Pixar com maior marketing). É uma aventura divertida, original e com muito coração. E as corridas possuem um visual bem melhor do que o Speed Racer dos Irmãos Wachowski…

Ratatouille (2007)

A lição de Ratatouille é, basicamente, qualquer um pode fazer qualquer coisa. Exemplo? Um rato pode cozinhar melhor que qualquer chef de Paris. Um dos melhores trabalhos da Pixar, o filme é emocionante, divertido, muito bem produzido (a direção de arte é impecável) e extremamente original. Obrigatório.

Wall-E (2008)

O visual é quase tão impressionante quanto a história do robozinho solitário, cuja função é limpar a Terra depois de sua poluição total. A mensagem de esperança e a crítica ecológica são fortes e extremamente cativantes. Ótimo filme (de novo).

Up – Altas Aventuras (2009)

O que dizer de um filme que consegue te emocionar sem apelar para o melancólico, apenas mostrando belíssimas imagens, ótima trilha sonora e personagens inesquecíveis? O que dizer de um filme que faz isso nos primeiros 10 minutos? O filme evolui para aventura, mas não perde o charme.

Bem, o especial acabou, mas aguarde, mais tarde crítica de Toy Story 3 estará aqui.