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ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Quatro | Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Chegamos à ultima parte do especial. Hora de ver quem vai levar a melhor neste Oscar bizarro.

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês

 

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O Abutre | Dan Gilroy

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Estreia de Dan Gilroy como diretor, ele foi lembrado apenas com seu ótimo roteiro de O Abutre, que gira em torno de um câmera obcecado em registrar tragédias e acidentes a fim de vendê-las para uma rede de telejornalismo. É um texto que critica e denuncia diversos padrões jornalísticos e sensacionalistas que encontramos em qualquer canal de TV, tablóide ou site, e Gilroy canaliza tudo isso em seu poderoso protagonista, Lou Bloom. É um sujeito detestável, mecânico, calculista e inteligente, sempre com excelentes diálogos no qual demonstra o quão acima está de outras pessoas, e o quão perto está da psicopatia. Grande estreia.

Quotação Memorável: “Um amigo é um presente que damos a nós mesmos” – Lou Bloom

Birdman | Alejandro Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. & Armando Bo

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A presença de múltiplos roteiristas em um único projeto costuma ser um péssimo sinal, já que comumente resulta num turbilhão de ideias divergentes e diferentes entre si. Não poderia ser mais errado para Birdman, que traz um roteiro genial assinado pelo próprio Alejandro Iñarrítu, Nicólas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr e Armando Bo. O texto desse “quarteto fantástico” mergulha nos bastidores de uma peça de teatro ambiciosa, explorando temas como o processo de trabalho de um ator, crítica à cada vez maior obsessão de Hollywood com super-heróis e um estudo de personagem admirável em cima de Riggan Thomson, o alter-ego de Michael Keaton.

“A popularidade é a prima promíscua do prestígio” – Mike Shiner

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Boyhood: Da Infância à Juventude | Richard Linklater

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Levemos em consideração que Richard Linklater escreveu um roteiro por mais de uma década. A cada ano de filmagem de Boyhood, o diretor parava e escrevia as cenas que gravaria naquele período de tempo, tendo que ficar atento aos principais eventos de cultura pop (lançamentos de livros de Harry Potter até o novo filme de Star Wars) e também acontecimentos políticos, já que a posse de Obama é constantemente retratada aqui. Mas, como em todo filme de Linklater, o ponto alto do roteiro é o cuidado com que trabalha suas relações humanas, e com Mason o diretor é habilidoso ao provenir os detalhes de seu crescimento e o diferente olhar que este tem com o mundo.

Quotação Memorável: “Eu só achei que haveria mais” – Olivia

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo | E. Max Frye e Dan Futterman

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Um dos indicados surpresa da categoria, o roteiro de Foxcatcher é conciso ao trazer os eventos trágicos dessa “história que chocou o mundo”. A dupla de Frye e Futterman aposta em uma narrativa que se aproxima mais do suspense do que de um filme de esportes, criando diálogos intensos com John du Pont, assim como um estudo de personagem que tenta mergulhar em sua mente perturbada, abordando sua aceitação pela mãe. Mais do que isso, o roteiro consegue oferecer uma crítica ao ufanismo americano e o lado destrutivo da filosofia do self made man, assim como o poder do ícone e da imagem.

Quotação Memorável: “Ornitólogo, filatelista, filantropo” – John du Pont

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson e Hugo Guinness

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Tomando inspiração do trabalho de Stefan Zweig (em nenhum trabalho específico, mas sim o espírito de tais histórias) Wes Anderson e Hugo Guiness tecem uma das histórias mais malucas e divertidas dos últimos tempos, numa aventura frenética que ainda flerta com roubo de arte, espionagem, fuga de prisão e sociedades secretas. O Grande Hotel Budapeste também é povoado por figuras típicas da filmografia de Anderson, tendo destaque para o bon vivant M. Gustave, cujos diálogos sofisticados (e ultra bem escritos) sempre trazem citações poéticas, líricas e até um sonoro “holy fuck”. Maravilha de roteiro.

Quotação Memorável: “Viu, ainda há sutis lampejos de civilização neste açogue bárbaro que outrora foi conhecido como Humanidade. De fato, é o que provemos em nossas próprias modestas, humildes, insignificantes… Ah, foda-se.” – M. Gustave

  • WGA
  • BAFTA

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Birdman

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Uma Aventura Lego | Chris Miller & Phil Lord

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Sério, transformar um filme com intenções obviamente comerciais que seriam apenas um veículo para mais vendas de um produto em uma aventura divertida e original? Fácil, reverter o feitiço e apelar para uma metalinguagem auto-depreciativa, fórmula que Chris Miller e Phil Lord já fizeram funcionar com os dois Anjos da Lei. Em Lego, a dupla encara o aspecto capitalista/empresarial e enxerga um universo repleto de possibilidades, participações especiais (quando Batman vai dar uma volta na Millennium Falcon de novo? Ah é, nunca) e uma mensagem sincera e bonita, sem ser piegas.

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O Jogo da Imitação | Graham Moore, baseado no livro Alan Turing: The Enigma”, de Andrew Hodges

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Graham Moore opta por contar a história do matemático Alan Turing em três períodos distintos da sua vida, que se misturam na narrativa inconstante a fim de retratar sua identidade e a delicada questão de sua homossexualidade. Pessoalmente, acho que Moore quebra a narrativa mais interessante (que envolve seus estudos contra a Enigma, durante a Segunda Guerra Mundial) e aposta em subtramas que não conseguem a mesma força – especialmente a investigação do detetive de Rory Kinnear, que representa para mim a maior falha estrutural do roteiro. Tirando isso, O Jogo da Imitação é pura fórmula, mas garante ótimos diálogos, geralmente graças à personalidade intelectual/arrogante de Turing e seu contraste com a divertida Joan Clarke.

Quotação Memorável: “Se eu era Deus? Não. Porque Deus não venceu a guerra. Nós vencemos” – Alan Turing

  • WGA
  • USC Scripter

Sniper Americano | Jason Hall, baseado no livro “American Sniper – The Autobiography Of The Most Lethal Sniper In U.S. Military History”, de Chris Kyle, Scott McEwen e Jim DeFelice

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O roteiro de Sniper Americano é algo interessante, mas que sinceramente não gritava por uma indicação. Jason Hall dramatiza toda a carreira militar do atirador Chris Kyle, começando de sua infância e o desejo de lutar por seu país até sua trágica morte em 2013. Hall até tenta trazer algum questionamento dentro das experiências do protagonista, como sua devoção ao país ao invés de sua família cada vez mais dependente, explorando de forma rasa a psique de Kyle, que surge aqui como um patriota idealista. Gosto de como o roteiro cria situações e até personagens mais característicos, como o terrorista apelidado de “Açogueiro” e o sniper inimigo que persegue Kyle durante sua estadia no Iraque.

Quotação Memorável: “Só quero encontrar o Criador e responder por cada tiro que dei” – Chris Kyle

A Teoria de Tudo | Anthony McCarten, baseado no livro “Travelling to Infinity: My Life with Stephen”, de Jane Hawking

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Um dos fatores interessantes nessa adaptação da vida de Stephen Hawking, é que o livro em questão foi escrito sob o ponto de vista de sua esposa, Jane Hawking. O roteiro de Anthony McCarten respeita esse elemento e faz de A Teoria de Tudo um filme não apenas sobre o físico, mas sobre a relação do casal em si. Claro que Hawking acaba roubando os holofotes e torna-se de fato o protagonista, mas Jane ganha espaço com algumas sonolentas subtramas que envolvem outros interesses amorosos. O que realmente me agrada no roteiro é que ele aborda alguns dos estudos de Stephen Hawking sobre buracos negros e a origem do Universo, até flertando com a eterna discussão Ciência vs Religião, mesmo que não se aprofunde tanto quanto poderia.

Quotação Memorável: “Me perguntaram em Cambridge se eu era mesmo o Stephen Hawking. Eu disse que não, pois o verdadeiro é bem mais bonito.” – Stephen Hawking

  • BAFTA

Vício Inerente | Paul Thomas Anderson, baseado no livro “Vício Inerente”, de Thomas Pynchon

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Não vai ser possível assistir a Vício Inerente antes do Oscar, já que a Warner empurrou sua estreia no Brasil para 26 de Março, mas é interessante ver o roteiro de Paul Thomas Anderson aqui. Pelo que dizem, é uma tarefa árdua adaptar essa obra de Thomas Pynchon, que se concentra num detetive excêntrico que precisa ajudar sua ex-namorada e desvendar um plano para sumir com seu atual amante, o que o coloca numa jornada para interrogar diferentes suspeitos no auge da paranóia de Los Angeles, na década de 70.

Quotação Memorável: “Tecnicamente ele é judeu, mas quer ser um nazista” – Tia Reet

Whiplash – Em Busca da Pefeição | Damien Chazelle, baseado em seu próprio curta “Whiplash”

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Por um erro bobo da Academia, Whiplash veio parar em Roteiro Adaptado, ao invés de Original (já que o curta em questão fora realizado apenas para conseguir orçamento para o longa), mas fazer o que. O texto de Damien Chazelle traz uma história muito, muito simples, mas que envolve graças à riqueza de seus personagens e o cuidado na trajetória de seu protagonista. Andrew Nyeman é um sonhador ambicioso, mas também um arrogante egocêntrico; Terence Fletcher é um monstro, mas também tem seus motivos nada menos que lógicos. Nesse cenário, Chazelle ainda traz diversas referências ao meio musical, a história do Jazz e também um comentário interessante sobre a nova tendência mundial no meio do entretenimento. Ótimo.

Quotação Memorável: “Não há duas palavras na Língua Inglesa mais nocivas do que ‘bom trabalho'” – Terence Fletcher

APOSTA: O Jogo da Imitação

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Teoria de Tudo

MEU VOTO: Whiplash

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Gillian Flynn, baseado em seu livro “Garota Exemplar”

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A melhor coisa quando um escritor resolve adaptar sua própria obra para o cinema, é que comentários do tipo “estragaram o livro” ou “o livro foi melhor” são irrelevantes, já que a liberdade criativa está nas mãos do próprio autor. Enfim, o que importa aqui é que Gillian Flynn tem um roteiro impecável para Garota Exemplar, que respeita sua obra e faz as mudanças necessárias para que este funcione como uma narrativa audiovisual. O mistério de Amy Elliot Dunne oferece três estilos de histórias distintas, que vão do circo midiático que cerca o protagonista Nick Dunne, os contos duvidosos de sua esposa e a verdadeira batalha matrimonial que se forma a partir do segundo ato, revelando uma das femme fatales mais perigosas dos últimos tempos. Diálogos, reviravoltas e comentários sociais funcionam muitíssimo bem.

Quotação Memorável: “Quado eu penso na minha esposa, sempre penso na cabeça dela. Me imagino arrebentando seu lindo crânio, desenrolando seu cérebro à procura de respostas. As perguntas essenciais de qualquer casamento: No que está pensando? Como está se sentindo? O que fizemos um ao outro?” – Nick Dunne

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Wes Anderson | O Grande Hotel Budapeste

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Enfim a Academia reconheceu todo o talento e as bizarrices de Wes Anderson, e naquele que considero seu melhor filme. Sua obsessão por planos simétricos e enquadramentos milimetrados permanece presente aqui, onde o diretor explora com habilidade o universo fictício que criou. O uso de miniaturas para cenários mais cartunescos é divertido, assim como as animações e stop motion que surgem abruptamente, como já na famosa perseguição de ski. Outra decisão interessante já comentada no Volume II do especial, é a mudança da razão de aspecto da tela ao longo da projeção, em uma homenagem ao próprio Cinema e sua evolução pelos anos.

Alejandro G. Iñárritu | Birdman

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Alejandro González Iñárritu não é famoso por comédias (aliás, muito pelo contrário), o que torna Birdman a obra mais diferente de sua carreira. Seu comando na sátira à indústria de Hollywood e o mundo do teatro é ousado pelo experimento de simular um plano sequência de 2 horas, juntando planos de até 20 minutos em uma narrativa fluente. O domínio estético de Iñarrítu é invejável, com movimentos de câmera bem elaborados, travellings e uma direção precisa a seu talentoso elenco. Com a vitória de Alfonson Cuarón ano passado e a possível conquista de Iñarrítu nesta edição, uma coisa fica clara: viva Mexico!

  • DGA

Richard Linklater | Boyhood – Da Infância à Juventude

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Um dos autores mais interessantes da atualidade, Richard Linklater já mergulhou nas mais diferentes histórias (o mesmo cara responsável pela trilogia Antes fez Escola de Rock, uau), mas sempre manteve sua visão e humanidade. Com Boyhood – Da Infância à Juventude, Linklater trouxe seu projeto mais ambicioso e arriscado, ao passar 12 anos em uma história sobre o crescimento de um garoto. Sua direção permanece humanista e sem maneirismos, deixando o foco absoluto nas performances do elenco, destacando-se aqui e ali com uma conversa em plano sequência ou momentos mais intensos, como o padrasto alcoólatra no trânsito. Linklater também tem bom olho para belas paisagens.

  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Bennett Miller | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

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Bennett Miller é a grande surpresa da categoria, ainda mais considerando que seu Foxcatcher não conseguiu uma vaga na categoria principal. Adotando um tom pesado e predominantemente lento, Miller é eficaz ao construir uma atmosfera silenciosa e pré-catástrofe durante toda a projeção do filme, o que certamente vai afastar espectadores que esperam um pouco mais de ação ou elementos chocantes. Há explosões dramáticas aqui e ali, e a câmera de Miller sempre registra de perto, capturando até os mínimos ruídos em um simples diálogo. E se em O Homem que Mudou o Jogo ele se aventurava em cenas de beisebol, aqui ele recria lutas olímpicas e pesados treinamentos. Sua opção por constantemente enquadrar esculturas, quadros e retratar os personagens vidrados na televisão também revela como Foxcatcher estuda o poder do ícone.

  • Festival de Cannes – Melhor Diretor

Morten Tyldum | O Jogo da Imitação

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Morten quem? Pois é, Morten Tyldum é um diretor norueguês (você talvez tenha visto seu ótimo Headhunters, lançado no Brasil em 2012) que fez com O Jogo da Imitação sua estreia no cinema de língua inglesa. A verdade é que acho o trabalho de Tyldum bem eficiente aqui, mas nada que realmente se destaque como um dos melhores do ano, que mereça ser reconhecido pela Academia. É uma condução firme, mas nada de espetacular.

APOSTA: Alejandro G. Inãrritu

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Richard Linklater

MEU VOTO: Alejandro G. Inãrritu

FICOU DE FORA: Damien Chazelle | Whiplash – Em Busca da Perfeição

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Ver um novato como Damien Chazelle gravar um filme todo em 19 dias é uma das coisas que dá inspiração para seguir a carreira de cineasta. Com Whiplash – Em Busca da Perfeição, Chazelle criou uma narrativa simples e intensa, lindamente fotografada e enquadrada (sem conhecimento de planos e foco é assombroso) e povoada por grandes atuações. Quero muito ver o que Chazelle trará no futuro.

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Um ator fracassado, uma adolescência inteira, um hotel excêntrico, um matemático brilhante, uma marcha por direitos, um sniper patriota, um físico deficiente e um baterista ambicioso marcam os indicados para Melhor Filme.

Birdman | Alejandro G. Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole

4.5

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Birdman é uma obra inteligente e repleta de comentários ácidos sobre a indústria de Hollywood e os bastidores do mundo do teatro, explorando um impecável elenco numa narrativa guiada por uma visão de mestre de Alejandro G. Iñarrítu.

  • PGA
  • SAG – Melhor Elenco

Boyhood: Da Infância à Juventude | Richard Linklater e Cathleen Sutherland

4.5

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“Em seus momentos mais profundos, Boyhood: Da Infância à Juventude é capaz de se transformar um espelho, fazendo com que o espectador olhe para si mesmo e identifique-se com os eventos do longa, em busca de uma catarse. Certamente trouxe um forte impacto em mim, não apenas como cinéfilo, mas como ser humano.”

  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales e Jeremy Dawson

5.0

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O Grande Hotel Budapeste é desde já um dos melhores trabalhos de 2014, e comprova que o invencionismo visual de Wes Anderson não atrapalha na condução de uma história que abraça o nonsense. Pelo contrário, ajuda e diverte.
Caramba, talvez seja um dos filmes mais divertidos que eu já vi na vida.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

O Jogo da Imitação | Nora Grossman, Ido Ostrowsky e Teddy Schwarzman

3.5

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O Jogo da Imitação é um bom filme, mas que não vai muito além da fórmula do biopic esperado de uma temporada de prêmios, pouco arriscando-se. Traz um roteiro eficiente, atuações impecáveis e um grande respeito pelo trabalho de Alan Turing, ainda que não seja uma obra excepcional como a de seu biografado.

  • Festival de Toronto – Prêmio do Júri

Selma: Uma Luta por Igualdade | Christian Colson, Oprah Winfrey, Dede Gardner e Jeremy Kleiner

3.5

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“Selma: Uma Luta por Igualdade é um filme eficiente e que carrega consigo uma mensagem atemporal sobre a luta de direitos raciais, carregado por uma direção acertada e uma performance espetacular de David Oyelowo. Pode não ser poderoso quanto os dizeres de Martin Luther King, mas é um belo atestado a este e seus ideais.”

Sniper Americano | Clint Eastwood, Robert Lorenz, Andrew Lazar, Bradley Cooper e Peter Morgan

3.0

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Sniper Americano traz seus bons momentos de tensão e pirotecnicas, mas é arrastado, longo e prejudicado pelo retrato idealista e nacionalista de seu protagonista. Quem diria que, num ano em que Eastwood lança um musical de coral e um filme sobre um atirador, o longa cantado seria melhor?”

A Teoria de Tudo | Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce e Anthony McCarten

3.5

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A Teoria de Tudo é um biopic eficiente que traz excelentes performances do talentoso jovem elenco, ao mesmo tempo em que conta uma grande história de forma convencional, emocional e até formulaica. Poderia ter ido mais longe em seus questionamentos e na vida de Stephen Hawking, mas não deixa de ser uma bela homenagem ao renomado cientista.”

  • BAFTA – Filme Britânico

Whiplash – Em Busca da Pefeição | Jason Blum, Helen Estabrook e David Lancaster

5.0

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Whiplash – Em Busca da Perfeição é uma obra que funciona exatamente como uma orquestra sinfônica. Cada departamento exerce sua função magistralmente, tal como instrumentos musicais, cada um a seu ritmo e sob a conduta de um sujeito inteligente para entregar uma experiência inebriante. Ao final, tudo o que posso dizer é “bravo”.”

  • Festival de Sundance – Grande Prêmio do Júri

APOSTA: Birdman

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Boyhood

MEU VOTO: Whiplash

FICOU DE FORA: Garota Exemplar

5.0

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Garota Exemplar é um filme poderoso e surpreendente, seja por suas reviravoltas imprevisíveis ou pelo humor negro que adota para retratar temas e situações relevantes no momento – sendo a instituição casamento seu principal alvo. Um dos melhores do ano e também da filmografia do sr. David Fincher.”

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BAFTA 2015: Os vencedores

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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O BAFTA aconteceu e temos aqui os vencedores do “Oscar britânico”. Confira:

MELHOR FILME

Boyhood: Da Infância à Juventude

MELHOR FILME BRITÂNICO

A Teoria de Tudo

MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR, PRODUTOR OU ROTEIRISTA BRITÂNICO

Stephen Beresford (Roteiro), David Livingstone (Produtor) | Pride

MELHOR DIRETOR

Richard Linklater | Boyhood: Da Infância à Juventude

MELHOR ATOR

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

MELHOR ATRIZ

Julianne Moore | Para Sempre Alice

MELHOR ATOR COADJUVANTE

J.K. Simmons | Whiplash – Em Busca da Perfeição

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

Ida

MELHOR ANIMAÇÃO

Uma Aventura LEGO

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Citizenfour

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Teoria de Tudo | Anthony McCarten

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

O Grande Hotel Budapeste | Adam Stockhausen, Anna Pinnock

MELHOR FOTOGRAFIA

Birdman | Emmanuel Lubezki

MELHOR FIGURINO

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

MELHOR MONTAGEM

Whiplash – Em Busca da Perfeição | Tom Cross

MELHOR TRILHA SONORA

O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

MELHOR SOM

Whiplash – Em Busca da Perfeição | Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

MELHOR MAQUIAGEM/CABELO

O Grande Hotel Budapeste | Frances Hannon

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Interestelar

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

The Bigger Picture

MELHOR CURTA-METRAGEM

Boogaloo and Graham

MELHOR ESTRELA EM ASCENSÃO

Jack O’Connell

 

DIRECTORS GUILD AWARDS 2015: Os Indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , on 13 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

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E são esses os 5 diretores escolhidos para o prêmio do Director’s Guild Awards:

Wes Anderson | O Grande Hotel Budapeste

Clint Eastwood | Sniper Americano

Alejandro G. Iñarritu | Birdman

Richard Linklater | Boyhood: Da Infância à Juventude

Morten Tyldum | O Jogo da Imitação

O vencedor será anunciado em 7 de Fevereiro.

| Boyhood: Da Infância à Juventude | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

Boyhood
Ellar Coltrane: 12 Anos de Atuação

Boyhood – Da Infância à Juventude é um filme difícil de se escrever sobre, já que mal posso considerá-lo como um filme. O indie épico de Richard Linklater está mais para uma representação da vida do que ficção, com seus atores se livrando de qualquer luxo ou estereótipo para adotar pessoas reais, em um filme cuja trama é, nada menos, do que a própria vida e os diferentes estágios desta.

Pra quem não sabe, aqui vai um breve resumo: em 2002, Richard Linklater começou a trabalhar em um projeto secreto que se estenderia até 2014, onde filmou a infância do ator Ellar Coltrane – em uma história ficcional, diga-se de passagem – por pouco mais de uma década. O que vemos em tela, é praticamente uma vida.

Richard Linklater é um cineasta único, com uma visão apaixonada dos objetos e personagens que opta retratar. Foi assim com Jovens, Loucos e Rebeldes, o filosófico Waking Life, sua carta de amor ao rock and roll com Escola de Rock, o falso documentário Bernie – Quase um Anjo e, mais notavelmente, na trilogia romântica iniciada com Antes do Amanhecer. Boyhood é um projeto muito mais ambicioso, remetendo diretamente às experiências de Michael Apted na série de documentários Up (onde entrevistava pessoas em diferentes estágios de suas vidas) ou à relação entre François Truffaut e o ator Jean-Pierre Aumont, que interpretou o mesmo personagem em diferentes filmes, em diferentes épocas. Aliás, Os Incompreendidos (estreia de Truffaut como diretor) é uma inspiração assumida de Linklater, não só para Boyhood, mas para toda sua carreira no geral.

Isso porque Linklater é habilidoso em retratar tudo da maneira mais espontânea e natural possível. Sua câmera está lá pra capturar momentos e uma trilha sonora instrumental não-diegética é inexistente aqui, dando espaço para uma variada mixtape de músicas pop/indie, o que diversas vezes nos faz questionar as barreiras entre ficção e realidade. É fascinante ver Ellar Coltrane crescendo e aprendendo a atuar, especialmente porque seu Mason é um adolescente com uma visão muito específica a respeito do mundo. Tanto Ethan Hawke quanto Patricia Arquette (a última, principalmente) estão excelentes como os pais de Mason, e é igualmente impressionante ver os distintos estágios que a mãe enfrenta durante a projeção; culminando um sincero e emocional desabafo, cujo apelo certamente é universal.

E o filme também é divertidíssimo. As referências de dez anos atrás – registradas dez anos atrás, olha só – quase transformam o filme em uma máquina do tempo, seja para desenterrar desenhos como Dragonball e o início do Funny or Die ou para prever o futuro, como quando Mason e seu pai se perguntam se algum dia haveria um novo filme de Star Wars. “O Retorno de Jedi é o fim. O que daria pra fazer depois disso? Transformar Han Solo num Lorde Sith?”

Em seus momentos mais profundos, Boyhood: Da Infância à Juventude é capaz de se transformar um espelho, fazendo com que o espectador olhe para si mesmo e identifique-se com os eventos do longa, em busca de uma catarse. Certamente trouxe um forte impacto em mim, não apenas como cinéfilo, mas como ser humano.

É um filme sem igual.

Confira o trailer de BOYHOOD, de Richard Linklater

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , on 25 de abril de 2014 by Lucas Nascimento

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Responsável pela indispensável trilogia do Antes (Amanhecer, Pôr do Sol e Meia-Noite), o cineasta Richard Linklater nos apresenta a outro projeto que incorpora longos espaços temporais em sua história (a saga de Jesse e Celine teve um filme a cada nove anos). O filme da vez é Boyhood, no qual Linklater trabalha desde 2002, e concentra-se no crescimento e amadurecimento de um garoto (Ellar Salmon) ao longo de 12 anos.

Confira o primeiro trailer:

Projeto ambicioso, recebeu diversos elogios em sua exibição no Festival de Sundance. Promissor.

Boyhood estreia no Brasil em 30 de Outubro.

Os Mestres do Oscar 2014| Volume IV: Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 27 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2014! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês (curiosamente, a Sony não liberou nenhum de seus 5 roteiros indicados)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Blue Jasmine | Woody Allen

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Como um iniciante na vasta carreira de Woody Allen (não assisti a nem metade de seus 49 filmes), fui surpreendido por seu Blue Jasmine. Depois de 3 comédias leves, Allen aposta em uma densa tragédia de humor negro, que balança mais para o lado dramático do que o de humor, servindo como um poderoso estudo de personagem. Jasmine é a alma do projeto, sua irremediável e inevitável autodestruição, algo que o roteiro acerta ao colocá-la em situações que testam sua paciência e promovem um confronto de ideias/opiniões (vide sua irmã, o namorado desta, etc). Mas minha característica preferida aqui é o uso de digressões temporais (flashbacks) bem posicionados para revelar, aos poucos, os elementos que resultaram na queda de Jasmine da alta classe – deixando o surpreendente estopim para o final.

Quotação Memorável: “Quando a Jasmine não quer saber de alguma coisa, ela tem o hábito de olhar pro outro lado” – Ginger

Clube de Compras Dallas | Craig Borten e Melisa Wallack

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Por anos na conceituada “Black List” dos roteiros americanos, o roteiro de Clube de Compras Dallas é assinado pelos estreantes Craig Borten e Melisa Wallack, que adaptam o período da vida real do eletricista Ron Woodroof quando este descobre ser vítima do mortal vírus da AIDS – passando a contrabandear medicamentos ilegais. O texto da dupla é eficaz ao apresentar diversas críticas sobre temas como homofobia, burocracia farmacêutica, entre outros; mas é de se impressionar com o bem-vindo senso de humor excepcionalmente bem colocado na trama pesada. Sendo um filme centrado em seus personagens, é de se admirar com a eficiente construção das relações entre estes: como opiniões colidem, visões mudam e atitudes são modificadas.

Quotação Memorável: “Cuidado com o que vocês comem e quem vocês comem” – Ron Woodroof

Ela | Spike Jonze

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O mérito do roteiro de Spike Jonze já pode ser encontrado em sua fascinante premissa, que traz um sujeito depressivo apaixonado pelo sistema operacional de seu computador. Passado o choque inicial da ideia, Ela transforma-se em um estudo sensível e delicado a respeito do amor e a forma como a tecnologia pode influenciar as relações humanas – e o quão interessante pode ser a noção de uma máquina adquirir sentimentos e consciência própria. Jonze sutilmente coloca elementos de ficção científica na trama, mas se concentra principalmente em seus personagens, que protagonizam fabulosos diálogos e situações completamente inusitadas (a ideia mais inspirada certamente é o “avatar” utilizado por Samantha no mundo real, coisa de gênio). Ela traz muitas questões em suas palavras, e Jonze ganhou praticamente tudo o que é preciso ganhar para garantir uma vitória aqui. Absolutamente merecido.

Quotação Memorável: “O coração não é como uma caixa que você pode preencher; ele expande seu tamanho à medida em que você ama. Eu sou diferente de você. Mas isso não me faz te amar menos. Na verdade, me faz te amar mais ainda” – Samantha

  • WGA – Roteiro Original
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Nebraska |Bob Nelson

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Em seu primeiro trabalho no cinema, Bob Nelson já descolou uma indicação ao Oscar. Nada mal e merecido, já que seu texto em Nebraska é divertido e bem desenvolvido, apresentando um acertado mix de diversos temas diferentes. Há a saga de auto-satisfação do protagonista Woody Grant, as problemáticas relações familiares (pai e filho, marido e mulher, irmão e irmão), a cobiça, valores do passado e outros pequenos elementos que se complementam com eficiência ao longo da narrativa centrada. É interessante como Nelson aposta na lentidão (o que geralmente é um problema) para situar e contextualizar alguns dos personagens (especialmente a família do irmão de Woody, mergulhada na monotonia) para gerar situações engraçadas, seja através de figuras caricatas (os irmãos Bart e Cole, por exemplo) ou situações absurdas (dois “mascarados” esperando para executar um ataque). Uma história simples, mas com ótimo desenrolar.

Quotação Memorável:

“- Por que você e a mamãe tiveram filhos?
– Porque eu gostava de trepar. E a sua mãe é Católica, então já sabe” – David Grant, Woody Grant

Trapaça | Eric Singer e David O. Russell

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Nos segundos iniciais de Trapaça, um divertido letreiro alerta que “alguns desses eventos até aconteceram mesmo”. Enquanto é difícil identificar o que aconteceu e o que é pura ficção (ou se é tudo ficção, quem sabe), deve-se apontar a bipolaridade presente no texto de David O. Russell e Eric Singer. Sugeri na minha crítica que a dupla teria dividido suas funções, com Russell se dedicando mais à parte de relações pessoais (o que funciona, mas graças ao elenco) e Singer ficando a par dos elementos voltados à golpes, trapaças e dois canos fume… Não, filme errado. No fim, o roteiro de Trapaça comete o erro de tentar complicar sua trama – que é mais simples do que aparenta – e dar voltas, ao repetir frases como “Todo mundo trapaceia para sobreviver” ou diversas outras versões alternativas. O humor e os diálogos são bem acertados, porém.

Quotação Memorável: “Eu sou como um vietcongue. Estou dentro, estou fora, mas você não me vê ali.” – Irving Rosenfeld

  • BAFTA

APOSTA: Ela

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Trapaça

MEU VOTO: Ela

FICOU DE FORA: Short Term 12

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Você provavelmente nunca ouviu falar em Short Term 12, o que é uma pena. A produção indie do novato Destin Cretton é de uma qualidade fantástica, pegando a batida temática de jovens disfuncionais e oferecendo um tratamento poderoso graças à força de seus personagens e a sutileza de suas subtramas. Não está disponível no Brasil, e acho difícil que esteja tão cedo.

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou desenvolver continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

12 Anos de Escravidão |John Ridley, baseado no livro “12 Anos de Escravidão” de Solomon Northup

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John Ridley tinha uma extraordinária história de sobrevivência em mãos. A jornada de escravidão de Solomon Northup não é uma história para os fracos de coração, e Ridley certifica-se de manter os elementos mais cruéis e brutais desta, em um retrato que mantém o foco exclusivamente em seus personagens durante os 12 anos do título. O que me chama a atenção, é a construção de seu protagonista: um homem livre desacostumado em obedecer ordens brutas e ser atacado com insultos baixos, o que leva Northup a travar diálogos excepcionalmente bem escritos com seus diferentes mestres – fator que o diferencia dentro do gênero. Toda a execução da narrativa funciona, seja na linha do protagonista ou nas subtramas (como aquela envolvendo o fazendeiro Epps e a escrava Patsey). O roteiro de Ridley é forte.

Quotação Memorável: “Eu não quero sobreviver. Eu quero viver” – Solomon

  • Critics Choice Awards
  • USC Scripter

Antes da Meia-Noite | Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater, baseado nos personagens de Richard Linklater

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Fico triste pela ausência de Antes da Meia-Noite em mais categorias, mas ao menos seu impecável roteiro foi lembrado pela Academia. Escrito por Richard Linklater e preenchido com diversas improvisações de Ethan Hawke e Julie Delpy, a terceira parte da trilogia romântica se diferencia radicalmente dos anteriores por apresentar uma trama mais “sombria”, explorando os problemas de relacionamento entre Jesse e Celine, 18 anos após seu primeiro encontro. Elegantemente destrói a ideia de “felizes para sempre”, contando com as habituais longas conversas teatrais e aqui com mais personagens que obtém tempo de cena. Algo que, se tira o foco do casal por alguns instantes, oferece interessantes paralelos e reflexões a respeito da relação de Jesse e Celine. E outra, eu assistira facilmente ao filme que Jesse elabora brevemente.

Quotação Memorável: “Eu fodi a minha vida toda por causa do jeito que você canta” – Jesse

Capitão Phillips | Billy Ray, baseado no livro “Dever de Capitão” de Richard Phillips

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Paul Greengrass é conhecido por seu desejo de reproduzir fatos reais com fidelidade quase documental (vide seu trabalho excepcional em Voo United 93). Agora, se o roteiro de Billy Ray segue à risca todos os eventos envolvendo o sequestro do Capitão Richard Phillips é outra história, mas o que importa aqui é que seu texto cumpre o serviço; sendo capaz de prender o espectador na história – que se concentra quase que inteiramente na situação de risco do protagonista. O mais interessante, porém, foi a admirável decisão de Ray em apresentar tanto Phillips como o Muse (líder dos piratas) como seres multifacetados: em nenhum momento o líder dos piratas é visto como um vilão arquétipo, nem Phillips (ou a Marinha) como um símbolo de soberania estadunidense (uma bobagem que algumas pessoas conseguiram encontrar no filme). No fim, é o poder do choque sobre um ser humano seguro (e as ações que o despedaçam) que prevalece.

Quotação Memorável: “Eu sou o capitão agora” – Muse

  • WGA – Roteiro Adaptado

O Lobo de Wall Street | Terence Winter, baseado no livro “O Lobo de Wall Street” de Jordan Belfort

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Em cerca de 3 horas de duração, o roteiro do estreante (em cinema) Terrence Winter é eficaz ao reunir diversos eventos importantes da vida do corretor Jordan Belfort. Como leitor do livro, parabenizo Winter pelo ótimo trabalho de adaptação ao tomar liberdades criativas com a história, ao pegar diferentes elementos da história e costurá-los em um único grande evento; causando maior impacto cinematograficamente. Mas adaptações à parte, a prosa de Winter é excepcional ao trazer diálogos inteligentes (a forma delicada de como se desenrola aquele entre Jordan e um agente do FBI é tão empolgante como um duelo de armas de fogo), engraçados e completamente situados no mundo das ações de Wall Street. As digressões de seu protagonista (seja em narrações em off ou em quebras de 4ª parede) são divertidíssimas e envolventes.

Quotação Memorável: “Às vezes quando se vai bancar o vilão de James Bond, precisa estar à altura do papel” – Jordan Belfort

Philomena | Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro “Philomena: A Mother, Her Son, and a Fifty-Year Search”, de Martin Sixmith

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E mais uma história real (impressionante, não? 6 dos 10 indicados de ambas as categorias são baseados em fatos verídicos) é reconhecida pela Academia, o consistente roteiro de Philomena. Seu grande mérito certamente reside nos diálogos entre os protagonistas, especialmente os divertidos choques de opiniões entre os dois; o que leva o texto de Pope e Coogan a abrir algumas discussões a respeito de religião, a repreensão de instinto sexuais, mídia e uma sombria revelação que coloca em xeque algumas práticas da antiga Igreja Católica. Mas no fim, Philomena agrada pelo tom leve e o eficiente equilíbrio entre humor e drama.

Quotação Memorável: “Nunca estive no México, mas imagino que seja adorável. Com exceção dos sequestros” – Philomena

  • BAFTA
  • Festival de Veneza

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Capitão Phillips

MEU VOTO: Antes da Meia-Noite

FICOU DE FORA: The Spectacular Now | Scott Neustadter e Michael H. Weber, baseado no livro “The Spectacular Now”, de Tim Tharp

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Ainda sem previsão de lançamento em Home Video no Brasil (no cinema, muito menos), The Spectacular Now passou despercebido por diversas premiações. Uma pena, já que a adaptação de Scott Neustadter e Michael H. Weber (dupla responsável por (500) Dias com Ela) para o romance de Tim Tharp surge como uma das mais honestas, divertidas e bem feitas obras sobre amadurecimento pós-colegial, aquele drama todo. A dupla encontra na complexa figura do protagonista Sutter Keely uma oportunidade de traçar um envolvente estudo de personagem, com uma subtrama amorosa que agrada pela espontaniedade. Assistam.

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Alfonso Cuarón | Gravidade

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Assim como James Cameron fez em Avatar, Alfonso Cuarón desenvolveu novas tecnologias e câmeras para contar sua história em Gravidade – costumo brincar ao dizer que este dirigiu o filme numa caixa. Mas atrevo-me a dizer que o resultado alcançado pelo diretor mexicano tenha sido ainda mais fascinante do que aquele visto em 2009: Cuarón aposta em longuíssimos planos sequência onde a câmera passeia pelo ambiente e seus personagens, garantindo uma imersão completa – com belo uso do 3D – dentro da experiência. Em uma premissa limitada (dois astronautas perdidos no espaço), Cuarón realizou um dos filmes mais emocionantes de 2013.

  • DGA
  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Steve McQueen | 12 Anos de Escravidão

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Responsável pelos excepcionais Hunger e Shame, o britânico Steve McQueen enfim parece ter entrado no radar da Academia com seu pesado e dramático 12 Anos de Escravidão. Seu trabalho ganha força por sua decisão em retratar com visceralidade todos os abusos psicológicos e físicos a que eram submetidos os escravos durante o sombrio período do século XIX, o que faz McQueen apostar em longas tomadas de açoitamentos e agressões (e algumas imagens gráficas). Mas o diretor também é extramamente competente nos quesitos técnicos, mantendo seus habituais longos takes (que aqui geram tensão ou simbolizam sutilmente uma longa passagem de tempo) e um cuidado visual detalhista.

Alexander Payne | Nebraska

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Indicado surpresa da categoria (na teoria, a vaga deveria ser de Paul Greengrass), Alexander Payne é lembrado novamente por seu tragicômico Nebraska. A começar pela decisão do diretor em gravar o filme em preto e branco, o que rendeu um tom absolutamente único para a narrativa, que conta com seu comando de forma contida, mas igualmente efetiva. Payne aposta na lentidão de cenas e diálogos para balancear um humor divertido e diversos subtemas poderosos, sendo explorados por completo meramente por mise em scènes simples ou planos detalhados.

David O. Russell | Trapaça

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Em sua terceira indicação ao Oscar na categoria, por seu terceiro filme consecutivo, David O. Russell já vai assumindo um status invejado em Hollywood. Aprecio seu trabalho, mas sua indicação por Trapaça revela um trabalho muito mais contido e centrado em seu elenco (que, repito mais uma vez, é o grande mérito da produção); não é por acaso que os planos de Russell sejam sempre mais fechados, com raríssimas tomadas abertas e movimentos de câmera que se limitam a circular entre os diálogos dos personagens. Russell aproveita o elenco e, aqui e ali, surge inspirado com algumas tomadas musicais (o destaque aqui fica com “Live and Let Die”), mas nada que eu considere espetacular a ponto de uma indicação.

