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O Incógnito Oscar 2013 | Volume IV: Categorias Principais

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

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Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2013! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo (em inglês)

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Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

Amor | Michael Haneke

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Assim como aconteceu com A Separação no ano passado, a indicação de Amor nestas categorias principais automaticamente garante sua vitória em Filme Estrangeiro. Já o texto de Michael Haneke em si, não é meu preferido dentre os indicados… Acho a maior parte dos diálogos monótonos e que raramente trazem temas envolventes (um exemplo raro, é quando vamos percebendo aos poucos a identidade de um ex-aluno), sendo essencialmente cotidianos. O que admiro no roteiro de Haneke são ideias que funcionam melhor visualmente, como a cama de flores ou a genial metáfora da pomba invasora. E, claro, sua chocante reviravolta.

Quotação Memorável:
“- O que você diria se ninguém aparecesse no seu funeral?
– Nada, provavelmente” – Anne, Georges

Django Livre | Quentin Tarantino

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Eu ja disse antes e repito: não há ninguém que seja capaz de escrever diálogos como Quentin Tarantino. Sua investida no gênero de faroeste ( só que aqui, a designação mais apropriada é “farosul”) preserva todos os elementos típicos de sua escrita, desde os longos e caprichados diálogos até os personagens absurdos (como o bandido que cita a Bíblia e cola páginas desta no corpo enquanto chicoteia escravos). É certo que Django Livre é uma narrativa imperfeita, visto que sofre com um leve problema estrutural próximo a seu desfecho – onde a projeção se extende após o tiroteio em Candyland. Mas mesmo assim, o longa merece a vitória graças à habilidade e inteligência de Tarantino na construção dos diálogos, sendo mestre em prolongar as interações entre personagens e trabalhar a ascenção de tensão. Personagens e situações dignos do talento do cineasta, já está bom demais.

Quotação Memorável:Senhores, já tinham minha curiosidade. Mas agora têm minha atenção” – Calvin Candie

  • Globo de Ouro
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards – Roteiro Original

A Hora Mais Escura | Mark Boal

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Mark Boal era um jornalista freelancer antes de se converter a roteirista vencedor do Oscar. E percebe-se a marca de sua profissão anterior aqui, já que o colaborador de Kathryn Bigelow enche A Hora Mais Escura de nomes, eventos e datas; visando um retrato quase que documental da busca por Osama Bin Laden. E ainda assim, certamente há muita ficção aqui, como a teatrilidade que eu pessoalmente duvido que a agente Maya demonstrava (como sua insatisfação ao marcar uma contagem de dias na janela de seu chefe), mas não é nada sensacionalista ou evasivo. Tendo seu final reescrito durante as filmagens, o roteiro do filme traz bons diálogos e situações, mas exausta por sua vasta quantidade de informações.

Quotação Memorável: “Eu sou a ‘motherfucker’ que achou esse lugar, senhor” – Maya

  • WGA – Roteiro Original

Moonrise Kingdom | Wes Anderson e Roman Coppola

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Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que vi na vida, e acho que a narrativa cômica e quase caricata deve se aplicar à maioria dos trabalhos do diretor/roteirista. Aliado a Roman Coppola (isso mesmo, ele é filho do grande Francis Ford), Anderson traça uma fábula inocente e dócil sobre a própria perda desta; um jovem casal que se apaixona e resolve fugir da cidade, atravessando situações divertidas, simbólicas (o gesto de “furar a orelha”, por exemplo, é revelador) e personagens excêntricos. Não vejo grandes diálogos aqui, mas traz muitas ideias que funcionam visualmente.

Quotação Memorável: “Estarei lá no fundo. Vou procurar uma árvore pra cortar.” – Sr. Bishop

O Voo | John Gatins

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A premissa elaborada por John Gatins em O Voo é muito instigante, e funciona admiravelmente bem na primeira metade da projeção. O problema é que Gatins sente a necessidade de estender a narrativa desnecessariamente, e acaba adicionando elementos comoletamente descartáveis, como a viciada em drogas Nicole. Além disso, o roteirista resolve analisar a fundo o problema de alcoolismo de seu protagonista com uma série de clichês (está lá a velha cena de despejar as bebidas no ralo da pia) que só funcionam graças à performance de Denzel Washington. Se houvessem mais cenas sobre a investigação da perícia (ou apenas elas), seria mais interessante.

Quotação Memorável: “Ninguém poderia ter aterrissado aquele avião como eu. Ninguém” – Whip

FICOU DE FORA: Looper: Assassinos do Futuro | Rian Johnson

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Em uma época em que Hollywood aposta em continuações, adaptações e remakes de tudo quanto é coisa, eis que brota Rian Johnson e oferece uma aventura de ficção científica muito competente na forma de Looper: Assassinos do Futuro. Partindo da criativa premissa em que assassinos são contratados para eliminar alvos do futuro, Johnson explora com eficiência os conceitos e leis desse universo que criou, não se preocupando em oferecer uma explicação mega-científica para realidades alternativas e viagens no tempo. Um bom roteiro, que só peca pela presença desnecessária de poderes telecinéticos…

Quotação Memorável:Eu não quero falar de viagem no tempo, porque se começarmos vamos acabar ficando o dia todo aqui, fazendo diagramas com canudinhos” – Joe do Futuro

