Arquivo para terra

| Gravidade | O 2001 da nossa geração

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Ficção Científica, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de outubro de 2013 by Lucas Nascimento

5.0

Gravity
Sandra Bullock é a Dra. Ryan Stone: Personagem com força impressionante

São poucas as produções cinematográficas que conseguem retratar de forma impactante (e verossímil) a imensidão do espaço sideral. Filmes como Star Wars e a franquia Jornada nas Estrelas empolgam pela abordagem aventuresca, mas o único que me vem à mente nesse quesito é 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Há diversos outros exemplos, claro (alguns até recentes, como o ótimo Lunar), mas o que Alfonso Cuarón alcançou com seu Gravidade representa um verdadeiro marco para o gênero.

A trama simplista é assinada por Cuarón e seu filho Jonas, enfocando-se em um acidente em meio a uma expedição da Explorer, que acaba por deixar os únicos astronautas sobreviventes, Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), à deriva na escuridão do espaço. De alguma forma, a dupla precisará encontrar uma forma de voltar à Terra vivos.

Um dilema que ouvi muito de alguns colegas a respeito do filme é o de se ele seria capaz de se sustentar com a premissa básica ao longo de 1h30. Nesse quesito, Gravidade surpreende com a abundância de ideias que os roteiristas conseguiram tirar de uma situação tão limitada: além de todos os obstáculos encontrados pelos astronautas enquanto tentam sobreviver (não comentarei nenhum deles, apenas para que o espectador se surpreenda), há um envolvente estudo de personagem, especialmente com a Ryan Stone de Sandra Bullock – no fundo, no fundo, Gravidade traz como moral a necessidade de superação, seguir em frente. A atriz, aliás, consegue criar uma das figuras femininas mais fortes dos últimos anos graças à sua performance intensa e desesperadora, sendo capaz de segurar o filme todo sozinha (Clooney está ótimo, mas seu papel é bem menor do que o da atriz).

Funcionando muitíssimo bem com seus personagens e história, o filme de Cuarón é também um feito técnico excepcional. Tendo quase 90% de suas imagens capturadas em greenscreen, a equipe de computação gráfica (aliada com a fotografia do ótimo Emmanuel Lubezki) cria algumas das imagens mais espetaculares que você verá este ano, todas elas usadas com inteligência por seu diretor. Cuarón demonstra aqui confiança e domínios de câmera invejáveis, já que aposta em longas tomadas de planos-sequência que  viajam pelos personagens, no interior de naves e até dentro dos capacetes dos personagens – rendendo ótimas tomadas em primeira pessoa. Vale ressaltar também o incrível trabalho de som, que acertadamente elimina o barulho no vácuo e se limita a propagá-los sob o ponto de vista dos astronautas, tornando-o abafado e realista dentro da proposta; algo que contribue também para que o filme seja uma experiência tensa (ver os protagonistas sendo atingidos por destroços, com apenas suas vozes e a aterradora trilha sonora de  Steven Price de fundo é algo que não pode ser medido com palavras).

Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração.

Algo muito especial foi criado aqui.

Obs: Assista na MAIOR tela possível, preferencialmente o IMAX do Espaço Unibanco Pompéia.

Leia esta crítica em inglês.

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Além da Martelada do Trovão – Especial THOR

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de abril de 2011 by Lucas Nascimento

Thor! O deus do trovão ganha seu primeiro grande filme nas telas do cinema, dando início à temporada de blockbusters e continuidade à saga dos Vingadores. Aproveitem o especial:

Bastidores de Thor
Os bastidores de Thor

Antes de chegar nas mãos do britânico Kenneth Branagh, o projeto de Thor passou por diversos estúdios e diretores, incluindo Sam Raimi (que dirigiu a trilogia Homem-Aranha) e Matthew Vaughn (que agora termina X-Men: Primeira Classe), mas em decorrência de problemas diversos – um deles sendo a dificuldade em transpor o projeto às telas -, a produção não andou pra frente.

