Arquivo para tão forte e tão perto

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME IV: Categorias Principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2012! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

O Artista | Michel Hazanavicius

Assumindo ambos os cargos de diretor e roteirista, Michel Hazanavicius merece créditos por seu roteiro apresentar pouquíssimos diálogos. Os poucos que aparecem são em cartões – típicos dos filmes mudos – e trazem diversas ironias (George Valentin insiste em não falar diversas vezes, simbolizando tanto a situação da trama quanto o fato de O Artista ser mudo) e cenas já icônicas (como Peppy brincando com o casaco de Valentin). No entanto, acho que o roteiro do filme não merece o ouro por não ter diálogos falados.

Quotação Memorável: “Eu não vou falar! Não direi uma palavra!” – George Valentin

Margin Call – O Dia antes do Fim | J.C. Chandor

Não assisti Margin Call – O Dia Antes do Fim, mas fazer um filme sobre crise ecônomica realmente vem a calhar atualmente. Pelo que li, o roteiro de J.C. Chandor é bem adulto e maduro, sem dar explicações sobre eventos ou uma aula de economia. Enfim, preciso assistir antes de falar qualquer coisa.

Quotação Memorável: “Há três meios de se sair bem nesse negócio: seja o primeiro, seja esperto ou trapaceie.” – John Tuld

Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sem dúvida um dos melhores roteiristas em atividade, Woody Allen escreve o melhor roteiro dentre os indicados (incluindo os da categoria de Adaptados) com sua fantástica saga parisiense. A entrada do protagonista em um mundo do passado é sensacional e rende momentos hilários, principalmente com as memoráveis participações especiais (ressalto novamente a inspirada presença de Salvador Dalí). Mas o legal mesmo, é como Allen fala sobre como o tempo surge para reforçar uma ideia ou época, algo com que eu pude me identificar bastante.

Quotação Memorável:Eu confio em você, mas tenho ciúmes. É uma dissonância cognitiva!” – Gil

Missão Madrinha de Casamento | Annie Mumulo & Kristen Wiig

Certamente a indicação mais boba da categoria, a comédiazinha Missão Madrinha de Casamento conseguiu se infiar na lista. Com alguns diálogos inspirados, o filme tem pouco de genuinamente engraçado (a maior parte do charme do filme está nas mãos do elenco) e usa-se de muitos clichês de comédia romântica para estar em uma categoria que preza originalidade. Tem até uma piada (exagerada) com churrascaria brasileira…

Quotação Memorável: “Eu sou a vida, Annie, e eu estou mordendo a sua bunda!” – Megan

A Separação | Asghar Farhadi

A indicação do iraniano A Separação como Roteiro Original sela a vitória o longa de Asghar Farhadi na categoria de Filme Estrangeiro. Ainda não assisti ao filme (sim, tenho muitos a ver), cuja trama foca um casal que é forçado a escolher entre mudar de país para fornecer condições melhores a seus filhos ou ficar no Irã para tratar de um parante portador de Alzheimer. Quando sair em Blu-ray, não vou perder.

Quotação Memorável: “O que é errado é errado. Não importa quem disse ou onde está escrito.” – Nader

FICOU DE FORA: 50% | Will Reiser

Em uma mistura inusitada de comédia e drama, o roteirista Will Reiser coloca sua própria experiência com o câncer no papel, rendendo o divertidíssimo e de bom coração 50%. Traz diálogos bem desenvolvidos (com uma linguagem bem chula, e que abraça o politicamente incorreto todo o tempo) e situações inesperadas para um longa do gênero, como a piada de usar a situação para pegar mulher. Como Missão Madrinha de Casamento entrou e este não, é um mistério.

Quotação Memorável: “Ninguém quer transar comigo. Eu pareço o Voldemort” – Adam

APOSTA: Meia-Noite em Paris

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Os Descendentes | Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash

Adaptado de: Livro Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings

Com alguns dos melhores diálogos do ano, Alexander Payne mostra novamente que é melhor roteirista do que diretor (não que esta seja falha), contando com auxílio de Nat Faxon e Jim Rash. O texto é sedutor por quebrar o clichê paradisíaco que a maioria das pessoas têm em relação ao Havaí, contando com ótimas narrações de seu protagonista e situações criativas e até bizarras – tal como a “conversa” entre Matt e sua esposa no hospital. É o favorito para levar o prêmio, e com razão (mesmo não sendo meu favorito dentre os indicados).

Quotação Memorável: “No telefone ele pode fugir, pessoalmente, ele não tem pra onde ir. Eu quero ver a cara dele” – Matt King

O Espião que Sabia Demais | Bridget O’Connor & Peter Straughan

Adaptado de: Livro O Espião que Sabia Demais de John Le Carré

Complexo e intrincado, é difícil entender a trama de O Espião que Sabia Demais em uma única visita. O roteiro de Bridget O’Connor (falecida pouco antes do início das filmagens) e Peter Straughan é assaverado na lógica e raciocínio do espectador, isentando-se de pausas para explicar o que acontece ou diálogos que sejam claros o bastante. O resultado é meio devagar, mas muito inteligente se analisado a fundo.

Quotação Memorável: “É a mais antiga das perguntas, George. Quem consegue espionar os espiões?” – Oliver Lacon

O Homem que Mudou o Jogo | Aaron Sorkin & Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, de Michael Lewis

Com dois nomes de peso na assinatura (e ainda por cima, oscarizados), o roteiro de O Homem que Mudou o Jogo é meu favorito dentre os indicados. No complexo mundo da análise de jogadores de beisebol, Steven Zaillian e Aaron Sorkin – tomando como base o livro acima e o argumento de Stan Chervin – escrevem diálogos formidáveis cheios de passagens inspiradíssimas (especialmente nas formas em que lida com a mediocricidade do time), trabalham bem os personagens e passam um significado que vai além do esporte, lidando com questões familiares e principalmente a importância de uma boa escolha. Excelente.

Quotação Memorável:Você prefere levar um tiro na cabeça ou três no peito e sangrar até morrer?”Billy Beane

A Invenção de Hugo Cabret | John Logan

Adaptado de: Livro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Usando a história de um orfão solitário como ponto de partida, John Logan tece uma trama empolgante e fantástica que traz uma mensagem linda em suas entrelinhas. Além de ser repleto de momentos de bom humor e falar muito sobre a História do Cinema (e atestar, junto com Scorsese, sua paixão de alma e coração pelo mesmo), emociona com sua metáfora onde o mundo é uma grande máquina, e que todos tem uma função nela. Inspirador.

Quotação Memorável:Se o mundo é como uma grande máquina, então eu não poderia ser uma peça extra. Eu tinha que estar aqui por um motivo. E você também” – Hugo Cabret

Tudo pelo Poder | George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Adaptado de: Peça Farragut North, de Beau Willimon

Praticamente ignorado no Oscar deste ano, o ótimo thriller político de George Clooney teve, ao menos, seu roteiro lembrado. Escrito pelo próprio Clooney, seu parceiro Grant Heslov e Beau Willimon tece uma intrigante rede de mentiras e traições, tendo como cenário uma eleição presidencial bem contemporânea. O grande atrativo, além dos belos diálogos, é como Tudo pelo Poder é acessível para qualquer um, independente do gosto político; basta ser apreciador de uma boa história.

Quotação Memorável:Você pode mentir, pode trair, pode começar uma guerra e até falir o país, mas você não pode comer as estagiárias. Eles te pegam por isso” – Stephen Meyers

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson

Também de Steven Zaillian, aqui o roteirista faz um trabalho solo e dá uma aula de adaptação literária. Como leitor do livro original, é possível perceber o quanto Zaillian resumiu bem a trama e se deu a coragem de realizar mudanças favoráveis a fim de uma resolução dramática mais simplificada. Os diálogos são excelentes (o que se passa no porão de Martin Vanger é assustadoramente genial), assim como a intrincada construção estrutural da história e seus personagens. Zaillian está escrevendo o segundo filme, será que agora vai?

Quotação Memorável:É engraçado como o medo de ofender pode ser maior do que o medo da dor.” – Martin Vanger

APOSTA: Os Descendentes

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Homem que Mudou o Jogo

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Woody Allen | Meia-Noite em Paris

Woody Allen sai um pouco de sua zona de conforto, no caso a cidade de Nova York, e se aventura nas luzes da Paris contemporânea e dos anos 20. A viagem  valeu a pena, já que o amado cineasta recebe sua primeira indicação para Melhor Diretor desde Tiros na Broadway (em 1995). Criando planos bem abertos e sem cortes, a direção de Allen é charmosa e sem muitos maneirismos, respeitando principalmente seu próprio roteiro e as bela arquitetura da cidade.

Michel Hazanavicius | O Artista

É preciso coragem para dirigir um filme mudo e preto-branco hoje em dia. Mas parece que o cineasta francês Michel Hazanavicius não se viu tão preocupado, já que comanda O Artista com naturalidade, maestria e expira ar fresco e novo, mesmo tratando-se de uma das mais antigas formas de cinema que existem. Hazanavicius adota a estrutura, capricha nos enquadramentos (sua mise em scène é soberba) e homenageia de alma e coração os bons tempos de Hollywood. Já ganhou o Directors Guild Awards, então é favorito.

Terrence Malick | A Árvore da Vida

Tímido e bastante reservado, o diretor Terrence Malick é indicado ao Oscar novamente e promete também permanecer anônimo durante a cerimônia. Dono de um estilo invejável, sua técnica em A Árvore da Vida é maravilhosa; sua câmera gira, balança e se move junto aos personagens, como se a mesma fosse um personagem com vida própria. Não me agrada o resultado do longa, mas a direção de Malick é muito bonita.

Alexander Payne | Os Descendentes

Fora da direção de um filme desde Sideways – Entre umas e Outras, Alexander Payne retorna em boa forma com seu ótimo retrato de uma família havaiana em crise com Os Descendentes. É engraçado como Payne vai inserindo humor na trama através de seu visual, como na corrida na praia – onde Matt vai percebendo quem é o corredor que passa por ele – e também equilibrando o drama, tal como na já famosa cena da picina, e na direção de seu impecável elenco.

Martin Scorsese | A Invenção de Hugo Cabret

Trabalhando com a tecnologia 3D – e em um filme para toda a família – pela primeira vez, Martin Scorsese mostra que ainda é um dos melhores cineastas de nossos tempos. Suas tradicionais assinaturas estão aqui (o uso da neblina, névoa entre os personagens), mas ele usa a ferramenta tridimensional para proporcionar uma imersão impressionante, principalmente com seus travellings digitais e uma atenção especial à trama, que se move com ritmo e de forma bem humorada.

FICOU DE FORA: David Fincher | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Um dos melhores diretores da atualidade, David Fincher nunca trabalhou tanto o visual quanto em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mostra-se maduro e ao mesmo tempo infinitamente criativo, ousando nos planos (como na câmera que vira de ponta-cabeça) e sempre prestando atenção nos detalhes da cena (reparem em como enquadramentos mudam durante a cena do primeiro estupro e a vingaça do mesmo), sempre indo além em seu comando narrativo.

Artistas em decadência, a origem da vida, cavalos de guerra, famílias desfuncionais, empregadas lutando contra racismo, técnicos de beisebol que anseiam em mudar o jogo, inventores de cinema, escritores nostálgicos e crianças traumáticas disputam o Oscar deste ano. Os indicados são:

O Artista

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma ode muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.” Crítica

A Árvore da Vida

“De verdade, eu não gostei de A Árvore da Vida. Acho suas imagens belíssimas, direção maravilhosa e seu elenco esplêndido, mas sua narrativa complexa e quase sem coerência não foi capaz de me prender, o que tornou a experiência cansativa. Não é um filme para todos, e certamente agradará aos fãs de Terrence Malick, mas não vejo nada de espetacular que possa justificar a indicação para Melhor Filme.Crítica

Cavalo de Guerra

“Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.” Crítica

Os Descendentes

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha! Crítica

Histórias Cruzadas

Com valores de produção bons o suficiente para recriar a época em questão, Histórias Cruzadas é um bom filme que, mesmo trazendo um tema já discutido diversas vezes, vale a vista graças a seu ótimo elenco e sua boa mistura de humor/drama. Crítica

O Homem que Mudou o Jogo

O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas. Comovente e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.”
Crítica

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.” Crítica

Meia-Noite em Paris

“Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem… . Crítica

Tão Forte e Tão Perto

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria “Tão Dramático e Tão Apelativo”… Crítica

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa maduro e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster destinada ao público adulto.” Crítica

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

É isso aí, o especial vai ficando por aqui. Juntem-se a mim durante minha transmissão ao vivo do Oscar 2012 no Domingo (publicarei mais detalhes em breve). Até mais!

Anúncios

Esta semana nos cinemas… (24/02)

Posted in Esta Semana nos cinemas with tags , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Uma mulher disfarçada de homem, um advogado atormentado por espíritos malignos e um jovem nova-iorquino com traumas familiares são as principais estreias desta semana nos cinemas do Brasil.

ALBERT NOBBS

Sinopse: Uma mulher se passa por um homem para trabalhar e sobreviver na na Irlanda do século XIX. Cerca de trinta anos depois de vestir roupas masculinas, ela se encontra presa em uma prisão de sua própria criação.

Censura: 16 anos

Vontade de ver: 4/5

A MULHER DE PRETO

Sinopse: O jovem advogado Arthur Kipps precisa viajar para uma região remota da Inglaterra para cuidar dos papéis de um cliente recém-falecido. Enquanto trabalha na casa antiga e isolada, Kipps começa a descobrir seus trágicos segredos. A situação piora quando ele entende que o vilarejo é refém do fantasma de uma mulher magoada, em busca de vingança.

Censura: 14 anos

Vontade de ver: 4/5

TÃO FORTE E TÃO PERTO

Sinopse: Baseado no livro Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, o longa segue a história do pequeno Oskar. Aos 11 anos de idade, ele encontra uma misteriosa chave que pertencia a seu pai, que morreu no atentado às Torres Gêmeas no dia 11 de setembro de 2011, e embarca em uma jornada secreta pelas cinco regiões de Nova York. Enquanto vaga pela “Big Apple”, Oskar encontra pessoas de todos os tipos.

Censura: 12 anos

Vontade de ver: 4/5

Bem, essas são suas opções. Boa sessão!

Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME I: Atuações

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Quando a lista dos indicados à 84ª edição dos Academy Awards foi finalmente divulgada, foi um misto de decepção e felicidade. Mesmo satisfeito com alguns longas presentes, o sentimento agridoce foi maior devido às imensas injustiças cometidas pelo Oscar em 2012… Por isso, o especial em quatro partes recebe o título acima.

Mas enfim, nem promete ser desgraça no Oscar deste ano!  Comecemos com a primeira parte do especial com os indicados nas categorias de atuações:

Demián Bichir | Uma Vida Melhor

Personagem: Carlos Galindo

Até a indicação ao Oscar, eu não tinha nem ouvido falar de Uma Vida Melhor. O filme certamente passará longe dos cinemas brasileiros, então é difícil comentar a performance de Demián Bichi na pele do jardineiro Carlos Galindo, que luta para proteger seu filho da influência de gangues e tenta dar-lhe uma vida melhor.

George Clooney | Os Descendentes

Personagem: Matt King

George Clooney entrega uma das melhores performances de sua carreira no retrato sensível e delicado de Matt King, um pai de família que se vê metido em uma série de eventos desafortunados. Ao longo de Os Descendentes, esquecemos da imagem de galã do ator e observamos sua impressionante expressividade, em uma mistura curiosa de drama e humor.

Jean Dujardin | O Artista

Personagem: George Valentin

Muito popular na França, Jean Dujardin está no páreo para levar a estatueta de Melhor Ator. Premiado no Festival de Cannes, sua performance muda do astro George Valentin é estupenda, sustentando-se na grande expressividade facial do ator (como o constante sorrisinho) que fala no lugar de palavras. A grande felicidade de Valentin é ofuscada pela entrada do cinema falado, levando o personagem a uma tristeza de partir o coração e Dujardin é bem-sucedido ao retratar essa mudança, sem também apelar para caricaturas. Grande ator.

Gary Oldman | O Espião que Sabia Demais

Personagem: George Smiley

É díficil de acreditar que esta seja só a primeira indicação ao Oscar de Gary Oldman. Excelente ator, ele finalmente é reconhecido por seu delicado retrato do espião George Smiley. Homem de poucas palavras, usa o rosto e gestos de mãos como maior forma de expressão, alcançando um resultado sutil e bem trabalhado – escondendo suas emoções na maior parte do longa, o que torna Smiley um personagem típico do labiríntico mundo da espionagem.

Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Billy Beane

Mostrando-se cada vez mais talentoso e sedento por variados papeis, Brad Pitt beira a perfeição no retrato do técnico de beisebol Billy Beane. Nunca apelando para o caricato ou exagerando nos momentos dramáticos, impressiona por sempre estar com aparente bom humor e confiança (a mordida nos lábios, usado adotado pelo ator constantemente, serve quase como identidade do personagem), ganhando admiração do público. É uma das três melhores performances de Pitt.

FICOU DE FORA: Ryan Gosling | Tudo pelo Poder ou Drive

Personagem: Stephen Morris/Motorista

Ryan Gosling vem ganhando cada vez mais destaque em Hollywood. Com dois ótimos papéis dramáticos (além de sua divertida participação em Amor a Toda Prova), ele surpreende com o acessor político Stephen em Tudo pelo Poder – especialmente no lado sombrio do personagem, que transforma-se ao longo da projeção – e com o Motorista de Drive, uma performance bem mais silenciosa e concentrada. Gosling poderia ter sido indicado por qualquer um desses dois filmes.

APOSTA: Jean Dujardin

QUEM PODE VIRAR O JOGO: George Clooney

Glenn Close | Albert Nobbs

Personagem: Albert Nobbs

O papel de Glenn Close como o personagem-título é realmente desafiador, considerando que a atriz interpreta uma mulher que se passa por homem. Close acerta na timidez do personagem, em seus gestos peculiares e na voz leve e fraca.

Viola Davis | Histórias Cruzadas

Personagem: Aibileen Clark

Depois de ter sido indicada por sua pequena (mas devastadora) participação em Dúvida, Viola Davis mostra todo o seu talento como a empregada doméstica Aibileen. A personagem fala e age de forma contida durante grande parte da projeção, demonstrando timidez e medo em sua voz, enquanto trata a filha de sua patroa com um ar maternal irresistível e age de forma mais descontraída com as colegas Miny e Skeeter. Suas cenas finais são explosivas, onde Davis surpreende com sua feroz expressividade. Merece.

Rooney Mara | Millennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Personagem: Lisbeth Salander

Rooney Mara é o rosto de uma das mais fascinantes personagens a surgir nos últimos anos. Mesmo já tendo sido bem representada por Noomi Rapace, Mara toma Lisbeth Salander para si e mergulha na mente da personagem, adotando seu físico e seu psicológico em uma performance inesquecível. Com pesado sotaque sueco e um olhar penetrante em todas as cenas em que aparece, a atriz faz de Salander uma personagem marcante e enigmática. Difícil comentar, só vendo pra entender.

