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Esse é Mesmo o Oscar 2012? | VOLUME IV: Categorias Principais

Posted in Especiais, Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2012 by Lucas Nascimento

Chegamos à parte final do meu especial sobre o Oscar 2012! Aqui, analisaremos as categorias principais, passando pelos Roteiros, Diretores e, claro, os 9 filmes indicados. Vamos lá:

Qual é o parasita mais resistente? Uma ideia. Uma ideia completamente original é muito difícil de ser encontrada atualmente, mas de vez em quando, algumas muito boas aparecem em determinados roteiros. Os indicados são:

O Artista | Michel Hazanavicius

Assumindo ambos os cargos de diretor e roteirista, Michel Hazanavicius merece créditos por seu roteiro apresentar pouquíssimos diálogos. Os poucos que aparecem são em cartões – típicos dos filmes mudos – e trazem diversas ironias (George Valentin insiste em não falar diversas vezes, simbolizando tanto a situação da trama quanto o fato de O Artista ser mudo) e cenas já icônicas (como Peppy brincando com o casaco de Valentin). No entanto, acho que o roteiro do filme não merece o ouro por não ter diálogos falados.

Quotação Memorável: “Eu não vou falar! Não direi uma palavra!” – George Valentin

Margin Call – O Dia antes do Fim | J.C. Chandor

Não assisti Margin Call – O Dia Antes do Fim, mas fazer um filme sobre crise ecônomica realmente vem a calhar atualmente. Pelo que li, o roteiro de J.C. Chandor é bem adulto e maduro, sem dar explicações sobre eventos ou uma aula de economia. Enfim, preciso assistir antes de falar qualquer coisa.

Quotação Memorável: “Há três meios de se sair bem nesse negócio: seja o primeiro, seja esperto ou trapaceie.” – John Tuld

Meia-Noite em Paris | Woody Allen

Sem dúvida um dos melhores roteiristas em atividade, Woody Allen escreve o melhor roteiro dentre os indicados (incluindo os da categoria de Adaptados) com sua fantástica saga parisiense. A entrada do protagonista em um mundo do passado é sensacional e rende momentos hilários, principalmente com as memoráveis participações especiais (ressalto novamente a inspirada presença de Salvador Dalí). Mas o legal mesmo, é como Allen fala sobre como o tempo surge para reforçar uma ideia ou época, algo com que eu pude me identificar bastante.

Quotação Memorável:Eu confio em você, mas tenho ciúmes. É uma dissonância cognitiva!” – Gil

Missão Madrinha de Casamento | Annie Mumulo & Kristen Wiig

Certamente a indicação mais boba da categoria, a comédiazinha Missão Madrinha de Casamento conseguiu se infiar na lista. Com alguns diálogos inspirados, o filme tem pouco de genuinamente engraçado (a maior parte do charme do filme está nas mãos do elenco) e usa-se de muitos clichês de comédia romântica para estar em uma categoria que preza originalidade. Tem até uma piada (exagerada) com churrascaria brasileira…

Quotação Memorável: “Eu sou a vida, Annie, e eu estou mordendo a sua bunda!” – Megan

A Separação | Asghar Farhadi

A indicação do iraniano A Separação como Roteiro Original sela a vitória o longa de Asghar Farhadi na categoria de Filme Estrangeiro. Ainda não assisti ao filme (sim, tenho muitos a ver), cuja trama foca um casal que é forçado a escolher entre mudar de país para fornecer condições melhores a seus filhos ou ficar no Irã para tratar de um parante portador de Alzheimer. Quando sair em Blu-ray, não vou perder.

Quotação Memorável: “O que é errado é errado. Não importa quem disse ou onde está escrito.” – Nader

FICOU DE FORA: 50% | Will Reiser

Em uma mistura inusitada de comédia e drama, o roteirista Will Reiser coloca sua própria experiência com o câncer no papel, rendendo o divertidíssimo e de bom coração 50%. Traz diálogos bem desenvolvidos (com uma linguagem bem chula, e que abraça o politicamente incorreto todo o tempo) e situações inesperadas para um longa do gênero, como a piada de usar a situação para pegar mulher. Como Missão Madrinha de Casamento entrou e este não, é um mistério.

Quotação Memorável: “Ninguém quer transar comigo. Eu pareço o Voldemort” – Adam

APOSTA: Meia-Noite em Paris

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Artista

Quando uma ideia completamente original está em falta, resta recorrer à livros, peças ou fazer continuações; podendo simplesmente adaptá-la à tela grande, ou criar algo novo a partir de seu argumento. Os indicados são:

Os Descendentes | Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash

Adaptado de: Livro Os Descendentes, de Kaui Hart Hemmings

Com alguns dos melhores diálogos do ano, Alexander Payne mostra novamente que é melhor roteirista do que diretor (não que esta seja falha), contando com auxílio de Nat Faxon e Jim Rash. O texto é sedutor por quebrar o clichê paradisíaco que a maioria das pessoas têm em relação ao Havaí, contando com ótimas narrações de seu protagonista e situações criativas e até bizarras – tal como a “conversa” entre Matt e sua esposa no hospital. É o favorito para levar o prêmio, e com razão (mesmo não sendo meu favorito dentre os indicados).

Quotação Memorável: “No telefone ele pode fugir, pessoalmente, ele não tem pra onde ir. Eu quero ver a cara dele” – Matt King

O Espião que Sabia Demais | Bridget O’Connor & Peter Straughan

Adaptado de: Livro O Espião que Sabia Demais de John Le Carré

Complexo e intrincado, é difícil entender a trama de O Espião que Sabia Demais em uma única visita. O roteiro de Bridget O’Connor (falecida pouco antes do início das filmagens) e Peter Straughan é assaverado na lógica e raciocínio do espectador, isentando-se de pausas para explicar o que acontece ou diálogos que sejam claros o bastante. O resultado é meio devagar, mas muito inteligente se analisado a fundo.

Quotação Memorável: “É a mais antiga das perguntas, George. Quem consegue espionar os espiões?” – Oliver Lacon

O Homem que Mudou o Jogo | Aaron Sorkin & Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, de Michael Lewis

Com dois nomes de peso na assinatura (e ainda por cima, oscarizados), o roteiro de O Homem que Mudou o Jogo é meu favorito dentre os indicados. No complexo mundo da análise de jogadores de beisebol, Steven Zaillian e Aaron Sorkin – tomando como base o livro acima e o argumento de Stan Chervin – escrevem diálogos formidáveis cheios de passagens inspiradíssimas (especialmente nas formas em que lida com a mediocricidade do time), trabalham bem os personagens e passam um significado que vai além do esporte, lidando com questões familiares e principalmente a importância de uma boa escolha. Excelente.

Quotação Memorável:Você prefere levar um tiro na cabeça ou três no peito e sangrar até morrer?”Billy Beane

A Invenção de Hugo Cabret | John Logan

Adaptado de: Livro A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick

Usando a história de um orfão solitário como ponto de partida, John Logan tece uma trama empolgante e fantástica que traz uma mensagem linda em suas entrelinhas. Além de ser repleto de momentos de bom humor e falar muito sobre a História do Cinema (e atestar, junto com Scorsese, sua paixão de alma e coração pelo mesmo), emociona com sua metáfora onde o mundo é uma grande máquina, e que todos tem uma função nela. Inspirador.

Quotação Memorável:Se o mundo é como uma grande máquina, então eu não poderia ser uma peça extra. Eu tinha que estar aqui por um motivo. E você também” – Hugo Cabret

Tudo pelo Poder | George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

Adaptado de: Peça Farragut North, de Beau Willimon

Praticamente ignorado no Oscar deste ano, o ótimo thriller político de George Clooney teve, ao menos, seu roteiro lembrado. Escrito pelo próprio Clooney, seu parceiro Grant Heslov e Beau Willimon tece uma intrigante rede de mentiras e traições, tendo como cenário uma eleição presidencial bem contemporânea. O grande atrativo, além dos belos diálogos, é como Tudo pelo Poder é acessível para qualquer um, independente do gosto político; basta ser apreciador de uma boa história.

