Arquivo para rooney mara

SCREEN ACTORS GUILD 2016: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 9 de dezembro de 2015 by Lucas Nascimento

sagaward

Confira abaixo os indicados ao SAG Awards 2016, nas categorias de cinema:

MELHOR ELENCO

Beasts of No Nation

A Grande Aposta

Spotlight – Segredos Revelados

Straight Outta Compton – A História do N.W.A.

Trumbo

MELHOR ATOR – LONGA METRAGEM

Bryan Cranston | Trumbo

Johnny Depp | Aliança do Crime

Leonardo DiCaprio | O Regresso

Michael Fassbender | Steve Jobs

Eddie Redmayne | A Garota Dinamarquesa

MELHOR ATRIZ – LONGA METRAGEM

Cate Blanchett | Carol

Brie Larson | Room

Helen Mirren | A Dama Dourada

Saiorse Ronan | Brooklyn

Sarah Silverman | I Smile Back

MELHOR ATOR COADJUVANTE – LONGA METRAGEM

Christian Bale | A Grande Aposta

Idris Elba | Beasts of No Nation

Michael Shannon | 99 Rooms

Mark Rylance | Ponte dos Espiões

Jacob Trambley | Brooklyn

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – LONGA METRAGEM

Rooney Mara | Carol

Rachel McAdams | Spotlight – Segredos Revelados

Helen Mirren | Trumbo

Alicia Vikander | A Garota Dinamarquesa

Kate Winslet | Steve Jobs

MELHOR EQUIPE DE DUBLÊS

Evereste

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros

Mad Max: Estrada da Fúria

Missão: Impossível – Nação Secreta

Velozes & Furiosos 7

A cerimônia do SAG acontece em 30 de Janeiro de 2016.

Sony vai adaptar A GAROTA NA TEIA DE ARANHA com novo elenco

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 4 de novembro de 2015 by Lucas Nascimento

EE British Academy Film Awards (BAFTA) 2014 held at the Royal Opera House - Arrivals Featuring: Alicia Vikander Where: London, United Kingdom When: 16 Feb 2014 Credit: Joe/WENN

Fazia um bom tempo que não postava notícias aqui (estou mais dedicado às críticas, aqui e no Plano Crítico), mas não posso deixar de falar sobre o dramalhão que é a tentativa da Sony de adaptar mais filmes da Trilogia Millennium. Bom, felizmente o estúdio deu luz verde para adaptar A Garota na Teia de Aranha, novo livro de David Lagercrantz que continua a história criada pelo falecido Stieg Larsson.

A parte ruim?A equipe de Os Homens que Não Amavam as Mulheres não volta. Isso aí, Rooney Mara, Daniel Craig e o diretor David Fincher serão substituídos por um novo pessoal, assim como o roteirista Steven Zaillian. O roteiro da nova adaptação fica a cargo de Steven Knight, e um forte rumor aponta que a atriz Alicia Vikander (Ex Machina) seria a nova Lisbeth Salander.

Bem, é realmente frustrante que a equipe original não retorne, visto o trabalho excepcional no filme de 2011. Vikander até chega a ser uma escolha boa, mas teria um trabalho difícil para superar a performance de Mara, indicada ao Oscar.

Vamos aguardar por mais novidades…

Os vencedores do 68º FESTIVAL DE CANNES

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , on 24 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

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E chega ao fim mais um Festival de Cannes, na França. Este ano, o júri foi presidido pelos irmãos Joel e Ethan Coen e os vencedores são os seguintes:

PALMA DE OURO

Dheepan (França)

GRANDE PRÊMIO

Son of Saul

MELHOR DIRETOR

Hou Hsiao-Hsien | The Assassin

MELHOR ATOR

Vincent Lindon | The Measure of a Man

MELHOR ATRIZ

Rooney Mara | Carol & Emmanuelle Bercoi | Man Roi (empate)

MELHOR ROTEIRO

Chronic | Michel Franco

CAMERA D’OR (MELHOR FILME DE ESTREIA)

La Tierra y la Sombre | Cesar Acevedo

PALMA DE OURO (CURTA-METRAGEM)

Waves ’98

PRÊMIO DO JÚRI

The Lobster

 

Continuações de MILLENNIUM não devem mais acontecer

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Bem, isso meio que já é esperado. Com o ataque hacker sofrido pela Sony e a subsequente saída de uma das presidentes, Amy Pascal, alguns projetos serão descartados pela nova coordenação. Um deles deve ser a adiada continuação de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, dirigido por David Fincher em 2011.

Quem falou sobre o assunto foi a atriz Rooney Mara, que disse ao E! Online que as continuações A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar “não devem acontecer, e que ficará triste por não voltar a interpretar Lisbeth Salander. O projeto tinha roteiro de Steven Zaillian e Andrew Kevin Walker, e prometia uma adaptação livre do livro de Stieg Larsson.

Uma pena. O filme de Fincher foi ótimo e infinitamente superior à versão sueca, e fico triste por não poder ver mais da Lisbeth Salander de Mara.

Mas bem, vamos aguardar por confirmações oficiais.

Assista agora ao trailer de PAN

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 25 de novembro de 2014 by Lucas Nascimento

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Joe Wright (de Desejo & Reparação, Hanna e Anna Karenina) é o responsável por Pan, história que serve como prelúdio para o conto de Peter Pan. O filme ganhou seu primeiro trailer hoje, e chama a atenção pelas excêntricas caracterizações de Hugh Jackman e Rooney Mara. Confira:

Pan estreia em 17 de Julho de 2015.

Veja o trailer de TRASH – A ESPERANÇA VEM DO LIXO

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , , on 21 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

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Talvez você se lembre que, no ano passado o diretor Stephen Daldry (Billy ElliotAs Horas e Tão Forte e Tão Perto) estava com Rooney Mara e Martin Sheen no Rio de Janeiro gravando um filme. Bem, é levantada a cortina e Trash – A Esperança vem do Lixo ganha seu primeiro trailer que, com as participações de Wagner Moura e Selton Mello, gira em torno de um mistério envolvendo uma carteira. Confira:

A produção do filme é britânica e brasileira, em uma junção da Working Titles com a O2 Filmes.

Trash – A Esperança vem do Lixo estreia em 9 de Outubro.

| Ela | E assim caminha a Humanidade?

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , on 9 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Joaquin Phoenix apaixonado por Ela

Constantemente encontro-me assustado com o nível de dependência humana em aparelhos tecnológicos. Seja através de smartphones, Facebooks e WhatsApps, grande parcela da população mantém relações intensas com estes (e eu, infelizmente, não posso ser hipócrita ao me excluir desse vasto grupo), elementos que certamente alteraram o futuro da Humanidade. O que nos leva à Ela, novo filme de Spike Jonze que explora com maestria as relações humanas em uma sociedade distópica não muito distante.

A trama é ambientada num futuro próximo, onde encontramos o solitário Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor de cartas lidando com o divórcio com sua amada (Rooney Mara), que acaba de adquirir um revolucionário sistema operacional com consciência inteligente (voz de Scarlett Johansson). À medida em que a relação dos dois cresce, Theodore encontra-se apaixonado pelo sistema do computador, e lida com as consequências de seus sentimentos.

Mesmo que eu tenha puxado a discussão a respeito dos excessos tecnológicos no primeiro parágrafo, este é um mero pretexto para que Spike Jonze se concentre em um tema mais abrangente e complexo: o Amor. Também roteirista do projeto, Jonze já merece créditos por tecer uma premissa absolutamente genial e que, por si só, já é suficiente para despertar uma série de discussões sociológicas e humanas. Nessa Los Angeles futurista – que é magistralmente criada a partir de um design de produção sutil e moderno o suficiente para não parecer tão avançado, mas também não tão atual – companhias são contratadas para escreverem cartas pessoais para outras pessoas, a internet está constantemente em nossos bolsos e ouvidos e a população atingiu um crescimento assombroso. Não parece um futuro tão implausível, não é?

Entra o adorável sistema operacional Samantha. Uma criação humana tão complexa e avançada que esta seria capaz de sentir sentimentos, do amor até o ciúmes. Como seria possível uma relação consensual entre um ser humano e um computador? Se até mesmo uma relação entre duas pessoas do mesmo sexo é furiosamente condenada pelo senso comum, o que dirá sobre aquela com uma máquina? Insanidade? Diz em certo momento a amiga de Theodore, Amy (vivida por uma ótima Amy Adams) que qualquer um apaixonado estaria louco, que “o amor é uma forma de insanidade socialmente aceita”. O que nos fica claro em Ela, é que o sentimento pode ser real e puro, independente do parceiro: o próprio Theodore transforma-se e sai rodopiando de felicidade pelas ruas à medida em que vai se aproximando à Samantha – em uma das mais diferentes e honestas performances de Joaquin Phoenix.

Em um de seus momentos mais inspirados, Samantha demonstra a necessidade do contato físico com Theodore, o que leva a uma estranha e absolutamente criativa experiência com um “avatar” (vivido por Portia Doubleday, do novo Carrie). Uma ideia fascinante, já que, se um humano é capaz de ter uma representação virtual na internet, por que não um computador no mundo real? E diversos momentos de Ela nos fazem excluir a ideia de uma representação física: quando um colega de trabalho convida Theodore para um double date, este pede para que leve sua namorada Samantha. “Ela é um sistema operacional”, retruca o protagonista. E mais belo do que a reação completamente sem preconceitos do colega (soa como se Theodore tivesse simplesmente dito que Samantha era uma professora, advogada, ou coisa do tipo), é o tal encontro, onde fica evidente que o sistema operacional é, de fato, real.

Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.

Obs: Esta crítica foi escrita após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 8 de Fevereiro.

| Terapia de Risco | Suposto último longa de Steven Sodenbergh é reflexo de sua própria carreira

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , on 17 de maio de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

SideEffects
Rooney Mara larga os piercings e entra no mundo das drogas

Steven Soderbergh é um artista multifacetado. Não assisti a todos os seus filmes, mas uma rápida olhada em sua página do IMDB comprova sua admirável versatilidade em gêneros (golpistas, traficantes, agentes secretas e até o Che Guevara já foram capturados por suas lentes) e funções cinematográficas, atuando – além da direção – nos departamentos de fotografia e montagem. Tido como sua última produção para o cinema, Terapia de Risco reúne com eficiência diversos de seus traços autorais, mas falha ao oferecer uma bizarra combinação temática.

Roteirizada por Scott Z. Burns (que assinou o ótimo Contágio, também de Soderbergh), a trama tem início quando Emily (Rooney Mara, a nova garota do dragão tatuado) recebe seu marido (Channing Tatum) recém-libertado da prisão. Sofrendo com uma repentina depressão após sua chegada, a jovem é aconselhada pelo dr. Jonathan Burns (Jude Law) a experimentar um novo tipo de medicamento a fim de reverter sua situação – que é exacerbada com frequentes tentativas de suicídio. Daí vêm os “side effects” do título original, mas há muito mais do que parece.

Da mesma forma como abrangeu com maestria os estágios e desdobramentos de uma epidemia global em Contágio, o roteiro de Burns é hábil ao nos situar no mundo da psicofarmacologia. O texto é repleto de termos médicos, rápidas “curiosidades” sobre a área e ainda oferece uma curta (e eficaz) reflexão a respeito do papel midiático na venda de remédios (“Deveria funcionar, as pessoas sempre estão felizes nos anúncios”, constata uma das personagens ao se deparar com a falta de resultados de seu tratamento) e suas diversas consequências aos pacientes e médicos. Características que Soderbergh retrata brilhantemente através de planos criativos, lentes de desfoque e uma fotografia predominantemente fria e obscura; alternando também a intensidade de seus movimentos de câmera, que são mais “câmera-na-mão” quando a trama alcança territórios inesperados.

E é nesse ponto que encontramos os problemas de Terapia de Risco. Após uma surpreendente reviravolta (que não irei revelar a fim de preservar as surpresas), o longa começa a evoluir para algo completamente diferente e, quando equiparado com a progressão do primeiro ato, incompatível. Mesmo que as escandalosas descobertas feitas pelo personagem de Jude Law sejam intrigantes, quem se beneficia dessa brusca mudança de ritmo imposta pela narrativa é Rooney Mara. Frágil como uma boneca de vidro em suas primeiras cenas, a atriz evidencia novamente seu imenso talento ao apresentar um caráter inesperado a sua Emily; mesmo que traga uma estranhíssima relação com a terapeuta vivida por Catherine Zeta-Jones.

Como a carreira de seu diretor, Terapia de Risco é um longa repleto de fases e surpresas. Mesmo que as várias camadas de sua trama percam-se na implausibilidade, é uma conclusão (será?) eficaz para uma carreira tão variada.

Obs: “Terapia de Risco”, sério?

2012: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

bests2012

Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2012, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2011 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como A Hora Mais Escura, Lincoln, Django Livre, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • Ainda não assisti As Aventuras de Pi (acreditem, uma verdadeira odisseia me vê-lo impediu três vezes), mas atualizarei este post (ou não, vai saber) com o filme, ainda este ano.

MELHOR FILME

10. Prometheus

10

“Prometheus é um épica e respeitosa nova entrada no universo de Alien, e também o início (?) de uma promissora nova franquia de ficção científica. Scott e seus roteiristas brincam com a ideia da criação da vida e entregam um longa do gênero que traz suspense e gore (a cena do parto, o que foi aquilo?!) como há muito não se via.”

9.  Moonrise Kingdom

mk

“Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.”

8. A Invenção de Hugo Cabret

8

“A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.”

7. Looper: Assassinos do Futuro

7

“Tecnicamente satisfatório e surpreendente em suas decisões, Looper: Assassinos do Futuro é uma grande surpresa em um ano que carece de ideias originais. Explora ao extremo o conceito de viagem no tempo e promete consolidar a carreira de Rian Johnson, um nome que promete trazer boas contribuições à Sétima Arte. E o Cinema anda precisando de profissionais assim…”

6. O Artista

6

“O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica. Uma verdadeira obra-prima.”

5. Shame

5

“Shame é uma das experiências mais poderosas e devastadoras do ano. Traz um tema adulto sob o cargo de um cineasta talentoso e maduro, que explora com inteligência (e sem vergonha) as possibilidades de sua premissa e a força de seu ótimo elenco.”

4. Argo

4

“Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas também um ótimo cineasta.”

3. 007 – Operação Skyfall

3

“007 – Operação Skyfall é uma bela homenagem aos 50 anos da série e também um filme maduro, bem executado e com potencial de agradar os mais variados fãs do personagem. Sua conclusão inicia uma nova era para James Bond, e o futuro parece muito promissor.”

2. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

2

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa adulto e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster adulta.”

1. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

FILME

Após o sucesso esmagador de seu anterior, que serviu para inspirar toda uma linhagem de longas hollywoodianos com sua abordagem “realista”, é de se admirar que Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tenha sido realmente feito, sem soar como um caça-níquel. Explorando as conseqüências do filme de 2008 até suas possibilidades mais extremas, Christopher Nolan completa sua trilogia sobre o Homem-Morcego de forma épica e dramática, resultando em uma experiência monstruosa e que testa os limites do super-herói e a psicologia que o faz agir, ao mesmo tempo em que promove um espetáculo de cenas de ação e atuações excepcionais. Completa-se magistralmente uma trilogia que agora entra para a História.

MELHOR DIRETOR

David Fincher | Millennium –  Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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David Fincher é um dos melhores diretores da atualidade. Vê-lo em sua zona de conforto (um thriller pesado e com serial killers no meio) ao passo em que adapta uma excelente história de mistério é muito prazeroso. Demonstrando total controle na criação de uma atmosfera sombria e arrepiante, Fincher cria belos planos e mise em scènes muito inteligentes (veja uma análise mais detalhada aqui), nunca se deixando levar pelo estilo e mantendo sempre o foco em seus personagens. Não é seu melhor trabalho no gênero (Se7en, né gente?), mas ainda comprova seu imenso talento.

Ben Affleck | Argo

Steve McQueen | Shame

Christopher Nolan | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Rian Johnson | Looper: Assassinos do Futuro

ATOR

Michael Fassbender | Shame

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Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano foi a ausência de Michael Fassbender por seu desafiador papel em Shame. Na pele de um sujeito solitário e viciado em sexo, o ator irlandês se entregou completamente ao roteiro e às cenas pesadas que este exigia, e sua performance é simplesmente arrasadora; carrega um olhar triste (e malicioso) durante quase toda a projeção. Fassbender é um tremendo ator, e esta é sua melhor performance até o momento.

Andrew Garfield | O Espetacular Homem-Aranha

Joseph Gordon Levitt | Looper: Assassinos do Futuro

Daniel Craig | 007 – Operação Skyfall

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Jean Dujardin | O Artista

Menção Honrosa: A excelente dicção de Seth McFarlane em Ted.

ATRIZ

Rooney Mara | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

mara

Encabeçando um dos papéis mais desafiadores dos últimos anos, a pouco conhecida Rooney Mara explodiu como a Lisbeth Salander da versão de David Fincher para Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A atriz surge completamente exposta em cenas pesadas de estupro e adota um visual peculiar, que reflete sua performance séria e concentrada. A Salander de Mara é ainda mais agressiva do que a da sueca Noomi Rapace, e mesmo por trás dos piercings, podemos ver que a jovem tem um coração.

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Noomi Rapace | Prometheus

Emma Stone | O Espetacular Homem-Aranha

Kara Hayward | Moonrise Kingdom

ATOR COADJUVANTE

Javier Bardem | 007 – Operação Skyfall

James Bond tem uma galeria de vilões impressionante que engloba 23 filmes em 50 anos. E não há como negar: Javier Bardem e seu Silva já se tornaram ícones da franquia e o resultado é um antagonista marcante e muito interessante. Silva é um sujeito afeminado e possivelmente homossexual, e Bardem se diverte com essas características ao dotar o personagem de muito sarcasmo e imprevisibilidade, além de um visual espalhafatoso. Há uma primeira vez pra tudo, certo?

Josh Brolin | MIB – Homens de Preto III

Michael Fassbender | Prometheus

Joseph Gordon Levitt | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ezra Miller | As Vantagens de ser Invisível

ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway | BatmanO Cavaleiro das Trevas Ressurge

Eu não sei vocês, mas fiquei muito desconfiado quando Christopher Nolan escalou Anne Hathaway para encarnar sua versão da Mulher-Gato no último filme do Batman. Todas as primeiras impressões desapareceram quando vi a atriz encarnando a personagem de forma brilhante em um dos pontos altos do filme: quando a ladra finge ser uma vítima em meio a um tiroteio iniciado por esta (usando o arquétipo de “donzela em perigo” a seu favor). Hathaway surpreende com as diferentes facetas que oferece à Selina Kyle, e ao fim, fica claro que estamos diante da melhor interpretação que a personagem já ganhou.

Berenice Bejo | O Artista

Eva Green | Sombras da Noite

Ellen Page | Para Roma, com Amor

Penelope Cruz | Para Roma, com Amor

ROTEIRO ORIGINAL

Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Como é bom ver uma ideia original funcionando eficientemente nas telas… Depois de O Preço do Amanhã surgir com uma premissa sensacional no ano passado (e falhar miseravelmente em seu desenvolvimento), eis que Rian Johnson bola uma trama em que assassinos utilizam de viagem no tempo para eliminar suas vítimas. Em uma mistura interessante de De Volta para o Futuro e Exterminador do Futuro, Looper traz um envolvente estudo de personagem e rumos que fazem jus ao conceito de realidades alternativas e afins. Só acho que a presença de poderes telecinéticos era descartável…

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian, da obra de Stieg Larsson

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Adaptar a obra de Stieg Larsson para as telonas não é novidade, já que o livro já havia ganho uma versão sueca em 2009. Mas é inegável que o texto do experiente Steven Zaillian seja superior ao da versão escandinava, já que não só apenas traz ótimos diálogos que respeitem o material original, mas também por não ter medo de alterar o curso da história ou detalhes de seus personagens. A forma como a trama se desenrola é muito mais dinâmica do que

FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins, A.S.C.

O que dizer sobre Roger Deakins? Inubitavelmente um dos cinematógrafos mais talentosos das últimas décadas, e sua reunião com o diretor Sam Mendes para a nova missão de 007 rendeu um dos filmes mais lindos do ano. Deakins trabalha muito bem as paletas de cor em diferentes locações do filme e fornece um tratamento de obra de arte na criação de duas sequências agora icônicas: Bond lutando contra um assassino em Hong Kong (com o desenho da água-viva holográfica preechendo a tela com hipnotizantes tons azulados) e o clímax na Escócia, onde as chamas transformam os personagens em silhuetas. Aí Academia, boa oportunidade pra premiar o cara, hein?

MONTAGEM

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Kirk Baxter & Angus Wall

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Kirk Baxter e Angus Wall manjam de montagem. A dupla já levou um par de Oscars duas vezes consecutivas, ambos por trabalhos com David Fincher: A Rede Social e agora com Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Seguindo a meticulosa estrutura do roteiro de Steven Zaillian, a montagem do filme consegue equilibrar com maestria as narrativas completamente opostas dos protagonistas, criando um ritmo rápido e intenso, até o ponto em que estes se encontram. Vale apontar também as ótimas transições passado-presente, como aquela demarcada pelo acendimento de um cigarro.

FIGURINO

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

costume

Terminada a sessão de Branca de Neve e o Caçador, percebi que o único aspecto do filme que me impressionara positivamente foram os vestidos da Rainha Má. A figurinista Colleen Atwood é especialista quando o assunto é a vestimenta de um personagem fantástico (ela colabora frequentemente com Tim Burton) e sua contribuição para o fraco longa de Reuben Fleischer é um dos deleites visual do mesmo.

TRILHA SONORA

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Hans Zimmer

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Hans Zimmer é um monstro. O impacto que suas composições garantem às imagens conduzidas por Christopher Nolan é gigantesco, conseguindo-lhe proporcionar toda a dramaticidade e senso épico. Tudo bem que Zimmer traz de volta diversos temas que criara anteriormente com James Newton Howard (afinal, como deixar de fora o arrepiante tema que a dupla criou para o Batman?), mas só o uso do coral árabe para o personagem Bane já é a peça musical mais memorável do ano…

DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret | Dante Ferretti & Franscesca Lo Schiavo

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Os habituais designers de Martin Scorsese mais uma vez impressionam com seus cenários incríveis – sendo eles reais ou digitais. Temos aqui uma recriação da Paris dos anos 20 e, ao mesmo tempo em que mantém uma fidelidade histórica (especialmente pela escala da estação de trem de Gare Montparnasse) confere apropriados toques fantásticos, como justificam a presença de enormes engrenagens de relógio e as cores com que a fotografia de Robert Richardson os conferem.

EFEITOS VISUAIS

Os Vingadores – The Avengers

EFEITOS

Em um ano onde efeitos visuais dominaram monstruosamente a maior parte das grandes produções, nenhum deles me impressionou como o de Os Vingadores. Além de verossímil nas demonstrações de poder dos personagens (seja nos voos do Homem-de-Ferro, nos raios do Thor ou nos exércitos inimigos), o longa se beneficia de trazer longas batalhas com muito green-screen e personagens digitais sem prejudicar a visão (vide os Transformers de Michael Bay) e por, enfim, trazer um Hulk digital convincente.

CANÇÃO DO ANO

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall | Adele

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Canções dos filmes de 007 são sempre um deleite a parte, e a melodia suave e profunda de Adele para Operação Skyfall é uma das melhores coisas que já aconteceu à franquia. Evocando tons mais clássicos e adequando suas letras ao clima de “encerramento” que o filme propõe, o resultado é inebriante e fica espetacular com a bela sequência de abertura. Quero ver a canção saindo vitoriosa no Oscar…

CRÉDITOS DE ABERTURA/ENCERRAMENTO

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Uma das aberturas mais espetaculares que já vi na vida. Claramente inspirado pelas aberturas de 007 (será que foi a presença de Daniel Craig no elenco?) o Blur Studios cria uma sequência sombria e pegajosa, onde uma substância negra vai cobrindo a tela e apresentando todos os elementos marcantes da trilogia Millennium; desde seus personagens até cenas icônicas das três obras. E o eletrizante cover do “Immigrant Song” por Karen O faz toda a diferença.

USO DE 3D

A Invenção de Hugo Cabret

3d

Em sua primeira excursão pelo 3D, Martin Scorsese mostra que entende a função da tecnologia e a usa de maneira orgânica e competente. Assim como James Cameron fez em Avatar, o cinesta opta por planos em vasta profundidade e preenchimento, ao invés dos tradicionais efeitos que “atiram” objetos contra o espectador (algo divertido, convenhamos, mas mais apropriado a um parque de diversões do que uma sala de cinema).

Menção Honrosa: O 3D de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que fica incrível graças aos 48 fps do longa.

SURPRESA DO ANO: Poder sem Limites

power

Quem diria que o subgênero do found-footage ainda teria surpresas na manga? Nas mãos do diretor Josh Trank, acompanhamos uma abordagem incrível para a tradicional premissa do “sujeito comum que ganha poderes extraordinários”, onde não só temos um exercício de estilo fascinante, mas também um estudo de personagens muito comovente. Pra mim, um filme que tinha tudo para dar errado, e acabou por tornar-se um dos melhores exemplares que o gênero já forneceu.

DECEPÇÃO DO ANO: Sombras da Noite

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Tim Burton + Johnny Depp + família sinistra com vampiros e lobisomens. Mas como é que isso deu errado? Uma fórmula perfeita foi completamente desperdiçada aqui, dando espaço a uma trama tediosa e cujas piadas limitam-se a “choques de geração” batidos do personagem principal. O elenco faz um trabalho razoável (com Eva Green, e não Depp, destacando-se), mas Burton prefere (novamente) se preocupar mais com o visual do que com a história que conta. Triste…

MELHORES TRAILERS

1. O Grande Gatsby

2. O Mestre

3. O Homem de Aço

MELHOR PÔSTER

Django Livre – Teaser Poster

DJANGO UNCHAINED

Os 5 FILMES MAIS AGUARDADOS (POR MIM) PARA 2013

Carrie – A Estranha

O Grande Gatsby

O Homem de Aço

Além da Escuridão – Star Trek

Kick-Ass 2

Tatuando uma cena | Além da Garota do Dragão Tatuado

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 1 de agosto de 2012 by Lucas Nascimento

Com o blu-ray de Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres em mãos há mais de três meses, bateu a ideia de um artigo explorando alguns detalhes sobre o longa de David Fincher. Aqui, analiso principalmente a mise en scène e algumas escolhas musicais de determinadas cenas que apresentam detalhes impressionantes. Aproveitem:

Observação: o post traz muitos spoilers do filme (e também alguns acerca do SEGUNDO LIVRO da trilogia)

Os créditos de abertura


Come from the land of the ice and snow…

Ao som de “Immigrant Song”, famosa música de Led Zeppelin que ganha um cover por Karen O, Trent Reznor e Atticus Ross, os créditos inicias de Millennium são espetaculares e, quando disse que mereciam uma crítica própria, falava sério. E aqui vai ela:

Inicialmente nos deparamos com um close profundíssimo nos pneus de uma motocicleta, assim como suas partes mecânicas e panéis. Depois, o segundo estágio de Lisbeth Salander: suas habilidades como hacker, representadas pelo teclado (com símbolos suecos, mais uma boa forma de imersão no cenário da trama) que é preenchido pela substância obscura.

Dentre relances do rosto de Salander, misturam-se a sequência do fósforo – que remete diretamente a uma cena do segundo livro – onde Lisbeth incendia seu próprio pai e o que os designers da Blur Studio chamam de “Salander virtual”; um aglomerado de peças de computadores e fios USB que ganham o formato da protagonista.

Ao fim da progressão, o pai de Salander derrete e sua “versão virtual” entra em curto-circuito.

Agora vemos mais o Mikael Blomkvist de Daniel Craig, que começa a ser acariciado e agarrado por mãos que o destruirão ao fim da cena. Paralelamente, vemos as raízes e espinhos de flores que crescem dentro do rosto de Harriet Vanger e uma fênix (que Salander tem tatuada na perna) tomando voo.

E junto com a queda de Blomkvist, o icônico dragão tatuado começa a ganhar vida das costas de Lisbeth.

Logo depois, o momento que define o termo “homens que não amavam as mulheres”, quando vemos o pai de Lisbeth esmurrar sua mãe. É interessante observar que os pedaços melequentos da vítima respingam na jovem Salander, representando que ela cresceu assistindo cenas do tipo (a vespa saindo de seus olhos contribui nesse quesito) e que essa violência de certa forma a definiu, e deu origem a seu ódio contra “homens que não amam mulheres”.


As mãos grotescas que destroem o rosto de Lisbeth

E esses mesmos sujeitos são responsáveis pela destruição da protagonista, que tem seu rosto coberto por inúmeras mãos sujas e grotescas para depois lentamente ser derretido.

Na conclusão da cena, vemos o fim do ciclo das flores de Harriet e o momento em que ele recomeça, marcado pela desintegração das pétalas. Voltando para Blomkvist, seu rosto é violentamente amordaçado por manchetes de jornal – simbolizando muitíssimo bem seu problema legal que é apresentado posteriormente – e este começa a vomitar moedas, uma metáfora brilhante para o agravo forçado de suas economias.


A inssurreição de Salander

Entre agulhas penetrando peles e a colisão das faces de Blomkvist e Salander, uma mão perfura a terra e a forte imagem apresenta dois significados: ou remete diretamente ao clímax do segundo livro (onde a personagem é enterrada viva) ou seria mais uma metáfora, dessa vez para mostrar a resistência de Salander a um mundo cruel e de preconceitos.

Foram só 3 minutos de filme e já tivemos uma carga dramática e visual sem precendentes.

Assista à cena:

Estocolmo, Suécia e seus personagens


A descida de Mikael Blomkvist

A história finalmente começa quando vemos Blomkvist descendo a escada do tribunal após sua condenação (e adoro o fato de ele estar descendo, como se tivesse caído de posição) e sendo abordado por dezenas de repórteres. É divertida a interação entre o jornalista e seus colegas do ramo, e o roteiro de Steven Zaillian sugere que Mikael conhece todo o pessoal da mídia; e que ele possui ótimas rebatidas. “O que é isso? O evento da mídia do ano?”


O jornalista condenado encara uma chuva pesada

Saindo do tribunal, nada mais depreciativo do que uma pesada chuva sob os ombros de nosso herói caído (elemento que marcou presença em Se7en, também de David Fincher) enquanto ouvimos diversos trechos de entrevistas e telejornais, que – de forma intrínseca – explicam bem o caso de Mikael Blomkvist, acusado de difamação contra o poderoso empresário Hans Erik Wennerstrom; e a edição de sonora de Ren Klyce é bem-sucedida ao misturar tais passagens sem torná-las incompreensíveis.


O empresário Hans Erik Wenneström

Em um café, contínuamos ouvindo às reportagens sobre a condenação de Blomkvist. Quando ele entra, compra um café e um sanduíche e volta a analisar o veredicto. E é aí que vemos o tal Wennerstrom pela primeira vez: rodeado por advogados, ele prega que o jornalista teve o que mereceu (“Todos os jornalistas devem entender, assim como o resto de nós, que seus atos têm consequências).

Uma curiosidade divertida: a balconista do café é uma jovem chamada Ellen Nyqvist, filha do ator Michael Nyqvist, intérprete de Mikael Blomkvist na versão sueca da trilogia. Muita coincidência, não?

Blomkvist compra um maço de cigarros e, logo em seguida joga-o no lixo, limitando-se apenas a uma tragada. Uma observação reveladora sobre o personagem é o fato de este comprar também um isqueiro, indicando que o jornalista não carrega consigo o hábito do fumo, dando a entender que este largara o vício anteriormente, mas agora o retoma sob consequência de sua condenação. Um detalhe interessante na cena acima é o televisor no canto esquerdo, que mostra imagens de Blomkvist saindo do tribunal, e elas coincidem precisamente com a apresentação do personagem.

Blomkvist então segue para o escritório de sua revista Millennium, onde ignora toda a equipe de redação e segue para conversar com sua parceira e amante, Erika Berger (Robin Wright). A relação curiosa dos dois é mantida como no livro: os dois são parceiros sexuais, mesmo Berger sendo casada.


A revista Millennium traz: Blomvist – Nas Correntes

Agora conheceremos Lisbeth Salander (Rooney Mara), a garota com o dragão tatuado. A câmera inicialmente foca em uma cópia da revista de Blomkvist no relatório da investigadora (percebam que há uma certa continuidade, visual e estrutural, nos eventos: Blomkvist-Millennium-Relatório) e então conhecemos o adovgado Dirch Frode (Steven Berkoff) e o chefe de Salander, Dragan Armansky (Goran Visnjic).


“É possível que esperemos para sempre”

Na esperta montagem de Kirk Baxter e Angus Wall, vemos Lisbeth chegando ao escritório enquanto, entre cortes, Armansky “apresenta” sua empregada e prepara o terreno para sua marcante aparição. “Ela é uma das minhas melhores investigadoras, como viu pelo relatório. Mas acho que não vai gostar dela. Ela é diferente. Em todo sentido”.

Acompanhamos as costas da personagem, e já é possível reparar em seu nada discreto moicano e nos olhares curiosos que a jovem desperta em sua caminhada até o escritório de Armansky. A trilha de Trent Reznor e Atticus Ross também contribui, capturando a aura bizarra de Salander (a faixa nessa cena é chamada “We Could Wait Forever”, referência à frase de Armansky da mesma cena).

Salander junta-se aos dois no escritório e finalmente temos uma boa visão da personagem. Ela ignora o cumprimento de Dirch Frode e larga suas coisas no chão antes de sentar-se à mesa.

Reparem em como ela se senta distante dos dois e passa grande parte do tempo evitando contato visual.

This is Harriet…

A primeira tomada de Harriet (segurando uma flor), em um flashback.

Após introduzir Blomkvist sobre a história de alguns membros da família Vanger (dando destaque para uma presença nazista), Henrik vai direto ao ponto que o levou a contratar o jornalista: o desaparecimento de sua sobrinha-neta Harriet.

24 de Setembro de 1966: a fotografia de Jeff Croenwenth esquenta e adota belíssimos tons de sépia para apresentar o mistério da jovem de 16 anos. A família Vanger se reúne para um almoço de negócios, enquanto um clube de iate promovia um desfile de Outono no centro da cidade. Harriet e amigas comparecem ao evento.

Harriet retorna por volta das 14h e pede para conversar com Henrik.

Ocupado, ele pede que ela aguarde alguns minutos (reparem como a narração do velho Henrik quase casa perfeitamente com o movimento labial de sua versão rejuvenescida).

Ela corre pelas escadas e sua prima Anita a segue.

É aí que o acidente ocorre. Uma terrível colisão entre um caminhão e um carro isola a cidade, despertando a curiosidade de muitos e também exigindo a ajuda de membros da família Vanger, polícia e bombeiros.

Uma hora após o acidente, Harriet é vista na cozinha pela empregada Anna. O relógio na parede marca 15:20h.

Os feridos são retirados dos destroços do acidente, vemos o Detetive Morell pela primeira vez e todos começam a retornar para seus lares.

Observe também o jovem Martin Vanger, que atravessa os veículos e junta-se aos membros da família.

Durante o jantar, Henrik percebe o desaparecimento de Harriet. Dentre a mesa repleta de convidados, apenas um prato de comida e uma taça de bebida permanecem intocados.

Um vislumbre do jovem Dirch Frode.

De volta ao presente, Mikael já não está tão cético. Seu olhar sugere que a história de Henrik o convenceu.

Já tendo prendido a atenção do jornalista, Vanger agora o leva ao elemento-chave do mistério. Enquanto o acompanha até o sótão, ele comenta que o corpo de Harriet teria aparecido na costa se tivesse caído no mar, referenciando o próprio pai da jovem, que morrera em 1965. Não sabemos ainda, mas o sujeito foi vítima da própria filha.

Henrik e Mikael caminham em uma sala escura, até que o velho acende as luzes e revela o conteúdo de suas paredes: dezenas de flores emolduradas. Vanger explica que o “presente” chega anualmente no dia de seu aniversário, suspeitando vir do assassino de Harriet (já que esta costumava lhe enviar tais recordações).

Com a câmera passeando pelas flores, o espectador faz a conexão com o prólogo do filme e este, enfim, faz sentido. A música ao fundo é “How Brittle the Bones”.

Vemos, logo depois, o trem das 16h30 partindo da estação de Hedestad. E Blomkvist não está nele.

Observação sobre Martin Vanger

Durante o jantar onde conhece Blomkvist, Martin diz que chegou à Hedestad muito depois, no trem das 16h. É mentira, nós o vimos na ponte durante o acidente e o horário na cena era algo por volta das 15h30.

O estupro I

O som de um faxineiro limpando o chão acompanha Lisbeth até o segundo encontro com seu tutor, Nils Bjurman (Yorick Van Wageningen). O uso do efeito sonoro ajuda a mostrar que o escritório está sendo esvaziado, que todos estão indo embora.

Note que há uma porta-retratos na mesa de Bjurman, onde o vemos com sua mulher e filho. Mostrar que o assistente social tem família só o torna mais assustador, mostrando que este é, aparentemente, uma pessoa normal

Bjurman diz que Salander precisa aprender a socializar-se e levanta da cadeira. A câmera de Fincher então foca a barriga do personagem, animalizando-o, tornando-o ainda mais grotesco. Lisbeth já sente que a situação não terminará bem e evita todo tipo de contato visual.

O assistente se aproxima dela e senta na beirada da mesa. A câmera de Fincher agora adota um enquadramento que enfoca a posição maior de Bjurman, deixando Lisbeth minúscula perto do “monstro”;  enquanto o barulho da enceradeira vai mesclando-se com a tensa música de Trent Reznor e Atticus Ross (a faixa aqui é “With the Flies”). Ele joga a mochila da jovem e a faz sentir o tecido de sua calça, para logo depois forçá-la a masturbá-lo.

O problema fica pior quando Bjurman aperta a cabeça de Salander, levando-a à felação em pleno escritório. É possível ver uma aliança de noivado no dedo do estuprador.

A câmera afasta e temos um campo visual maior, exacerbando a gravidade da situação (acho assustador a presença de diplomas e comprovantes de reconhecimento na parede, que sugerem que Bjurman é um profissional nato).

Bjurman tem um orgasmo. A câmera pega seu rosto de cabeça ponta-cabeça.

Um corte grosseiro mostra Lisbeth no banheiro lavando a boca com sabão e até forçando vômito. Fica subentendido que Bjurman ejaculou em sua boca. Ele entrega o cheque a ela e devolve sua mochila.

Ela sai pelo corredor e vemos um faxineiro encerando o chão, responsável pelo zumbido que assombrara a cena anterior.

Fade para uma das melhores tomadas do longa, onde Lisbeth está em seu apartamento ouvindo música. A câmera vai se aproximando e engenhosamente vira de ponta-cabeça para revelar seu rosto, e a fotografia de Cronenweth esquenta fervorosamente seu tom de vermelho, como se a personagem fosse explodir. Mas agora, o que significa essa virada? A agressiva mudança de rumo da história – que se dá pelo inesperado estupro da protagonista – ou até mesmo a diferente percepção de mundo que Salander possui. Acho interessante também que há uma certa rima entra essa tomada e a que mostra Bjurman durante o orgasmo (logo acima). Lembrando também que nesse momento, Salander já planeja sua vingança.

O estupro II

Lisbeth anda pela rua e telefona para Bjurman. Ela já tem a intenção de visitá-lo novamente e executar a primeira parte de sua vingança. A situação é revertida quando o sujeito a obriga a comparecer em sua residência (um território desconhecido) e então passa o endereço. Salander diz não precisar de uma caneta para anotá-lo, sendo um dos primeiros indícios que o roteiro de Zaillian usa para retratar a “memória fotográfica” da personagem.

A música de Reznor-Ross vai intensificando a atmosfera, enquanto a fotografia de Cronenweth acerta ao retratar o apartamento de Bjurman de forma sombria. Salander é recebida pelo sujeito de forma maliciosa, e o terror impregna em sua caminhada até o quarto.

Salander posiciona a mochila em um ângulo que capture uma boa visão do quarto, dando destaque para a cama. Ainda não sabemos, mas ali encontra-se uma câmera escondida.

Fincher segue sua lógica de mostrar Bjurman em planos mais altos, tornando-o uma figura grande e ameaçadora, a passo que Lisbeth é minúscula perto do mesmo.

Bjurman domina Salander e coloca uma algema em seu pulso. Ela corre para a porta, mas é agarrada e a mesma se fecha; como se o espectador não precisasse testemunhar a cena que está por vi, culminando em um fade out que leva o espectador para longe da situaçao.

Mas não é o que Fincher pensa, e ele imediatamente nos leva para o centro da situação.

Fade in: A garota é algemada na cama (que tipo de sujeito mantém algemas em casa?)…

e seu agressor começa a despi-la brutalmente.

A penetração tem início. Fincher posiciona a câmera quase que na testa do estuprador, revelando sua total posição dominante sobre a pobre Lisbeth.

A garota para de gritar. O roteiro de Zaillian afirma que nesse momento, Salander isola-se em sua mente como uma forma de “fugir” da situação.

O botão da mochila de Salander ganha uma atenção especial da câmera, antes de cortar de volta para Blomkvist em Hedestad.

Posteriormente, temos Lisbeth retornando para casa após o estupro. Bjurman lhe entrega seu cheque e esta vai embora.

A caminhada pelas sombrias ruas suecas torna-se ainda mais perturbadora graças à excelente composição batizada de “She Reminds of You”.

Lisbeth chega em casa, larga o cheque (em primeiro plano) em cima da mesa e toma um analgésico.

Primeira vez que vemos os seios da protagonista, assim como a tatuagem em sueco (que seria uma homenagem à sua falecida mãe) que esta possui nas costelas.

Depois, Salander toma um banho na esperança de aliviar seus ferimentos. A primeira tomada nítida de sua tatuagem de dragão…

e também uma sutil referência à Psicose ao trazer o sangue caindo na água.

A vingança

Lisbeth bate na porta de Bjurman, que atende com espanto. Ele deixa-a entrar.

É revelador como vemos um certo arrependimento do estuprador, ao dizer que “sente-se mal pelo modo como o encontro anterior dos dois havia terminado”. Fria e impetuosa ela ataca-o com um taser e o assistente social é derrubado no chão.

Nesse momento, a mise-en-scène que Fincher estabelecera sobre a dominância de Bjurman sobre Salander é radicalmente quebrada. A câmera agora liberta-se e acompanha a situação em um plano plongé (com a câmera acima da cena), revelando que Bjurman é só um homem e toda sua aura monstruosa é deixada de lado. A música de Reznor-Ross aqui é excelente, declarando o início da vingança.

Acompanhamos uma tomada similar à do estupro de Salander, só que dessa vez a câmera de Fincher nos leva para dentro do quarto de Bjurman; observe suas roupas e uma mancha que eu deduzo ser suor. O espectador não quer fugir da situação, ele quer saber o que vai acontecer.

Bjurman acorda nu e com os braços e pernas amarrados, além de ter sua boca tapada com fita adesiva. Lisbeth (com uma maquiagem sensacional sobre os olhos) revela ao estuprador que tinha uma câmera no último encontro dos dois.

Agora as mesas foram viradas: Salander está sob o controle, e a câmera de Fincher enquadra o poder da jovem.

Mais um ângulo que mostra a superioridade de Salander.

Ela então retira um dildo metálico de sua bolsa, para total desespero de Bjurman.

É, vocês sabem o que acontecem depois… (e destaque para o repulsivo efeito sonoro escolhido por Ren Klyce).

Salander então ameaça o assistente social e obriga-o a entregar de volta o controle sobre suas finanças. Caso contrário, ela vazará o vídeo que revela o estupro.

Além disso, ela o proíbe de se encontrar com qualquer garota e promete ficar de olho no apartamento.

Ela chuta o dildo, que penetra mais fundo em Bjurman. Detalhe para a cruel ironia nesse plano-detalhe: o vídeo de Lisbeth sendo estuprada roda ao fundo, ao mesmo tempo em que esta se vinga do assistente social.


“It’s ok, you can nod. Because it’s true… I am insane”

Lisbeth fala diretamente com a câmera ao pronunciar: “Eu sou louca“.

O elemento final da vingança de Salander se aproxima: a tatuagem. Ela coloca uma máscara de proteção (elemento genial, como se a personagem evitasse sujar-se com sangue de sua vítima).

Ela monta Bjurman e começa sua “obra de arte”, com a bizarra “Of Secrets” tomando conta da trilha.


EU SOU UM PORCO ESTUPRADOR”

À medida em que analisava mais e mais detalhes desta impecável obra, a postagem foi ficando longa demais e decidi deixar alguns elementos de fora. No entanto, espero que isto sirva para comprovar a competência e imaginação de David Fincher, que a cada novo filme vem se firmando como um dos melhores diretores da atualidade.

E por falar em Millennium, ainda aguardo novidades sobre a continuação…