Meryl Streep | A Dama de Ferro

Ainda não assisti ADama de Ferro (e pra ser sincero, não assistiria se não estivesse indicado ao Oscar), mas não é de se admirar que Meryl Streep esteja indicada por seu retrato de Margaret Thatcher. Fisicamente não há o que reclamar (o pessoal da maquiagem também merece aplausos), e pelo que tenho visto nos trailers e clipes do filme, Streep arranca mais uma performance impecável e adota os trajetos da 1ª Ministra Britânica com perfeição. Claro que ainda vou assistir o filme…

Personagem: Margaret Thatcher

Michelle Williams | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Marilyn Monroe

Infelizmente, a Imagem Filmes ferrou sua programação de estreias e Sete Dias com Marilyn ficou apenas para 23 de Março (uma pena, porque eu estou MUITO ansioso para ver Michelle Williams em ação). Quando o filme estrear, faço uma atualização aqui.

FICOU DE FORA: Kirsten Dunst | Melancolia

Personagem: Justine

Não é nenhuma surpresa ver Kirsten Dunst fora do Oscar por sua excelente performance em Melancolia. Isso porque seu nome praticamente isentou-se muitas outras premiações (com excessão do Festival de Cannes, onde ela levou o prêmio de Melhor Atriz) e também porque o diretor Lars Von Trier não é muito querido pela Academia… Uma pena, já que Dunst deixa de lado seu lado cômico e abraça a depressão e tristeza de Justine, em um trabalho memorável.

APOSTA: Viola Davis

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Meryl Streep

Kenneth Branagh | Sete Dias com Marilyn

Personagem: Laurence Olivier

Já sabe né? Sete Dias com Marilyn só estreia no dia 23 de Março.

Jonah Hill | O Homem que Mudou o Jogo

Personagem: Peter Brandt

É muito legal ver Jonah Hill indicado. Em seu primeiro papel voltado para o drama, vemos que o ator tem o carisma necessário para o gênero, e fez de Peter Brandt um personagem real e sem estereótipos (considerando que Brandt é um analista de sistemas, seria muito fácil apelar para o tipo “nerd”, mas Hill vai além ao representar como este vai se interessando pelo espírito do beisebol). Já é hora de Hill deixar de ficar conhecido apenas como “o gordinho do Superbad“.

Nick Nolte | Guerreiro

Personagem: Paddy Conlon

Há 13 anos sem ser indicado (a anterior fora por Temporada de Caça, em 1999), Nick Nolte é lembrado pela Academia como o técnico de MMA Paddy Conlon, treinador e pai dos dois protagonistas do filme. Ainda não assisti Guerreiro (ele atualmente encontra-se disponível em algumas locadoras), mas pretendo para ver se Nolte merece os elogios que tem recebido.

Christopher Plummer | Toda Forma de Amor

Personagem: Hal Fields

Christopher Plummer já é ator a meio século e, curiosamente, só agora parece estar tendo destaque durante a temporada de prêmios. Favorito disparado (ganhou Globo de Ouro e SAG), o veterano ator abraça com firmeza o viúvo que decide sair do armário em plena meia-idade, divertindo com seus acessos de felicidade e na honestidade do personagem, sem apelar para o caricato do “gayzaço”. É fato que Hal aparece muito pouco em Toda Forma de Amor, mas é um dos pontos altos do longa.

Max von Sydow | Tão Forte e Tão Perto

Personagem: O Inquilino

O veterano Max von Sydow fatura a segunda indicação ao Oscar de sua carreira (a anterior, por Pelle, O Conquistador em 1987) como o misterioso Inquilino de Tão Forte e Tão Perto. Após assistir ao filme, o personagem é o que mais permanece na memória e de longe o melhor atrativo do longa de Stephen Daldry, isso graças ao ótimo trabalho do ator, que permanece mudo em todas as suas cenas e expressa-se através de anotações.

FICOU DE FORA: Stellan Skarsgard | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Personagem: Martin Vanger

Sempre um coadjuvante de luxo, o sueco Stellan Skarsgard faz de Martin Vanger um personagem absolutamente inesquecível na versão de David Fincher para Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Se você assistiu ao filme, sabe sobre o lado mais “peculiar” do personagem, que o ator captura com perfeição e delicadeza, demonstrando a paciência, calma e até ironia do irmão da desaparecida da história. Genial.

APOSTA: Christopher Plummer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Max von Sydow

Bérénice Bejo | O Artista

Personagem: Peppy Miller

Estou apaixonado por Bérénice Bejo. Com seu sorriso e andar graciosos, a atriz argentina faz de Peppy Miller uma personagem adorável, fazendo uso de todo seu carisma e expressões faciais (da mesma forma que seu colega de cena, Jean Dujardin). E Bejo também sofre uma transformação similar à do personagem de Dujardin, só que ela torna-se mais bem-sucedida e, mesmo assim, nunca deixa sua inocência e bondade de lado. A melhor entre as indicadas (isso porque a atriz não merece ser indicada como coadjuvante, e sim protagonista).

Jessica Chastain | Histórias Cruzadas

Personagem: Celia Foote

2011 também foi muito agitado para Jessica Chastain. A atriz começa a ganhar espaço no circuito, tendo estrelado um total de seis filmes (um mais diferente do outro) e foi lembrada aqui por sua sorridente Celia Foote em Histórias Cruzadas. Praticamente a”gêmea do bem” de Bryce Dallas Howard – considerando a semelhança física das duas – Chastain faz de Foote uma mulher adorável e fofa, conseguindo mostrar a euforia (que às vezes é até exagerada e bobinha) e carinho de sua personagem através de uma voz dócil e leve, que ainda conta com o bem trabalhado sotaque sulista.

Melissa McCarthy | Missão Madrinha de Casamento

Personagem: Megan

É muito legal ver a Academia prestigiando atuações cômicas. Desde a indicação de Robert Downey Jr. por seu brilhante trabalho em Trovão Tropical não víamos algo do gênero, até que Melissa McCarthy tem sua Megan lembrada pelos votantes, o que é justo se considerarmos o quanto ela contibue para que Missão Madrinha de Casamento arranque algumas risadas. Durona, cara-de-pau, mas também uma ótima conselheira, a atriz diverte na personagem e se destaca no filme.

Janet McTeer | Albert Nobbs

Personagem: Hubert Page

Uma das melhores entre as indicadas, Janet McTeer consegue roubar Albert Nobbs em todas as cenas em que aparece, conseguindo até ofuscar Glenn Close. Seu Hubert Page também uma mulher travestida de homem, mas McTeer se sai melhor ao fornecer uma aura mais “macho” para a personagem, destacando seu ótimo sotaque irlandês.

Octavia Spencer | Histórias Cruzadas

Personagem: Minny Jackson

Octavia Spencer é favorita disparada na categoria (levou o Globo de Ouro e o SAG, e continua avançando de forma similar à Christpher Plummer). A atriz faz de Minny uma espécie de alívio cômico da trama, preenchendo-a de maneirismos físicos e com uma voz sempre alarmante com o sotaque sulista afiado. Tudo bem que ela soa meio caricata em alguns momentos (principalmente nos chiliques), mas é impossível não gostar dela. Não é melhor do que Bejo, mas não é ruim ver a estatueta em suas mãos.

FICOU DE FORA: Chloe Grace Moretz | A Invenção de Hugo Cabret

Personagem: Isabelle

A sempre ótima Chloe Grace Moretz continua surpreendendo. Em seu papel mais “inocente”, ela interpreta a jovem Isabelle, que ajuda o protagonista Hugo Cabret em sua busca por respostas. Com um delicioso sotaque britânico (um desafio para a atriz, já que ela é americana) e um espírito aventureiro bem evidente, Moretz está excelente.

APOSTA: Octavia Spencer

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Bérénice Bejo (ou pelo menos merecia)

É só isso por hoje. Fiquem ligados que as restantes categorias aparecerão ainda essa semana, antes do Oscar.