Arquivo para thriller

| Caçada Mortal | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 17 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Liam Neeson é Matt Scudder

Que maravilhoso ver que ainda existem filmes como Caçada Mortal. Um thriller de detetve noir à moda antiga que entende as regras e não se julga esperto demais para tentar explodir sua cabeça com reviravoltas idiotas, preferindo seu foco em personagens e ambientação. Do jeito que se deve ser.

Adaptada da obra de Lawrence Block, a trama começa quando o detetive particular Matthew Scudder (Liam Neeson) é contratado para encontrar os sequestradores responsáveis pelo assassinato da esposa de um traficante de drogas (Dan Stevens), mesmo este tendo entregue o dinheiro do resgate. A busca (ou caçada… Mortal) o faz descobrir uma rede de crimes similares que o vai colocando cada vez mais próximo dos responsáveis.

É uma história objetiva e sem desvios. O diretor e roteirista Scott Frank deixa a ação de lado para se concentrar em uma narrativa densa e atmosférica, sempre com o personagem de Neeson em primeiro plano. Os flashbacks de seu passado traumático, assim como suas constantes visitas a um grupo de AA, funcionam para que Scudder seja multidimensional, mesmo que com motivações clichês. Felizmente, Liam neeson é sempre capaz de oferecer uma performance eficiente e que simpatize com o público, independente do filme; e aqui, ele consegue ir além do que um mero tira estereotipado.

Outro fator sobre a história que me deixa muito satisfeito é a ausência de uma grande reviravolta sem sentido, fator que geralmente estraga as produções recentes do gênero. Aqui, Frank se mantém ao básico: dois assassinos cruéis à solta, vamos atrás deles, arma-se o terceiro ato e é isso. Sem os elementos estapafúrdios que arruinaram outros bons filmes de Neeson, como Sem Escalas e Desconhecido. Mas admito que a conclusão se estendeu um pouco além do necessário, podendo ter facilmente se encerrado uns 10 minutos antes.

Como diretor, Frank é impecável. Desde o surpreendentes créditos de abertura em closes, até o tenso confronto em um cemitério, é de uma construção cinematográfica exemplar. O diretor de fotografia Mihai Malaimare Jr. traça uma Nova York escura e melancólica, dominada pelo cinza em cenas diurnas e coberta pelas sombras durante a noite; a presença da antecipação pelo Bug do Milênio (o filme é ambientado em 1999) também é interessante, quase como se a cidade estivesse sitiada pelo medo deste. Por fim, a discreta e pontual trilha sonora de Carlos Rafael Rivera fornece o tom apropriado à investigação.

Caçada Mortal é um eficiente thriller que me faz lembrar as histórias de detetives mais primordiais, atentando-se à uma fórmula sólida que funciona muitíssimo bem em sua cuidadosa execução.

Leia esta crítica em inglês.

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| O Lobo Atrás da Porta | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 4 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Leandra Leal e Milhem Cortaz: quem é o lobo? Ele? Ela? Ambos?

Pode parecer meio repetitivo para quem acompanha meus textos, mas eu realmente fico arrepiado quando vejo o que o bom cinema nacional de ficção (porque em quesito documentário, somos impecáveis) é capaz de fazer. De verdade. Em meio às imbecis comédias da Globo Filmes, biografias e obras essencialmente de cunho social/político (ainda que muitas sejam bem decentes), eis que surge o excelente O Lobo Atrás da Porta, impressionante filme de estreia de Fernando Coimbra que agrada justamente por se manter à velha moda: uma boa história, bem contada.

A trama é livremente inspirada em um evento real dos anos 60, começando quando uma delagacia de polícia encarrega-se de encontrar uma criança desaparecida. O policial responsável (Juliano Cazarré) começa então a recolher depoimentos da mãe, Sylvia (Fabiula Nascimento), do pai, Bernardo (Milhem Cortaz), e da amante deste, Rosa (Leandra Leal). Quando as histórias começam, pontos de vista se colidem e o policial vai desvendando uma trama complexa, sombria e regada à adultério.

À primeira vista, é a clássica história de detetive (e é ótimo ver a aposta nesse gênero) em sua estrutura e desenrolar, sendo beneficiada pela ótima montagem de Karen Akerman e as reviravoltas do roteiro do próprio Coimbra. No entanto, O Lobo Atrás da Porta parte então para um fascinante estudo de personagens, onde diversos detalhes e subtramas subjetivas nos revelam elementos interessantes sobre seus personagens. Mesmo que seu segundo ato desenrole-se mais lentamente ao focar-se na construção/decaída da relação entre Bernardo e Rosa, Coimbra mostra-se um diretor inteligente e hábil ao compor – junto ao talentoso diretor de fotografia Lula Carvalho – planos belíssimos e reveladores (como a apresentação de Bernardo, um coordenador de transportes públicos, que o traz caminhando em direção à câmera enquanto diversos ônibus cruzam pela rua às suas costas), apostando também em pouquíssimos cortes durante sua execução, conferindo um caráter quase que teatral à estética do filme.

Tal decisão também garante um esforço maior de seu excepcional elenco. Popular por seu “mestre das pérolas” Fábio dos dois Tropa de Elite, Milhem Cortaz aproveita sua postura e fisionomia para criar um personagem fracassado e desajeitado, e é justamente por tal caracterização, que é tão impressionante vê-lo libertando seu lado sombrio – quase beirando a psicopatia em dois momentos específicos. Vale notar também as presenças de Fabiola Nascimento, o cínico delegado de Cazarré e o pontualmente divertido alívio cômico de Thalita Carauta. Mas é realmente Leandra Leal quem consegue tomar o longa para si, mesmo rodeada de excelentes intérpretes. Na pele da desequilibrada Rosa, a atriz é quem enfrenta as decisões mais corajosas do texto e também a transformação mais fascinante, refletindo perfeitamente a metáfora do título (ainda que Bernardo também liberte seu “lobo” em momentos diversos) em uma performance memorável.

Não posso deixar de mencionar também o espetacular trabalho do design de produção do longa, que ambienta a narrativa em cenários periféricos e interiores do Rio de Janeiro. Uma decisão que fascina quando paramos pra pensar nos grandes thrillers de mistério que têm a cidade grande como pano de fundo central, e o diretor de arte Tiago Marques é hábil nos pequenos detalhes de cada habitação (a compacta e aconchegante casa da família de Bernardo se diferencia completamente do apartamento usado para começar seu caso extraconjugal, especialmente pela decoração provocante e os tons de vermelho) e a composição de cada uma: a desolação ajuda no impacto de determinadas situações; seja no primeiro encontro entre Bernardo e Rosa próximo à linha do trem, ou o assustador clímax que vai deixar o espectador preso à poltrona (pontuado com eficiência pela trilha sonora distorcida de Ricardo Cutz, ainda que aqui e ali ele abuse de notas típicas de um grindhouse).

Inteligente e corajoso com as decisões perturbadoras trilhadas por sua narrativa, O Lobo Atrás da Porta é uma experiência esmagadora e envolvente, optando por um gênero dificilmente encontrado na grande safra de produções nacionais. Puta filme.

| O Espião que Sabia Demais | O Labiríntico mundo real da espionagem

Posted in Cinema, Críticas de 2012, Drama, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , on 7 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento

 


O Tom Hardy trouxe essa mesa de lembrança do set de A Origem

A paranóia da Guerra Fria praticamente inaugurou um novo gênero no cinema, deixando sua marca na indústria com inúmeros thrillers de espionagens e agentes secretos. Quando todos achavam que “o mundo estava salvo” após dezenas de filmes de James Bond e cia, e nada mais valeria a pena ser introduzido ao tema, Tomas Alfredson entrega sua labiríntica versão para o livro de John Le Carré.

Ambientada no período citado, a trama sugere que um espião russo esteja infiltrado no alto serviço de inteligência britânica (o Circo) e cabe ao aposentado George Smiley (Gary Oldman) investigar e descobrir o culpado diante de uma grande variedade de suspeitos.

Tendo impressionado públicos universalmente com seu sombrio Deixa ela Entrar, o diretor sueco Tomas Alfredson continua se mostrando um talentoso contador de histórias em seu primeiro filme de língua inglesa. O clima de paranóia e vigilância combinam-se magistralmente com o estilo frio e silencioso do cineasta (características que ele mostrou total controle em seu filme anterior), que usa de inúmeros planos elegantes e cenas que exibem apenas imagens sugestivas (um aceno de mão, um olhar),  requerindo a interpretação e inteligência do espectador a cada minuto.

Alfredson é um mestre na composição de uma cena. Com o auxílio do eficiente diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema, seus planos e enquadramentos são sofisticados e inventivos (como aquele em que traz o ótimo Benedict Cumberbatch sendo revelado pela porta de um elevador ou a discussão a frente de uma pista de pouso) e traduzem visualmente o intrincado roteiro de Bridget O’Connor e Peter Straughan, que apresenta complexas linhas narrativas que misturam-se de forma sinuosa – alternando de personagens, eventos e datas – e ficam ainda melhores com a charmosa trilha sonora de Alberto Iglesias. O Espião que Sabia Demais fornece as peças do quebra-cabeça e, mesmo sabendo a imagem que queremos formar, o longa nunca facilita o trabalho de tentar encaixar seus componentes.

E o encarregado de solucionar o enigma é o espião George Smiley, vivido brilhantemente por Gary Oldman naquele que é uma das performances mais delicadas de sua carreira. Mas nem por isso fica mais claro a direção que a trama segue, já que Oldman traça Smiley quase como outro enigma; suas intenções nem sempre são claras, mas sua expressão facial diz tudo, dispensando diálogos na maioria das cenas em que este aparece. Ainda assim, ator é apenas a cereja no topo do bolo, já que temos aqui um elenco majestoso e bem entrosado que conta com Tom Hardy, Mark Strong, Colin Firth, John Hurt, entre outros, todos excelentes em seus respectivos papéis; que contrastam entre motivos para apreciá-los e para colocá-los na lista de suspeitos com a mesma intensidade.

Desenrolando-se de maneira calma e silenciosa (admito que em alguns momentos, até devagar demais), O Espião que Sabia Demais é um inteligente thriller que dispensa perseguições de carro e gadgets de última geração para se concentrar no frio e real mundo da espionagem. E quando chegamos ao inebriante uso da canção “La Mer” de Julio Iglesias em sua conclusão, perecebe-se que o diretor Tomas Alfredson tinha o controle de seu quebra-cabeças desde o início.

Obs: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme em SP, no dia 6 de Janeiro.

| Tubarão | Um ápice na elaboração do suspense cinematográfico

Posted in Clássicos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de abril de 2011 by Lucas Nascimento


Steven Spielberg e seu monstro nos bastidores de Tubarão

O oceano é de fato um ambiente misterioso, que já foi palco de diversas obras cinematográficas – a maioria delas, homem vs. natureza – e documentários sobre a biologia marinha. Mas poucos conseguiram alcançar o feito de Tubarão, dirigido por Steven Spielberg em 1975, que inova a escola de suspense de Hithcock e inaugura o cinema-pipoca.

Baseado no livro de Peter Benchley, o filme engloba os ataques de tubarão em uma cidade litorânea na Nova Inglaterra (Massachussetts), em pleno verão onde as praias estão lotadas de turistas. Nesse cenário, um grupo formado por um xerife, um oceanógrafo e um pescador partem atrás do monstro.

Partindo dessa premissa sedutora, Spielberg percorre e circula e história como o predador que entitula o filme, apresentando suas locações com atenção e detalhismo, criando o apego a seus personagens, em especial o xerife Martin Brody (Roy Scheider), que logo em sua cena inicial já surge como um pai de família dedicado e simpático, traços que Scheider expressa com talento e carisma; enquanto o divertido antagonismo entre o pescador Quint (Robert Shaw) e o oceanógrafo Hooper (Richard Dreyfuss) oferece um equilibrado alívio cômico.

Com cenários e locações prontos, a trama começa a circular. Logo na famosa cena que abre o longa, vemos uma banhista nua sendo atacada pelo tubarão, mas em nenhum momento 0 predador mostra sua barbatana ou dentes, tornando a cena assustadora pelo fato de não sabermos sua aparência e tamanho e, claro, pela icônica e amendrontadora trilha sonora de John Williams (premiada com o Oscar) que ecoa adequadamente nas cenas com o peixe assassino.

E Spielberg opta por esse recurso de suspense por quase o filme inteiro; o que ansia a vontade do espectador de ver o tubarão e desperta sua imaginação para as possibilidades de sua aparência. E quando o monstro de fato aparece, é uma imagem assustadora, por ser diferente (e maior, diga-se de passagem) do que o esperado. A fórmula perfeita para o thriller, que vai transformando-se em uma empolgante aventura em seu terceiro ato.

O suspense de Tubarão inspirou Hollywood e continua a fazê-lo até hoje (Cloverfield e Atividade Paranormal claramente seguem a fórmula), provocando um enorme sucesso e uma diminuição notável de turistas em praias em sua época de lançamento.

Trailers Memoráveis #25: Batman – O Cavaleiro das Trevas

Posted in Sessão Trailers Memoráveis with tags , , , , , , , , on 6 de agosto de 2010 by Lucas Nascimento

Até hoje o melhor filme adaptado de quadrinhos já feito, os três trailers do thriller policial de Christopher Nolan são de ficar na memória, mas o primeiro é um teaser realmente especial.

Não vemos nenhuma cena do filme, apenas um diálogo entre Bruce Wayne e Alfred, discutindo sobre o Coringa. E no final, a primeira vez que o mundo ouviria a risada do vilão que entraria para a história… Aproveite:

Trailers Memoráveis #24: Voo Noturno

Posted in Sessão Trailers Memoráveis with tags , , , , on 30 de julho de 2010 by Lucas Nascimento

Podendo até parecer uma comédia romântica em seus momentos iniciais, o trailer de Voo Noturno, um thriller bem elaborado por Wes Craven, acerta por sua eficiência em criar um clima e ambiente perfeito para o suspense. Confira: