Arquivo para Tecnologia

| Ex Machina: Instinto Artificial | Crítica

Posted in Críticas de 2015, Drama, Ficção Científica, Home Video with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de agosto de 2015 by Lucas Nascimento

4.5

ExMachina
Alicia Vikander estreia como a hipnotizante Eva

Escrevi em meu texto sobre Ela que as relações humanas vêm se transformando com o advento da tecnologia, seja no desenvolvimento de recursos quanto ao convívio do Homem em sociedade. O cinema de ficção científica vinha prevendo diversos tipos de distopias e utopias, e a inteligência artificial sempre esteve ligada a uma imagem mais antagonista, certamente um fruto da paranóia da Guerra Fria dos anos 50 ou a antecipação pelo Bug do Milênio no ano 2000. Mas numa época em que smartphones se transformaram nos nossos melhores amigos, o Cinema tem brincado com a ideia de uma relação afetiva entre Homem e máquina, notavelmente no romântico filme de Spike Jonze e agora no excelente Ex Machina: Instinto Artificial, imperdível sci-fi lançado diretamente para DVD.

A trama começa quando o programador Caleb (Domhnall Gleeson) é selecionado para trabalhar num projeto especial de sua empresa. Movido para a reclusa e luxuosa moradia do CEO Nathan (Oscar Isaac), Caleb descobre que seu chefe criou uma avançada forma de inteligência artificial: a andróide Eva (Alicia Vikander). Ali, o jovem deverá testar a capacidade da máquina de se passar por um humano (como no Teste de Turing) sendo lançado num perigoso jogo de duplas intenções.

Este é o filme de estreia do diretor Alex Garland, que já havia cuidado de roteiros como O ExtermínioSunshineNão Me Abandone JamaisDredd, além de também ser o responsável pelo texto original de Ex Machina. E é admirável ver uma ficção científica tão desafiadora em sua temática. As sessões entre Caleb e Eva são fascinantes de se observar, graças à habilidade de Eva de demonstrar ideias e pensamentos tão complexos para uma máquina, e vê-la subvertendo os papéis com o programador humano é instigante. A revelação de que Eva tem instalada em si uma certa sexualidade é o aspecto mais interessante (“Como um mágico que usa uma assistente gostosa para distrair o público?”, questiona Caleb para Nathan), e o que move a relação entre Caleb e a máquina para algo mais complexo. Se Ela era de fato um romance que abusava do lirismo para ilustrar o afeto do homem pela máquina, Ex Machina é ficção científica na veia, sendo muito mais eficiente na forma com que lida com o tema.

Garland cria imagens altamente memoráveis aqui, especialmente ao fazer robôs sensuais sem parecer que estamos assistindo a uma paródia pornô. A novata atriz sueca Alicia Vikander domina cada minuto de cena, não só por sua hipnotizante performance que traz os sutis indícios de humanidade, mas também pela construção de seu corpo; cuja mistura de materiais e ausência de membros indica uma criação ainda incompleta. O design de produção também acerta na criação da casa de Nathan, dominada pelo cinza e por uma arquitetura que parece sugerir mais um laboratório ilegal ou uma prisão experimental, literalmente confinando o confuso Caleb em suas paredes de vidro.

Outro grande destaque fica com Oscar Isaac, que vem rapidamente se mostrando como um dos atores mais talentosos da atualidade. Quando pensamos em um ricaço cientista inventor de robôs inteligentes, não é a imagem de um barbudo atlético e de fala jovinal como o Nathan de Isaac, que em sua primeira aparição já surge praticando boxe, revelando que o exercício físico é tão importante quanto o mental para Nathan. Seu alcoolismo também é lidado de forma sutil, como seu silêncio confuso quando Caleb pergunta “como teria sido a festa”, a fim de justificar a ressaca que tenta curar – além de ser um importante detalhe que servirá para uma das reviravoltas.

Ex Machina: Instinto Artificial é uma inteligente e questionadora ficção científica, capaz de iniciar um instigante debate sobre a evolução da inteligência artificial e sua relação com o Homem. Um baita começo para Alex Garland, que desde já mostra-se uma aposta promissora.

| Chef | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

Chef

Gosto de pensar que Jon Favreau tenha elaborado a ideia de Chef em uma noite árdua e sombria, enquanto lia as críticas negativas de seu fracasso Cowboys & Aliens, se entupia de comida e ouvia um bom som cubano ao fundo. A mistura inusitada é traduzida nesta divertida comédia, e funciona.

A trama é centrada em Carl Casper (Favreau), um talentoso chef de cozinha que trabalha em um restaurante familiar. Após ser massacrado por um notório crítico gastronômico (Oliver Platt), Carl viaja com o filho (Emjay Anthony) e a ex-esposa (Sofia Vergara) para Miami, onde tem a ideia de montar um food truck, um transporte de comida cubana que vai ganhando fama ao viajar pelo país.

