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| Projeto X – Uma Festa fora de Controle | Qual a graça de ver, se não estamos lá?

Posted in Comédia, Críticas de 2012, DVD with tags , , , , , , , , , , on 26 de agosto de 2012 by Lucas Nascimento

Talvez se o monstro de Cloverfield aparecesse, o filme seria melhor

A ferramenta narrativa found footage rapidamente vai marcando presença em Hollywood (e até no Brasil), tendo aventurado-se em dois gêneros distintos este ano. O primeiro foi Poder sem Limites, uma inovadora e eficiente abordagem à tradicional premissa de poderes sobrenaturais, e o outro é Projeto X – Uma Festa fora de Controle, que proporciona uma visão sem graça sobre as típicas house parties americanas.

No entanto, o que Projeto X faz melhor do que o longa de Josh Trank é trazer uma justificativa mais verossímil para a presença de câmeras dentro da história. Aqui, o jovem Thomas (Thomas Mann) resolve dar a maior festa de todos os tempos, juntamente com seus amigos que não poupam estereótipos, mas como o próprio título adverte, a situação se descontrola.

A melhor forma de classificar o filme do estreante Nima Nourizadeh é como um “Superbad sem alma”. A pérola adolescente lançada há cinco anos atrás tem situações muito mais engraçadas, mas seu êxito encontra-se no cuidado do roteiro com seus personagens principais, que são bem trabalhados e desenvolvidos – o que faz com que nos importamos com eles quando enfrentam os momentos mais absurdos. Aqui, ocorre exatamente o oposto, e nenhum dos quatro protagonistas interessa ao espectador.

Dessa forma, ver tantas atrocidades em 88 minutos (e estas alcançam um nível anárquico considerável) causa um efeito nulo, do tipo “qual a graça em ver se não estou lá?”. Nourizadeh escolhe uma boa trilha sonora incidental – capturando o espírito festivo surtado – e também na fidelidade acerca do tipo de atividade desse cenário (não acrescentando muita coisa nova, além de um anão preso num forno), que ficam interessantes graças aos cortes constantes das diferentes câmeras que circulam pela festa.

Com os personagens já desinteressantes pelo roteiro, há pouco que os atores possam fazer. Abraçando todos os estereótipos adolescentes existentes, Thomans Mann faz o típico loser que almeja a popularidade, Oliver Cooper faz do amalucado Costa o mais irritante do grupo e Jonathan Daniel Brown provavelmente achou que sua fisionomia acima do peso seria o bastante para provocar risos. Dentre os personagens, o mais interessante é o cinegrafista Dax – justamente por não sabermos muita coisa a seu respeito.

Voltando à ingressão do formato ao gênero, Projeto X – Uma Festa fora do Controle acerta na estética, mas erra estupidamente em termos narrativos. Exemplo: o filme se contraria logo nos segundos iniciais, quando exibe um anúncio de que todas as acrobacias são feitas por dublês, só para logo depois mostrar um pedido de desculpas da Warner Bros pelos eventos ocorridos. Se for brincar, que o faça direito.

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