Partindo do roteiro escrito por Ashley Miller e Don Payne, Branagh começou a pré-produção em 2009; escalando Chris Hemsworth como Thor e Tom Hiddleston – que fez teste para o papel principal – na pele de seu meio-irmão Loki. O resto do elenco foi contratado de forma comum, exceto pela polêmica racista contra o ator Iris Elba (que interpreta Heimdall); que foi atacado por um grupo que ofendeu-se com a variedade racial apresentada nos deuses de Asgard.


O diretor Kenneth Branagh na Comic-Con

As filmagens começaram no Novo México, em Janeiro de 2010; tendo uma pequena cidade construída especialmente para as gravações. Muitas explosões, cenários complicados e uma direção de arte promissora e as filmagens – com ponta de Stan Lee, claro –  terminaram.

Infelizmente, a vontade de faturar uma grana a mais surgiu na cabeça da Marvel Studios, fazendo com que Thor (e também o Capitão América) fossem submetidos à suspeitosa conversão para 3D… Quem já viu o filme garante que o efeito não estraga a projeção, mas que também não oferece profundidade alguma. Resumindo, deve ser o “2D com óculos”.

Thor carrega duas tarefas difíceis, que Homem-de-Ferro conseguiu cumprir exatamente 3 anos antes em sua estreia: fazer sucesso (o personagem não é dos mais populares na geração atual) e continuar o plano Vingadores.

Os deuses, humanos e criaturas que protagonizam o longa:

Thor | Chris Hemsworth

Deus do Trovão, Thor é um valente, porém arrogante, guerreiro de Asgard. Após perturbar as relações de paz com os Gigantes de Gelo, ele é banido por seu pai Odin para a Terra. Lá, sem poderes, recebe ajuda da cientista Jane Foster, que o ajudará a recuperar sua força a tempo de salvar seu reino de Loki.

Jane Foster | Natalie Portman

Interesse amoroso de Thor, Jane é uma cientista séria e dedicada, cujo foco é justamente na astrofísica. Ela e sua amiga Darcy o encontram logo após sua chegada na Terra, ajudando-o posteriormente a reencontrar seu poder e proteger o planeta do vindouro ataque de Loki.

Loki | Tom Hiddleston

Deus das Travsessuras e irmão adotivo de Thor (sua origem estaria ligada com os Gigantes de Gelo), Loki é um ser manipulador e invejoso. Com más intenções, assumi o trono de Asgard após o exilio de seu irmão,  enviando as forças mais poderosas de seu reino – incluindo o letal Destruidor – para destruí-lo na Terra.

Odin | Anthony Hopkins

Temperamental e esquentado, Odin governa Asgard há milhares de anos, estabelecendo uma complicada paz com os outros reinos. É o pai de Thor e Loki; Após o Deus do Trovão quebrar o acordo pacífico, Odin bane seu filho arrogante para a Terra onde espera que ele aprenda uma lição de humanidade.

Heimdall | Iris Elba

Guardião da Ponte de Arco-Íris, elo entre Asgard e a Terra, Heimdall é um poderoso guerreiro que ouve e observa os acontecimentos dos outros mundos, tornando-o perfeito na proteção dos reinos.

Criaturas

Jotuns, ou Gigantes de Gelo

Originados do gelado mundo de Jotunheim, os gigantes eram antigos inimigos dos Asgardianos. Liderados pelo rei Laufey, perderam inúmeras guerras para Odin e seus guerreiros, resultando em uma frágil trégua, que é quebrada por Thor em consequência de uma disputa por um artefato místico.

Destruidor

Grande armamento de Aasgard, é uma implácavel entidade de metal, sem remorso ou emoções. É guardião do cofre de Aasgard, que guarda relíquias e tesouros inestimáveis. Sua armadura é feita do mesmo material utilizado no martelo Mjolnir de Thor, e só presta serviços para seu rei.

Um guia turístico com as principais locações do filme:

Asgard

Legendária e mística cidade habitada por quem os vikings chamavam como deuses. É comandada por Odin e é lendária por seus impecáveis guerreiros.

Jotunheim

Sombrio planeta congelado onde habitam os Jotuns (ou Gigantes de Gelo), liderados pelo rei Laufey. A fonte de seu poder vem de um artefato místico, que tem a capacidade de englobar mundos em gelo e neve.

Ponte do Arco íris

Protegida pelo guerreiro Heimdall, a Ponte do Arco-íris (também chamada de Bifrost) é o elo entre os mundos, dando destaque para a Terra e Asgard, que será mostrada com mais destaque no filme.

Terra

A porção de Thor que se passa na Terra, toma lugar na cidade do Novo México, em uma pequena cidade, instalações da SHIELD e pelo deserto, prometendo um clima road-movie.

O ambicioso projeto que vai unir diversos super-heróis em um único filme continua…

Hugo Weaving em CAPITÃO AMÉRICA - O PRIMEIRO VINGADOR, de Joe Johnston
Hugo Weaving com o Cubo Cósmico, objeto mitológico de Thor, em cena de Capitão América

Bem, retomemos aquele assunto mais uma vez: A Marvel Studios começou com Homem-de-Ferro sua Iniciativa aos Vingadores, super-grupo que reúne alguns dos mais poderosos heróis da editora. Thor é o próximo elemento, e muito importante por dominar elementos mágicos e, correm os boatos, de que o deus Loki será a grande ameaça do filme dos Vingadores.

No próprio Thor, a SHIELD aparece novamente, assim como o Agente Coulson e Nick Fury (Samuel L. Jackson), além da presença de um novo personagem: o Gavião Arqueiro, interpretado por Jeremy Renner, que fará uma pequena participação no filme.

É evidente que o filme se passa depois dos eventos de Homem-de-Ferro 2, já que a cidade do Novo México é mencionada e o próprio martelo do vingador aparece nos créditos finais. Sobre sua ligação com Capitão América, foi revelado que um certo objeto conhecido como “Cubo Cósmico” – que faz parte da mitologia de Thor – vai estar no filme do herói bandeiroso, sendo alvo de cobiça do vilão nazista Caveira Vermelha.

Os Vingadores estreia em Julho de 2012 e ponho minhas fichas em Loki como vilão do filme. Mas claro, não conte apenas com ele…

O personagem original dos quadrinhos:

Criado por Stan Lee e Jack Kirby, com clara inspiração na mitologia nórdica, Thor apresenta características diferentes do filme. A razão pela qual o deus do trovão habita a Terra é quase a mesma: enfrentar experiências humanas após seus atos de arrogância desencadearem problemas e conflitos em Asgard. Sem memória e sem poderes, ele é mandado sob o alter ego de Donald Blake, um médico deficiente que logo percebe sua missão de protetor da Terra.

Poderes

Thor é um ser humano normal como eu e você, a fonte de seus poderes é seu martelo Mjolnir, que lhe oferece uma quantidade impressionante de poderes como:

  • Resistência à dor e agressões, incluindo regeneração e uma quase  invulnerabilidade
  • Viagem no Tempo
  • Velocidade e agilidade avançadas
  • Controle de trovões, chuva e elementos de tempestade
  • Habilidades de luta soberbas

Os poderes de Thor vêm de seu martelo. Aqui, alguns objetos que apresentam fonte de poder interessantíssimos:

Um Anel

Anel da trilogia O Senhor dos Aneis – e dos vindouros filmes de O Hobbit -, oferece a quem o usa o poder de dominação total, mas também uma terrível apegação a ele, resultando em monstruosas transformações

A Arca da Aliança

Objeto de cobiça dos nazistas em Os Caçadores da Arca Perdida, o misterioso artefato guardava as tábuas dos dez mandamentos de Moisés e também um poder divino invencível. No clímax do primeiro filme de Indiana Jones, seu poder é testado em uma arrepiante sequência.

Capacete do Magneto

Usado por Magneto nos filmes X-Men, o capacete protege seus pensamentos de seus inimigos, além de permanecer oculto na localização de mutantes conhecida como Cérebro, de seu antigo amigo Charles Xavier. Me pergunto se o capacete atrapalharia os extratores de A Origem…

O Baú de Davy Jones

O baú guarda o coração pulsante do pirata Davy Jones, colecionador de almas e responsável pela “passagem” entre uma vida e outra, tendo como armas a lula mitológica Kraken e uma alucinante prisão no fim do mundo. Quem domina o coração, domina o pirata…

Bem, o especial vai ficando por aqui, mas aguarde pela crítica de Thor, que deve sair na Sexta-Feira ou no Sábado. Até!

Análise Blu-ray: AVATAR

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de novembro de 2010 by Lucas Nascimento

Avatar – Edição Estendida de Colecionador

Disco 1

O Filme

imagem de blu-ray.com

Ver Avatar em Blu-ray só ajuda a confirmar a estonteante beleza visual do filme, que fica ainda melhor. O filme em si é ótimo também, simples e muito agradável; um dos melhores de 2009 e aquele que pode vir a se tornar o Star Wars da nossa geração. Crítica

Cenas Excluídas/adicionais/inacabadas (esta última no disco 2)


Abertura alternativa mostra a Terra futurista

O CD 1 apresenta 3 versões do filme: a original, a do Relançamento (com 8 min. a mais) e a da edição de colecionador (com 16 min. a mais). A maioria das cenas é descartável, servindo apenas para mostrar um pouco mais da fauna e flora alienígena de Pandora. Entretanto, vale a abertura alternativa, que mostra o planeta Terra futurista e a visita de Jake e Grace à antiga escola de humana em Pandora.

Disco 2

Capturando Avatar

imagem de blu-ray.com

Dividido em 4 partes e totalizando aproximadamente 1h40min de duração, este é o making of de Avatar. Mostra detalhadamente cada etapa de filmagem, as capturas de movimentos, o inovador trabalho com câmeras 3D, o preparo dos atores – que é impressionante, Cameron fez todo mundo aprender a usar arco-e-flecha, montar cavalos, movimentos flexíveis e a complicada língua Na’vi, criada por um especialista – e o processo de efeitos visuais, que demorou quase dois anos.

Com esse completo documentário, fica mais claro o trabalho de James Cameron e seu desejo de realizar o projeto. Sua ambição e dedicação são tão grandes que ele merecia o Oscar de Melhor Diretor que perdeu para sua ex-esposa.

Mensagem de Pandora

O featurette de 20 minutos acompanha a visita de James Cameron ao Brasil, em Manaus para auxiliar no protesto contra a construção da hidrelétrica de Xingu. Muito interessante, mostra também a recepção da tribo indígena aos estrangeiros. 

Material de Produção

Totalizando cerca de 1h30min de duração, há uma lista de materiais sobre a produção de Avatar; há curtas metragens de teste, um modo de visualização da narrativa com desenhos conceituais, testes de elenco com os atores, progressão dos efeitos visuais (meu favorito), entre muitos outros. Esplêndido.

Disco 3

Desconstrução de Cena

Disponível para 3 ângulos de visualização (e também o picture in picture), você pode assistir a diversas cenas do filme em seu estágio inicial das filmagens na sala chamada Volume, o modelo digital incabado e o resultado final. Vale a pena para ver como as atuações ficaram quase inalteradas no avatar digital.

Curtas de Produção

Basicamente, é o making of do disco 2, só que muito mais extenso e dividido em categorias, – o que o torna mais eficiente do que ver o material inteiro de uma vez só – mostrando diferentes etapas da produção, como o design de criaturas, armamentos, língua dos na’vi, figurino, montagem, som (que trabalho) e a trilha sonora.

Arquivos de Avatar

imagem de blu-ray.com

Aqui temos muitas galerias. Mesmo. Divididas em quase 20 categorias, elas exploram as artes conceituais de criaturas, ambientes, flora alienígena, armamentos, entre muitos outros… Há também duas versões do roteiro disponíveis para leitura (sim, inteiros), letras de músicas na’vi, uma “pandorapedia” com 449 slides detalhando tudo sobre os diversos elementos do filme, dicionário inglês-na’vi (boa sorte) e, por fim, dois trailers de divulgação. Não poderia ser mais completo.

Nota Geral:

Não tenho dúvida de que esse é um dos melhores Blu-ray que já vi. A imagem continua espetacular, mas a quantidade de extras é absurda, material completo e informativo. Investimento obrigatório para qualquer colecionador.

Preço: R$ 99,90