Martin Scorsese | O Lobo de Wall Street

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Martin Scorsese é um monstro sagrado do Cinema, e aos 71 anos de idade recebe sua 9ª indicação na categoria, pela selvagem e frenética condução de O Lobo de Wall Street. A cinebiografia de Jordan Belfort transporta o diretor para seu território de mestre, um no qual não pisava os pés desde a década de 90, em obras como Os Bons Companheiros e Cassino (sem contar o flerte com o gênero em Os Infiltrados). Aliado de um excelente roteiro, uma poderosa atuação central e sua inseparável montadora, Scorsese traça uma narrativa repleta de elementos dinâmicos (quebra de quarta parede, narrações em off, recortes e até confusões mentais de seu protagonista), humor negro afiado e muita segurança ao abusar do conteúdo de sexo e drogas – mas nunca glorificando seu objeto de estudo. Scorsese como não víamos há tempos.

APOSTA: Alfonso Cuarón

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Steve McQueen

MEU VOTO: Alfonso Cuarón

FICOU DE FORA: Paul Greengrass | Capitão Phillips

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Paul Greengrass, como Tom Hanks, parecia uma aposta certeira para uma vaga no Oscar de direção. É uma pena que Greengrass tenha ficado de fora, já que seu comando no intenso Capitão Phillips é seguro, quase documental e de manter o espectador vidrado na cadeira. Câmera incessante, close ups em seus atores e algumas cenas de ação em alto-mar muito bem executadas.

Menções Honrosas:

Joel e Ethan Coen | Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

Ron Howard | Rush: No Limite da Emoção

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Um homem livre escravizado, um capitão da marinha sequestrado, sistemas operacionais sedutores, astronautas perdidos, corretores da bolsa anárquicos, um pai obcecado com uma fortuna, uma mãe em busca de seu filho e um grupo de golpistas trapaceiros estão entre os indicados a Melhor Filme no Oscar 2014. Vejamos:

12 Anos de Escravidão | Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Steve McQueen e Anthony Katagas

4.5

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“Excepcional também em seus valores de produção, 12 Anos de Escravidão é uma experiência difícil e pesada. Corajosamente pega um dos gêneros mais delicados do cinema norte-americano e oferece um tratamento visceral e que certamente será lembrado por anos, não só por sua brutalidade, mas também pela força de seu impecável protagonista e o emocionante desfecho de sua dura jornada.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards
  • BAFTA

Capitão Phillips | Scott Rudin, Dana Brunetti e Michael De Luca

4.5

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Capitão Phillips é intenso do início ao fim, você sabendo ou não o desfecho da história. Tecnicamente impecável e com atuações verossímeis a ponto de nos esquecermos de que isto são apenas imagens fictícias projetadas em tela, Paul Greengrass fez aqui um dos trabalhos mais memoráveis de 2013. Filmaço.”

Clube de Compras Dallas | Robbie Brenner e Rachel Winter

3.5

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“Ao fim, Clube de Compras Dallas é uma história cativante sobre um sujeito interessante, sendo favorecida pelas esforçadas performances de seu elenco principal. O resultado seria melhor com alguns minutos a menos, mas felizmente Matthew Conaughey é bem sucedido ao carregar o filme todo nas costas.”

Ela | Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay

4.0

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“Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.”

Gravidade | Alfonso Cuarón e David Heyman

4.5

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“Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração, pela forma com que retrata o espaço sideral. Algo especial foi criado aqui.”

  • Producers Guild Awards (Empate)
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA – Filme Britânico
  • Critics Choice Awards – Ficção Científica

O Lobo de Wall Street | Leonardo DiCaprio, Emma Tillinger Koskoff, Joey McFarland e Martin Scorsese

5.0

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“Com o mais inspirado uso de trilha sonora incidental em sua carreira em anos, O Lobo de Wall Street é uma frenética e implacável tragédia grega do mundo das finanças. Pode muito bem ser considerado o Bons Companheiros do gênero, mais uma fantástica adição para a carreira de Martin Scorsese. E mesmo que alguns tenham a equivocada visão de que o longa glorifica as ações repreensíveis de seu protagonista, basta observar com atenção a última tomada do filme – onde a câmera de Scorsese aponta para as reais vítimas da história. Um trabalho de mestre. Obrigado, Scorsese. Obrigado, Leo.”

Nebraska | Albert Berger e Ron Yerxa

4.0

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“No fim, é interessante observar Nebraska como uma obra sobre a auto-satisfação, mesmo que seja pautada em mentiras. Seja no suposto prêmio do protagonista, que logo desperta interesses alheios, ou em diversos momentos do último ato, o filme de Alexander Payne acerta ao analisar essa temática de forma bem-humorada e até tocante. Mas se a satisfação dos personagens aqui é fraudulenta, a do espectador diante do filme é verdadeiramente genuína.”

Philomena | Gabrielle Tana, Steve Coogan e Tracey Seaward

3.5

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“Mesmo que, aqui e ali, Frears pese a mão para arrancar algumas lágrimas, Philomena é um belo filme que encontra sustento em suas carismáticas performances centrais e o tratamento simples a temas delicados e complexos. Não é uma grande obra que será lembrada durante anos e anos, mas sem dúvidas rende um bom programa.”

Trapaça | Charles Roven, Richard Suckle, Megan Ellison e Jonathan Gordon

3.0

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“No fundo, Trapaça surge mais como uma boa oportunidade de reunir um grande elenco do que uma experiência narrativa concreta, falhando na agridoce elaboração de seu roteiro. Aqui e ali David O. Russell tenta brincar de Scorsese, mas seu grande mérito reside na liberdade que fornece a seu dream team.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • SAG – Melhor Elenco
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

APOSTA: 12 Anos de Escravidão

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Gravidade

MEU VOTO: O Lobo de Wall Street

FICOU DE FORA: Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

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“Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra.”

Menções Honrosas (porque 2013 foi foda)

Rush: No Limite da Emoção

Short Term 12

Antes da Meia-Noite

Bem, é isso! O Oscar 2014 acontece já nesse domingo de Carnaval (2), então façam suas apostas e voltem aqui para mais cobertura. Até!

Previsões para o OSCAR 2014

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de setembro de 2013 by Lucas Nascimento

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Setembro é o mês em que eu paro e analiso as obras que têm mais chance de abocanhar indicações ao Oscar. Para a edição de 2014, certamente teremos muita coisa boa entre os indicados, se as críticas estrangeiras nos inúmeros festivais de cinema estiverem certas. Vejamos, em ordem alfabéica:

12 Years a Slave

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A Academia finalmente se deu conta da existência de Steve McQueen (o diretor)? Em seu drama que conta uma história real ambientada no período de escravidão dos EUA, McQueen reune-se com Michael Fassbender (parceria que deu certo em Hunger e Shame) e traz um elenco estelar neste que vem sido taxado como “o mais emocionante do ano”, após sua exibição nos Festivais de Telluride e Toronto. Depois de Lincoln e Django Livre fazerem barulho, 12 years a Slave promete destaque.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Chiwetel Ejiofor), Ator Coadjuvante (Michael Fassbender, Paul Dano), Roteiro Adaptado, Fotografia, Figurino, Montagem, Direção de Arte e Trilha Sonora.

Antes da Meia-Noite

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A cultuada trilogia romântica de Richard Linklater chega ao fim, e seria um crime que um dos melhores filmes de 2013 passasse batido. Mantendo a mesma qualidade dos antecessores, Antes da Meia-Noite traz uma exploração inédita do casal formado por Ethan Hawke e Julie Delpy e alguns dos melhores diálogos já vistos no gênero; sem falar que sua aprovação foi quase unânime nos EUA. Já aviso: Roteiro Adaptado não pode ir pra mais ninguém.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Ethan Hawke), Atriz (Julie Delpy), Roteiro Adaptado e Montagem

Blue Jasmine

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Depois do mediano Para Roma, com Amor, Woody Allen surge em boa forma com Blue Jasmine. O longa recebeu ótimas críticas nos EUA e a performance de Cate Blanchett, em especial, foi aplaudida. Acho possível que o nova-iorquino retorne à premiação, mas provavelmente com uma presença inferior à de Meia-Noite em Paris. Mas olha a cara de quem liga pra isso do Allen.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Atriz (Cate Blanchett) e Roteiro Original

Capitão Phillips

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Paul Greengrass promete um filme tenso e Tom Hanks, uma performance suada. A história real de Capitão Phillips traz o personagem de Hanks tendo seu navio sequestrado por um grupo de piratas da Somália, retratando sua luta pela sobrevivência em alto-mar. Mesmo que não hajam poucas, as críticas elogiam a qualidade das atuações.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Ator (Tom Hanks), Ator Coadjuvante (Barkhad Abdi), Montagem, Fotografia, Edição de Som e Mixagem de Som

Dallas Buyer’s Club

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Mais uma poderosa investida de Matthew McCoughney (incrivelmente magro) vem aí. Na história real ambientada em 1986, o ator interpreta um sujeito diagnosticado com HIV Positivo que luta contra os preconceitos de instituições farmacêuticas e busca tratamentos alternativos. A Academia adora esse tipo de drama, e o longa recebeu críticas favoráveis em Toronto.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Ator (Matthew McCoughney), Ator Coadjuvante (Jared Ledo) e Roteiro Original.

Gravidade

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Explodindo cabeças e maravilhando olhares desde sua estreia no Festival de Veneza, o ambicioso (e minimalista) filme de Alfonso Cuarón tem destaque em muitas listas cinéfilas de “mais esperados do ano”. A ficção científica que traz apenas George Clooney e Sandra Bullock no elenco foi extremamente bem recebida e certamente deve faturar diversas estatuetas nas categorias técnicas (fotografia de Emmanuel Lubezki em 3D, uau). Até o James Cameron veio falar que é “o melhor filme de espaço já feito”. Responsa, não?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (George Clooney), Atriz (Sandra Bullock), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Efeitos Visuais, Edição de Som e Mixagem de Som

Inside Llewyin Davis

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Irmãos Coen. Além desse argumento esmagador, o filme foi elogiadíssimo no Festival de Cannes e promete fazer muito barulho.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jason Isaacs), Atriz (Carey Mulligan), Roteiro Original, Fotografia, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora e Canção Original.

Labor Day

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Jason Reitman passou batido das premiações com seu Jovens Adultos, mas parece que o talentoso diretor vai roubar destaque com seu Labor Day. O filme envolve uma mãe solteira depressiva que acolhe um fugitivo da lei, aprendendo sobre sua verdadeira história enquanto este a revela. Reitman manda bem, e o elenco parece excelente.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Atriz (Kate Winslet), Ator Coadjuvante (Josh Brolin), Roteiro Adaptado, Montagem.

The Monuments Men

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Este daqui grita Oscar desde o anúncio de sua produção. Vejamos, temos George Clooney na direção de um épico traz Matt Damon, Bill Murray, Jean Dujardin, John Goodman e Cate Blanchett protegendo obras de arte de nazistas em plena Segunda Guerra Mundial. Promete seguir a mesma linha “drama-humor” de Argo, e não podemos esperar pra ver o resultado.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (George Clooney), Ator Coadjuvante (Bill Murray, Jean Dujardin), Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som.

Rush – No Limite da Emoção

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Ron Howard erra bastante, mas o cara sabe como fazer uma boa cinebiografia. Sua abordagem à rivalidade entre dois pilotos de corrida é uma virada inesperada em sua carreira, e o resultado parece ter agradado os críticos no Festival de Toronto.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Bruhl), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som

Walt e Mary – Os Bastidores de Mary Poppins

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A tradução grotesca para Saving Mr. Banks permanece uma incógnita: ninguém assistiu ainda. No entanto, acredito que o filme de John Lee Hancock (de Um Sonho Possível) surpreenda com suas atuações protagonistas: Tom Hanks como Walt Disney e Emma Thompson como Pamela Lyndon Travers (a autora de Mary Poppins). Não acho que deva ir além disso.

Possíveis Indicações: Melhor Ator (Tom Hanks), Atriz (Emma Thompson), Figurino, Maquiagem e Direção de Arte.

The Wolf of Wall Street

THE WOLF OF WALL STREET

VOCÊS VIRAM AQUELE TRAILER? SCORSESE SURTADO + DICAPRIO SURTADÃO + SUJEIRAS DE WALL STREET. Agora, sério, The Wolf of Wall Street promete ser um filmaço. Aposto que Scorsese vai trazer à Wall Street a mesma abordagem que forneceu à máfia em Os Bons Companheiros. E será que agora o DiCaprio será lembrado?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Matthew McCoughney, Jonah Hill), Roteiro Adaptado, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Mixagem de Som.

Outras possíveis Indicações

Além da Escuridão – Star Trek – Efeitos Visuais, Maquiagem, Edição de Som e Mixagem de Som

Frances Ha – Melhor Atriz (Greta Gerwig) e Roteiro Original

O Grande Gatsby – Figurino, Direção de Arte e Efeitos Visuais

O Homem de Aço – Efeitos Visuais

Homem de Ferro 3 – Efeitos Visuais

Claro que ainda teremos muitas surpresas pelo caminho, mas pode apostar que muitos filmes aqui estarão na lista de indicados em Janeiro do ano que vem. Vamos aguardar.