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| Steve Jobs | Crítica

Posted in Críticas de 2016, Drama with tags , , on 13 de dezembro de 2019 by Lucas Nascimento


O homem que mudou o jogo: Michael Fassbender é o fundador da Apple

Mas de novo? Essa é a reação quase que unânime diante deste Steve Jobs, novo filme sobre a vida do icônico fundador da Apple, falecido em vítima do câncer em 2011. Depois de uma biografia mediana com Ashton Kutcher e diversos documentários obcecados em reformular a imagem de Jobs (que de gênio de informática não tinha muito, um fato absoluto), chega a vez do roteirista Aaron Sorkin dar sua versão em um biopic diferente de qualquer outro longa do gênero.

Desinteressado em contar a história de Jobs (vivido aqui por Michael Fassbender) do início ao fim, Sorkin aposta em uma estrutura que se espelha mais no teatro do que no cinema: são três atos diferentes, cada um centrado nos bastidores do lançamento de algum produto. No caso, o Macintosh em 1984, o NEXT em 1988 e o iMac em 1998.

Essa decisão ousada transforma Steve Jobs em uma experiência verborrágica e diferente, já que uma grande quantidade de informações e exposição sobre fatos passados será constantemente debatida. Mesmo que tenhamos alguns flashbacks ocasionais (incluindo uma cena na garagem real de Jobs) para traçar bons paralelos com o presente, tudo é explicado verbalmente. Desde o funcionamento dos produtos até a gerência de Jobs na Apple e, principalmente, sua conturbada relação com Chrisann Brennan (Katherine Waterston) e sua filha Lisa, a qual ele recusa insistentemente a paternidade.

Normalmente, tanta exposição é um pesadelo cinematográfico. Felizmente, Aaron Sorkin é o melhor roteirista trabalhando em Hollywood no momento. Saído dos roteiros magníficos de A Rede Social e O Homem que Mudou o Jogo (que assinou ao lado de outro monstro, Steven Zaillian), Sorkin é simplesmente um mestre na arte de diálogos. Na escolha de palavras, analogias e tiradas cômicas, tudo funciona como uma sinfonia verborrágica da melhor qualidade, e a arrogância de Jobs é perfeita para que o roteirista traga discussões onde ouvimos frases como “Não está funcionando? Você teve três semanas para consertar isso. O Universo foi construído em um 1/3 desse tempo” ou “Deus mandou seu filho único em uma missão suicida, e todos gostamos dele porque nos deu árvores”. É uma prosa tão detalhada e repleta de nuances que até a melhor das legendas em português terá dificuldades em capturar e adaptar todas elas apropriadamente.

A questão da paternidade talvez seja o elemento mais fundamental da trama. A pequena Lisa (vivida por Makenzie Ross, Ripley Soboe a brasileira Perla Haney-Jardineem diferentes períodos) tem participações pontuais em todos os três atos, muitas vezes escondida atrás de portas ou mobílias. É uma rejeição gigantesca e uma relação peculiar a de Jobs com a suposta filha, mas é fascinante ver como a relação dos dois vai se transformando consideravelmente, até porque Sorkin confere diálogos espirituosos até mesmo às jovens atrizes. É só no ato final, porém, que a maior catarse emocional atinge como um trem-bala à toda velocidade. “Fui mal construído”, desabafa Jobs.

É um roteiro perfeito, do tipo que merece ser estudado minuciosamente por estudantes da área. Por isso, o que impedeSteve Jobsde se tornar um novo clássico americano é a incompatibilidade do texto com a direção deDanny Boyle. Dono de um estilo visual marcante e agressivo, é até aliviante vê-lo muito mais contido do que costuma ser (basta lembrar-nos da fúria visual em Quem Quer ser um Milionário? ou o surtado Em Transe), adotando uma câmera leve e que acompanha os incontroláveis personagens em travellingsconstantes, até chegando a manter a câmera fixa durante alguns diálogos – o que é ótimo. Porém, Boyle aposta em alguns maneirismos visuais que acabam por roubar a atenção e tornar-se algo mais caótico; vide a cena em que Jobs usa a história do lançamento do foguete Skylab como alegoria, e vemos imagens de arquivo do mesmo magicamente na parede às suas costas ou até mesmo a quantidade de planos holandeses sem a menor função narrativa.

A ferocidade de uma discussão entre Jobs e John Sculley (Jeff Daniels) acaba confusa no contra-fogo de uma montagem paralela muito mal posicionada, onde o embate verbal dos dois é entrecortado com flashbacks – com mais diálogos – do dia fatídico que levou à inimizade dos dois. Mesmo que ambos os atores estejam fantásticos, a condução de Boyle é desastrosa, quase sacrificando a compreensão dos eventos diante dessa gritante falta de foco, também afetada pelo excesso de trilha sonora no momento (ainda que seja do fantásticoDaniel Pemberton). É uma simples questão de dosagem.

A fotografia de Alwin H. Küchler, no entanto, se mostra uma ideia mais certeira. Com a divisão de três períodos temporais, Küchler aposta no uso de formatos diferentes para cada porção da história: o Macintosh é rodado em película 16mm, o NEXT em 35mm e o iMac enfim alcança a cinematografia digital (mesmo que seja uma decisão factualmente imprecisa, já que a técnica digital só seria bem aprimorada em 2002). Logo na primeira cena o impacto é forte, já que o grão forte dos 16mm nos revela a “sujeira” e caos por trás do lançamento de uma empresa tão notória por design e a estética clean.

Da mesma forma, o aspecto teatral de Sorkin evoca uma grandiloquência que acaba refletida no design de produção, situado todo em bastidores, palcos, salões de orquestra e camarins, o que reforça a ideia de todos ali serem artistas e até atores (até vemos Jobs retocando maquiagem em certo momento). É quase como olhar pelo ponto de vista do próprio Jobs, já que dificilmente uma platéia ficaria tão extasiante a ponto de fazer o tremer o chão com um simples anúncio tecnológico.

O que nos leva ao elenco, que certamente sofreu nas sessões de ensaio para decorar e interpretar toda a metralhadora verborrágica de Sorkin. A começar pelo sensacional Michael Fassbender, cujo Jobs está em praticamente em todas as cenas do longa, fazendo com que o ator carregue tudo nas costas. Uma tarefa que Fassbender realiza excepcionalmente, conseguindo capturar o sentimento de superioridade e quase como se suas realizações fossem dignas do Monte Olímpio, como observamos em seu trabalho vocal que oscila magicamente entre pedante e ameaçador ou os gestos no qual parece saudar a todos sua presença; em um momento, até simula a pose de um maestro, tema de um dos diálogos mais memoráveis.

Coadjuvante no melhor sentido da palavra,Kate Winslet dá vida a Joanna Hoffman, a diretora de marketing da Apple. E como Jobs era um aficionado em design, não é de se imaginar que a incansável assistente vá de ajustar propriedades na exibição de um projetor até uma cruzada de última hora atrás de uma camisa que atenda às exigências de Jobs. Winslet se sai muito bem, por também revelar um apego emocional quase que maternal diante de seu chefe, sendo a bússola moral que aponta para o conserto da situação Lisa. Sem falar que a atriz adota um discretíssimo sotaque polonês.

Por fim, temos Seth Rogen, Jeff Daniels e Michael Stuhlbarg em bons papéis menores. O comediante famoso pelas comédias stoner se sai incrivelmente bem na pele de Steve Wozniack, amigo íntimo de Jobs e o verdadeiro cérebro por trás da criação do Apple II. Não só o senso de humor está presente de forma bem contida, mas a performance de Rogen deixa bem claro que o sujeito parece borbulhar por dentro, mas não o faz em consideração a seu amigo. “Estou cansado de ser o Ringo, quando claramente sou o John”, confronta Woz, em uma divertida analogia aos Beatles.