Quotação Memorável:Você pode mentir, pode trair, pode começar uma guerra e até falir o país, mas você não pode comer as estagiárias. Eles te pegam por isso” – Stephen Meyers

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Steven Zaillian

Adaptado de: Livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson

Também de Steven Zaillian, aqui o roteirista faz um trabalho solo e dá uma aula de adaptação literária. Como leitor do livro original, é possível perceber o quanto Zaillian resumiu bem a trama e se deu a coragem de realizar mudanças favoráveis a fim de uma resolução dramática mais simplificada. Os diálogos são excelentes (o que se passa no porão de Martin Vanger é assustadoramente genial), assim como a intrincada construção estrutural da história e seus personagens. Zaillian está escrevendo o segundo filme, será que agora vai?

Quotação Memorável:É engraçado como o medo de ofender pode ser maior do que o medo da dor.” – Martin Vanger

APOSTA: Os Descendentes

QUEM PODE VIRAR O JOGO: O Homem que Mudou o Jogo

Já vimos dezenas de categorias nas quatro partes deste especial. Mas apenas uma pessoa pode ter o controle absoluto sobre ela, mudar o que quiser e comandar para atingir o resultado desejado: o diretor. Os indicados são:

Woody Allen | Meia-Noite em Paris

Woody Allen sai um pouco de sua zona de conforto, no caso a cidade de Nova York, e se aventura nas luzes da Paris contemporânea e dos anos 20. A viagem  valeu a pena, já que o amado cineasta recebe sua primeira indicação para Melhor Diretor desde Tiros na Broadway (em 1995). Criando planos bem abertos e sem cortes, a direção de Allen é charmosa e sem muitos maneirismos, respeitando principalmente seu próprio roteiro e as bela arquitetura da cidade.

Michel Hazanavicius | O Artista

É preciso coragem para dirigir um filme mudo e preto-branco hoje em dia. Mas parece que o cineasta francês Michel Hazanavicius não se viu tão preocupado, já que comanda O Artista com naturalidade, maestria e expira ar fresco e novo, mesmo tratando-se de uma das mais antigas formas de cinema que existem. Hazanavicius adota a estrutura, capricha nos enquadramentos (sua mise em scène é soberba) e homenageia de alma e coração os bons tempos de Hollywood. Já ganhou o Directors Guild Awards, então é favorito.

Terrence Malick | A Árvore da Vida

Tímido e bastante reservado, o diretor Terrence Malick é indicado ao Oscar novamente e promete também permanecer anônimo durante a cerimônia. Dono de um estilo invejável, sua técnica em A Árvore da Vida é maravilhosa; sua câmera gira, balança e se move junto aos personagens, como se a mesma fosse um personagem com vida própria. Não me agrada o resultado do longa, mas a direção de Malick é muito bonita.

Alexander Payne | Os Descendentes

Fora da direção de um filme desde Sideways – Entre umas e Outras, Alexander Payne retorna em boa forma com seu ótimo retrato de uma família havaiana em crise com Os Descendentes. É engraçado como Payne vai inserindo humor na trama através de seu visual, como na corrida na praia – onde Matt vai percebendo quem é o corredor que passa por ele – e também equilibrando o drama, tal como na já famosa cena da picina, e na direção de seu impecável elenco.

Martin Scorsese | A Invenção de Hugo Cabret

Trabalhando com a tecnologia 3D – e em um filme para toda a família – pela primeira vez, Martin Scorsese mostra que ainda é um dos melhores cineastas de nossos tempos. Suas tradicionais assinaturas estão aqui (o uso da neblina, névoa entre os personagens), mas ele usa a ferramenta tridimensional para proporcionar uma imersão impressionante, principalmente com seus travellings digitais e uma atenção especial à trama, que se move com ritmo e de forma bem humorada.

FICOU DE FORA: David Fincher | Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Um dos melhores diretores da atualidade, David Fincher nunca trabalhou tanto o visual quanto em Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mostra-se maduro e ao mesmo tempo infinitamente criativo, ousando nos planos (como na câmera que vira de ponta-cabeça) e sempre prestando atenção nos detalhes da cena (reparem em como enquadramentos mudam durante a cena do primeiro estupro e a vingaça do mesmo), sempre indo além em seu comando narrativo.