Jon Favreau tem 6 filmes como diretor no currículo: Crime Desorganizado, Um Duende em Nova York, Zathura – Uma Aventura Espacial, Cowboys & Aliens e os dois primeiros Homem de Ferro. Enquanto todas as produções citadas tinham lá seu charme e qualidade, Chef surge como um longa muito pessoal, onde pela primeira vez sente-se mais a mão de Favreau; afinal, é seu primeiro filme que não entra na categoria blockbuster, o que só me faz suspeitar que a situação descrita no primeiro parágrafo não seja tão fantasiosa. Também responsável pelo roteiro, Favreau utiliza um bom tempo para discutir o papel da crítica especializada (e sendo ambientada no mundo gastronômico, impossível não remeter ao Ego de Ratatouille), que rende um irritado monólogo onde Carl grita com o crítico. Novamente, é como se o próprio Favreau estivesse atacando o Rotten Tomatoes.

Por outro lado, Favreau é capaz de criar um personagem multifacetado que é bem diferente de seu tipo habitual. Desde as tatuagens em seus braços que sugerem o amor à profissão (uma delas é uma faca de cozinha), até o revelador momento em que faz questão de interromper seu trabalho ininterrupto no food truck para ensinar a seu filho os princípios do negócio que tanto ama (“Posso não ser o melhor cara, nem o melhor pai… Mas isso eu sei fazer”). Ao seu lado, Favreau traz um elenco invejável: a linda Sofia Vergara está encantadora como a idealização da ex-mulher perfeita, John Leguizamo diverte como o leal subchefe de Carl e Oliver Platt faz de seu crítico mais do que um mero antagonista estereótipo. E a experiência do diretor com Homem de Ferro garante pequenas participações de Scarlett Johansson (que traz uma cena muito interessante onde a comida é simbolicamente uma experiência sexual) e o sempre carismático Robert Downey Jr. Sem falar no Dustin Hoffman, que também tem lá seus 15 minutos.

Um elemento que o filme acerta como poucos já fizeram até hoje é o contexto tecnológico. As redes sociais como Facebook, Instagram e especialmente o Twitter são peças-chave da trama, servindo até como ferramenta para avançar a trama (como o reply malcriado que Carl envia para o crítico, sem saber que é uma publicação pública). Visualmente, Favreau opta por preencher a tela com mensagens flutuantes e até passarinhos , resultando em uma experiência mais dinâmica e verossímil em 2014; ao contrário do que faz o péssimo Os Estagiários, que só consegue basear suas “piadas” na incapacidade de adultos de entenderem o funcionamento de uma rede social.

Chef é um filme divertido e leve, propagando de forma muito pessoal e alegre sua mensagem otimista, ainda que ora ou outra seja ingênuo demais. Vale a visita, mas não cometa o erro masoquista de entrar na sessão de estômago vazio.

| Ela | E assim caminha a Humanidade?

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , on 9 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

Her
Joaquin Phoenix apaixonado por Ela

Constantemente encontro-me assustado com o nível de dependência humana em aparelhos tecnológicos. Seja através de smartphones, Facebooks e WhatsApps, grande parcela da população mantém relações intensas com estes (e eu, infelizmente, não posso ser hipócrita ao me excluir desse vasto grupo), elementos que certamente alteraram o futuro da Humanidade. O que nos leva à Ela, novo filme de Spike Jonze que explora com maestria as relações humanas em uma sociedade distópica não muito distante.

A trama é ambientada num futuro próximo, onde encontramos o solitário Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor de cartas lidando com o divórcio com sua amada (Rooney Mara), que acaba de adquirir um revolucionário sistema operacional com consciência inteligente (voz de Scarlett Johansson). À medida em que a relação dos dois cresce, Theodore encontra-se apaixonado pelo sistema do computador, e lida com as consequências de seus sentimentos.

Mesmo que eu tenha puxado a discussão a respeito dos excessos tecnológicos no primeiro parágrafo, este é um mero pretexto para que Spike Jonze se concentre em um tema mais abrangente e complexo: o Amor. Também roteirista do projeto, Jonze já merece créditos por tecer uma premissa absolutamente genial e que, por si só, já é suficiente para despertar uma série de discussões sociológicas e humanas. Nessa Los Angeles futurista – que é magistralmente criada a partir de um design de produção sutil e moderno o suficiente para não parecer tão avançado, mas também não tão atual – companhias são contratadas para escreverem cartas pessoais para outras pessoas, a internet está constantemente em nossos bolsos e ouvidos e a população atingiu um crescimento assombroso. Não parece um futuro tão implausível, não é?

Entra o adorável sistema operacional Samantha. Uma criação humana tão complexa e avançada que esta seria capaz de sentir sentimentos, do amor até o ciúmes. Como seria possível uma relação consensual entre um ser humano e um computador? Se até mesmo uma relação entre duas pessoas do mesmo sexo é furiosamente condenada pelo senso comum, o que dirá sobre aquela com uma máquina? Insanidade? Diz em certo momento a amiga de Theodore, Amy (vivida por uma ótima Amy Adams) que qualquer um apaixonado estaria louco, que “o amor é uma forma de insanidade socialmente aceita”. O que nos fica claro em Ela, é que o sentimento pode ser real e puro, independente do parceiro: o próprio Theodore transforma-se e sai rodopiando de felicidade pelas ruas à medida em que vai se aproximando à Samantha – em uma das mais diferentes e honestas performances de Joaquin Phoenix.

Em um de seus momentos mais inspirados, Samantha demonstra a necessidade do contato físico com Theodore, o que leva a uma estranha e absolutamente criativa experiência com um “avatar” (vivido por Portia Doubleday, do novo Carrie). Uma ideia fascinante, já que, se um humano é capaz de ter uma representação virtual na internet, por que não um computador no mundo real? E diversos momentos de Ela nos fazem excluir a ideia de uma representação física: quando um colega de trabalho convida Theodore para um double date, este pede para que leve sua namorada Samantha. “Ela é um sistema operacional”, retruca o protagonista. E mais belo do que a reação completamente sem preconceitos do colega (soa como se Theodore tivesse simplesmente dito que Samantha era uma professora, advogada, ou coisa do tipo), é o tal encontro, onde fica evidente que o sistema operacional é, de fato, real.

Durante suas duas horas de duração, Ela traz conceitos fascinantes e o poder de despertar as mais variadas discussões envoltas em sua narrativa. Seja na presença onipresente de tecnologia ou em sua abordagem moderna e inovadora sobre o Amor, o filme de Spike Jonze é uma obra importante, pontualmente divertida e sensível, que merece múltiplas visitas e análises mais profundas do que uma mera crítica cinematográfica.

Obs: Esta crítica foi escrita após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 8 de Fevereiro.

Análise Blu-ray | STAR WARS – A SAGA COMPLETA

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de setembro de 2011 by Lucas Nascimento

Primeiro, vamos esclarecer uma coisa: Star Wars – A Saga Completa tem extras pra caramba. Por esse motivo, não vou fornecer uma análise detalhada sobre cada um deles e sim de um modo mais geral. Enfim, vamos lá:

A Saga

Não há dúvidas. Star Wars é a maior saga de todos os tempos, uma das histórias mais bem contadas no cinema. Composta por duas trilogias, ela conta a ascenção e queda de Anakin Skywalker; escolhido para trazer equilíbrio à energia conhecida como Força, ele sucumbe à escuridão e transforma-se no temível Darth Vader. Todos os seis filmes contam com efeitos visuais espetaculares, diversão inigualável e uma inesquecível trilha sonora assinada pelo genial John Williams; abaixo, meu ranking pessoal:

  1. Episódio V – O Império Contra-Ataca – 5/5
  2. Episódio III – A Vingança dos Sith – 5/5
  3. Episódio IV – Uma Nova Esperança – 5/5
  4. Episódio VI – O Retorno de Jedi – 4/5
  5. Episódio II – O Ataque dos Clones – 4/5
  6. Episódio I – A Ameaça Fantasma – 3/5

Discos 1-6

Obviamente, nos primeiros seis discos temos os filmes da saga convertidos em um HD impressionante (a imagem é realmente espetacular, até mesmo na trilogia original) e som 6.1 épico. De extras, nós encontramos:

Comentários em Áudio

Para cada um dos filmes, há disponível duas faixas de comentários em áudio, dentre as quais incluem ótimos depoimentos de George Lucas – que comenta o processo, dificuldades, detalhes sobre os personagens, cenas específicas e praticamente tudo o que você sempre quis saber sobre a saga -, a equipe e alguns arquivos do elenco. Impecável.

Disco Bônus 1 e 2

Ambos os discos contam com a mesma organização de extras (que é ótima, por sinal), alterando apenas seu conteúdo, de acordo com os filmes e planetas da mitologia selecionados. Para os episódios I-VI temos:

Cenas e Excluídas e Estendidas

Aqui, revelo um pouco de decepção. Considerando que este é um mega-lançamento em blu-ray de todos os filmes da saga, eu esperava um tratamento mais decente na exibição de cenas que ou ficaram de fora ou apresentam versões alternativas/estendidas, além de animáticos de pré-visualização. Certamente que é difícil lidar com material antigo (e tudo que temos da trilogia original é satisfatório), mas não há desculpa para o serviço fraco nas cenas inéditas da nova trilogia.

Entrevistas

Cada um dos filmes apresenta diferentes entrevistas com determinados membros da produção (incluem George Lucas, diretores, atores e técnicos de efeitos especiais) sobre as variadas etapas da produção. Há, por exemplo, o diretor Irvin Keshner (de O Império Contra-Ataca) comentando sobre o elenco principal, George Lucas preparando-se para escrever o Episódio I, entre várias outras imperdíveis curiosidades.

A Coleção

O mais interessante dos discos, aqui temos – por exemplo – um objeto ou personagem. Você pode analisar seus mínimos detalhes em uma projeção em 360º e assistir a comentários da equipe sobre o desenvolvimento de tal objeto/personagem. Por exemplo, você pode escolher a armadura de Jango Fett (do Episódio II) e analisar suas características enquanto assiste à equipe de figurino e design falando sobre o visual do personagem, comentários de George Lucas, etc. É simplesmente do caralho!

Galeria de Artes Conceituais

Complementando a experiência dos bastidores, os discos apresentam vastas galerias de artes conceituais sobre os inúmeros planetas, armas e criaturas que populam o universo de Star Wars. Ilustrações caprichadas e com alguns detalhes em texto sobre cada um deles.

Disco Bônus 3

O Making of de Star Wars

Os dróides C-3P0 e R2-D2 apresentam um antigo making of de Uma Nova Esperança. Com quase 1 hora de duração, o documentário acompanha todo o processo de criação – com ênfase nas inspirações de George Lucas – e filmagem do longa (que mostram a construção dos grandiosos cenários e as complexas maquetes em miniatura), a inserção dos espertos efeitos especiais (principalmente o cenário de vidro em uma cena envolvendo Obi-Wan) e depoimentos do elenco sobre a história e como foi a experiência. Pra ansiar, o extra termina com os produtores divagando sobre como as continuações deveriam ser. Sensacional.

O Império Contra-Ataca: Efeitos Especiais

Similar ao anterior – antigo, certamente lançado na época de Império – esse foca-se em um tema presente em todos os filmes da saga: os efeitos especiais. Mark Hamill apresenta o documentário que explora praticamente toda a história dos efeitos especiais no cinema (passando por stop-motion e técnicas do tipo) e como ela foi aplicada no segundo filme da trilogia original; apresentando um olhar detalhado em determinadas sequências. Pode-se ver também alguns depoimentos de Ben Burtt, responsável pelos revolucionários efeitos sonoros da franquia. Ótimo ritmo, sempre interessante e nunca cansativo.

Criaturas Clássicas: O Retorno de Jedi

No mesmo esquema dos anteriores, acompanhamos o processo de criação das criaturas vistas em O Retorno de Jedi. Carrie Fisher e Billy Dee Williams apresentam o documentário. Vemos todo o desenvolvimento de cada um dos monstros e alienígenas, não só da saga mas também damos uma breve passada pelas técnicas utilizadas por toda a história do cinema. Destaque para as técnicas de marionete e mecânica usadas nos movimentos de Jabba, o Hut e o sempre brilhante stop motion nas miniaturas.

Anatomia de um Dewback

Aqui, observamos a remasterização da cena em que os soldados imperiais vasculham o deserto em Uma Nova Esperança. Visando melhorar a cena para a edição especial da trilogia em 1997, a ambição de George Lucas deu muito trabalho aos técnicos de efeitos visuais, que precisou encontrar o rolo de filme correto (em um vasto depósito de material), propocionar regravações da cena e aperfeiçoá-la com efeitos digitais. Trabalhoso, mas com resultado eficiente.

Guerreiros Estelares

Voltado à legião de fãs de Star Wars, o grande foco aqui é a organização e preparação de um desfile de personagens do filme (a maioria soldados imperiais e clones) em um evento. É interessante e tem bons momentos.

A Tecnologia de Star Wars

Adoro esse tipo de documentário. Aqui, entrevistas com físicos, mecânicos e todo o pessoal especializado nas áreas científicas discutem como funcionam as variadas tecnologias do universo Star Wars – passando por naves espaciais, sabres de luz, robôs e a roupa mecânica de Darth Vader – e o quão perto está a humanidade de alcançá-las. Claro que algumas são bem improváveis, mas outras estão bem pertas de acontecerem.

Uma Conversa com os Mestres: O Império Contra-Ataca 30 Anos Depois

Como o título já sugere, acompanhamos aqui uma conversa empolgante sobre O Império Contra-Ataca, considerado por muitos o melhor filme da hexalogia. George Lucas, o diretor Irvin Kershner, o co-roteirista Lawrence Kasdan e o mago compositor John Williams comentam sobre alguns dos pontos mais importantes do filme, como a complicada composição do Mestre Yoda, a música tema de Darth Vader que viria a tornar-se uma lenda e a antológica reviravolta sobre a paternidade de Luke Skywalker. Magistral!

Sátiras de Star Wars

O disco apresenta 1h37min de clipes de diversas paródias de Star Wars, vindo de seriados de tv, programas humorísticos e séries de animação. Algumas são bem divertidas (principalmente as de That’ 70s Show e Family Guy) e outras não têm a menor graça (como aqueles comerciais temáticos), mas vale pra mostrar o grande impacto da saga nas mídias gerais.

Nota Geral:

O blu-ray da Saga completa de Star Wars é um dos melhores já lançados. Os filmes estão em qualidade impressionante (apesar de sofrerem algumas alterações desnecessárias) e o material extra é imenso, com dezenas de horas para fortalecer seu conhecimento sobre a maior saga do cinema. Obrigatório.

Preço: R$ 299,90

Batalha pelo Oscar 2011 | Parte II | Categorias Técnicas

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento

E chegamos à parte II do especial sobre o Oscar! Aqui, daremos uma olhada nas sempre interessantes categorias técnicas, sem as quais o filme não seria o mesmo. Vamos lá:

Ajudando a transformar a visão do diretor em realidade, o diretor de fotografia possui um dos mais importantes cargos, analisando luzes, cores, sombras, mise en scène, entre muitos outros… Os indicados são:

A Origem | Wally Pfister

Mais uma vez trabalhando com Christopher Nolan e mais uma vez sendo indicado ao Oscar, Wally Pfister se supera na composição visual do complexo mundo de A Origem. Vale destacar o uso de reflexos e espelhos, que ajudam a simbolizar a constante discussão de sonho e realidade e como a paleta de cores alterna em cada estágio da missão: frios, quentes, pasteis, sombrios, claros…

A Rede Social | Jeff Cronenweth

Mais um exemplo de mistura de tons, só que dessa vez eles se misturam em uma única tomada, como na foto acima, que mistura cores fortes e coloridas em um ambiente quente, em um mise en scène fabuloso que utiliza-se de diversos computadores espalhados pelo cenário e usuários praticamente hipnotizados; simbolizando uma boa amostra sobre o uso excessivo da tecnologia. Sendo Fincher na direção, o filme tem uma aparência de gênero policial…

Bravura Indômita | Roger Deakins 

Grande Deakins, fotógrafo habitual dos irmãos Coen, mais uma vez marca presença nas indicações ao transpor às telas o bem-humorado faroeste de vingança. Deakins apresenta uma paisagem mais bela do que a outra, retratando aquele período com tons pasteis nas cenas diurnas e sombras elegantes nas noturnas, contribuindo para a construção emocional – especialmente no clímax – e visual.

Cisne Negro | Matthew Libatique

A base é praticamente uma só: o constraste entre luz e sombras. A fotografia traduz de forma eficaz essa dualidade, apresentando um tom predominantemente frio e sombrio. Destaco (mais uma vez), os planos em que é possível acompanhar a ação de um personagem e a reação de outro, graças ao espelho.

O Discurso do Rei | Danny Cohen

Não possui muita relevância nas cores ou nas luzes, mas contribue narrativamente na visão do protagonista. Sempre nos cantos da tela, sua falta de orientação muitas vezes é simbolizada pela neblina (nesses casos, temos uma bela fotografia) e os mise en scènes que em diversos momentos, mostram a fraqueza de Bertie perto dos outros personagens.

Ficou de fora: Deixe-me Entrar | Greig Fraser

Predominantemente sombria, as noites geladas do Novo México são capturadas com perfeição e beleza pelo. Tons quentes, posicionamentos estilosos e uma cena de capotagem inesquecível deveriam ter sido lembrados.

APOSTA: Bravura Indômita

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Origem

Para povoar a história de personagens e situações, cenários – sejam digitais ou construídos – são essenciais, assim como a equipe que os desenha/projeta antes de construí-los. Os indicados são:

Alice no País das Maravilhas | Robert Stromberg e Karen O’Hara

Mesmo achando Alice um filme lindo e repleto de cenários maravilhosos, a Academia já premiou Avatar ano passado e dar o prêmio para o novo de Tim Burton sairia repetitivo (como têm acontecido categoria de Figurinos). Ainda assim, são paisagens dinâmicas e psicodélicas.

A Origem | Guy Hendrix Dyas, Larry Dias e Douglas A. Mowat

Predominantemente contemporâneos, os magníficos cenários de A Origem chamam a atenção por sua aparente normalidade, mas logo percebe-se a estranheza de locações (como os paradoxos da escada de penrose) e o esplêndido trabalho de arquitetura, quase sempre oferecendo lugares luxuosos e sofisticados. E, claro, todos eles (menos o surreal Limbo) foram construídos de verdade. Clique aqui para mais cenários.

Bravura Indômita | Jess Gonchor e Nancy Haigh

Recriar o Velho Oeste nunca é fácil (se errado, o filme pode se tornar um desastre), mas a equipe de Bravura Indômita faz um trabalho autêntico. A pequena cidade em que se passa grande parte da trama é quase palpável devido a tamanha atenção aos detalhes, mas também como os diretores fazem bom uso dela, sempre mostrando-a de diversos ângulos. As demais paisagens, são excelentes e ganham atenção especial pela fotografia de Roger Deakins.

O Discurso do Rei | Eve Stewart e Judy Farr

A Inglaterra do Século XVIII é bem recriada aqui, acertando nos objetos de cena – como telefones e pratarias – e nos luxuosos cômodos do Rei George VI. No entanto, a produção poderia ter feito uso melhor deles, considerando que muitas cenas se passam no consultório de Lionel (bem simples) e os verdadeiros cenários luxuosos que caracterizam a monarquia aparecem pouco.

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1Stuart Craig e Stephenie McMillan

É bom ver a saga de Harry Potter ganhando reconhecimento por seus grandiosos cenários. No design do penúltimo filme, destaca-se o Ministério da Magia, presente desde o quinto filme (mas esnobado na categoria), apresentando um visual dark, meio de época e gótico. Os outros cenários também são caprichados.

Ficou de Fora: Ilha do Medo

Com imensos valores técnicos, o suspense de Scorsese destaca-se por – além de muitos outros fatores, obviamente – seus caprichados cenários e paisagens, de época, mas com um leve toque sinistro; quase gótico, alguns chegando a ser labirínticos (com a Ala C). A computação gráfica ajuda sutilmente, a criar ambientes memoráveis.

APOSTA: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Discurso do Rei

Se há um departamento que é essencial – e também um dos meus preferidos – é a montagem. É preciso habilidade para montar o filme, lhe fornecer o ritmo e tom apropriado e, claro, eliminar cenas desnecessárias. Os indicados são:

127 Horas | John Harris

Tiremos o elefante da sala: 127 Horas roubou a indicação de A Origem. Deixando a polêmica de lado, a edição do longa de Danny Boyle é trabalhosa por focar-se em um único personagem ao longo de quase todo o filme. Ágil e dinâmica, é um trabalho que brinca com as possibilidades e desejos de Aron, exibindo flashbacks e telas divididas.

A Rede Social | Kirk Baxter e Angus Wall

Elegante e rápida, a edição de A Rede Social preserva os extensos diálogos entre os personagens, ao fazer um belo uso de ação e reação. Mas o destaque é por, constantemente, apresentar flashbacks e flashfowards, que mostram a criação do Facebook ao mesmo tempo em que seu fundador é processado em 2 processos legais – característica do roteiro, que fica ainda melhor nas telas.

Cisne Negro | Andrew Weisblumg

A montagem aqui é usada relativamente pouco. Não entenda mal, o longa é eficaz em sua edição, mas o diretor preserva algo que eu gosto muito: planos-sequência, tomadas longas sem cortes. Quanto a edição, vale destacar a cena da balada ao efeito de ecstasy, que torna-se quase assustadora, além de conter frames de pouquíssimos segundos do Cisne Negro e outras “surpresas”.

O Discurso do Rei | Tariq Anwar

Muito comum, a montagem oferece alguns momentos de verdadeira maestria. Os melhores, aqueles em que várias cenas são intercaladas, como a sequência de treinamento de fala (o uso do sofá como mudança de cena é magnífico) que mescla-se com os primeiros discursos do protagonista.

O Vencedor |  Pamela Martin

A montagem aqui é bem simples, mas as cenas de luta ganham destaque por serem editadas como um programa de TV, dando uma sensação de realismo e imersão à cena maior. A Academia adora esse tipo de trabalho – vide Rocky e Touro Indomável -, mas acho um bom trabalho e só.

Ficou de Fora: A Origem | Lee Smith

Impressionante como a edição de A Origem foi esquecida. Lee Smith teve trabalho ao juntar todas as linhas narrativas – que incluem 4 níveis de sonhos simultâneos – e dar-lhes ritmo, nunca tornando o longa cansativo. Talvez seja muito complexo para a Academia…

APOSTA: A Rede Social

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Discurso do Rei

A menos que seja um filme pornô, os atores precisam de roupas; que variam de época, tamanho e estilo, adequando-se à sua narrativa e ao personagem. Os indicados são:

Alice no País das Maravilhas | Colleen Atwood

Mesclando o universo fantasioso de Lewis Carrol com a visão maluca de Tim Burton, Atwood desenvolve figurinos espetaculares que, não só são lindos, mas também obedecem a uma estética específica, como por exemplo o vestido que Alice usa quando vai alternando seu tamanho.

Bravura Indômita | Mary Zophres

Aqui temos figurinos de velho oeste autênticos (vide a piada de De Volta para o Futuro 3) e caprichados. A maioria casacos escuros e pesados, mas também belos vestidos da época, um berrante uniforme Texas Ranger usado por Matt Damon e um estúpidamente divertido traje de urso. Um ótimo trabalho.

O Discurso do Rei | Jenny Beavan

Figurinos de realeza! Sempre conquistam a estatueta – merecidamente -, mas acho que esse ano a tradição muda. O guarda-roupa de O Discurso do Rei oferece vestuários de época autênticos e caprichados, com destaque às roupas de Helena Bonham Carter. O problema, é que Alice é um candidato mais forte e superior.

I Am Love | Antonella Cannarozzi

Bem contemporâneos, diga-se de passagem, o figurino de I Am Love é estiloso, mas não merecia a indicação. Dentre os exemplos que vi, não achei nada de espetacular ou acima da média. A Origem e A Rede Social ofereciam ternos mais bacanas…

The Tempest | Sandy Powell

A veterna Sandy Powell costura vestimentas bacanas nessa nova adaptação do conto de Shakespeare. São competentes, não vi grande coisa – a menos no principal traje de Helen Mirren, que é bem feito.

Ficou de Fora: Cisne Negro

A maioria dos vestimentos são contemporâneos, merecendo atenção aos belos trajes de balé usados por Nina ao longo da produção. Mais do que puro enfeite, o figurino também respeita a necessidade narrativa, ao apresentar a personagem de Lily apenas com roupas pretas, destacando sua personalidade sombria.

APOSTA: Alice no País das Maravilhas

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Discurso do Rei

A arte de enfeitar e disfarçar um artista, resultando em uma transformação do personagem, seja para envelhece-lo ou transformá-lo em um monstro. Os indicados são:

Caminho da Liberdade | Edouard F. Henriques, Greg Funk e Yolanda Toussieg

Não vi o filme, mas percebi maquiagens decentes aplicadas em alguns personagens. Ed Harris conseguiu uma barba convincente e as queimaduras de sol em Jim Sturgess o disfarçam completamente. Mas não é nada espetacular a ponto de levar a estatueta.

O Lobisomem | Rick Baker e Dave Elsey

O mestre das maquiagens ataca novamente! Rick Baker, especialista em filmes de monstros, empresta seu talento à composição da nova versão do Lobisomem. Perfeita, o trabalho é a melhor coisa do longa. Já ganhou. Se perder, é absurdo.

Minha Versão para o Amor | Adrien Morot

Certo, colocaram uma barba no Paul Giamatti. Uma barba (!) garantiu uma indicação ao Oscar… Brincadeiras a parte, como o filme ainda não estreou por aqui, fica a dúvida se a trama possui algum salto temporal, envelhecimento do protagonista, etc.

Ficou de Fora: Alice no País das Maravilhas

Realmente, achei que as bizarrices de Tim Burton seriam indicadas este ano. Johnny Depp ficou irreconhecível, e a maquiagem aplicada é relativamente simples.

APOSTA: O Lobisomem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Minha Versão do Amor

Dando vida ao que não existe, a equipe de efeitos visuais trabalha para criar personagens e ambientes digitais, buscando o realismo perfeito. Os indicados são:

Além da Vida

Não assisti o novo filme de Clint Eastwood, mas o barulho provocado pela cena do Tsunami chegou aos meus ouvidos e pude conferir alguns trechos dela no Youtube e gostei do resultado, bem orgânico. Mas não é por uma cena boa que se garante a estatueta…

Alice no País das Maravilhas

Alice é mais um Avatar; um mundo bizarro e fantasioso criado a partir de computadores, mas que funciona perfeitamente bem em cena. Alguns personagens digitais – como o Gato de Chenrise, da foto – ficaram excelentes, mas o cavaleiro vivido por Chrispin Glover é claramente reconhecível como efeito digital. A cabeça gigante de Bonham Carter ficou bacana também.

A Origem

Na minha opinião, o melhor efeito da categoria. Não só por serem visualmente perfeitos, mas por serem usados de maneira adequada no filme, contribuindo à narrativa e não aparecendo apenas para mostrar o tamanho do orçamento. Os efeitos são perfeitos, destacam-se o Limbo e a rua dobrada de Paris.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Não achei os efeitos visuais do sétimo Harry Potter grande coisa, mas reconheço o progresso na criação de criaturas digitais, como os elfos Dobby e Monstro. Os dois são o ponto alto no CG do filme, que às vezes soa um tanto mal feito, como na cena em que os dementadores aparecem.

Homem-de-Ferro 2

Continuando a mesma técnica do filme anterior, a armadura do herói-título é completamente feita por computação gráfica, mas dessa vez temos muito mais robôs, chicotes elétricos, entre outros. Não me entenda mal, são bons efeitos, no entanto é fácil encontrar defeitos e algumas criações não ficam perfeitas; ainda acho que a interação armadura-ator precisa melhorar.

Ficou de fora: Cisne Negro

Aplicados de maneira sutil e orgânica, os efeitos digitais de Cisne Negro complementam a trama ao criar imagens perturbadoras e oníricas sobre cisnes e a obsessão da protagonista. São pouco usados no longa, mas funcionam perfeitamente.

APOSTA: A Origem

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Alice no País das Maravilhas

E a Parte II acaba aqui, mas aguardem que ainda tem mais! Amanhã publicarei a terceira parte, sobre os Sons e Músicas que concorrem. Até lá.

Avatar: O Novo Star Wars

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , on 14 de outubro de 2010 by Lucas Nascimento

 

Aproveitando o relançamento de Avatar, gostaria de discutir nesse post os motivos pelo qual eu acho que a aventura sci-fi de James Cameron tem potencial para se tornar o Star Wars de nossa geração.

Trama

Ao falar da trama de Avatar, é desenterrado aquele velho assunto: o clichê que acompanha o desenvolver da história do filme. A verdade é que trata-se de uma história clássica que foi reciclada com elementos fantásticos, assim como o primeiro Star Wars, que é uma simples história de resgate à princesa.

Se Cameron explorar mais a mitologia da floresta e o poder de Eywa, a história pode ganhar rumos interessantes, mais sombrios e  complexos; basicamente, tudo o que George Lucas fez em O Império Contra-Ataca, onde mostrou mais sobre a Força, por isso podemos esperar um “lado negro de Eywa” no próximo Avatar? Hehe.

Além disso, queria mais destaque para a Terra futurista, seria interessante voltar a este assunto.

Biodiversidade Alienígena

Assim como em Star Wars, Cameron apresenta ao espectador uma variedade gigantesca de alienígenas, criaturas e ambientes. Além disso, contratou especialistas para criar uma língua, ou seja, os atores não ficaram meramente balbuciando qualquer coisa.

Tudo bem que é fácil se perder em meio a tanto animal bizarro, mas Cameron ainda pode inventar criaturas mais icônicas e mortais. Isso sem falar em outros planetas; ver a trama sair de Pandora seria algo empolgante.

Personagens

Tudo bem, os personagens de Avatar não são criativos quanto os da saga de George Lucas, mas são humanos. Cameron gasta o tempo necessário com o desenvolvimento de cada personagem, humano ou alienígena. A trajetória de Jake Sully é crível e muito verdadeira e o personagem pode ter um futuro interessante pela frente.

Os Na’vi também devem ter uma história interessante, mas eu queria ver os humanos retornando para um segundo round, porque é óbvio que eles não iriam sossegar depois da primeira derrota. E francamente, Cameron seria corajoso ao mostrá-los vencendo.

Efeitos Visuais

Não poderia deixar de mencionar os grandiosos efeitos visuais, que marcam uma nova era de tecnologia no cinema. Como Star Wars em sua época, o trabalho de computação gráfica de Avatar é um divisor de águas no ramo.

Bem, esses são apenas alguns motivos; concordando ou não, é indiscutível a qualidade de Avatar e a diferença que fez na tecnologia do cinema.

Remakes: Reconstruindo ou destruindo o cinema?