APOSTA: Django Livre

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Hora Mais Escura

MEU VOTO: Django Livre

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Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, artigos, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Argo | Chris Terrio, baseado no artigo Escape from Theran: How the CIA used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran de Joshuah Bearman

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Adaptado de um artigo que relata uma história real “que só poderia ser coisa de filme”, o roteiro de Argo deveria ser o sonho de qualquer cineasta. Escrito por Chris Terrio, este faz um ótimo trabalho ao trazer diálogos inteligentes e divertidos (nesse quesito, todas as cenas que envolvem Hollywood), gerando não apenas um eficiente thriller de espionagem, mas também um filme sobre se fazer filmes. Além da inusitada mistura, Terrio ainda traz um tema que se mantém atual e proporciona uma abordagem sem julgamentos pró-EUA. Claro que com um grupo de americanos a serem resgatados no Irã, os árabes recebem um tratamento antagonista, mas nunca chega a ser algo ufanista. E em tempos pós-11 de Setembro e Primavera Árabe, isso já é motivo para parabenizá-lo. Sem falar que criou o bordão mais legal dos últimos anos: “Argofuck yourself!”.

Quotação Memorável: “Se eu vou fazer um filme de mentira, vai ser um sucesso de mentira!” – Lester Siegel

  • WGA – Roteiro Adaptado
  • BAFTA

As Aventuras de Pi | David Magee baseado no livro A Vida de Pi de Yann Martel

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Muitos julgavam Life of Pi de Yann Martel uma obra infilmável (e enquanto termino o livro, reconheço que seja uma adaptação difícil), mas o roteiro de David Magee conseguiu dar conta do recado. Adotando a clássica estrutura do sujeito que compartilha suas histórias fantásticas para um terceiro, tal recurso compensa pela ausência de diálogos e também para envolver melhor o espectador da narrativa – afinal, Pi está nos contando a história. Mas ainda que Magee traga bons momentos de humor e reviravoltas  (a maioria destes na forma de baleias e peixes voadores) em um ambiente limitado, o texto erra no mesmo ponto do livro: a demasiada exposição sobre os conceitos de diversas religiões. Probleminhas à parte, é uma adaptação eficiente e bom entretenimento, conseguindo preservar a bela mensagem sobre o desapego da vida e a presença do simbolismo no embate realidade x ficção.

Quotação Memorável: “Eu acho que no fim, a vida toda torna-se um ato de desapego, mas o que sempre me entristece é não ter um momento para se despedir”. – Pi Patel

Indomável Sonhadora | Lucy Alibar e Benh Zeitlin baseado na peça Juicy and Delicious de Lucy Alibar

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Em breve, texto em progresso!

O Lado Bom da Vida | David O. Russell, baseado no livro The Silver Linnings Playbook de Matthew Quick

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David O. Russell assume a dupla função de diretor e roteirista, e sua habilidade com as palavras e tão formidável como a que este demonstra atrás das câmeras. O diretor adapta o livro de Matthew Quick (que não li, ainda) e oferece um tratamento leve e divertido a temas delicados como transtornos psicológicos e depressão – ambos favorecidos pelos excelentes diálogos entre os carismáticos personagens -, ainda que não os transforme totalmente em uma piada. Do meio pro fim, O Lado Bom da Vida se rende a algumas decisões previsíveis e até a elementos fantásticos (como a presença de “zica” em partidas de futebol americano), mas isso não prejudica por completo o bom trabalho de O. Russell.

Quotação Memorável: É, mande o Ernest Hemingway nos ligar e pedir desculpas também!” – Pat, Sr.

Lincoln | Tony Kushner, baseado parcialmente no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

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Já tendo trabalhado com Steven Spielberg em Munique (que também lhe garantiu uma indicação nesta categoria, em 2006), Tony Kushner traz os eventos mais relevantes de Team of Rivals para tratar um perfil dos últimos meses da vida de Abraham Lincoln. O que me incomoda no roteiro de Lincoln é que a narrativa prefere se concentrar nas politicagens e quebra-paus acerca do processo de validação da 13a emenda (e nas práticas maquiavélicas para conseguí-la) do que no homem que nomeia o título. Mesmo que traga bons diálogos nas cenas do Congresso (especialmente as rebatidas de Tommy Lee Jones), é a relação de Lincoln com sua família que me despertou maior interesse, e esta é – infelizmente – pouco explorada.

Quotação Memorável: “Eu poderia escrever sermões mais curtos, mas quando começo tenho preguiça de parar.”

  • Critics Choice Awards – Roteiro Adaptado

FICOU DE FORA: As Vantagens de Ser Invisível | Stephen Chbosky

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É muito interessante quando o autor de um livro sai para adaptar ele próprio sua obra. No caso de Stephen Chbosky, ele não só assina o roteiro de As Vantagens de ser Invisível, mas também a direção do longa; o que lhe da o direito de fazer todas as alterações que bem entender, sem sacrificar a obra original. Na crônica de Charlie e sua entrada no ensino médio, temos aqui diálogos maravilhosos, personagens muito carismáticos e também um tratamento muito delicado e original a temas como abuso sexual, problemas psicológicos e homofobia. Mas mais do que isso, é uma bela história sobre encontrar a si mesmo.

Quotação Memorável: “Nós estamos vivos agora mesmo, e nesse momento eu juro que somos infinitos” – Charlie

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo

diretor

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Michael Haneke | Amor

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Cineasta de currículo impecável (que conta com Caché, os dois Violência Gratuita e A Fita Branca), é de se espantar que essa seja apenas a primeira indicação de Michael Haneke. Como discuti em minha crítica, o austríaco confere um tom com grande lentidão e calmaria (a ausência de música e a presença de longos planos sem cortes ajudam nesse quesito) ao longo das 2 horas de Amor e isto é essencial para que o clímax funcione tão bem, e destrua toda esse tom como uma bomba atômica. O trabalho de Haneke é muito inteligente, mas requer muita paciência de seu espectador.

Ang Lee | As Aventuras de Pi

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Seguindo os passos de James Cameron e Martin Scorsese, Ang Lee é o novo reconhecido da Academia pelo uso da tecnologia 3D. Não que esta seja algo espetacular, mas o taiwanês traz recursos visuais muito interessantes em sua adaptação de As Aventuras de Pi, como mudar a proporação da imagem – alternando entre 16:9 e 4:3 em momentos chaves – a fim de conferir efeitos tridimensionais que, literalmente, “saltam” da tela. A direção de Ang Lee é criativa e este ajuda a criar uma narrativa competente que se sustenta com lindas imagens.

David O. Russell | O Lado Bom da Vida

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Eu tinha birra com David O. Russell desde sua indicação por O Vencedor, mas agora é tudo water under the bridge após seu trabalho seguro em O Lado Bom da Vida. Sua câmera é habilidosa ao circular todos os personagens em uma cena com diversos movimentos de mão e até bruscos, servindo para salientar ora a tensão, ora o humor (o zoom que este confere a um momento chave é acertadíssimo). Acho particularmente interessante como ele usa o recurso da câmera em primeira pessoa no flashback de Pat, que não só nos coloca na pele do personagem, como também adiciona um elemento de surpresa ao desfecho da cena. Meu trabalho favorito – quem diria – entre os indicados, parabéns sr. Russell.

Steven Spielberg | Lincoln

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De todos os filmes de Steven Spielberg que já vi, Lincoln traz sua direção mais contida. O diretor acerta ao reunir um ótimo elenco e lhes proporcionar um espaço eficiente que lhes permita trabalhar bem (sua câmera é sempre bem fixa e centrada nos intérpretes) e também ao aproveitar seu gordo valor de produção com planos abertos. Não seria justo taxá-lo como “piloto-automático”, já que o diretor cria belos planos que preservam a figura icônica do presidente, mas ainda que saiba como despertar emoções genuínas nos momentos certos (como a aprovação da 13ª emenda), desmerece a vitória por decidir mostrar a morte de Abraham Lincoln de forma melodramática; ainda mais porque poderia ter encerrado o filme minutos antes, com uma bela cena que mostra o protagonista caminhando em direção à luz. Spielberg precisa voltar ao espetáculo.

Benh Zeitlin | Indomável Sonhadora

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Sua estreia na direção de longa-metragens e Benh Zeitlin já garantiu sua primeira indicação Oscar: que belo começo de carreira. Assumindo-se como “essencialmente indie”, o diretor faz uso de uma câmera sempre incessante e com diversos planos e close-ups que retratem a precariedade do ambiente principal de Indomável Sonhadora (preservando com habilidade o ótimo trabalho do design de produção sem recursos grandiloquentes). Mas felizmente Zeitlin não apega-se à melancolia ou a maniqueísmos em tais momentos, conseguindo tirar situações divertidas dos cenários mais improváveis e sobressaindo-se na direção de elenco. Vamos ver se, com seu próximo projeto, não foi sorte de principiante.

FICOU DE FORA: Quentin Tarantino | Django Livre

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Ben Affleck, Kathryn Bigelow e Paul Thomas Anderson foram incríveis ausências nesta categoria. Os três diretores fizeram trabalhos incríveis em seus respectivos filmes, mas senti mais ainda a falta de Quentin Tarantino entre os 5 indicados, já que seu comando no faroeste (sul) de Django Livre é excelente. Cheio de referências e jogadas visuais, o diretor homenageia uma série de filmes do gênero (e também de outros, como Taxi Driver e … E o Vento Levou) e utiliza de um recurso de câmera divertidíssimo: o zoom rápido. Além de manter a narrativa sempre divertida, Tarantino também separa com inteligência a “violencia cômica” da “violência séria” ao alternar a forma com que retrata ambas. Não é o melhor trabalho do diretor, mas nada menos do que digno de indicação.

APOSTA: Steven Spielberg

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Ang Lee

MEU VOTO: David O. Russell

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Um casal de idosos testando seu amor, espiões cinéfilos, um indiano náufrago, um escravo recém-libertado, uma agente obcecada, uma jovem sonhadora, um popular presidente americano e um grupo de miseráveis cantores estão entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Vejamos:

Amor

4.0

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“Então o filme só para idosos? Não, mas requer uma experiência de vida (especialmente àquelas baseadas no sentimento-título) que um jovem à beira da maioridade ainda desconhece por completo. Fui comovido pelas ótimas performances de seu elenco e pelo tratamento que Michael Haneke fornece ao longa, mas acho que levará alguns anos para Amor me acertar em cheio.” Crítica Completa

  • Palma de Ouro – Festival de Cannes
  • Globo de Ouro – Filme Estrangeiro
  • BAFTA – Filme Estrangeiro
  • Critics Choice Awards – Filme Estrangeiro

Argo

4.5

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“Um filme sobre um resgate americano em território iraniano renderia uma propaganda ufanista e exagerada nas mãos de um diretor “Michaelbayano”, mas o diretor-ator merece aplausos por apresentar uma relativa neutralidade diante da questão abordada – questionando tanto a incapacibilidade da CIA diante do sequestro quanto a violência executada pelos revolucionários. Argo é uma ótima dramatização de um inusitado capítulo da história da CIA, tratando seus temas de forma aprofundada e acessível, além de mostrar que Ben Affleck não é só um bom diretor, mas sim um ótimo cineasta.” Crítica Completa

  • Producers Guild Awards
  • Globo de Ouro – Drama
  • Directors Guild Awards
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

As Aventuras de Pi

4.0

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“Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa

Django Livre

4.5

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“Movendo-se com um bom ritmo até uma conclusão um tanto exagerada, Django Livre é mais um ótimo trabalho de Quentin Tarantino, e ainda que não alcance a perfeição de Bastardos Inglórios ou Pulp Fiction, comprova a facilidade do diretor em navegar com seu estilo único através de diferentes gêneros. Vejamos o que ele vai aprontar a seguir…” Crítica Completa

A Hora Mais Escura

4.0

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“Não tenho dúvidas de que há muita ficção em A Hora Mais Escura. Mas mesmo que alguns fatos apresentados tragam uma veracidade questionável, funcionam eficientemente bem como peça de entretenimento e não do tipo que vangloria uma nação. Ao invés de comemorar euforicamente a morte de Osama Bin Laden, o filme traz de volta a questão Maquiavélica e ainda deixa no ar uma ainda mais complexa: ” e agora?” A reação ambígua de Maya, que com olhos lacrimejados e a noção de que havia concluído uma tarefa que lhe custara 12 anos de sua vida, é a prova de que o filme vai além de sua proposta.” Crítica Completa

Indomável Sonhadora

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Com diversas passagens protagonizadas por criaturas pré-históricas que marcam presença simbólica (creio eu), Indomável Sonhadora explora de forma criativa e apropriada a relação de “causa e efeito” dentro de um ecossistema, enfatizando como cada pequeno elemento pode gerar consequências devastadoras, e também como as relações familiares podem ser comparadas com tal. É o grande indie da temporada de prêmios.

O Lado Bom da Vida

4.0

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“Com uma admirável química entre os dois protagonistas e um ritmo eficiente que fazem as 2 horas de filme parecerem minutos, O Lado Bom da Vida só peca ao recorrer a clichês típicos do gênero em sua conclusão (como uma série de coincidências e elementos supersticiosos). Mas como o próprio Pat diz ao reclamar de Adeus às Armas de Hemingway: ‘a vida já é dura como é, seria pedir demais por um final feliz?’ No caso deste belo filme, é aceitável.”  Crítica Completa

Lincoln

3.0

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“Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.” Crítica Completa

Os Miseráveis

3.5

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“Com 168 minutos que se movem com notável lentidão, Os Miseráveis apresenta uma ótima história e um elenco espetacular, mas que é ofuscada em meio ao excesso de canções. O novo método escolhido por Tom Hooper favoreceu aos intérpretes, que dão o seu melhor em apresentações intensas, mas rendeu uma experiência difícil de se acompanhar. Nas palavras do comediante Jerry Seinfeld: ‘Não gosto desses musicais, não entendo por que cantar, quem canta? Se tem alguma coisa pra dizer, diga!'” Crítica Completa

  • Globo de Ouro – Musical/Comédia

FICOU DE FORA: O Mestre

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“Pontuado nos momentos certos pela abstrata trilha sonora de Jonny Greenwood, O Mestre é uma obra poderosa que consegue expandir sua premissa a níveis universais, sobre o Homem questionando o papel de um líder ou de uma organização; e como estes podem alterar seus instintos mais básicos. Desculpem pelo trocadilho, mas é um trabalho de Mestre.” Crítica Completa

APOSTA: Argo

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Lincoln

MEU VOTO: Argo ou Django Livre

Bem, esse foi o especial Oscar 2013, não esqueçam de fazerem suas apostas. E só pra lembrar, no dia da cerimônia (domingo, 24) estarei aqui comentando o evento ao vivo, então apareçam!

| Lincoln | Steven Spielberg dá uma aula de História, mas não de Cinema

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 14 de fevereiro de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

Lincoln
Daniel Day-Lewis está excelente na pele do presidente

Sabem, o quando Cinema resolve dar uma aula de História é sempre arriscado porque a veracidade das imagens mostradas dependerá da postura de seu diretor e roteiro. Não meramente visões políticas, mas – mais importante – em como transformar eventos que são acessáveis através de inúmeros livros de escola e páginas da internet em elementos narrativos que cativem um público universal. Entre acompanhar a vida do presidente Abraham Lincoln em um livro de História ou o filme de Steven Spielberg, é apenas Daniel Day-Lewis que me provoca uma ligeira hesitação ao recorrer à primeira alternativa.

O roteiro de Tony Kushner toma parcialmente como base o livro Team of Rivals, abraangendo o período em que o presidente dos EUA lutava para ter a 13a emenda da Constituição aprovada. Esta visava abolir permanentemente a escravidão no país e também surgir como um catalisador para o fim da sangrenta Guerra Civil entre o Norte livre e o Sul escravizado.

Campeão de indicações ao Oscar deste ano, Lincoln é um filme que deve funcionar muito bem para os estadunidenses. A figura de Lincoln não só estampa todas as notas de 5 dólares, mas também é peça fundamental no ensino das escolas; o que tornaria a identificação com o longa muito maior. Eu, por exemplo, pouco sabia sobre o homem que nomeia o filme: além de seu papel na Guerra Civil, o assassinato no teatro e a longa cartola, o restante era puramente trivial. Nos países fora dos EUA essa questão é parcialmente resolvida com a inserção de letreiros (e até um mapa!) que ajudam a contextualizar o período que dá lugar à trama.

Mas quem não ajuda nem um pouco é o roteiro de Kushner, que faz de questão de analisar minuciosamente cada detalhe e ação que tornaram a aprovação da 13ª emenda possível. Pessoalmente o lado político não me interessa tanto quanto a relação de Lincoln com sua família – que é notavelmente diferente com cada membro – e para meu azar, esmagadora porção do longa é voltado para discussões à mesa da Casa Branca e quebra-paus no Congresso (estes últimos, os mais interessantes graças a algumas boas frases de efeito). Mas mesmo que não aprendamos muito sobre o Lincoln Homem, Daniel Day-Lewis está lá para fazer valer cada frame de sua participação.

Tendo o benefício de uma eficiente maquiagem que lhe transforma em um sósia do ex-presidente, o ator elabora toda uma construção física e vocal para a performance; que vai desde o andar manco e postura inclinada até a voz suave e fragilizada – característica que reflete a exaustidão de Lincoln durante os anos no cargo. Lewis tem uma presença monstruosa – e certamente vai garantir mais um Oscar por seu impecável desempenho – mas há espaço para que os coadjuvantes brilhem. Em especial, o Thaddeus Stevens de Tommy Lee Jones, figura que este preenche com sua habitual seriedade e um bem vindo tom de sarcasmo (que transborda na cena em que este separa as sílabas da palavra “republicano”).

Os valores de produção, como de habitual em um longa de Spielberg, são excepcionais. Desde o design de produção que recria com cuidado os tribunais e aposentos da Casa Branca, até a sombria fotografia de Janusz Kaminski (que aposta em interiores escuros cuja única iluminação vem de grandes feixes de luz pela janela), Lincoln é um deleite para os olhos. Já para os ouvidos, não há muito o que John Williams possa fazer, já que o veterano aposta em melodias mais contidas e melancólicas – alcançando um resultado esquecível.

Em um de seus trabalhos mais contidos e livres de maneirismos (não que isso seja uma qualidade aqui) Steven Spielberg faz de Lincoln uma aula de História americana de quase três horas. Mas mesmo com valores de produção e elenco espetaculares, o “professor” carece de um bom material didático que nos ajude a entender melhor o Lincoln Homem, e restringe seu maior impacto emocional ao povo americano.

Mas pelo menos ele não caça vampiros.

Os indicados ao DIRECTORS GUILD AWARDS 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , on 8 de janeiro de 2013 by Lucas Nascimento

DGA

Último grande prêmio de sindicato a divulgar seus indicados, o Directors Guild of America escolheu seus 5 candidatos para 2013. Confira:

Ben Affleck – Argo

Kathryn Bigelow – A Hora Mais Escura

Tom Hooper – Os Miseráveis

Ang Lee – As Aventuras dePi

Steven Spielberg – Lincoln

Os vencedores serão anunciados em 2 de Fevereiro.

Especulando sobre o Oscar 2013

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de setembro de 2012 by Lucas Nascimento

E novamente nos encontramos naquele período de especulações para o Oscar 2013! Vamos apontar aqui alguns dos principais filmes que podem, ou não, entrar na lista dos indicados para o prêmio do ano que vem. Here we go:

Argo

Terceiro filme dirigido por Ben Affleck, Argo foi elogiadíssimo no Festival de Toronto e muitos o veem como uma aposta certeira entre os cinco indicados. A trama acompanha um grupo da CIA que é enviado ao Irã para resgatar reféns, disfarçando-se de equipe de filmagem de um falso longa-metragem para infiltrar-se no território.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Figurino, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

O Mestre

Paul Thomas Anderson traz um enigmático filme sobre a Cientologia após um intervalo de 5 anos afastado das telas – tendo realizado o sublime Sangue Negro. O filme tem sido elogiado pela maioria, enfatizando a intensidade do elenco (premiado no Festival de Veneza).

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Joaquin Phoenix), Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman), Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som.

As Aventuras de Pi

Fantasia 3D de Ang Lee, As Aventuras de Pi começou a ser exibido em alguns festivais dos EUA recentemente, e a calorosa recepção ao filme imediatamente o cotam para o Oscar. O longa adapta o best-seller de Yann Martel, trazendo um jovem que fica preso em alto mar com um tigre.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Trilha Sonora.

A Viagem

Ambicioso projeto dos irmãos Andy e (agora) Lana Wachowski em parceria com o diretor Tom Tykwer, tem dividido os críticos que o assistiram em duas categorias: aqueles que amaram e aqueles que odiaram. É de se espantar com a gradiosidade de Cloud Atlas, que apresenta seis épocas diferentes e um elenco estelar que intepreta múltiplos personagens. Parece ousado demais para a Academia, mas quem sabe?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Montagem, Maquiagem, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som

Django Livre

Novo filme do grande Quentin Tarantino, que agora ataca de faroeste sulista em (mais uma) trama de vingança e personagens excêntricos. O filme será lançado em 25 de dezembro.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jamie Foxx, Christoph Waltz), Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som.

Silver Linings Playbook

Novo filme de David O. Russell (de O Vencedor), fez sucesso no festival de Toronto graças à sua inusitada mistura de humor e drama. O longa – cujo título sempre me escapa a memória – mostra a relação de um sujeito recém-retornado à casa de seus pais com uma mulher problemática.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert DeNiro) e Roteiro Original.

Lincoln

Cinebiografia do presidente americano Abraham Lincoln (dessa vez sem vampiros), só estreia em dezembro nas terras ianques, mas é carregado de expectativa desde sua gestação. Comandado por Steven Spielberg, o filme ainda se beneficia de trazer o monstro Daniel Day-Lewis como protagonista.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Day-Lewis), Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Hitchcock

Mais um biopic promete marcar presença entre os indicados, este centrado no Mestre do Suspense e os bastidores da realização de seu mais famoso filme: Psicose. A trama é promissora e a escalação de Anthony Hopkins como “Hitch” promete tirar sua carreira do piloto-automático. No entanto, acho que o filme não vai muito longe disso e parece ser o Sete Dias com Marilyn do ano.

Possíveis Indicações: Melhor Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Helen Mirren), Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Sonora.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Aqui temos uma aposta arriscada. Pra falar sobre as chances do último capítulo da trilogia do Homem-Morcego comandada por Christopher Nolan, devemos voltar à 2009 e relembrarmos da importância de O Cavaleiro das Trevas. A ausência do filme entre os cinco indicados foi muito criticada e, no ano seguinte, o Oscar passa a aceitar dez filmes entre seus indicados; é evidente a influência do longa nessa mudança. Não é hora da Academia se redimir?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Retorno de Peter Jackson ao universo de J. R. R. Tolkien, a adaptação de O Hobbit será dividida em três partes. Dado o reconhecimento da Academia pela trilogia Senhor dos Anéis, acho que não seria exagero esperar que a “jornada inesperada” marque presença na festa.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Efeitos Visuais (Smeagol is back, bitches), Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Moonrise Kingdom

Novo filme de Wes Anderson, abriu o Festival de Cannes deste ano e teve uma recepção positiva nos EUA, tanto de crítica quanto de público (o maior arrecadamento da carreira do diretor). A trama acompanha um grupo de escoteiros americanos às vésperas da Guerra do Vietnã.

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Fotografia, Figurino e Direção de Arte.

007 – Operação Skyfall

Nunca antes um filme de James Bond foi indicado a um Oscar fora das categorias técnicas. Sam Mendes comanda a 23ª missão do agente 007 e todos os envolvidos prometem o melhor filme da franquia, mirando em indicações ao Oscar. Quem sabe a Academia não honre o filme pelos 50 anos da série?

Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Craig), Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Outras apostas:

Prometheus – Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais.

Os Vingadores – Efeitos Visuais

Branca de Neve e o Caçador – Figurino

MIB – Homens de Preto 3 – Melhor Direção de Arte e Maquiagem

| As Aventuras de Tintim | Spielberg reacende seu espírito aventureiro

Posted in Animação, Aventura, Cinema, Críticas de 2012, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , on 29 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento


Só falta o chapéu: Tintim e o Capitão Haddock descobrem uma pista

O primeiro contato do diretor Steven Spielberg com “Tintim” aconteceu quando este ainda divulgava um de seus melhores trabalhos, Os Caçadores da Arca Perdida. Lendo críticas em um jornal francês, ele não parava de ouvir o quanto seu filme apresentava o estilo aventureiro do personagem criado por Hergé, e o diretor logo correu atrás do material original e seu autor mas, infelizmente, tal encontro nunca se deu – já que o belga faleceu semanas depois. Anos depois, Spielberg lança o deliciosamente frenético As Aventuras de Tintim, que certamente deixaria seu criador orgulhoso.

Adaptando duas histórias diferentes do personagem em uma só, a trama mostra o jornalista Tintim (Jamie Bell) investigando o mistério em torno de uma réplica de um navio chamado Licorne. A busca leva ele e seu cão Milu a conhecerem o Capitão Haddock (Andy Serkis), e juntos precisam encontrar o segredo que a miniatura guarda antes do maléfico Rackham (Daniel Craig).

Há tempos que eu não via um Spielberg tão inspirado. Seus últimos longas certamente apresentam qualidade (Cavalo de Guerra, inclusive), mas não o mesmo tom enlouquecidamente agitado de Tintim; o filme não pára em segundo algum, sua trama vai se desenrolando com grande velocidade e espetaculares cenas de ação vão brotando de todos os cantos. Claro, fica difícil desenvolver os personagens em meio a tanta adrenalina e esse talvez seja o único defeito do longa – a parceria entre Tintim e Hadock, por exemplo, se dá de forma brusca e sem muito tempo para o que os dois conheçam um ao outro a ponto de arriscarem suas vidas.

Em compensação, somos contagiados por um visual belíssimo (que honra a obra de Hergé, principalmente na adaptação dos personagens), que apresenta locações exóticas que logo servem de palco para inúmeras perseguições de carro – o já famoso plano-sequência da moto em Marrocos é tudo o que dizem mesmo – e sequências divertidas, como a que traz o divertidíssimo cãozinho Milu como protagonista. Ainda fica melhor com a excelente trilha sonora de John Williams (seu melhor trabalho desde Prenda-me se for Capaz), que traz ecos de suas composições em Indiana Jones, ao mesmo tempo, cria acordes empolgantes que conseguem capturar vigorosamente a aura da trama.

A captura de performance que traz o longa à vida também é impressionante. Talvez o melhor uso da tecnologia até hoje (até mais interessante do que a de Avatar ou Planeta dos Macacos), aqui foi possível criar um personagem completamente digital sem esquecer da performance de seu intérprete, e todo o elenco merece aplausos por seu desempenho. Jamie Bell traça Tintim cheio de inocência e sede de aventura, a passo que Daniel Craig cria um vilão memorável com seu Rackham (sempre com muita malícia em sua voz e andar) e Andy Serkis mostra mais uma vez sua imensa expressividade no retrato do bêbado Haddock.

As Aventuras de Tintim não é para os fracos. Ritmo intenso e sem descanso, o longa mistura ação e humor na medida certa e traz um Spielberg confortável e seguro na direção. Não é Caçadores da Arca Perdida (afinal, o que é?), mas certamente traz boas lembranças. Que venha a continuação!

| Cavalo de Guerra | Steven Spielberg comanda mais um drama de guerra

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Guerra, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , on 7 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento


O menino e seu cavalo: O potro Joey e seu dono Albert em um momento de reflexão

Steven Spielberg é um dos nomes mais populares do cinema. Depois de ficar um pouco afastado das telas (desde Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal), ele retorna em 2011 com dois promissores projetos: Cavalo de Guerra e As Aventuras de Tintim – mas esse último já é assunto pra outra semana. Quanto ao épico de guerra, o resultado é clichê e até apelativo, mas inegavelmente satisfatório.

A trama segue o potro Joey, que é vendido para uma fazenda e logo treinado pelo jovem Albert, com que cria um vínculo indestrutível. Quando o animal é forçado a servir de montaria na Primeira Guerra Mundial, os dois seguem caminhos diferentes, enquanto a coragem e resistência do cavalo vai ganhando atenção durante o combate.

Esse é daqueles filmes que, quando anunciado, a expectativa é a de um torturante melodrama feito com a clara intenção de arrancar lágrimas de seus espectadores. Por um lado até que é verdade – já que em diversos momentos do filme, nem Spielberg nem o mediano roteiro de Richard Curtis e Lee Hall recorrem situações ou (péssimos) diálogos dramalhões – todavia pelo outro, a história é contada de forma leve e suficientemente agradável, acertando nos momentos apropriados.

Sendo centrado constantemente no cavalo do título, é interessante como o longa “troca” de narradores ao longo de sua projeção, ao mostrar os diferentes donos que Joey coleciona durante sua estadia nas fazendas e campos de batalha. O roteiro da dupla citada no parágrafo anterior é artificial na criação de seus diálogos, mas bem-sucedido quando o objetivo é transitar os diferentes personagens no cenário, mostrando os horrores da guerra através de diferentes olhos (soldados ingleses, alemães e fazendeiros) e situações, mesmo que o próprio não apresente um desenvolvimento tão profundo nas mesmas – desse jeito, o longa seria mais comprido do que já é.

E Spielberg sabe como montar e executar o espetáculo. Experiente após longas de guerra como O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler, não é nenhuma surpresa vê-lo retratando com o mesmo talento os terríveis conflitos durante a Primeira Guerra, especialmente aqueles que tomaram lugar nas trincheiras; e mesmo que não sendo tão violento e explícito (quanto Ryan, por exemplo), o diretor consegue criar uma atmosfera tensa, graças a ajuda da habilidosa montagem de Michael Khan e da linda fotografia de Janusz Kaminski – esta última cria um dos planos mais memoráveis do ano, onde uma execução é mostrada através de um moinho de vento. Não posso esquecer também de John Williams que, mesmo não sendo tão inventivo como antes, acerta na emocionante trilha sonora.

Com um elenco com poucas performances que valham a pena mencionar (a melhor delas sendo a de Tom Hiddleston, o oficial inglês que compra Joey), Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.

Novo trailer de CAVALO DE GUERRA

Posted in Trailers with tags , , , on 4 de outubro de 2011 by Lucas Nascimento

Cavalo de Guerra, um dos filmes que Steven Spielberg está para lançar no fim do ano (o outro seria As Aventuras de Tintim), ganhou seu primeiro trailer completo. A prévia aposta na dramaticidade e impressiona com suas belas imagens. Confira:

Cavalo de Guerra estreia no Brasil em 6 de Janeiro.

| Super 8 | Nostálgica e deliciosa ficção cientifica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2011 by Lucas Nascimento

 


Ninguém tem um DVD aí?

Bons tempos aqueles em que Steven Spielberg era um mestre da ficção científica e promovia uma serie de espetáculos nas décadas de setenta e oitenta. Aprendendo com o mestre, o diretor e roteirista J.J. Abrams presenteia os fãs do genero com uma aventura deliciosa e nostalgica, que faz lembrar o significado de entretenimento e bom cinema.

A trama se passa na decada de oitenta, girando em volta de um grupo de jovens cineastas que, ao gravarem uma cena em uma estação de trem, presenciam a chegada de um misterioso ser que passa a aterrorizar a pequena cidade onde vivem.

O misterio em torno de Super 8 se dá desde o período de sua genial campanha de marketing (que incluiu sites falsos, panfletos e muita discrição quanto ao monstro que antagoniza o longa), e ele permanece de forma brilhante ao longo do filme. Provando-se cada vez mais estiloso, Abrams acerta na direção e em seus ótimos enquadramentos – sempre com sua habitual luz de neon, fornecendo à trama um bem-vindo toque da série Lost (especialmente os efeitos sonoros que remetem à presença da criatura) e diversas referências temáticas e visuais ao trabalho de Spielberg.


Elle Fanning e Joel Courtney são ótimas revelações

E o que os filmes de Spielberg (incluo aí também os produzidos por ele) tambem acertavam, era no elenco juvenil. Bem entrosados e talentosos ao nível Goonies, são liderados pelo estreante Joel Courtney, que apresenta bastante carisma e a fragilidade emocional que o personagem requere (chegaremos nesse ponto em alguns instantes). Temos divertidos alívios comicos (como Riley Griffith, que faz o diretor Charles, e Ryan Lee, uma espécie de jovem Michael Bay afeccionado por pirotecnia), mas quem realmente se sobressai aqui é Elle Fanning (isso mesmo, irmã da Dakota), que surpreende pela força fornecida à personagem.

No que diz respeito à temática do filme, ela passa longe de se prevalecer contatos extraterrestres acima  da relação pai-filho. Joel e seu pai (Kyle Chandler) são bem capturados pela câmera de Abrams, que oferece mise en scènes maravilhosos – como aquele em que o jovem, vestido como militar, enfrenta seu pai e busca certa autoridade por suas ações – e um ótimo desenvolvimento de personagens. Ao longo da projeção, podemos observar uma série de detalhes que simbolizam a infância e a busca pela maturidade; seja com Elle Fanning dirigindo um carro ou tanques de guerra atravessando por cima de playgrounds. Bastante conteúdo para os mais observadores.

Mais uma vez embalado pela trilha sonora de Michael Giacchino (o compositor ja trabalhou em 3 filmes de Abrams), o vencedor do Oscar oferece um trabalho sensacional que equilibra o suspense (característica que ele explorou bem em Deixe-me Entrar) e acordes mais fantásticos (aí temos um pouquinho de Star Trek) em uma criação impecável. Enquanto isso, montagem de Maryann Brando e Mary Jo Markey preenche o filme de ritmo (principalmente no espetacular acidente de trem) e a fotografia de Larry Fong retrata bem a época e a cidade, assim como esconde com habilidade a criatura misteriosa, cuja revelação é tao bem apresentada quanto ao monstro de Tubarão (a cena do posto de gasolina… Sem palavras).

Decepcionando apenas nas ambições da criatura, Super 8 é uma deliciosa experiência que remete ao bom cinema oitentista, sendo carregado de temas de paternidade e amadurecimento, mas também com muita diversão e misterio. Um dos melhores filmes do ano.

PS: Durante os créditos finais, é exibido o filme caseiro que o grupo de amigos produzia. Nao deixe de conferí-lo.

Veja o novo trailer de AS AVENTURAS DE TINTIM

Posted in Trailers with tags , , , , , on 11 de julho de 2011 by Lucas Nascimento

As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne, novo filme de Steven Spielberg, que adapata os famosos quadrinhos de Hergé, ganhou um novo trailer para o mercado internacional. A prévia é divertida e mostra que o diretor vai entregar um genuíno espetáculo no fim do ano. Confira:

As Aventuras de Tintim – O Segredo do Licorne estreia em 11 de Novembro.

Próximo da Fila: Steven Spielberg (I)

Posted in Próximo da Fila with tags , , , , , , , , , on 3 de julho de 2011 by Lucas Nascimento

Sim, Steven Spielberg está de volta ao cinemão! Além de As Aventuras de Tintin (que você já deve estar cansado de saber), o diretor prepara o drama Cavalo de Guerra, que foca-se na relação entre um fazendeiro e seu cavalo que é obrigado a servir nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

O primeiro teaser trailer saiu essa semana e o resultado é bastante promissor. Spielberg reúne-se com o genial maestro John Williams para adaptar o livro de Michael Morpugo e promete chamar atenção na temporada de prêmios…

O elenco conta com o desconhecido Jeremy Irvine no papel principal do fazendeiro,  enquanto os talentosos Tom Hiddleston (o Loki de Thor) e David Thewlis (o professor Lupin da saga Harry Potter), devem fazer bem como coadjuvantes.

Cavalo de Guerra estreia em 3 de Janeiro de 2012 no Brasil, e parece ser um belo filme.