Arquivo para the spectacular now

| A Culpa é das Estrelas | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , on 4 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

TheFaultinOurStars
Love is the drug: Ansel Egort e Shailene Woodley

Ao escrever sobre a comédia 50% em 2012, me surpreendi pela capacidade deste em oferecer uma abordagem original e bem-humorada para um tema tão delicado: o câncer. Foi inevitável para mim traçar o paralelo entre o filme dirigido por Jonathan Levine e A Culpa é das Estrelas, adaptação cinematográfica do best seller milionário de John Green, que também aposta em uma visão alternativa para a doença terminal mais letal do planeta; mas se rende ao óbvio show de lágrimas exageradas.

A trama é adaptada por Scott Neustadter e Michael H. Weber (responsáveis pelos ótimos (500) Dias com Ela e The Spectacular Now), e se concentra na jovem Hazel Grace (Shailene Woodley), diagnosticada aos 13 anos com um tumor letal em seu pulmão. Em uma das reuniões de um grupo de apoio a doenças terminais, Hazel conhece o galanteador Augustus Waters (Ansel Egort), jovem que teve uma de suas pernas amputadas para vencer o câncer, e logo inicia um arriscado romance com este.

“Gus, eu sou uma granada”, alerta Hazel Grace em determinado momento da história. É um lembrete de que, em meio às fofuras açucaradas experienciadas pelos protagonistas durante boa parte da trama, existe um perigo real em A Culpa é das Estrelas. É certamente o aspecto mais chamativo da história (tanto aqui quanto no livro de Green, que li e gostei), traduzido com habilidade pelo roteiro acertado de Neustadter e Weber: os fãs não têm o que reclamar, todos os eventos centrais são transpostos fielmente, linhas de diálogos foram praticamente duplicadas e o espírito/humor de seus personagens está no lugar.

Todas as metáforas funcionam muitíssimo bem (como o cigarro de Gus e o livro fictício lido por Hazel), sendo um bônus contar com a talentosa Shailene Woodley para dar vida a uma personagem feminina forte e determinada e também com Ansel Egort, que se mostra mais do que um mero rosto bonitinho ao fazer de seu Augustus um jovem otimista e divertido. Vale mencionar também a presença de Willem DaFoe, que consegue fazer do autor fictício Peter Van Houten uma figura complexa e multifacetada, agradando pela surpresa de sua revelação (e a designer de produção Molly Hughes é inteligente ao deixar inúmeras cartas de fãs espalhadas pelo chão da casa do autor).

É ao diretor novato Josh Boone (cujo único projeto anterior fora Ligados pelo Amor) que devo apontar os dedos. Mesmo com bom material em mãos, Boone mostra-se determinado a arrancar lágrimas do público das formas mais brutais possíveis: da mesma forma como um jump scare surge como recurso barato no terror, o uso de trilha sonora forçada (no caso, mais canções teen com gemidos angelicais) e a palhaçada que Boone e seu diretor de fotografia pouco imaginativo fazem com os desfoques das lentes nas cenas mais pesadas (o tempo todo!) são alguns fatores que transformam A Culpa é das Estrelas em uma obra mais melodramática do que o necessário – falta um pouco de sutileza, menos exagero. E entendo que a direção do filme vise se concentrar no elenco (o que justifica a razão de aspecto de 1:85:1, sem as “barrinhas” na tela), mas é visualmente tão pobre que soa mais como uma transcrição do livro do que como cinema em si – ainda que aqui e ali Boone consiga agradar com planos bonitos, como aquele em que sua câmera revela a perna amputada de Augustus em meio às de Hazel.

No fim, A Culpa é das Estrelas agrada por seu senso de humor inteligente e o elenco, mas peca quando seu diretor opta por transformar a experiência em uma orquestra sinfônica de lágrimas e fungadas de nariz, um caminho óbvio e que deixa a desejar diante de seu lado mais humorístico. Bom, mas poderia ser muito mais.

Anúncios

| O Maravilhoso Agora| John Hughes ficaria muito orgulhoso

Posted in Críticas de 2014, DVD, Romance with tags , , , , , , , , , , , , on 6 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

spectacular
Miles Teller e Shailene Woodley: Química espetacular

“Crescer não é fácil”. Os melhores filmes adolescentes já feitos são aqueles que abraçam de forma honesta o tema citado, vide as geniais comédias de John Hughes (como Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado e Ela vai ter um Bebê) ou até mesmo o recente As Vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky. Com O Maravilhoso Agora, o diretor pouco conhecido James Ponsoldt se beneficia de um dos protagonistas mais carismáticos já encontrados no gênero, e pode muito bem incluir sua obra no seleto grupo discutido acima.

A trama é adaptada do livro homônimo de Tim Tharp (excelente, por sinal) por Scott Neustadter e Michael H. Weber, mesma dupla responsável por (500) Dias com Ela e pela vindoura adaptação do romance A Culpa é das Estrelas. O espectador acompanha a vida de Sutter Keely (Miles Teller), jovem no último ano do ensino médio que parece ser incapaz de criar planos ou metas para sua vida, optando por viver naquilo que chama de “spectacular now”, o agora espetacular. Depois de levar um fora da namorada (Brie Larson), ele começa a se envolver com a reclusa Aimee (Shailene Woodley), que pode – ou não – lhe servir como uma influência positiva.

O Maravilhoso Agora é um filme muito difícil de se vender, até mesmo para colegas. Isso porque a premissa não oferece praticamente nada de novo e também carece de eventos marcantes, ou uma situação pré-estabelecida que desenvolva a trama toda. Curiosamente, o filme funciona como seu protagonista: aposta no agora, no cotidiano e no rotineiro de Sutter; nas simples situações que se tornam memoráveis graças à força de seu roteiro, que acertadamente evita o uso de flashbacks para explicitar suas subtramas dramáticas, apostando em seus ótimos diálogos e ao espetacular carisma de seu elenco.

A começar por Miles Teller, ator que rapidamente vai crescendo no cinema (sua estreia aconteceu em 2010, em Reencontrando a Felicidade), e pode se revelar um dos grandes artistas de sua geração. Sua construção como um jovem despreocupado, brincalhão e otimista é das mais convincentes, e é de se espantar com a competência do ator ao subverter completamente essa imagem à medida em que a trama vai encontrando áreas mais dramáticas. Fico feliz também em perceber como James Ponsoldt não se preocupa em esconder as marcas e acnes no rosto do ator, garantindo-lhe uma verdadeira autenticidade como adolescente, ao contrário de diversas produções que exageradamente embelezam seu elenco, resultando na artificialidade. O mesmo se aplica à Brie Larson (outra jovem para se ficar em olho) e a já conhecida Shailene Woodley, cuja excelente e tímida performance é reforçada graças a ausência de maquiagem em seu rosto – exigência da personagem que funciona maravilhosamente bem em cena.

O Maravilhoso Agora é um envolvente estudo de personagem que jamais perde seu foco e oferece um eficaz estudo de personagem que fica ainda melhor graças ao talentoso elenco. Seu tom aproxima-se mais do drama do que da comédia mas, ainda assim, deixaria John Hughes orgulhoso.

Obs: Crítica feita após assistir ao blu-ray do filme, ainda indisponível no Brasil – assim como uma tradução do título.

Confira os vencedores do NATIONAL BOARD OF REVIEW

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

her

Depois do NYFCC ontem, foi a vez do National Board of Review divulgar seus vencedores de 2013. Vale lembrar que o NBR também não é um termômetro dos mais confiáveis (o último acerto em Melhor Filme foi com Quem quer ser um Milionário? em 2008). Reparem também como a lista diverge bastante da divulgada ontem:

MELHOR FILME

Ela

MELHOR DIRETOR

Spike Jonze | Ela

MELHOR ATOR

Bruce Dern | Nebraska

MELHOR ATRIZ

Emma Thompson | Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Will Forte | Nebraska

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer | Fruitvale Station: A Última Parada

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum | Joel e Ethan Coen

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

O Lobo de Wall Street | Terrence Winter

MELHOR ANIMAÇÃO

O Vento está Soprando

MELHOR ATOR REVELAÇÃO

Michael B. Jordan | Fruitvale Station: A Última Parada

MELHOR ATRIZ REVELAÇÃO

Adèle Exarchopoulos | Azul é a Cor Mais Quente

MELHOR ESTREIA DE UM DIRETOR

Ryan Coogler | Fruitvale Station: A Última Parada

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Stories We Tell

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

The Past

MELHOR ELENCO

Os Suspeitos

PRÊMIO HOLOFOTE

Colaboração entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio

PRÊMIO LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Wadjda

PRÊMIO DE INOVAÇÃO CRIATIVA

Gravidade

PRÊMIO WILLIAM K. EVERSON DE HISTÓRIA DO CINEMA

George Stevens Jr

TOP 10 DO ANO (ORDEM ALFABÉTICA)

12 Anos de Escravidão

Fruitvale Station: A Última Parada

Gravidade

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum

O Lobo de Wall Street

Lone Survivor

Nebraska

Os Suspeitos

A Vida Secreta de Walter Mitty

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

TOP 5 FILMES ESTRANGEIROS

Beyond the Hills

A Caça

Gloria

The Grandmaster

A Hijacking

TOP 5 DOCUMENTÁRIOS

20 Feet from Stardom

The Act of Killing

After Tiller

Casting By

The Square

TOP 10 FILMES INDEPENDENTES

Ain’t Them Bodies Saints

Amor Bandido

Dallas Buyers Club

In a World…

O Lugar Onde Tudo Termina

Mother of George

Muito Barulho por Nada

Short Term 12

Sightseers

The Spectacular Now