Arquivo para sacha baron cohen

| Os Miseráveis | Tom Hooper faz o elenco todo cantar ao vivo, mas não perdoa nos excessos

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Indicados ao Oscar, Musical with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

LesMiserables

De cabelo picotado e olhar melancólico, Anne Hathaway provoca a maior reação emocional do longa

Já disse isso no ano passado e não vejo mal em repetir: não gosto de filmes musicais. No entanto, a versão de Tom Hooper para Os Miseráveis traz um elenco muito carismático e 8 indicações para o Oscar deste ano, logo merece ser conferido até mesmo por aqueles que acham repentinos números musicais intrusivos em longa-metragens. Dito isso, o longa impressiona pela escala de sua produção e o talento de seu elenco, que se transforma realmente em um grupo de cantores.

A trama é mais uma adaptação da cultuada obra de Victor Hugo (que já ganhou bem sucedidas versões nos palcos da Broadway), que traz uma série de personagens em meio ao período da Revolução Francesa do século XVIII. No centro deles está Jean Valjean (Hugh Jackman), um condenado que foge de sua condicional e aspira por uma vida melhor, ao mesmo tempo em que é perseguido pelo cruel inspetor Javert (Russell Crowe) e se compromete em cuidar da jovem Cosette (Isabelle Allen, jovem, e Amanda Seyfried, adulta).

O que é realmente interessante sobre o novo filme é sua técnica inovadora. Primeiramente que cerca de 90% dos diálogos do roteiro não são pronunciados, e sim recitados em forma de canções – o que difere dos musicais habituais, onde a narrativa segue de forma padrão e é momentaneamente quebrada para a entrada de um número musical, onde impera determinada canção. Aqui, Hooper insere a cantoria como algo habitual desse “universo”, em uma clara tentativa de torná-las orgânicas, algo que não me recordo de ter visto em produções do tipo. Mesmo que seja uma iniciativa intrigante, o resultado é exaustivo de se acompanhar, já que o espectador é atacado com uma enxurrada de canções, uma atrás da outra. Há até uma cena em que acompanhamos diversas músicas diferentes ao mesmo tempo; o que, ainda que contribua para a preparação de uma batalha, soa como uma cacofonia incomodante.

Mas certamente é de se dar créditos ao novo método de interpretação das canções. Geralmente o elenco se reúne em um estúdio para gravar todo o trabalho vocal separadamente, para depois atuar durante as filmagens tendo essas gravações de áudio como referência. Em Os Miseráveis, o elenco canta ao vivo, sendo no mínimo, ousado. E os resultados são absurdamente perceptíveis em cena, já que as interpretações ganham muito mais intensidade. A começar pelo protagonista Hugh Jackman, que abandona todo o teor cômico/durão de seu Wolverine para encarnar o complexo Valjean, personagem que passa por transformações físicas notáveis e o ator desaparece nelas, fortalecendo assim sua excelente (e esforçada) performance e comprovando sua imensa carga dramática (e também revelando sua habilidade para cenas de canto).

Favorita ao Oscar de Atriz Coadjuvante, Anne Hathaway de fato merece todos os elogios e prêmios que vem recebendo. Mesmo tendo pouco tempo em tela, sua Fantine é a figura mais trágica e marcante da projeção, e a atriz se despe de toda vaidade e ignora todos os clichês que poderiam surgir ao encarnar uma mulher que perde lar, cabelos e dentes e recorre à prostituição para sustentar sua única filha. Suja e com um olhar destruidor, Hathaway protagoniza o melhor momento do longa ao cantar “I Dreamed a Dream” em uma melodia melancólica e frustrada – e o fato de Hooper manter a cena sem cortes e focalizar a câmera em seu rosto, a torna ainda mais poderosa e emocionante.

A grandiosidade dos cenários também é de se admirar, sendo todos eles uma fiel recriação da Paris daquele período. O demérito vai para a junção artificial de ambientes reais e digitais, como a cantoria solo de Russell Crowe sobre um telhado da cidade, cujo uso óbvio de green screen compromete o bom trabalho do ator. Em efeito contrário, é justamente a artificialidade que favorece alguns fatores da fita, em especial as exageradas vestimentas e caricatas maquiagens dos vigaristas vividos por Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen (coincidentemente, ambas figuras igualmente cartunescas no ótimo Sweeney Todd de Tim Burton), que contribuem para o desempenho da dupla – que funciona como um divertido alívio cômico.

Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: “Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!”

Obs: Essa crítica foi publicada durante minha viagem para Los Angeles, em 29 de Janeiro de 2013.

Anúncios

| O Ditador | Novo Sacha Baron Cohen é relativamente Aladeen, mas também muito Aladeen

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , , , , , , , on 25 de agosto de 2012 by Lucas Nascimento

O Ditador Aladeen: Troca palavras do dicionário por seu próprio nome

Sacha Baron Cohen já foi um dos meus comediantes favoritos dos tempos atuais. Dotado de humor crítico e imprevisível em duas ótimas comédias, lançadas em 2006 e 2009, o inglês já atacou o “American way of life” como um repórter cazaque em Borat e ridicularizou o mundo das celebridades em Bruno. Agora, em tempos de Primavera Árabe e luta por democracia, Cohen entrega seu trabalho mais burocrático com O Ditador.

Ao contrário de seus longas anteriores, O Ditador apresenta uma trama inteiramente roteirizada (dispensando o formato “pegadinha”), centrando-se no almirante-general Aladeen, ditador da fictícia Waldiya, que é forçado a visitar os EUA e discursar em frente à ONU, libertando seu povo do duradouro regime totalitário. Vítima de seu tio traidor (Ben Kingsley), Aladeen tem sua barba característica raspada e é então jogado às ruas de Nova York, onde tentará se adaptar a uma sociedade democrática.

Lendo a sinopse já fica evidente que os roteiristas reciclam a mesma premissa de Borat e Bruno: estrangeiro excêntrico viaja aos EUA e rende situações engraçadas/constrangedoras por consequência do choque cultural. No entanto, Cohen e o diretor Larry Charles (que repete a parceiria aqui) sempre tornavam claro o rumo que seguiam e agiam através de corajosas esquetes que provocavam a ira de suas “vítimas”. O problema principal aqui é o nível de estupidez atingido pela dupla, que tem em palavras absurdamente grandes, piadas com celebridades (além da ponta de Megan Fox, há uma ainda mais divertida) e situações dignas da série Todo Mundo em Pânico (não por acaso, Anna Faris está no elenco) suas principais tentativas de humor.

Ainda que seja interessante observar o desvirtuamento “heróico” do protagonista (“Só você poderá impedir que Waldiya vire uma democracia e sofra com males como o voto feminino e direitos civis!”), O Ditador torna-se uma experiência entediante, ainda que traga curtos 88 minutos de projeção, tornada suportável apenas pelo carisma de seu ator principal. Sempre abraçando com ferocidade os papéis que assume, Cohen não faz diferente com Aladeen e lhe proporciona um divertido sotaque e andar característico – beneficiando-se também do fato de interpretar dois personagens (ainda que o outro seja bem menos desenvolvido).

Trazendo também um curioso contraste com o discurso final de O Grande Ditador de Chaplin, O Ditador é uma obra irregular e com poucos momentos genuínamente engraçados. Fica aqui, ao menos para mim, a constatação de que Sacha Baron Cohen deverá inovar em seus próximos trabalhos, já que seu talento cômico merece destino melhor.

Primeira Olhada: HUGO

Posted in Primeira Olhada with tags , , , , , , , , , on 17 de julho de 2011 by Lucas Nascimento

O trailer do novo filme de Martin Scorsese saiu esta semana e parece completamente diferente de todos os outros trabalhos do genial diretor. Uma breve primeira olhada em Hugo (sim, já foi A Invenção de Hugo Cabret, Hugo Cabret e agora é simplesmente Hugo. Daqui há uns meses vão mudar pra H…).


A Paris de 1930, caprichada no contexto de Hugo Cabret

Começando pelo visual, ele parece bem interessante. Ambientado na década de 30, a cidade de Paris na visão do cineasta mescla um estilo realista com um mais fantasioso e, a julgar pelos enquadramentos e movimentos de câmera, o diretor promete usar bem a tecnologia 3D e contar de forma divertida a história do robô mensageiro encontrado por Hugo Cabret.


Divertidíssimo, Sacha Baron Cohen promete roubar o filme

Mas o melhor do trailer (em minha opinião) é o elenco. Asa Butterfield (O Menino do Pijama Listrado) é um jovem talentoso e deve ficar ainda melhor sob a supervisão de Scorsese, assim como a ótima Chloe Moretz (Deixe-me Entrar). E sem comentários quanto à Sacha Baron Cohen, que está divertidíssimo como o segurança de uma estação de trem, prometendo roubar a cena.


Os talentosos Asa Butterfield e Chloe Moretz sob a direção de Scorsese

Quanto à trama, é inegável que ela seja mais voltada ao público infantil mas, assim como aconteceu com Steven Spielberg, Scorsese pode manter seu invejável dom de contador de histórias e entregar um bom filme que pode até agradar todos os públicos.

Afinal, é Scorsese, certo?

Trailer:

Hugo estreia em 20 de Janeiro no Brasil.

Sacha Baron Cohen é THE DICTATOR

Posted in Notícias with tags , , , , on 11 de junho de 2011 by Lucas Nascimento

O comediante Sacha Baron Cohen une-se novamente ao diretor Larry Charles (reprisando a parceria de Borat e Bruno) em The Dictator, ambientado no Oriente Médio.

Assemelhando-se à O Grande Ditador de Charlie Chaplin, o ator interpretará dois personagens: Um pastor de ovelhas e o ditador do título, que se perde nos EUA após ser deposto.

Mais uma chance para Cohen aplicar seu humor ácido e crítica feroz. Ainda sem previsão de estreia.

Próximo da Fila: Martin Scorsese (I)

Posted in Próximo da Fila with tags , , , , , , , , , , , , on 1 de maio de 2011 by Lucas Nascimento

O próximo filme de Martin Scorsese é, sem dúvida, o mais peculiar e inusitado de toda sua carreira: um filme de fantasia para família em 3D, adaptado do livro A Invenção de Hugo Cabret de Brian Selznick.

O título foi reduzido para Hugo Cabret e conta a história de Hugo, um menino órfão que mora numa estação de trem na Paris dos anos 30 e parte para resolver um mistério envolvendo seu pai e um enigmático robô mensageiro.

As filmagens em 3D já terminaram e a pós-produção está a mil por hora. No elenco, temos Asa Butterfield (O Menino do Pijama Listrado) como Hugo, Chloe Moretz (Deixe-me Entrar, Kick-Ass) como Isabelle e coadjuvantes de peso que incluem Jude Law, Christopher Lee, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen (o eterno Borat) e uma ponta de Johnny Depp.

Parece um filme interessante e vale a pena ver se Scorsese adequa-se ao gênero. Vamos aguardar.

Hugo Cabret estreia em 23 de Novembro nos EUA