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| O Homem Duplicado | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Enemy

Cuidado com possíveis spoilers

“Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser.” – Carl Jung

A cada pensamento, reflexão e teoria encontrada, O Homem Duplicado faz mais sentido em minha cabeça. É um filme estranho e que não se preocupa em entregar de cara as respostas que o espectador busca, transformando o novo filme de Denis Villeneuve em um instigante e atmosférico estudo psicológico. Ainda que imperfeito como experiência, traz a deliciosa tarefa de manter o espectador atento a cada detalhe.

Baseado no romance homônimo de José Saramago, o roteiro de Javier Gullón conta a história do recluso professor de História Adam (Jake Gyllenhaal). Preso em uma rotina caucada na repetição de aulas na faculdade e transas impessoais com sua namorada (Mélanie Laurent, radiante), Adam acaba por descobrir um sujeito, Anthony, que é sua cópia idêntica em um filme, e resolve procurá-lo para entender a situação.

Tal realização não virá de imediato, mas O Homem Duplicado não é tão simples ou trivial como a premissa possa sugerir. Já fica o aviso de que o “tipo” de filme não é do convencional, recorrendo diversas vezes à imagens simbólicas (fotografadas em um belíssimo tom alaranjado por Nicolas Bolduc) e um ritmo onírico que certamente vai afastar boa parcela do público – admito que o ritmo seja o grande problema do filme.

Mas talvez seja um sacrifício diante das profundas análises que Villeneuve trará durante os 90 minutos de projeção. Falar sobre o filme, é falar sobre a dualidade do Homem. Certamente existem múltiplas interpretações da obra (e eu li de tudo, incluindo invasões de monstros), mas o que seria mais conciso aqui é a batalha interna entre os alter egos do protagonista. Faz mais sentido que não exista mesmo um “clone” do protagonista andando por aí, mas sim que a premissa seja uma metáfora para seu próprio inconsciente, e as batalhas que trava em relação a sua vida amorosa. Faz sentido que Villeneuve retrate a personagem de Mélanie Laurent de forma idealizada, e que o apartamento de Adam surja completamente sem personalidade, e mergulhado nas trevas quando Laurent contracena com o protagonista.

Aliás, Jake Gyllenhaal merece uma dupla indicação ao Oscar, já que cria duas performances tão distintas que muitas vezes me peguei esquecendo de que era o mesmo ator ali, contracenando consigo mesmo. Já tendo trabalhado com Villeneuve no ótimo Os Suspeitos, o ator consegue saltar com facilidade entre a persona tímida e introvertida de Adam, ao mesmo tempo em que faz de Anthony um sujeito descolado e confiante; mas sem cair no lugar-comum de fazer o total oposto um do outro.

É bem difícil assistir a O Homem Duplicado uma única vez e entender todo o seu significado. É um nó na cabeça que aposta fortemente em simbolismos (aranhas, preste atenção nas aranhas) e oferece uma experiência cativante, ainda que fácil de se perder. Mas de qualquer forma, um jogo inteligente e que faça discutir é sempre muito bem vindo.

EXTRA –

Se você deseja entender os significados do filme melhor, recomendo fortemente a análise em video de Chris Stuckmann, que quebrou o código de O Homem Duplicado em seus mínimos detalhes. Obviamente, spoilers à frente:

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Novo trailer de O HOMEM DE AÇO explica significado do “S”

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 16 de abril de 2013 by Lucas Nascimento

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Acaba de cair na rede o mais recente trailer de O Homem de Aço. Diferente da maioria dos “trailers finais” de filmes de ação, ele repete muitas cenas das prévias anteriores e só adiciona algumas realmente inéditas (e isso é um grande elogio, já que dessa forma poderemos ter mais surpresas no cinema), especialmente no final.

Entre a destruição de Krypton no início e os gritos do general Zod, o destaque fica para e cena em que o herói (Henry Cavill) explica a Lois Lane (Amy Adams) o significado de seu uniforme: “Não é um ‘S´, no meu planeta é um símbolo de esperança”. Confira:

Música no trailer: An Ideal of Hope – Hans Zimmer

O Homem de Aço estreia no Brasil em 12 de Julho (isso aí, atraso de 1 mês…)

| A Árvore da Vida | Uma peculiar reflexão filosófica sobre a vida humana

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 14 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento


A Origem: Brad Pitt brilha no novo filme de Terrence Malick

A Árvore da Vida é o filme mais peculiar e estranho que você assistirá este ano. É uma tarefa difícil embarcar em sua complexa experiência e absorver seus profundos significados em apenas uma visita. O novo de Terrence Malick é simplesmente difícil.

A trama gira (pelo menos nos momentos em que estabelece-se um enredo) na relação entre uma família texana dos anos cinquenta, focando no rígido pai e seus três filhos. Há também um incompreensível paralelo com a criação do Universo.

Começar um filme no Big-Bang e avançar até os tempos atuais é um projeto ambicioso (e corajoso), isso sim. E não há dúvidas ou receios no que diz respeito ao talento de Terrence Malick quando este pega numa câmera; seus enquadramentos e movimentos são belíssimos. Mas é muito difícil receber e interpretar as (belas) imagens do filme.

Logo no começo, uma tremenda montagem sobre a origem do planeta (embalada por uma ópera magnífica), incluindo cachoeiras e dinossauros e vamos nos encontrando com os humanos. Com Brad Pitt em ótima forma e absurdamente expressivo como o sr. O’Brian, Malick começa uma reflexão cansativa e (pelo menos na minha opinião) incompreensível sobre as escolhas e o comportamento humano, especialmente em relação ao amadurecimento.

Outro grande ponto é a religião. O filme em si apresenta pouquíssimos diálogos, mas apenas frases profundas e complexas sobre aceitação e filosofia de vida, inserindo  também um discurso existencialista sobre o destino e uma abordagem sobre como o homem é pequeno em relação ao Universo e a Deus. A montagem insere imagens das mais diversas, e que muitas vezes não apresentam um motivo concreto ou justificado para estarem lá, mas que são espetaculares, são.

O elenco vem para ajudar o filme. Além do ótimo Brad Pitt, temos Jessica Chastain como a mãe da família, que esbanja serenidade e uma relação bem mais suave com seus filhos e também a natureza. As crianças do filme também são excelentes, e Sean Penn trabalha bem sua melancolia através de suas habituais expressões.

É difícil falar de A Árvore da Vida. Com certeza o filme tem um significado que vai além de religião e relações familiares mas, no meio das imagens sem nexo de Malick, eu não consegui compreender.