Daniels traz mais intensidade à mesa, na pele de John Sculley, especialmente em uma calorosa discussão com seu antigo colega. É revelador analisar também como Sculley claramente se arrepende do “término” dos dois, mostrando que ali residia uma boa amizade. Por fim, Stuhlbarg revela uma importância inesperada de seu engenheiro Andy (qual deles? Hertzfeld) no último ato, enfim justificando sua quase-onipresência ao longo da projeção.

Steve Jobs é um ótimo filme, e traz um dos roteiros mais refinados que o cinema americano já viu nos últimos anos. Por esse motivo, é um tanto frustrante que a odisseia de Aaron Sorkin chegue tão perto de tocar o céu, ficando perto de tornar-se uma obra-prima.

Afogo-me em lágrimas ao imaginar como seria a realidade alternativa utópica em que David Fincher imaginou ao assumir, em determinado ponto, a direção do projeto.

WRITERS GUILD AWARDS 2016: Os indicados

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , , , , , on 6 de janeiro de 2016 by Lucas Nascimento

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Os indicados ao prêmio do Sindicato dos Roteiristas, o WGA!

ROTEIRO ORIGINAL

Descompensada | Amy Schumer

Ponte dos Espiões | Matt Charman, Joel Coen & Ethan Coen

Sicario: Terra de Ninguém | Tyler Sheridan

Spotlight: Segredos Revelados | Tom McCarthy e Josh Singer

Straight Outta Compton – A História do N.W.A. | Jonathan Herman e AndreaBerloff

ROTEIRO ADAPTADO

Carol | Phylis Nygal

A Grande Aposta | Adam McKay e Charles Randolph

Perdido em Marte | Drew Goddard

Steve Jobs | Aaron Sorkin

Trumbo – Lista Negra | John McNamara

Os vencedores serão anunciados em 13 de Fevereiro.

GLOBO DE OURO 2016: Os indicados

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , on 10 de dezembro de 2015 by Lucas Nascimento

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Confira os indicados ao Globo de Ouro 2016, nas categorias de cinema:

MELHOR FILME – DRAMA

Carol

Mad Max: Estrada da Fúria

O Quarto de Jack

O Regresso

Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR FILME – MUSICAL OU COMÉDIA

Descompensada

A Espiã que Sabia de Menos

A Grande Aposta

Joy: O Nome do Sucesso

Perdido em Marte

MELHOR DIRETOR

Alejandro G. Iñarritu | O Regresso

Todd Haynes | Carol

Tom McCarthy | Spotlight: Segredos Revelados

George Miller | Mad Max: Estrada da Fúria

Ridley Scott | Perdido em Marte

MELHOR ATOR – DRAMA

Bryan Cranston | Trumbo – Lista Negra

Leonardo DiCaprio | O Regresso

Michael Fassbender | Steve Jobs

Eddie Redmayne | A Garota Dinamarquesa

Will Smith | Concussion

MELHOR ATOR – MUSICAL OU COMÉDIA

Christian Bale | A Grande Aposta

Steve Carrell | A Grande Aposta

Matt Damon | Perdido em Marte

Al Pacino | Não Olhe para Trás

Mark Ruffalo | Infinitely Polar Bear

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Cate Blanchett | Carol

Brie Larson | O Quarto de Jack

Rooney Mara | Carol

Saoirse Roman | Brooklyn

Alicia Vikander | A Garota Dinamarquesa

MELHOR ATRIZ – MUSICAL OU COMÉDIA

Jennifer Lawrence | Joy: O Nome do Sucesso

Amy Schumer | Descompensada

Melissa McCarthy | A Espiã que Sabia de Menos

Maggie Smith | A Senhora da Van

Lily Tomlin | Grandma

MELHOR ATOR COADJUVANTE

 

Paul Dano | Love & Mercy

Idris Elba | Beasts of No Nation

Mark Rylance | Ponte dos Espiões

Michael Shannon | 99 Rooms

Sylvester Stallone | Creed: Nascido para Lutar

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jane Fonda | Youth

Jennifer Jason Leigh | Os Oito Odiados

Helen Mirren | Trumbo – Lista Negra

Alicia Vikander | Ex Machina: Instinto Artificial

Kate Winslet | Steve Jobs

MELHOR ROTEIRO

 

A Grande Aposta

Os Oito Odiados

O Quarto de Jack

Spotlight: Segredos Revelados

Steve Jobs

MELHOR ANIMAÇÃO

Anomalisa

O Bom Dinossauro

Divertida Mente

Shaun: O Carneiro

Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o Filme

MELHOR TRILHA SONORA

Carol

A Garota Dinamarquesa

Os Oito Odiados

O Regresso

Steve Jobs

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Love Me like you Do” – Ellie Goulding | Cinquenta Tons de Cinza

“One Kind of Love”, – Love & Mercy

“See You Again” – Wiz Khalifa & Charlie Puth | Velozes & Furiosos 7

“Simple Song Number 3”, David Lang | Youth

“Writing’s on the Wall” – Sam Smith | 007 Contra Spectre

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

The Brand New Testament

The Club

The Fencer

O Filho de Saul

Mustang

Novo trailer de STEVE JOBS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 1 de julho de 2015 by Lucas Nascimento

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Uau. Michael Fassbender promete brilhar como o fundador da Apple em Steve Jobs, assim como a direção de Danny Boyle e o roteiro de Aaron Sorkin. Confira o novo trailer:

Kate Winslet, Seth Rogen, Jeff Daniels e Katherine Waterson completam o elenco.

Steve Jobs estreia em 9 de Outubro nos EUA. No Brasil, só em 21 de Janeiro…

Primeiro trailer de STEVE JOBS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , on 17 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

E acaba de sair o trailer teaser de Steve Jobs, projeto sobre o fundador da Apple escrito por Aaron Sorkin e dirigido por Danny Boyle. Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen e Jeff Daniels são apresentados na prévia, que é breve, mas muito eficiente: sinto uma vibe de A Rede Social.

Confira:

Steve Jobs estreia em 9 de Outubro nos EUA.

STEVE JOBS vai sair ainda em 2015

Posted in Notícias with tags , , , , , , , on 4 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

JOBS

Depois de atrasar as filmagens e o início da produção, o biopic de Steve Jobs, que Danny Boyle dirige e Aaron Sorkin escreve, teve sua estreia adiantada. Muitos esperavam um lançamento em 2016, mas a Universal confirmou que o filme sairá nos EUA em 9 de Outubro deste ano, em plena temporada de prêmios.

Michael Fassbender intepreta Jobs e Seth Rogen seu melhor amigo, Steve Wozniak. O elenco conta ainda com Kate Winslet, Jeff Daniels, Katherine Waterston, Sarah Snook e Michael Stuhlbarg.

Steve Jobs estreia nos EUA em 9 de Outubro. Sem previsão no Brasil…

Sony desiste do filme sobre Steve Jobs

Posted in Notícias with tags , , , , , , , on 20 de novembro de 2014 by Lucas Nascimento

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Eita nós. Depois de problemas para encontrar o ator definitivo para o filme de Steve Jobs (Michael Fassbender seria a nova aposta) que Aaron Sorkin desenvolve com a Sony, o estúdio desistiu de vez do projeto. Agora, a Universal está de olho para adquirir os direitos da adaptação e tocar o projeto.

Bom, é definitivamente um sinal ruim. Ou talvez a Sony estivesse com pressa para o lançamento do filme. Sorkin permanecerá como roteirista, mas não é certo se Danny Boyle ainda será o diretor.

Vamos aguardar por mais capítulos da novela de Steve Jobs.