Posted in Artigos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de setembro de 2010 by Lucas Nascimento

Em pleno Festival de Toronto, estão sendo exibidos filmes que eu antecipo muito. Um deles, é o remake de Deixa Ela Entrar, Let Me In, dirigido por Matt Reeves. Surpreendentemente, as primeiras críticas sobre o longa são muito boas (alguns chegam a preferir o remake ao original), o que é raro para um remake, principalmente de um filme tão prestigiado.

Remakes aliás, são muito mais comuns agora do que antigamente. Sua existência é mesmo justificada pela oportunidade de apresentar uma nova “visão” sobre o filme? Ou seria a falta de ideias originais? Vale a pena dar uma olhada na qualidade e nos tipos de refilmagens que já tivemos.

A Nova Visão

Alguns remakes até que conseguem entregar o que realmente prometem: uma nova visão sobre o filme original. Muitos não sem bem-sucedidos, mas é possível encontrar produções recentes nessa categoria. Geralmente, não é um “remake oficial”, apenas a premissa é aproveitada, mas ela pode caminhar de modos diferentes e se passar em épocas diferentes. O melhor exemplo? Paranóia, claramente baseado em Janela Indiscreta.

Atualizando o suspense da década de 50 para os dias de hoje e o fotógrafo de perna quebrada para um adolescente cumprindo prisão domiciliar, o longa é bem produzido, cativante e, mais importante, não tenta se igualar ao magnífico filme de Alfred Hitchcock, criando sua própria estrutura e voltando-se especificamente ao público mais jovem; isso é ótimo, o remake pode servir como passagem para o original, uma maneira de descobri-lo.

Nem tudo dá certo, claro. O que me vêm a cabeça agora, é O Dia em que a Terra parou, que ousou refilmar o clássico da década de 50, trocando a discussão sobre a Guerra Fria e o perigo iminente de destruição nuclear por uma trama ecológica (que poderia ter funcionado) com argumentação muito fraca. Únicos pontos positivos residem na boa atuação de Keanu Reeves e no novo visual do GORT.

A Cópia

Quando um filme praticamente refaz quadro-a-quadro o original, não há muito o que discutir: Só existe porque provavelmente a obra é estrangeira e o diretor do remake só quer cortar algumas legendas… O melhor exemplo de um remake cópia que refaz o original exatamente como era, mas não o entende, é o medíocre Quarentena.

A trama segue exatamente o mesmo caminho, o cenário é idêntico ao do original, mas toda a simplicidade que resultava em um filme assustador é banalizada com maquiagens forçadas, cachorros infectados (o quê? Resident Evil?) e uma péssima protagonista. Se for pra fazer remake assim, não faça.

Por outro lado, alguns conseguem manter aqualidade do material original, refazendo-o quadro a quadro pelo mesmo diretor dos dois filmes, como por exemplo, o psicodélico Violência Gratuita de Michael Haneke, que simplesmente trocou o elenco alemão por um americano.

Ambos possuem o mesmo tom, os mesmos enquadramentos de cena e, basicamente, o mesmo roteiro. E devo admitir, se em Quarentena Jennifer Carpenter errou feio ao tentar se igualar à Manuela Velasco de [REC], Michael Pitt não só captou a persona de Frank Giering, mas entrega um trabalho tremendamente inspirado e até melhor, que por algum motivo insano como seu personagem, não recebeu nenhum prêmio.

A Homenagem

Basicamente, é aquele tipo de remake que faz ligeiras mudanças na história, ampliando-a e ganhando o toque pessoal do diretor. É o tipo mais comum de se encontrar e também o mais bem sucedido. Vale destacar dois filmes que, na minha opinião, ficaram melhores que o original.

A Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo, teve seu remake dirigido por Tim Burton, que aperfeiçonou o original em todo aspecto possível. Têm mais estilo, é mais divertido, mais engraçado e o roteiro acrescenta informações interessantes, como um final mais elaborado e origens de alguns personagens. Claro, a canção dos oompa-loompas não se iguala a do original…

Podem me atacar e criticar a vontade, mas acho o blockbuster de Peter Jackson muito superior ao bem produzido longa de 1933. Além do óbvio avanço tecnológico, o remake é mais bonito, empolgante e tem muito mais coração do que o original.

O diretor recriou cenas clássicas, controlou um  elenco é espetacular (Naomi Watts, perfeita. Jack Black, excelente) e fez uma bela homenagem ao original, que já tinha ganho uma nova versão com Kurt Russel, mas é melhor parar por aqui…

O Reboot

Não confundam, remakes e reboots são coisas diferentes. Semelhantes, mas distintas. Um reboot significa recomeçar uma franquia de maneira diferente, como está sendo feito com Homem-Aranha e Quarteto Fantástico e como foi feito brilhantemente na nova franquia de Batman.

Não sei decidir se os novos filmes de Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo entram nessa categoria ou na anterior, já que recomeçam a franquia, recriam algumas cenas, mas não seguem exatamente a mesma estrutura… Se alguém puder, comente e dê sua opinião.

Let Me In

Voltando ao caso de Let Me In, já comentei minhas expectativas na Primeira Olhada do filme, mas acredito que, além de conter uma nova visão, irá prestar uma bela homenagem ao sueco Deixa ela Entrar. O filme estreia em 8 de Outubro nos EUA e está sendo exibido atualmente no Festival de Toronto.

O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil.