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| Círculo de Fogo | Guillermo Del Toro fica gigante

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 8 de agosto de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

Pacific-Rim
Cadê o Michael Bay agora, hein? Os robôs de Guillermo Del Toro impressionam pela escala

Quando comecei a me inteirar sobre o material temático de Círculo de Fogo, que prometia batalhas homéricas entre monstros colossais e robôs igualmente colossais, não pude evitar de temer pelo monte de excremento que julgava ser este filme. No entanto, nunca posso me dar ao erro de esquecer quem é o artista por trás das câmeras: Guillermo Del Toro.

A trama parte de um roteiro original de Travis Beacham e do próprio Del Toro, mas com clara inspiração na cultura japonesa de monstros gigantes (o termo “Kaiju” é utilizado com frequência), onde a Terra encontra-se em constante ataque de criaturas que emergem de uma fenda no oceano pacífico (região real que atende pelo tal do Círculo, ou Anel, de Fogo do título, que no original é Pacific Rim) e que necessitam de poderosos robôs gigantes operados por humanos para defender as grandes cidades.

Em outras palavras, ROBÔS GIGANTES ARREBENTANDO MONSTROS GIGANTES. E só o uso do caps lock para ajudar a ilustrar a grandeza visual que é Círculo de Fogo. Todas as cenas de ação impressionam pela escala e o cuidado em retratar as gigantes armaduras de forma a ilustrar o peso destas (ao contrário daqueles vistos em Transformers, aqui os robôs têm seus movimentos muito mais demorados) e também a diversidade em seu visual. Depois de O Labirinto do Fauno e Hellboy II – O Exército Dourado, não achava que Del Toro continuaria me impressionando com sua imensa criatividade ao elaborar distintas criaturas: seja no design dos Jeigers ou dos detalhadíssimos Kaijus, a equipe de direção de arte do diretor acerta em cheio.

E da mesma forma que os efeitos visuais da ILM dão vida com maestria a todos esses elementos, o roteiro de Beacham e Del Toro é hábil ao criar um mundo afetado pela presença destes. Um dos mais memoráveis exemplos no Hannibal Chau de Ron Perlman, um excêntrico comerciante de “partes” de Kaijus em um mercado negro, personagem que certamente foi tão divertido para a dupla escrever como foi para o ator interpretá-lo. Infelizmente, o personagem de Perlman é a única figura memorável do filme, já que todos os outros não passam de criaturas estereotipadas e arquétipas; algo que é bom quando diverte (vide os cientistas “malucos” vividos por Charlie Day e Burn Gorman), mas que aborrece quando somos forçados a engolir clichês do tipo “o parente próximo que morreu” ou, deus me livre, o de “relação problemática com o pai”. Além disso, o que dizer da Mako Mori de Rinko Kikuch0i, que apresenta nociva dificuldade em controlar um Jeiger com sua mente (até colocando em risco as vidas de todos os seus colegas em sua primeira experiência), mas que o roteiro o soluciona ao simplesmente trazer um dos personagens dizendo que “A primeira vez é sempre difícil”?

Mas mesmo com diversos problemas de roteiro, Círculo de Fogo oferece uma experiência contagiante graças ao tom adotado pelo cineasta: a de que tudo isto não é tão das produções de monstros gigantes tão populares no Japão. Diversão garantida.

Obs: Assista ao filme na maior tela possível. O 3D não é nada mal.

Obs II: Há uma hilária cena durante os créditos finais.

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| Drive | Um anti-herói para se nunca esquecer

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , on 10 de março de 2012 by Lucas Nascimento


O Motorista ou o Piloto? Ou simplesmente, Driver?

Não sabemos muito sobre o personagem de Ryan Gosling em Drive. Ele é silencioso, habilidoso com carros, simpático com seus vizinhos e também incrivelmente violento. Ele não participa de roubos ou assaltos, ele dirige. Sua função é tão fundamental, que nem o nome do Motorista nós descobrimos, mas o diretor Nicolas Winding Refn consegue manter o filme interessante todo o tempo, graças à sua inspirada direção.

A trama é sobre o Motorista misterioso comentado acima. Ele trabalha como dublê de filmes de ação em Hollywood, enquanto à noite ele age como piloto de fuga para roubos criminosos e atividades do gênero. Tudo muda quando ele se envolve com sua vizinha Irene (Carey Mulligan), e o marido da mesma, que o coloca dentro de um golpe envolvendo dois perigosíssimos criminosos.

Não há nada de novo ou revolucionário quanto ao roteiro de Drive, assinado por Hossein Amini (que adapta o livro de mesmo nome, de James Sallis), que segue uma estrutura básica e formulaica. Temos bons personagens e diálogos eficientes, mas o que realmente se destaca é a brilhante execução fornecida pelo diretor dinamarquês – merecidamente premiado em Cannes por seu trabalho, e injustamente esnobado pelo Oscar deste ano. Refn adota o Motorista como alma e centro do filme, e mesmo quando embarcamos em uma cena de perseguição, a câmera predomina no interior do veículo do protagonista – cujos olhos sempre são perceptíveis pelo retrovisor, numa esperta homenagem à Taxi Driver.

O estilo de Refn prepondera durante grande parte da projeção – o cineasta acerta ao não exagerar nos maneirismos, como fez Zack Snyder em seu Sucker Punch – Mundo Surreal – e rende momentos que já podem se considerar marcantes. A primeira cena já é um exemplo de inteligência e agilidade, onde conhecemos o protagonista, entendemos seu trabalho e a técnica com que realiza suas escapadas noturnas; e mal ouvimos uma palavra, já que a boa trilha de Cliff Martinez estabelece bem o clima, a passo que a trilha sonora instrumental oitentista (a indústria anda nostálgica, não?) fortalece e entretém determinadas cenas (como o uso da canção “Oh my love”, de Riz Ortolani, em uma situação-chave). E o que dizer daquela cena monstra do elevador? Linda, tensa, romântica e assustadoramente violenta. Ah sim, Drive não perdoa em seus frenesis de sangue e disparos de shotguns, e o fato de estas se darem de forma inesperada transforma a experiência em algo mais urgente e tenso (parabéns aos responsáveis pela edição de som).

Quanto ao elenco, Ryan Gosling abraça toda a persona calma do Motorista, contribuindo para a imagem subjetiva do personagem. É interessante ver como ele contracena com a inocente Irene (Carey Mulligan, fofa) ou com o companheiro Shannon (Bryan Cranston) e também que por mais que o Motorista seja agressivo, não há figura mais maldosa do que o Bernie Rose de Albert Brooks, ou o Nino de Ron Perlman, ambos surgindo como antagonistas memoráveis.

Muito estilo, boas músicas e momentos de tirar o fôlego e ainda sabemos muito pouco sobre o Motorista. Ele usa veste uma jaqueta bacana, mastiga um palito de dente, usa uma máscara inesquecível para completar um serviço e, principalmebnte, ele dirige/conduz toda a trama.

O Motorista de Drive acaba de entrar para a História.