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| Grandes Olhos | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2015, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 25 de janeiro de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

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Christoph Waltz e Amy Adams

Depois de anos mergulhado em histórias fantásticas povoadas por criaturas excêntricas como seu próprio estilo, Tim Burton resolveu parar e contar uma história sobre pessoas “normais”, e fico feliz que o tenha feito. Aguentei tudo que ele entregou até Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, mas suas baboseiras com Alice no País das Maravilhas e Sombras da Noite quase jogaram Burton no limbo. Com Grandes Olhos, Burton meio que se redime.

A trama é inspirada na história real do casal Margaret e Walter Keane (Amy Adams e Christoph Waltz, respectivamente) um casal de pintores que vivia uma boa carreira na década de 60. Margaret pintava seus característicos quadros retratando crianças com olhos desproporcionalmente grandes, enquanto Walter bancava o empresário e vendia suas obras. O problema é quando Walter começa a assumir todo o crédito pelo trabalho de sua esposa.

Nada de fadas, bruxas, vampiros ou outros seres “Burtonescos”, como Johnny Depp ou Helena Bonham Carter. A história também não é ambientada numa vasta mansão ou numa floresta gótica criada por efeitos visuais, mas sim uma pacata cidade da Califórnia. É certo dizer que Burton não contava uma história tão comum assim desde Ed Wood (não por acaso, o melhor filme de sua carreira), que me atinge como a principal influência para Grandes Olhos: é uma história comum, mas o diretor não esconde seu estilo e sabe dosá-lo apropriadamente, de acordo com a demanda narrativa. O Walter de Christoph Waltz, por exemplo, é uma figura gritantemente cartunesca, seja em seus acessos de raiva ou risadas de vitória.

Visualmente, Burton sabe muito bem a hora de jogar um enquadramento mais chamativo/expressionista (a pausa dramática, embalada pela música de Danny Elfman, quando um vendedor pergunta pelo real autor de uma pintura pela primeira vez é magistral) ou liberar todo seu “instinto” quando a trama alcança um momento onírico, no caso a ida ao mercado onde Margaret se depara com diversas pessoas com os olhos imensos. Toda a direção de arte – dos cenários aos figurinos – é eficaz ao criar um mundo colorido e vibrante que a fotografia de Bruno Delbonnel captura com beleza, ainda que não roube a atenção para si; é tão belo quanto uma pintura.

Tudo bem que em certos momentos não parece que estamos diante de uma história real, dado a abordagem mais cômica de Burton. Novamente, o Walter de Waltz (olha, que sonoro) e a Margaret de Adams parecem habitar universos diferentes, já que a performance da atriz é bem menos discreta e mais sutil do que a de seu companheiro. E mesmo tratando-se de acontecimentos verídicos, o roteiro de Scott Alexander e Larry Karaszewski poderia ser mais ácido, ou oferecer mais profundidade à questão do que é realmente Arte; um tema que este apenas tangencia brevemente.

Grandes Olhos é um dos trabalhos mais eficientes que Tim Burton trouxe nos últimos anos. Deixou de lado as fantasias góticas para se dedicar a uma história sobre seres humanos, e mesmo que esta não tenha sido empolgante quanto poderia ser, fico aliviado em ver que o diretor ainda sabe contar histórias.

Obs: Crítica publicada após a pré-estreia do filme em São Paulo, em 24 de Janeiro.

Primeiro trailer de BIG EYES

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 18 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

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Tim Burton se afasta um pouco do sobrenatural e do fantástico para contar a história real da pintora Margaret Kane (Amy Adams), e a relação com seu marido charlatão (Christoph Waltz). Big Eyes parece ser o primeiro filme de verdade do diretor em muito tempo, e torço que ele se recupere depois de sua sucessão de fracassos. Confira o primeiro trailer:

Big Eyes estreia em 25 de Dezembro nos EUA.

A Franquia do PLANETA DOS MACACOS

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , on 18 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

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Com a estreia de Planeta dos Macacos: O Confronto na semana que vem (já estão sendo exibidas algumas pré-estreias), pela primeira vez parei para assistir a todos os filmes da franquia da Fox, que desde 1968 vem surpreendendo. Confira:

O Planeta dos Macacos (1968)

4.0

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Baseado na obra de Pierre Boulle, O Planeta dos Macacos transformou-se em um dos maiores clássicos da ficção científica pelas mãos do diretor Franklin J. Schaffner. Com a história sombria de um grupo de astronautas que se encontra em um misterioso planeta dominado por macacos, a trama se desenrola com eficiência para uma das maiores e mais icônicas reviravoltas da História do Cinema. Vale lembrar também dos incríveis bordões de Charlton Heston e do revolucionário trabalho de maquiagem de John Chambers.

De Volta ao Planeta dos Macacos (1970)

2.0

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Seguir a conclusão arrasadora do original não é tarefa fácil, e não é de se admirar que a primeira da série de continuações falhe miseravelmente. O filme de Ted Post tenta recriar visualmente diversos aspectos do anterior, desde o protagonista humano que vai aprendendo sobre a comunidade símia até os cenários americanos devastados. Merece créditos por oferecer um rumo completamente inesperado com a comunidade de seres radioativos que cultua um míssil (em uma metáfora interessante da tensão atômica da Guerra Fria), mas o resultado é bem esquecível.

Fuga do Planeta dos Macacos (1971)

4.0

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Mostrando ainda mais ousadia, a franquia agora inventa de brincar com viagem no tempo. E o resultado é surpreendentemente uma das melhores adições da série, já que agora pode mostrar como se deu o processo de dominância mundial dos macacos; e na tradição das melhores obras do gênero, que foi invariavelmente causado pela própria viagem no tempo. Tem um excelente roteiro permeado por questões sociais, e uma conclusão brutal e corajosa.

A Conquista do Planeta dos Macacos (1972)

3.0

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Ligeira fonte de inspiração para o reboot de 2011, o quarto filme revela quando de fato os macacos iniciam o processo de revolução. Tem ainda mais subtexto político do que o anterior, buscando agora um esperto paralelo com a escravidão dos negros, mas carece do impacto. É um bom filme, mas não traz a inteligência visual nem o senso de surpresa que os outros trazem, ficando apenas acima da média.

A Batalha do Planeta dos Macacos (1973)

2.5

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Último filme da franquia original, percebe-se como a fórmula estava fraca. A história, que mostra o grupo símio de César lidando com rebeliões militares e a ameaça de um grupo de mutantes humanos, não empolga. É provavelmente o roteiro mais fraco e sem grandes ambições da série (mesmo ruim, o segundo filme ao menos se arriscava), que só encontra nas medianas cenas de batalha um atrativo.

Planeta dos Macacos (2001)

2.5

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O infame remake de Tim Burton para o clássico de 1968. Pessoalmente, não achei o monstro tão feio como o a maioria, apesar de não faltarem alguns momentos ridículos e diversos elementos incongruentes. O filme acerta pelo visual, contando com o inacreditável trabalho de maquiagem do mestre Rick Baker, que cria macacos e gorilas expressivos. Dou créditos também à coragem de oferecer um final ainda mais enigmático do que o original, mas perde por não fazer tanto sentido.

Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

4.0

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Uma das grandes surpresas de 2011 e inegavelmente um dos reboots mais bem-sucedidos de todos os tempos. O filme de Rupert Wyatt ignora a cronologia original, ainda que deixe as devidas homenagens visuais e dê pistas sobre o futuro, que certamente levará à dominação planetária dos símios. A tecnologia de captura de performance funciona e Andy Serkis dá mais um show como o macaco César, mas o que realmente surpreende é a humanidade com que é tratada a trama – graças à relação entre o protagonista e seu pai adotivo, vivido por James Franco.

Bem, já assisti ao novo filme e publicarei a crítica ainda hoje. Até lá!

Fiquem aí com uma menção honrosa genial:

| Segredos de Sangue | Uma saga familiar verdadeiramente sombria (e estilosa)

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

4.5

STOKER
Matthew Goode, Nicole Kidman e Mia Wasikowska em um sinistro jantar

É impressionante o que um ótimo diretor é capaz de alcançar com um roteiro simplista. Em Segredos de Sangue, o sul-coreano Chan-w00k Park faz sua estreia em longas-metragens de língua inglesa e, dotado de uma técnica impecável e um elenco competente, faz valer a pena essa sombria e perturbadora tragédia familiar.

A trama é assinada por Wentworth Miller (o Michael de Prison Break, agora adentrando no território de roteirista), centrando-se na jovem India Stoker (Mia Wasikowska). Abalada pela morte de seu pai, ela é forçada a conviver com sua distante mãe (Nicole Kidman) e a repentina chegada de seu tio Charlie (Matthew Goode, de Watchmen), que traz um misterioso interesse pela sobrinha.

Em seu período de divulgação, Segredos de Sangue me remetia muito ao Sombras da Noite de Tim Burton. Ao meu ver, representa tudo o que o filme com Johnny Depp falhou em alcançar: as sombrias relações familiares, independente da presença de seres sobrenaturais. Claro que o longa de 2012 era uma comédia assumida, ao passo em que temos aqui um inquietante suspense que cresce com admirável elegância graças a genial direção de Chan-wook Park. Famoso pela excelente adaptação de Oldboy, o sul-coreano traz sua inventidade visual ao criar belos planos que contribuem para a criação de um tom frio e da ameaça iminente (poderia citar vários exemplos, mas me impressiona em particular a sutileza de seus posicionamentos de câmera ao enfocar um diálogo entre os protagonistas na cozinha). É Tim Burton para adultos.

Ainda sobre sua técnica, a montagem de Nicolas De Toth merece aplausos por sua criatividade. Não só é eficaz ao manter a fluência nos inúmeros flashbacks da narrativa (que vão se misturando ao presente constantemente, e até repetindo frames a fim de criar “semelhanças”), mas também impressiona pelas geniais transições de cena, adotando velocidade quando necessário (como quando algum personagem abre uma porta e em seguida vemos uma gaveta se fechar) ou optando por uma lenta transição que começa em close no cabelo de Nicole Kidman para logo ir se revelando uma floresta.

São maravilhas técnicas como essas que compensam o roteiro de Miller. Sua prosa é inteligente ao trazer uma metáfora envolvendo os sapatos da protagonista (toda a sua vida usava um par específico, adota um salto-alto em um momento-chave da projeção, simbolizando seu amadurecimento), mas são conceitos que ganham mais força visualmente do que em teoria. Miller também falha ao deixar claro quais as intenções de seus personagens: por que Charlie é tão obcecado pela sobrinha? A ótima performance de Matthew Goode sugere uma atração incestuosa, ao mesmo tempo em que poderia tratar-se de uma ramificação de seu passado perturbador – e é assustadora a sequência de cortes que vai revelando a natureza oculta do personagem.

Com uma conclusão que imediatamente soa exagerada à primeira vista (mas que faz todo o sentido quando a analisamos detalhadamente), Segredos de Sangue é uma narrativa ousada e que se beneficia pela inteligência de sua equipe. Fica claro que é uma obra sobre amadurecimento, algo que certamente falta a seu roteirista; mas que é ao menos capaz de manter o espectador preso à poltrona.

| Sombras da Noite | Mais uma vez, belo visual não esconde roteiro ruim

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2012 with tags , , , , , , , , , , , , on 22 de junho de 2012 by Lucas Nascimento


Johnny Depp acerta na caracterização de Barnabas Collins

Levante a mão se você não aguenta mais filmes de vampiro. Graças à Stephenie Meyer e seu Crepúsculo, estúdios de cinema por todo o mundo deram sinal verde para produções com os seres sanguessugas apresentando, ou não, um teor romântico. É certo que tivemos bons resultados pelo caminho (como Deixa ela Entrar e sua versão hollywoodiana), mas o gênero já vai se esgotando. Era de se esperar que o gênio bizarro de Tim Burton fizesse algo inovador, mas Sombras da Noite é mais um ponto fraco na carreira do diretor.

Inspirado a partir do seriado de Dan Curtis  A trama é bem promissora: Barnabas Collins (Johnny Depp, em sua oitava colaboração com Burton) é um vampiro que, depois de aprisionado por dois séculos, desperta repentinamente em plena década de 70. Tentando se ajustar às estranhezas do mundo moderno, ele luta para recuperar o prestígio de sua família.

O problema de Sombras da Noite é o mesmo que Tim Burton enfrentou em seu Alice: o roteiro. Plasticamente impecável, o diretor acerta novamente no visual e na ambientação da história – contando com uma bela trilha instrumental (que inclui até uma participação de Alice Cooper) para auxiliar nesse quesito e uma lindíssima fotografia dark de Bruno Delbonell. Mas o texto de Seth Grahame-Smith simplesmente não empolga, diverte pouco (o timing cômico raramente acerta, tendo uma de suas melhores piadas envolvendo o McDonalds) e falha ao explorar todo seu vasto potencial em um longa sem ritmo.

Por exemplo, não é realmente empolgante ver um vampiro recém-libertado de um caixão tratando de negócios de sua empresa de pesca. O que torna o filme suportável é de longe Johnny Depp, que acrescenta mais um personagem memorável à sua invejável carreira e o faz sem repetir-se, acertando no sotaque e nas expressões de Barnabas; cujo contraste entre  bom e mau (ele é uma máquina de matar, mas sente remorso por suas ações) surpreende. É satisfatório também ver o ator encarnando a caracterização “clássica” do vampiro: pele pálida, presas e longos dedos que remetem diretamente ao icônico Nosferatu.

Vampiros à parte, bruxas, fantasmas e lobisomens não impressionam tanto como o protagonista. Maliciosa e atraente como seu decote, Eva Green se destaca dentre os coadjuvantes, que contam com as apagadas Michelle Pffeifer e Helena Bonham Carter; duas personagens desinteressantes e cujas intenções nunca são bem desenvolvidas. Salva-se Chloë Grace Moretz (já bem crescidinha), mas seu bom trabalho é prejudicado pela reviravolta estúpida – ainda que a mesma apresente “pistas” antes de acontecer – que sua personagem sofre próximo ao fim.

Caminhando lentamente até um clímax decepcionante, Sombras da Noite chega a ser entediante. Mais uma vez, Tim Burton dedica mais atenção ao belo visual do que a história que está contando e, perdoem o trocadilho, resulta num filme tão notável como uma sombra na noite.

Veja o (ótimo) trailer de SOMBRAS DA NOITE

Posted in Trailers with tags , , , , , on 15 de março de 2012 by Lucas Nascimento

Este ano, Tim Burton chega com dois promissores longas. A animação Frankenweenie e a comédia gótica Sombras da Noite, que marca mais uma parceria entre o diretor e o astro Johnny Depp. O trailer do segundo acaba de ser divulgado, e o resultado parece divertidíssimo. Confira:

Sombras da Noite estreia em 11 de Maio.