Arquivo para sombras da noite

| Grandes Olhos | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

BigEyes
Christoph Waltz e Amy Adams

Depois de anos mergulhado em histórias fantásticas povoadas por criaturas excêntricas como seu próprio estilo, Tim Burton resolveu parar e contar uma história sobre pessoas “normais”, e fico feliz que o tenha feito. Aguentei tudo que ele entregou até Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, mas suas baboseiras com Alice no País das Maravilhas e Sombras da Noite quase jogaram Burton no limbo. Com Grandes Olhos, Burton meio que se redime.

A trama é inspirada na história real do casal Margaret e Walter Keane (Amy Adams e Christoph Waltz, respectivamente) um casal de pintores que vivia uma boa carreira na década de 60. Margaret pintava seus característicos quadros retratando crianças com olhos desproporcionalmente grandes, enquanto Walter bancava o empresário e vendia suas obras. O problema é quando Walter começa a assumir todo o crédito pelo trabalho de sua esposa.

Nada de fadas, bruxas, vampiros ou outros seres “Burtonescos”, como Johnny Depp ou Helena Bonham Carter. A história também não é ambientada numa vasta mansão ou numa floresta gótica criada por efeitos visuais, mas sim uma pacata cidade da Califórnia. É certo dizer que Burton não contava uma história tão comum assim desde Ed Wood (não por acaso, o melhor filme de sua carreira), que me atinge como a principal influência para Grandes Olhos: é uma história comum, mas o diretor não esconde seu estilo e sabe dosá-lo apropriadamente, de acordo com a demanda narrativa. O Walter de Christoph Waltz, por exemplo, é uma figura gritantemente cartunesca, seja em seus acessos de raiva ou risadas de vitória.

Visualmente, Burton sabe muito bem a hora de jogar um enquadramento mais chamativo/expressionista (a pausa dramática, embalada pela música de Danny Elfman, quando um vendedor pergunta pelo real autor de uma pintura pela primeira vez é magistral) ou liberar todo seu “instinto” quando a trama alcança um momento onírico, no caso a ida ao mercado onde Margaret se depara com diversas pessoas com os olhos imensos. Toda a direção de arte – dos cenários aos figurinos – é eficaz ao criar um mundo colorido e vibrante que a fotografia de Bruno Delbonnel captura com beleza, ainda que não roube a atenção para si; é tão belo quanto uma pintura.

Tudo bem que em certos momentos não parece que estamos diante de uma história real, dado a abordagem mais cômica de Burton. Novamente, o Walter de Waltz (olha, que sonoro) e a Margaret de Adams parecem habitar universos diferentes, já que a performance da atriz é bem menos discreta e mais sutil do que a de seu companheiro. E mesmo tratando-se de acontecimentos verídicos, o roteiro de Scott Alexander e Larry Karaszewski poderia ser mais ácido, ou oferecer mais profundidade à questão do que é realmente Arte; um tema que este apenas tangencia brevemente.

Grandes Olhos é um dos trabalhos mais eficientes que Tim Burton trouxe nos últimos anos. Deixou de lado as fantasias góticas para se dedicar a uma história sobre seres humanos, e mesmo que esta não tenha sido empolgante quanto poderia ser, fico aliviado em ver que o diretor ainda sabe contar histórias.

Obs: Crítica publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 24 de Janeiro.

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| Segredos de Sangue | Uma saga familiar verdadeiramente sombria (e estilosa)

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

4.5

STOKER
Matthew Goode, Nicole Kidman e Mia Wasikowska em um sinistro jantar

É impressionante o que um ótimo diretor é capaz de alcançar com um roteiro simplista. Em Segredos de Sangue, o sul-coreano Chan-w00k Park faz sua estreia em longas-metragens de língua inglesa e, dotado de uma técnica impecável e um elenco competente, faz valer a pena essa sombria e perturbadora tragédia familiar.

A trama é assinada por Wentworth Miller (o Michael de Prison Break, agora adentrando no território de roteirista), centrando-se na jovem India Stoker (Mia Wasikowska). Abalada pela morte de seu pai, ela é forçada a conviver com sua distante mãe (Nicole Kidman) e a repentina chegada de seu tio Charlie (Matthew Goode, de Watchmen), que traz um misterioso interesse pela sobrinha.

Em seu período de divulgação, Segredos de Sangue me remetia muito ao Sombras da Noite de Tim Burton. Ao meu ver, representa tudo o que o filme com Johnny Depp falhou em alcançar: as sombrias relações familiares, independente da presença de seres sobrenaturais. Claro que o longa de 2012 era uma comédia assumida, ao passo em que temos aqui um inquietante suspense que cresce com admirável elegância graças a genial direção de Chan-wook Park. Famoso pela excelente adaptação de Oldboy, o sul-coreano traz sua inventidade visual ao criar belos planos que contribuem para a criação de um tom frio e da ameaça iminente (poderia citar vários exemplos, mas me impressiona em particular a sutileza de seus posicionamentos de câmera ao enfocar um diálogo entre os protagonistas na cozinha). É Tim Burton para adultos.

Ainda sobre sua técnica, a montagem de Nicolas De Toth merece aplausos por sua criatividade. Não só é eficaz ao manter a fluência nos inúmeros flashbacks da narrativa (que vão se misturando ao presente constantemente, e até repetindo frames a fim de criar “semelhanças”), mas também impressiona pelas geniais transições de cena, adotando velocidade quando necessário (como quando algum personagem abre uma porta e em seguida vemos uma gaveta se fechar) ou optando por uma lenta transição que começa em close no cabelo de Nicole Kidman para logo ir se revelando uma floresta.

São maravilhas técnicas como essas que compensam o roteiro de Miller. Sua prosa é inteligente ao trazer uma metáfora envolvendo os sapatos da protagonista (toda a sua vida usava um par específico, adota um salto-alto em um momento-chave da projeção, simbolizando seu amadurecimento), mas são conceitos que ganham mais força visualmente do que em teoria. Miller também falha ao deixar claro quais as intenções de seus personagens: por que Charlie é tão obcecado pela sobrinha? A ótima performance de Matthew Goode sugere uma atração incestuosa, ao mesmo tempo em que poderia tratar-se de uma ramificação de seu passado perturbador – e é assustadora a sequência de cortes que vai revelando a natureza oculta do personagem.

Com uma conclusão que imediatamente soa exagerada à primeira vista (mas que faz todo o sentido quando a analisamos detalhadamente), Segredos de Sangue é uma narrativa ousada e que se beneficia pela inteligência de sua equipe. Fica claro que é uma obra sobre amadurecimento, algo que certamente falta a seu roteirista; mas que é ao menos capaz de manter o espectador preso à poltrona.

2012: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 24 de dezembro de 2012 by Lucas Nascimento

bests2012

Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2012, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2011 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como A Hora Mais Escura, Lincoln, Django Livre, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique a vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.
  • Ainda não assisti As Aventuras de Pi (acreditem, uma verdadeira odisseia me vê-lo impediu três vezes), mas atualizarei este post (ou não, vai saber) com o filme, ainda este ano.

MELHOR FILME

10. Prometheus

10

“Prometheus é um épica e respeitosa nova entrada no universo de Alien, e também o início (?) de uma promissora nova franquia de ficção científica. Scott e seus roteiristas brincam com a ideia da criação da vida e entregam um longa do gênero que traz suspense e gore (a cena do parto, o que foi aquilo?!) como há muito não se via.”

9.  Moonrise Kingdom

mk

“Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.”

8. A Invenção de Hugo Cabret

8

“A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.”

7. Looper: Assassinos do Futuro

7

“Tecnicamente satisfatório e surpreendente em suas decisões, Looper: Assassinos do Futuro é uma grande surpresa em um ano que carece de ideias originais. Explora ao extremo o conceito de viagem no tempo e promete consolidar a carreira de Rian Johnson, um nome que promete trazer boas contribuições à Sétima Arte. E o Cinema anda precisando de profissionais assim…”

6. O Artista

6

“O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica. Uma verdadeira obra-prima.”

5. Shame

5

“Shame é uma das experiências mais poderosas e devastadoras do ano. Traz um tema adulto sob o cargo de um cineasta talentoso e maduro, que explora com inteligência (e sem vergonha) as possibilidades de sua premissa e a força de seu ótimo elenco.”

4. Argo

4

“Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas também um ótimo cineasta.”

3. 007 – Operação Skyfall

3

“007 – Operação Skyfall é uma bela homenagem aos 50 anos da série e também um filme maduro, bem executado e com potencial de agradar os mais variados fãs do personagem. Sua conclusão inicia uma nova era para James Bond, e o futuro parece muito promissor.”

2. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

2

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa adulto e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster adulta.”

1. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

FILME

Após o sucesso esmagador de seu anterior, que serviu para inspirar toda uma linhagem de longas hollywoodianos com sua abordagem “realista”, é de se admirar que Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tenha sido realmente feito, sem soar como um caça-níquel. Explorando as conseqüências do filme de 2008 até suas possibilidades mais extremas, Christopher Nolan completa sua trilogia sobre o Homem-Morcego de forma épica e dramática, resultando em uma experiência monstruosa e que testa os limites do super-herói e a psicologia que o faz agir, ao mesmo tempo em que promove um espetáculo de cenas de ação e atuações excepcionais. Completa-se magistralmente uma trilogia que agora entra para a História.

MELHOR DIRETOR

David Fincher | Millennium –  Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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David Fincher é um dos melhores diretores da atualidade. Vê-lo em sua zona de conforto (um thriller pesado e com serial killers no meio) ao passo em que adapta uma excelente história de mistério é muito prazeroso. Demonstrando total controle na criação de uma atmosfera sombria e arrepiante, Fincher cria belos planos e mise em scènes muito inteligentes (veja uma análise mais detalhada aqui), nunca se deixando levar pelo estilo e mantendo sempre o foco em seus personagens. Não é seu melhor trabalho no gênero (Se7en, né gente?), mas ainda comprova seu imenso talento.

Ben Affleck | Argo

Steve McQueen | Shame

Christopher Nolan | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Rian Johnson | Looper: Assassinos do Futuro

ATOR

Michael Fassbender | Shame

FASSB

Uma das grandes injustiças do Oscar deste ano foi a ausência de Michael Fassbender por seu desafiador papel em Shame. Na pele de um sujeito solitário e viciado em sexo, o ator irlandês se entregou completamente ao roteiro e às cenas pesadas que este exigia, e sua performance é simplesmente arrasadora; carrega um olhar triste (e malicioso) durante quase toda a projeção. Fassbender é um tremendo ator, e esta é sua melhor performance até o momento.

Andrew Garfield | O Espetacular Homem-Aranha

Joseph Gordon Levitt | Looper: Assassinos do Futuro

Daniel Craig | 007 – Operação Skyfall

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Jean Dujardin | O Artista

Menção Honrosa: A excelente dicção de Seth McFarlane em Ted.

ATRIZ

Rooney Mara | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

mara

Encabeçando um dos papéis mais desafiadores dos últimos anos, a pouco conhecida Rooney Mara explodiu como a Lisbeth Salander da versão de David Fincher para Os Homens que Não Amavam as Mulheres. A atriz surge completamente exposta em cenas pesadas de estupro e adota um visual peculiar, que reflete sua performance séria e concentrada. A Salander de Mara é ainda mais agressiva do que a da sueca Noomi Rapace, e mesmo por trás dos piercings, podemos ver que a jovem tem um coração.

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Noomi Rapace | Prometheus

Emma Stone | O Espetacular Homem-Aranha

Kara Hayward | Moonrise Kingdom

ATOR COADJUVANTE

Javier Bardem | 007 – Operação Skyfall

James Bond tem uma galeria de vilões impressionante que engloba 23 filmes em 50 anos. E não há como negar: Javier Bardem e seu Silva já se tornaram ícones da franquia e o resultado é um antagonista marcante e muito interessante. Silva é um sujeito afeminado e possivelmente homossexual, e Bardem se diverte com essas características ao dotar o personagem de muito sarcasmo e imprevisibilidade, além de um visual espalhafatoso. Há uma primeira vez pra tudo, certo?

Josh Brolin | MIB – Homens de Preto III

Michael Fassbender | Prometheus

Joseph Gordon Levitt | Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ezra Miller | As Vantagens de ser Invisível

ATRIZ COADJUVANTE

Anne Hathaway | BatmanO Cavaleiro das Trevas Ressurge

Eu não sei vocês, mas fiquei muito desconfiado quando Christopher Nolan escalou Anne Hathaway para encarnar sua versão da Mulher-Gato no último filme do Batman. Todas as primeiras impressões desapareceram quando vi a atriz encarnando a personagem de forma brilhante em um dos pontos altos do filme: quando a ladra finge ser uma vítima em meio a um tiroteio iniciado por esta (usando o arquétipo de “donzela em perigo” a seu favor). Hathaway surpreende com as diferentes facetas que oferece à Selina Kyle, e ao fim, fica claro que estamos diante da melhor interpretação que a personagem já ganhou.

Berenice Bejo | O Artista

Eva Green | Sombras da Noite

Ellen Page | Para Roma, com Amor

Penelope Cruz | Para Roma, com Amor

ROTEIRO ORIGINAL

Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

ROT

Como é bom ver uma ideia original funcionando eficientemente nas telas… Depois de O Preço do Amanhã surgir com uma premissa sensacional no ano passado (e falhar miseravelmente em seu desenvolvimento), eis que Rian Johnson bola uma trama em que assassinos utilizam de viagem no tempo para eliminar suas vítimas. Em uma mistura interessante de De Volta para o Futuro e Exterminador do Futuro, Looper traz um envolvente estudo de personagem e rumos que fazem jus ao conceito de realidades alternativas e afins. Só acho que a presença de poderes telecinéticos era descartável…

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian, da obra de Stieg Larsson

rot

Adaptar a obra de Stieg Larsson para as telonas não é novidade, já que o livro já havia ganho uma versão sueca em 2009. Mas é inegável que o texto do experiente Steven Zaillian seja superior ao da versão escandinava, já que não só apenas traz ótimos diálogos que respeitem o material original, mas também por não ter medo de alterar o curso da história ou detalhes de seus personagens. A forma como a trama se desenrola é muito mais dinâmica do que

FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall | Roger Deakins, A.S.C.

O que dizer sobre Roger Deakins? Inubitavelmente um dos cinematógrafos mais talentosos das últimas décadas, e sua reunião com o diretor Sam Mendes para a nova missão de 007 rendeu um dos filmes mais lindos do ano. Deakins trabalha muito bem as paletas de cor em diferentes locações do filme e fornece um tratamento de obra de arte na criação de duas sequências agora icônicas: Bond lutando contra um assassino em Hong Kong (com o desenho da água-viva holográfica preechendo a tela com hipnotizantes tons azulados) e o clímax na Escócia, onde as chamas transformam os personagens em silhuetas. Aí Academia, boa oportunidade pra premiar o cara, hein?

MONTAGEM

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Kirk Baxter & Angus Wall

MONT

Kirk Baxter e Angus Wall manjam de montagem. A dupla já levou um par de Oscars duas vezes consecutivas, ambos por trabalhos com David Fincher: A Rede Social e agora com Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Seguindo a meticulosa estrutura do roteiro de Steven Zaillian, a montagem do filme consegue equilibrar com maestria as narrativas completamente opostas dos protagonistas, criando um ritmo rápido e intenso, até o ponto em que estes se encontram. Vale apontar também as ótimas transições passado-presente, como aquela demarcada pelo acendimento de um cigarro.

FIGURINO

Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood

costume

Terminada a sessão de Branca de Neve e o Caçador, percebi que o único aspecto do filme que me impressionara positivamente foram os vestidos da Rainha Má. A figurinista Colleen Atwood é especialista quando o assunto é a vestimenta de um personagem fantástico (ela colabora frequentemente com Tim Burton) e sua contribuição para o fraco longa de Reuben Fleischer é um dos deleites visual do mesmo.

TRILHA SONORA

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Hans Zimmer

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Hans Zimmer é um monstro. O impacto que suas composições garantem às imagens conduzidas por Christopher Nolan é gigantesco, conseguindo-lhe proporcionar toda a dramaticidade e senso épico. Tudo bem que Zimmer traz de volta diversos temas que criara anteriormente com James Newton Howard (afinal, como deixar de fora o arrepiante tema que a dupla criou para o Batman?), mas só o uso do coral árabe para o personagem Bane já é a peça musical mais memorável do ano…

DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret | Dante Ferretti & Franscesca Lo Schiavo

art

Os habituais designers de Martin Scorsese mais uma vez impressionam com seus cenários incríveis – sendo eles reais ou digitais. Temos aqui uma recriação da Paris dos anos 20 e, ao mesmo tempo em que mantém uma fidelidade histórica (especialmente pela escala da estação de trem de Gare Montparnasse) confere apropriados toques fantásticos, como justificam a presença de enormes engrenagens de relógio e as cores com que a fotografia de Robert Richardson os conferem.

EFEITOS VISUAIS

Os Vingadores – The Avengers

EFEITOS

Em um ano onde efeitos visuais dominaram monstruosamente a maior parte das grandes produções, nenhum deles me impressionou como o de Os Vingadores. Além de verossímil nas demonstrações de poder dos personagens (seja nos voos do Homem-de-Ferro, nos raios do Thor ou nos exércitos inimigos), o longa se beneficia de trazer longas batalhas com muito green-screen e personagens digitais sem prejudicar a visão (vide os Transformers de Michael Bay) e por, enfim, trazer um Hulk digital convincente.

CANÇÃO DO ANO

“Skyfall” – 007 – Operação Skyfall | Adele

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Canções dos filmes de 007 são sempre um deleite a parte, e a melodia suave e profunda de Adele para Operação Skyfall é uma das melhores coisas que já aconteceu à franquia. Evocando tons mais clássicos e adequando suas letras ao clima de “encerramento” que o filme propõe, o resultado é inebriante e fica espetacular com a bela sequência de abertura. Quero ver a canção saindo vitoriosa no Oscar…

CRÉDITOS DE ABERTURA/ENCERRAMENTO

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Uma das aberturas mais espetaculares que já vi na vida. Claramente inspirado pelas aberturas de 007 (será que foi a presença de Daniel Craig no elenco?) o Blur Studios cria uma sequência sombria e pegajosa, onde uma substância negra vai cobrindo a tela e apresentando todos os elementos marcantes da trilogia Millennium; desde seus personagens até cenas icônicas das três obras. E o eletrizante cover do “Immigrant Song” por Karen O faz toda a diferença.

USO DE 3D

A Invenção de Hugo Cabret

3d

Em sua primeira excursão pelo 3D, Martin Scorsese mostra que entende a função da tecnologia e a usa de maneira orgânica e competente. Assim como James Cameron fez em Avatar, o cinesta opta por planos em vasta profundidade e preenchimento, ao invés dos tradicionais efeitos que “atiram” objetos contra o espectador (algo divertido, convenhamos, mas mais apropriado a um parque de diversões do que uma sala de cinema).

Menção Honrosa: O 3D de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que fica incrível graças aos 48 fps do longa.

SURPRESA DO ANO: Poder sem Limites

power

Quem diria que o subgênero do found-footage ainda teria surpresas na manga? Nas mãos do diretor Josh Trank, acompanhamos uma abordagem incrível para a tradicional premissa do “sujeito comum que ganha poderes extraordinários”, onde não só temos um exercício de estilo fascinante, mas também um estudo de personagens muito comovente. Pra mim, um filme que tinha tudo para dar errado, e acabou por tornar-se um dos melhores exemplares que o gênero já forneceu.

DECEPÇÃO DO ANO: Sombras da Noite

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Tim Burton + Johnny Depp + família sinistra com vampiros e lobisomens. Mas como é que isso deu errado? Uma fórmula perfeita foi completamente desperdiçada aqui, dando espaço a uma trama tediosa e cujas piadas limitam-se a “choques de geração” batidos do personagem principal. O elenco faz um trabalho razoável (com Eva Green, e não Depp, destacando-se), mas Burton prefere (novamente) se preocupar mais com o visual do que com a história que conta. Triste…

MELHORES TRAILERS

1. O Grande Gatsby

2. O Mestre

3. O Homem de Aço

MELHOR PÔSTER

Django Livre – Teaser Poster

DJANGO UNCHAINED

Os 5 FILMES MAIS AGUARDADOS (POR MIM) PARA 2013

Carrie – A Estranha

O Grande Gatsby

O Homem de Aço

Além da Escuridão – Star Trek

Kick-Ass 2

| Sombras da Noite | Mais uma vez, belo visual não esconde roteiro ruim

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , , , , , , on 22 de junho de 2012 by Lucas Nascimento


Johnny Depp acerta na caracterização de Barnabas Collins

Levante a mão se você não aguenta mais filmes de vampiro. Graças à Stephenie Meyer e seu Crepúsculo, estúdios de cinema por todo o mundo deram sinal verde para produções com os seres sanguessugas apresentando, ou não, um teor romântico. É certo que tivemos bons resultados pelo caminho (como Deixa ela Entrar e sua versão hollywoodiana), mas o gênero já vai se esgotando. Era de se esperar que o gênio bizarro de Tim Burton fizesse algo inovador, mas Sombras da Noite é mais um ponto fraco na carreira do diretor.

Inspirado a partir do seriado de Dan Curtis  A trama é bem promissora: Barnabas Collins (Johnny Depp, em sua oitava colaboração com Burton) é um vampiro que, depois de aprisionado por dois séculos, desperta repentinamente em plena década de 70. Tentando se ajustar às estranhezas do mundo moderno, ele luta para recuperar o prestígio de sua família.

O problema de Sombras da Noite é o mesmo que Tim Burton enfrentou em seu Alice: o roteiro. Plasticamente impecável, o diretor acerta novamente no visual e na ambientação da história – contando com uma bela trilha instrumental (que inclui até uma participação de Alice Cooper) para auxiliar nesse quesito e uma lindíssima fotografia dark de Bruno Delbonell. Mas o texto de Seth Grahame-Smith simplesmente não empolga, diverte pouco (o timing cômico raramente acerta, tendo uma de suas melhores piadas envolvendo o McDonalds) e falha ao explorar todo seu vasto potencial em um longa sem ritmo.

Por exemplo, não é realmente empolgante ver um vampiro recém-libertado de um caixão tratando de negócios de sua empresa de pesca. O que torna o filme suportável é de longe Johnny Depp, que acrescenta mais um personagem memorável à sua invejável carreira e o faz sem repetir-se, acertando no sotaque e nas expressões de Barnabas; cujo contraste entre  bom e mau (ele é uma máquina de matar, mas sente remorso por suas ações) surpreende. É satisfatório também ver o ator encarnando a caracterização “clássica” do vampiro: pele pálida, presas e longos dedos que remetem diretamente ao icônico Nosferatu.

Vampiros à parte, bruxas, fantasmas e lobisomens não impressionam tanto como o protagonista. Maliciosa e atraente como seu decote, Eva Green se destaca dentre os coadjuvantes, que contam com as apagadas Michelle Pffeifer e Helena Bonham Carter; duas personagens desinteressantes e cujas intenções nunca são bem desenvolvidas. Salva-se Chloë Grace Moretz (já bem crescidinha), mas seu bom trabalho é prejudicado pela reviravolta estúpida – ainda que a mesma apresente “pistas” antes de acontecer – que sua personagem sofre próximo ao fim.

Caminhando lentamente até um clímax decepcionante, Sombras da Noite chega a ser entediante. Mais uma vez, Tim Burton dedica mais atenção ao belo visual do que a história que está contando e, perdoem o trocadilho, resulta num filme tão notável como uma sombra na noite.

22 de Junho de 2012

Posted in Esta Semana nos cinemas with tags , on 21 de junho de 2012 by Lucas Nascimento

Veja o (ótimo) trailer de SOMBRAS DA NOITE

Posted in Trailers with tags , , , , , on 15 de março de 2012 by Lucas Nascimento

Este ano, Tim Burton chega com dois promissores longas. A animação Frankenweenie e a comédia gótica Sombras da Noite, que marca mais uma parceria entre o diretor e o astro Johnny Depp. O trailer do segundo acaba de ser divulgado, e o resultado parece divertidíssimo. Confira:

Sombras da Noite estreia em 11 de Maio.

Diretores | Tim Burton & Johnny Depp

Posted in Diretores with tags , , , , , , , , , , , , , , on 15 de abril de 2010 by Lucas Nascimento

Os filmes da carreira de Tim Burton, em parceria com o ator Johnny Depp.

Edward-Mãos-de-tesoura (1990)

A primeira parceiria dos dois resultou em uma espécie de conto de fadas bem sombrio, inesquecível e completamente original. Burton conduz a trama de modo criativa e Depp acerta ao transmitir toda a estranheza do personagem que possui tesouras no lugar das mãos e merecia, ao menos, uma indicação ao Oscar. Visual e roteiro excepcionais.

Ed Wood (1994)

Reunidos para contar a história do excêntrico Edward D. Wood Jr, considerado o pior diretor de cinema de todos os tempos, a dupla desenvolveu uma das melhores biografias em filme que eu já vi. O visual é em preto e branco, extremamente nostálgico e recheado com atuações excelentes, com destaque para Depp e Martin Landau. É também o filme mais sério e “comum” do cineasta, sendo também seu melhor trabalho.

A Lenda do Cavaleiro sem cabeça (1999)

Uma das obras mais violentas de Burton, e também a que mais se aproxima do sobrenatural. O diretor acerta ao criar um filme divertido e dinâmico com a famosa história do Cavaleiro sem cabeça, apesar de em muitos momentos, parecer uma história de Scooby Doo. Depp está Ok no filme, mas fica ofuscado pelo visual deslumbrante de Sleepy Hollow. Christopher Walken merece destaque.

A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)

Um filme delicioso,em um dos poucos remakes que deram certo no cinema, os dois acertam em uma de suas melhores parcerias. O elenco de atores-mirim é um dos melhores que eu já vi, magistralmente dirigidos por Burton. Depp está estupendo no papel do excêntrico Willy Wonka. As músicas são de ficar na memória e a vontade de comer uma barra de chocolate vai vir, esteja preparado.

A Noiva-Cadáver (2005)

Mais uma animação gótica e sombria vinda da mente de Burton, que lembra muito o ótimo O Estranho Mundo de Jack, pelo visual dos personagensm, efeitos stop-motion e o tom dark da história. Criativo e emocionante, é um excelente trabalho de animação e de roteiro, apesar de, em alguns momentos, o filme ficar um pouco arrastado.

Sweeney Todd – O Barbeiro demoníaco da Rua Fleet (2008)

 

Como fazer com que um musical não seja entediante, ou melhor, empolgante? Visitas bem sombrias ao barbeiro e uma receita de tortas única. O visual mostra uma Londres suja e mergulhada nas sombras, onde a única cor que se destaca no filme, é o vermelho nas cenas de assassinato. Depp canta e atua de maneira mais que satisfatória e nos dá uma das melhores performances de sua carreira.

Alice no País das Maravilhas (2010)

A parceria sofre uma queda estrondosa com a nova versão do clássico de Lewis Caroll. O visual e os figurinos são lindos e muito bem produzidos, mas a trama é ridícula e completamente desinteressante, com o Chapeleiro Maluco de Depp ganhando uma atenção um tanto que exagerada – mesmo que o ator faça bom proveito. Uma oportunidade perdida.

Sombras da Noite (2012)

Adaptação de uma antiga série de TV, é mais uma oportunidade perdida. A premissa de se ter um vampiro entrando em choque com a sociedade era de ouro, mas Burton se perde nas próprias ambições e seus delírios visuais, gerando um filme perdido sem ritmo que nunca acerta no humor ou no terror. O elenco se salva, com um Depp divertido, mas que perde o destaque para a malévola Eva Green.