Arquivo para Som

| O Exorcista | Crítica

Posted in Clássicos, Críticas de 2014, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 31 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

TheExorcist
A belíssima e icônica tomada do personagem-título

Por muitos anos, desde sua estreia em dezembro de 1973 (no Brasil, o filme só chegaria em novembro do ano seguinte), O Exorcista vem sido considerado o melhor filme de terror de todos os tempos. Tão assustador, que demorei para reunir coragem necessária para assisti-lo. E tendo o feito agora, às vésperas de Halloween, encontro não apenas um longa perturbador e intenso, mas grande obra.

A trama é adpatada do livro de William Peter Blatty (que também assinou o roteiro), centrando-se em Regan (Linda Blair), uma jovem de 12 anos que acaba possuída por um antigo espírito demoníaco. A situação faz com que sua mãe (Ellen Burstyn) recorra a diferentes métodos, até finalmente convocar os padres Merrin (Max Von Sydow) e Karras (Jason Miller) para realizar um exorcismo.

Já discuti muitas vezes aqui que o medo, assim como o riso, é uma reação que varia muito de um espectador a outro. Expliquei também a diferença entre “medo” e “sustos”, e como o primeiro é infinitamente mais difícil de ser alcançado, exigindo uma construção técnica e atmosférica requintada. Com O Exorcista, William Friedkin está interessado no medo, e confesso que raras vezes vi um diretor tão habilidoso nesse tipo de condução, conseguindo ser sinistro e até mesmo sofisticado em sua elaboração visual.

O domínio do zoom, o jogo de luzes e sombras do diretor de fotografia Owen Roizman e as sutis (e pavorosas) manipulações que Friedkin e os montadores Norman Gay e Evan Lottman exercem para apresentar o tenebroso antagonista da produção. Na pele (ou sob ela) da excepcional Linda Blair, a equipe de maquiagem cria um dos monstros mais icônicos da História do Cinema, causando inquietamento só pelo mero vislumbre deste, algo do qual Friedkin tem ciência, e jamais se preocupa em escondê-lo com sustos baratos e jump scares. Um de seus melhores amigos aqui é o design de som (merecidamente recompensados com o Oscar), que merecia uma crítica à parte graças à sua importância na criação da atmosfera incômoda do filme.

É fascinante ter essa experiência como alguém que apenas conhece o filme e ouve falar das cenas icônicas infinitamente imitadas e parodiadas: o vômito, o pescoço virado, a descida invertida pelas escadas e muitas, muitas outras. Quando elas finalmente ocorrem, são para pontuar e servir como clímaxes individuais de sequências específicas, multiplicando o impacto destas. Friedkin, aliás, exigiu um comprometimento brutal de seus atores, usando gritos de dor reais (como a cena em que Ellen Burstyn é derrubada pela filha possessa) e até estapeando padres a fim de arrancar-lhes uma performance intensa. O resultado é impressionante.

O Exorcista é o melhor filme de terror que eu já vi. Certamente não é aquele que mais me assustou ou me provocou mais medo, mas indubitavelmente é o mais caprichado e magistral, especialmente pela direção de William Friedkin. Um filme que inspirou e ainda inspira aprendizes na arte do medo.

Pra finalizar, deixo vocês com um mini documentário que traz reações do público na época do lançamento, e o caos enfrentado pelos proprietários de cinemas:

Feliz Halloween, caros leitores!

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| Gravidade | O 2001 da nossa geração

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Ficção Científica, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de outubro de 2013 by Lucas Nascimento

5.0

Gravity
Sandra Bullock é a Dra. Ryan Stone: Personagem com força impressionante

São poucas as produções cinematográficas que conseguem retratar de forma impactante (e verossímil) a imensidão do espaço sideral. Filmes como Star Wars e a franquia Jornada nas Estrelas empolgam pela abordagem aventuresca, mas o único que me vem à mente nesse quesito é 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Há diversos outros exemplos, claro (alguns até recentes, como o ótimo Lunar), mas o que Alfonso Cuarón alcançou com seu Gravidade representa um verdadeiro marco para o gênero.

A trama simplista é assinada por Cuarón e seu filho Jonas, enfocando-se em um acidente em meio a uma expedição da Explorer, que acaba por deixar os únicos astronautas sobreviventes, Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), à deriva na escuridão do espaço. De alguma forma, a dupla precisará encontrar uma forma de voltar à Terra vivos.

Um dilema que ouvi muito de alguns colegas a respeito do filme é o de se ele seria capaz de se sustentar com a premissa básica ao longo de 1h30. Nesse quesito, Gravidade surpreende com a abundância de ideias que os roteiristas conseguiram tirar de uma situação tão limitada: além de todos os obstáculos encontrados pelos astronautas enquanto tentam sobreviver (não comentarei nenhum deles, apenas para que o espectador se surpreenda), há um envolvente estudo de personagem, especialmente com a Ryan Stone de Sandra Bullock – no fundo, no fundo, Gravidade traz como moral a necessidade de superação, seguir em frente. A atriz, aliás, consegue criar uma das figuras femininas mais fortes dos últimos anos graças à sua performance intensa e desesperadora, sendo capaz de segurar o filme todo sozinha (Clooney está ótimo, mas seu papel é bem menor do que o da atriz).

Funcionando muitíssimo bem com seus personagens e história, o filme de Cuarón é também um feito técnico excepcional. Tendo quase 90% de suas imagens capturadas em greenscreen, a equipe de computação gráfica (aliada com a fotografia do ótimo Emmanuel Lubezki) cria algumas das imagens mais espetaculares que você verá este ano, todas elas usadas com inteligência por seu diretor. Cuarón demonstra aqui confiança e domínios de câmera invejáveis, já que aposta em longas tomadas de planos-sequência que  viajam pelos personagens, no interior de naves e até dentro dos capacetes dos personagens – rendendo ótimas tomadas em primeira pessoa. Vale ressaltar também o incrível trabalho de som, que acertadamente elimina o barulho no vácuo e se limita a propagá-los sob o ponto de vista dos astronautas, tornando-o abafado e realista dentro da proposta; algo que contribue também para que o filme seja uma experiência tensa (ver os protagonistas sendo atingidos por destroços, com apenas suas vozes e a aterradora trilha sonora de  Steven Price de fundo é algo que não pode ser medido com palavras).

Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração.

Algo muito especial foi criado aqui.

Obs: Assista na MAIOR tela possível, preferencialmente o IMAX do Espaço Unibanco Pompéia.

Leia esta crítica em inglês.

| Cosmópolis | Um ensaio sobre o capitalismo, por David Cronenberg

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama with tags , , , , , , , , on 9 de setembro de 2012 by Lucas Nascimento


Robert Pattinson encarna o papel mais desafiador de sua carreira: um homem que deseja um corte de cabelo

Cosmópolis é um filme de teses. Evitando uma narrativa convencional e simplificada, o novo filme de David Cronenberg utiliza-se de meios “alternativos” para contar sua bizarra história, onde discussões sobre filosofia e existencialismo invadem a cena constantemente, em uma experiência incomum e irregular.

Adaptado do livro homônimo de Don DeLillo, a trama segue o milionário Erick Packer (Robert Pattinson) enquanto este cruza a cidade de Nova York a fim de cortar o cabelo. Durante a odisséia em sua limousine, ele vai perdendo sua fortuna ao apostar na Bolsa de Valores contra a ascensão do yun.

É difícil de compreender por completo o que Cosmópolis quer dizer. O roteiro, assinado por Cronenberg, traz um retrato onírico e pessimista do novo milênio, criticando principalmente a sociedade que é formada sob consequência do avanço capitalista e tecnológico. Na acidez do comentário, o longa abre com a citação “um rato tornou-se a unidade monetária” e passa os 109 minutos seguintes analisando (?) a influência do sistema no Homem (em uma tese essencialmente Marxista), assim como a propagação da violência como consequência desta – tome como exemplo o personagem de Paul Giamatti (ótimo), um sujeito visto como “inútil” dentro de uma sociedade de computadores e números, e que vê no assassinato do protagonista uma forma de se destacar.

O que nos leva até Erick Packer. Passando quase metade da projeção em sua luxuosa limousine, o milionário está alienado ao que ocorre no mundo. Seu veículo é a prova de som (reparem em como o design de som vai se modificando ao longo em que o desfecho vai se aproximando) e também lhe serve de escritório, ocasionando na presença de variadas figuras que trazem consigo teses sobre aspectos diferentes de sua vida. O desatino de Packer é exposto de forma brilhante durante a cena em que uma manifestação popular ataca e vandaliza o carro do protagonista, apenas para evidenciar sua falta de reação – traço que o esforçado Robert Pattinson abraça com vigor. Detalhe interessante também é como o figurino de Packer vai se deteriorando: primeiro ele perde a gravata, depois o paletó e assim por diante.

Mas mesmo que traga boas ideias e uma direção habilidosa de Cronenberg – cujos planos sempre trazem uma impressão de sufoco à Packer, especialmente nos diálogos com sua esposa – Cosmópolis é uma experiência pouco agradável. Nenhum dos personagens surge como humanos, mas como fios de pensamento que expõe suas teses de forma nada sutil, preocupando-se inteiramente com estas. Não se enganem, é ótimo quando o Cinema pensa e quer transmitir uma mensagem sobre um tema do gênero, mas pessoalmente não me satisfaz quando sacrifica sua estrutura; tomem como exemplo Clube da Luta de David Fincher, que apresenta uma feroz crítica ao consumismo e ainda assim permanece como um filme “de verdade”.

Talvez tenha mais em Cosmópolis do que consegui enxergar (e uma segunda visita talvez seja necessária para captar todos os seus temas) mas como experiência é um filme que pouco entretém.

Batalha pelo Oscar 2011 | Parte III | Sons e Música

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento

Conseguimos! Chegamos na parte 3 do especial sobre o Oscar e agora vamos analisar sons, músicas e canções. Vamos lá:

Uma explosão não é uma explosão se ela não tiver um som ensurdecedor, certo? Manipular o som criado ou capturado é uma tarefa complicada, mas o resultado pode ser emocionante. Os indicados são:

A Origem | Richard King

Logo em seus segundos iniciais já é possível se impressionar pelo som de A Origem. É um filme barulhento e muito alto, com tiros, explosões, rachaduras, batidas de carros, trens entre muitos outros. Destaque também às cenas em câmera lentíssima, que exigiram uma distorção sonora trabalhosa. Richard King merece a estatueta e provavelmente vai levá-la.

Bravura Indômita | Skip Lievsay e Craig Berkey

Aqui temos um trabalho notável. Os sons utilizados nas cenas de tiroteios são bem altos e cristalinos, capturando a essência da época, mas dando-lhe um toque moderno. Cavalgadas, pancadas e ecos são editados perfeitamente, merecendo a indicação.

Incontrolável | Mark P. Stoeckinger

Além de acertar na hora das explosões e nas transições de cena, a equipe de Incontrolável merece créditos por contribuir na composição do trem do título como um personagem, distorcendo seus efeitos sonoros até ficarem similares aos de animais, alcançando um resultado monstruoso.

Toy Story 3 | Tom Myers e Michael Silvers

Repleto de sequências empolgantes, a edição sonora ajuda muito. Não me recordo no momento de muitos exemplos, mas a aterradora cena da fornalha é memorável por suas emoções fortes, mas também pelo som que vai aumentando conforme a cena progride.

Tron – O Legado | Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague

Mesmo assistindo no IMAX, não vi grande coisa na edição sonora de Tron. De fato, os efeitos sonoros criados são excelentes, dignos de Ben Burtt, mas o som alto que empolga raramente se destaca; apenas na corrida de motos luminosas temos uma boa experiência sonora.

Ficou de fora: Cisne Negro

O memorável no som de Cisne Negro é como os efeitos são distorcidos – mais ou menos como em A Origem e Incontrolável – para atingir um resultado onírico e assustador, complementando a metamorfose da protagonista de maneira impactante.

Vídeo:

APOSTA: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Acho dificílimo, mas se não for A Origem, Bravura Indômita merece.

Ok, o filme está pronto, editado, os efeitos visuais estão finalizados e os sons no lugar. Agora vem o grande desafio da pós-produção: juntar todos os efeitos sonoros com a trilha sonora, dando espaço a cada um deles de forma apropriada. Os indicados são:

A Origem  |Lora Hirschberg, Gary Rizzo e Ed Novick

A mixagem aqui é arrasadora, um marco. Além de manter intacto o barulhento trabalho da edição de som, o filme vai mesclando diversos sons ao mesmo tempo, sem nunca prejudicá-los ou confundi-los, como na cena em que Ariadne (Ellen Page) passa pelas camadas do sonho; há a trilha sonora de Hans Zimmer, os efeitos sonoros de explosões e batidas e ainda a música de Edith Piaf. Um marco sonoro que executa-se com perfeita maestria.

A Rede Social | Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick e Mark Weingarten

Ao longo do filme, o trabalho de mixagem é consideravlemente simples, porém uma ou duas sequências se destacam. Exemplo: o diálogo entre Mark e Sean em uma balada; o som da cena é perfeito, deixando a música de fundo levemente mais alta do que a conversa, o que faz o espectador “entrar” na cena, como se estivesse de fato dentro de uma balada com som alto.

Bravura Indômita | Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff e Peter F. Kurland

Sendo um filme dos Coen, em muitos momentos o diálogo ou até o silêncio tomará conta da cena. A equipe de mixagem acerta por inserir sutilmente sons de fundo, como fogueiras, rangidos, e também o som das botas de Matt Damon, cujo detalhe da estrela metálica emite um ruído que facilita a identificação de sua presença em cena. Trabalho eficáz.

O Discurso do Rei | Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley

Sinceramente, não vi grande coisa na mixagem aqui. A edição sonora até merecia destaque (pelas cenas em que o protagonista fala pelo microfone), mas trata-se um trabalho sutil e simples. A trilha sonora encaixa-se bem e nunca temos confusões sonoras.

Salt | Jeffrey J. Haboush, William Sarokin, Scott Millan e Greg P. Russell

Não assisti Salt, mas pelos clipes que assisti parece ser uma boa edição, típica de um blockbuster de ação. Trilha sonora, tiros e gritos de Angelina Jolie mesclam-se com sutileza.

Ficou de Fora: Deixe-me Entrar | Ed White, Will Files e Rick Kline

É um trabalho simples, mas eficáz. Contribuindo na construção da aura dark e sinistra do longa, o sons são perfeitamente juntados à trilha e resultam em uma experiência assustadora. Vale lembrar também dos pequenos detalhes; como na maravilhosa cena da capotagem (olha ela de novo!) que mescla os efeitos dos pneus grinchando no asfalto, o rádio ligado, o vidro se quebrando… Tudo na medida certa para garantir uma indicação…

Vídeo:

APOSTA: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Bravura Indômita

Um longa metragem não funciona da mesma maneira sem música. A trilha sonora ajuda a criar o tom, manter o ritmo e encher o espectador de emoção, complementando o que está na tela. Os indicados são:

127 Horas | A.R. Rahman

Depois de ganhar o Oscar por seu trabalho em Quem quer ser um Milionário?, o indiano Rahman mantém o ritmo musical de seu país na agitada trilha de 127 Horas. São poucas faixas, e três delas possuem o mesmo acorde (diferentes variações de Liberation), mas a música é intensa e original; conseguindo capturar o espírito do longa e de seu protagonista.

Melhor Faixa: Liberation in a Dream

Clique aqui para ouvir todas as faixas.

A Origem | Hans Zimmer

Vejam bem; o brilhante compositor alemão começou a desenvolver a trilha sonora de A Origem através da leitura do roteiro, não do filme propriamente terminado. Um grande trabalho, que resulta em uma trilha grandiosa, com tons de misterio (One Simple Idea), épica, que combina elementos (Dream is Collapsing) e adequa-se magistralmente a cada cena do filme, passando pelas de ação até as de emoção (Time), que ajudam a arrepiar qualquer espectador.

Melhor faixa: One Simple Idea

Clique aqui para ouvir todas as faixas. 

A Rede Social | Trent Reznor & Atticus Ross

Provando-se como uma das trilhas mais originais dos últimos anos, os sons eletrônicos da dupla representam o futuro; é interessante observar como em várias faixas (especialmente a memorável Hand Covers Bruise) a presença de sons de computador, batidas, a ponta de uma caneta no vidro, rugidos animais (Magnetic) e até uma bela homenagem eletrônica à In the Hall of the Mountain King. Faixas dinâmicas, sombrias e que fazem toda a diferença no filme.

Melhor Faixa: A Familiar Taste

Clique aqui para ouvir todas as faixas.

Como Treinar o seu Dragão | Jim Powell

Gostei muito do trabalho musical de Jim Powell. Suas composições são sempre alegres, mas com ritmo e muita empolgação, tomando muitas referências célticas e irlandesas, conseguindo equilibrar emoção, drama e tons mais épicos que funcionam muitíssimo bem.

Melhor Faixa: Battling the Green Death

Clique aqui para ouvir todas as faixas.

O Discurso do Rei | Alexandre Desplat

Como de costume, o genial francês Alexandre Desplat compõem uma maravilhosa trilha, cujas faixas são predominatemente delicadas, com uso excessivo – e perfeito – do piano para temperar a música, contribuindo na criação de um estado emotivo único do filme.

Melhor Faixa: My Kingdom, My Rules

Clique aqui para ouvir todas as faixas

Ficou de Fora: Tron – O Legado | Daft Punk

Enquanto o roteiro apresenta falhas enormes e os efeitos visuais não alcançam a perfeição desejada, o grande trunfo de Tron – O Legado é mesmo sua trilha sonora eletrônica, assinada pela dupla francesa Daft Punk. As faixas são empolgantes e fazem o possível para tentar deixar o filme interessante; mas a atenção é voltada para os acordes techno-bizarros.

Melhor Faixa: Derezzed

APOSTA: A Rede Social

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Discurso do Rei

Se for um filme predominantemente musical, canções são inevitáveis, mas nos outros gêneros, não vejo muita relevaância na categoria… Os indicados são:

“If I Rise”| 127 Horas

“If I Rise” acerta pela parte instrumental (mais uma vez, com forte referência musical indiana), mas falha pela cantoria desanimada e principalmente pelo coral ridículo ao fundo. A letra até que se adequa ao filme, porém, é uma canção mediana.

“Coming Home ” | Country Song

Ah como eu adoro música country. Not!

“I See the Light” | Enrolados

Bem alegre, bem conduzida e bonitinha. Perdoem a falta de comentários, eu realmente não sou fã dessa categoria…

We Belong Together” | Toy Story 3

De lavar a alma, a canção do último filme dos brinquedos é divertida e empolgante. A letra de Randy Newman adequa-se perfeitamente à trama e o cara sabe cantar. Porque não levar a estatueta?

Ficou de Fora: “Black Sheep” – Clash at the Demonhead | Scott Pilgrim contra o Mundo

A excelente adaptação dos quadrinhos de Scott Pilgrim oferece uma seleção musical de primeira, introduzindo diversas canções de bandas fictícias da trama. A melhor delas, sem dúvida, a Black Sheep do Clash at the Demonhead. A versão do filme, com a dócil voz de Brie Larson, é muito superior à do Metric e também traça um grande paralelo com a narrativa central do filme. Nunca seria indicada, mas vale a lembrança…

APOSTA: Toy Story 3 (We Belong Together)

QUEM PODE VIRAR O JOGO: 127 Horas (If I Rise)

Bem, acaba aqui a Parte 3. Fiquem de olho, na Sexta-Feira tem a última parte, com as categorias principais. Até lá!

Trailers Memoráveis #9: Star Wars Episódio II – Ataque dos Clones

Posted in Sessão Trailers Memoráveis with tags , , , , , , on 16 de abril de 2010 by Lucas Nascimento

Muita gente reclama que a segunda trilogia da melhor saga de ficção científica de todas, Star Wars, não chega nem aos pés da original. Eu discordo, aprecio muito a segunda trilogia (apesar de achar a primeira melhor). Para a sessão de hoje, escolhi o teaser de Ataque dos Clones. Trata-se de um trailer muito sombrio e arrepiante; não há nenhum som, apenas a inconfundível respiração de Darth Vader e cenas importantes, que levarão à transformação do personagem Anakin. O vídeo realmente prometia um filme diferente. Confira:

E o Oscar vai para…(Parte III) – Sons e músicas

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 1 de março de 2010 by Lucas Nascimento

Aumente o volume e abra os ouvidos! Na terceira parte do especial sobre o Oscar, avaliarei as categorias que envolvem sons e músicas: Melhor Edição de Som, Mixagem de Som, Trilha Sonora Original e Canção Original.

Antes de começarmos, gostaria de explicar para aqueles que não sabem, a diferença entre Mixagem e Edição de Som. Bem, a Edição consiste em editar, cortar e modificar de qualquer maneira um efeito sonoro capturado ou criado, por exemplo amplificar a voz do ator. A Mixagem, considerada por alguns a parte mais difícil da pós-produção, consiste em unir todos os sons e trilha dentro do filme, modificando a intensidade e o volume de todos os efeitos sonoros e as músicas.

Para cada categoria de Som, montei um vídeo de amostras. Vejam abaixo.

Melhor Edição de Som

Avatar – Christopher Boyes e Gwendolyn Yates Whittle

Os efeitos sonoros de Avatar são complicados. Temos armas avançadas, rugidos de criaturas, etc… Todos muito bem produzidos e editados de acordo com suas cenas. Curiosidade: Muitas pessoas no Youtube comentaram que o grito do Thanator é idêntico ao do T-Rex de Jurassic Park. Veja, reveja e tire suas próprias conclusões.

Bastardos Inglórios – Wylie Stateman

Os efeitos sonoros do épico de guerra de Quentin Tarantino, não possuem elementos de ficção científica, raios ou naves. São sons mais tradicionais, entretanto, muito bem editados e utilizados, indo de tiros até bastões de beisebol.

Guerra ao Terror – Paul N.J. Ottosson

O mais bacana d0s sons de Guerra ao Terror, são as cenas em que algum personagem está dentro da roupa anti-bombas (o Hurt Locker do título original); são produzidos écos e uma acústica interessante. Há também muitas explosões para os mais exigentes.

Star Trek – Mark Stoeckinger e Alan Rankin

O que esperar dos sons de um filme que teve a colaboração de Ben Burtt, gênio por trás dos mais marcantes sons da saga Star Wars? Com certeza muitos sons bizarros e dignos de ficção científica. Os sons são bem controlados e muito elegantes.

Up – Altas Aventuras – Michael Silvers e Tom Myers

Mais uma vez, uma animação da Pixar foi indicada para melhor edição de som. Os efeitos sonoros de Up são muito bacanas, não chegando a serem tão ensurecedores, nem muito controlados, mas é um trabalho decente. As cenas de ação e o primeiro voo de Carl são o grande destaque.

Melhor Mixagem de Som

Avatar – Chistopher Boyes, Gary Summers, Andy Nelson e Tony Johnson  

Para se ter uma idéia do verdadeiro trabalho de mestre que são os efeitos sonoros de Avatar, ver na tela do computador não basta. Deve-se ver no cinema (de preferência IMAX) e ouvir com clareza os efeitos sonoros caprichados criados para o filme. A música de James Horner mistura-se com perfeição aos efeitos caprichados.

Bastardos Inglórios – Michael Minkler, Tony Lamberti e Mark Ulano 

O bacana dos sons de Bastardos Inglórios, principalmente os das cenas de ação, é que eles vem do nada. Estamos em uma longa cena de diálogo (onde o som das vozes já é bem editado) e, subitamente, somos surpreendidos por tiroteios ensurecedores, mas ainda assim, bem controlados.

Guerra ao Terror – Paul N.J. Ottosson e Ray Beckett 

A mixagem de Guerra ao Terror é caprichada. As explosões são ensurecedoras, e no clipe que selecionei, observe que o som mistura o barulho da explosão, a respiração do soldado, a areia se levantando… Excelente trabalho de som.

Star Trek – Anna Behlmer, Andy Nelson e Peter J. Devlin 

 Batalhas espaciais, perseguições de carros… São muitos os exemplos da caprichada mixagem de sons de Star Trek. Assistindo no blu-ray, pude ouvir com mais clareza e atenção ao trabalho feito, principalmente, nas cenas de batalhas no espaço. Faço questão de destacar um momento, no início do filme, em que uma nave está sendo bombardeada e escutamos os sons ensurecedores no interior dela; então uma pessoa é sugada para o espaço e o sons de raios e explosões se cala. Caso você não sabia, o som não se propaga no espaço…

Transformers – A Vingança dos derrotados – Greg P. Russel, Gary Summers e Geofrey Patterson 

Tudo bem que a segunda aventura dos robôs transformistas foi bem abaixo do esperado, mas a mixagem de som é bem interessante. Misturando os sons caprichados de seus robôs gigantes e as explosões incecantes, é fácil se perder visualmente, mas o som fica espetacular, se visto em uma sala de cinema.

Melhor Trilha Sonora Original

Avatar  – James Horner (Ouça uma faixa aqui)

Dos indicados, a trilha de James Horner para Avatar é, de longe, a mais épica e excitante. A maioria das faixas são compostas por músicas mais amigáveis e felizes, com cantoria e etc… Pessoalmente, essa trilha não me agrada tanto quanto as duas últimas, The Destruction of Hometree e War, que conseguem ser bem mais épicas e dramáticas.

O Fantástico Sr. Raposo – Alexandre Desplat (Ouça uma faixa aqui)

O francês talentoso já criou muitos temas belos e memoráveis. Sua colaboração na animação de Wes Anderson é fundamental. Criou temas muito divertidos, misteriosos e animados. Porém esse ano, suas chances são bem menores.

Guerra ao Terror – Marco Beltrami & Buck Sanders (Ouça uma faixa aqui)

Na minha opinião, a trilha de Guerra ao Terror não deveria ter sido indicada. Claro, são faixas mais tensas e curtas, mas a maioria das músicas não me agradou. A única excessão é a excelente The Hurt Locker, que você pode escutar no link acima.

Sherlock Holmes – Hans Zimmer (Ouça uma faixa aqui)

A sensacional trilha de violinos composta pelo brilhante Hans Zimmer é a minha preferida da categoria, merecendo com certeza a estatueta. O compositor alemão já fez trilhas inesquecíveis, como a de Batman – O Cavaleiro das Trevas e Piratas do Caribe.  No entanto, sua instigante trilha de Sherlock Holmes não faz o mesmo feito que a de Up – Altas aventuras.

Up – Altas Aventuras – Michael Giacchino (Ouça uma faixa aqui)

As trilhas sonoras da Pixar sempre foram excelentes, mas o compositor Michael Giacchino (Lost, Star Trek) era o elemento que faltava. Sua trilha é a mais simpática da noite, com temas bem dramáticos e alegres, que me lembram muito algumas trilhas antigas. É música à moda antiga.

Melhor Canção Original

“The Weary Kind” – Coração Louco (Ouça aqui)

Ano passado foram as músicas indianas, mas esse ano são as músicas Country. A trilha principal de Coração Louco é cantada na voz serena de Ryan Bingham, tendo como único instrumento, o violão. Excelente canção, captura a alma do filme e a do personagem.

 “Down in New Orleans” – A Princesa e o Sapo (Ouça aqui)

Bons tempos aqueles em que os filmes da Disney possuíam canções marcantes, emergindo do nada. “Down in New Orleans” é uma canção maravilhosa e que me fez lembrar de algumas das melhores animações da Disney.

“Almost there” – A Princesa e o Sapo (Ouça aqui)

Com a mistura de rimas e a voz maravilhosa de Anika Noni, a segunda canção indicada é quase tão boa quanto a primeira. Escrito mais uma vez pelo brilhante Randy Newman, é uma ótima canção, passa uma mensagem boa e é simplesmente muito agradável de se ouvir.

“Loin de Paname” – Paris 36 (Ouça aqui)

Não entendi nada da letra de “Loin de Paname” (é uma canção francesa) – escrita por Reinhardt Wagner e Frank Thomas -, mas devo dizer que a parte mais instrumental me agradou muito mais do que a voz da cantora. Apesar de suave a delicada, a canção me pareceu meio arrastada, mas a parte instrumental é excelente.

“Take it All” – Nine (Ouça aqui)

Não compreendo. No Globo de Ouro desse ano, Nine foi indicado para Melhor Canção com a música “Cinema Italiano”. Para o Oscar, mandaram essa “Take it All”, que não só é bem inferior à “Cinema Italiano”, como também é bem fraca. Instrumentos regulares, cantorias medianas (apesar de Marion Cottilard ter cantado acima da média). Fraca.

A terceira parte do especial Oscar vai ficando por aqui. Espero que tenham gostado e não deixem de conferir a parte IV, que sai em algum momento dessa semana, onde finalmente discutiremos a categoria de Melhor Filme, entre outras. Até lá!