Artistas em decadência, a origem da vida, cavalos de guerra, famílias desfuncionais, empregadas lutando contra racismo, técnicos de beisebol que anseiam em mudar o jogo, inventores de cinema, escritores nostálgicos e crianças traumáticas disputam o Oscar deste ano. Os indicados são:

O Artista

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma ode muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.” Crítica

A Árvore da Vida

“De verdade, eu não gostei de A Árvore da Vida. Acho suas imagens belíssimas, direção maravilhosa e seu elenco esplêndido, mas sua narrativa complexa e quase sem coerência não foi capaz de me prender, o que tornou a experiência cansativa. Não é um filme para todos, e certamente agradará aos fãs de Terrence Malick, mas não vejo nada de espetacular que possa justificar a indicação para Melhor Filme.Crítica

Cavalo de Guerra

“Cavalo de Guerra é um drama eficiente que, mesmo utilizando artifícios clichês e já explorados, consegue mostrar o poder de uma amizade em meio a uma guerra terrível, onde a inocência do animal – e a compaixão humana por este – surge como um tocante cessar-fogo.” Crítica

Os Descendentes

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha! Crítica

Histórias Cruzadas

Com valores de produção bons o suficiente para recriar a época em questão, Histórias Cruzadas é um bom filme que, mesmo trazendo um tema já discutido diversas vezes, vale a vista graças a seu ótimo elenco e sua boa mistura de humor/drama. Crítica

O Homem que Mudou o Jogo

O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas. Comovente e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.”
Crítica

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret é mais do que apenas o primeiro 3D de Martin Scorsese. É uma história sobre encontrarmos nossa função no mundo e como os sonhos podem ser capturados pela incomparável magia do cinema. É uma carta de amor para o cinéfilo dentro de todos nós.” Crítica

Meia-Noite em Paris

“Divertidíssimo e com roteiro fabuloso, é um belíssimo atestado à Cidade da Luz e seus artistas, também apresentando um elenco equilibrado e uma bela mensagem sobre a valorização do presente e o poder que o tempo possuí sobre a arte. Algo que certamente Woody Allen compreende bem… . Crítica

Tão Forte e Tão Perto

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria “Tão Dramático e Tão Apelativo”… Crítica

FICOU DE FORA: Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

“Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres oferece tudo que a franquia literária merece, provindo um longa maduro e envolvente, catapultando a talentosa Rooney Mara ao estrelato e oferecendo, em uma rara ocasião, uma franquia blockbuster destinada ao público adulto.” Crítica

APOSTA: O Artista

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Invenção de Hugo Cabret

É isso aí, o especial vai ficando por aqui. Juntem-se a mim durante minha transmissão ao vivo do Oscar 2012 no Domingo (publicarei mais detalhes em breve). Até mais!

Confira os indicados ao PGA 2012

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , on 3 de janeiro de 2012 by Lucas Nascimento

O Producers Guild Awards anunciou hoje seus indicados. O prêmio do sindicato dos produtores geralmente prevê os indicados ao Oscar, por isso quem está aqui muito provavelmente será nomeado também ao prêmio da Academia. Os indicados são:

LONGA METRAGEM

O Artista

Cavalo de Guerra

Os Descendentes

Histórias Cruzadas

O Homem que Mudou o Jogo

A Invenção de Hugo Cabret

Meia-Noite em Paris

MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Missão Madrinha de Casamento

Tudo pelo Poder

ANIMAÇÃO

As Aventuras de Tintim

Carros 2

Gato de Botas

Kung Fu Panda 2

Rango

Surpreende a ausência de Harry Potter – que muitos apostavam em no mínimo uma indicação – e a presença de Missão Madrinha de Casamento (uma comédia!) e MILLENNIUM: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (violento demais!). Enfim, os vencedores serão anunciados em 21 de Janeiro.

| Tudo pelo Poder | Thriller político de tirar o fôlego

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , on 23 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Eu não sou o maior admirador da política. Aliás, pode-se dizer que raramente (muito mesmo) acompanho eventos do assunto, a não ser por eleições presidenciais. É este o tema de Tudo pelo Poder, filme que traz George Clooney na cadeira de diretor pela quarta vez, um thriller político envolvente e magistralmente executado.

Baseando-se na peça de Beau Willimon, o longa apresenta o período de eleições presidenciais entre dois candidatos: o democrata Mike Morris (Clooney) e o republicano Pullman (Michael Mantell), colocando em foco o dedicado Stephen Meyers (Ryan Gosling), acessor da campanha de Morris que terá sua lealdade testada ao descobrir segredos obscuros sobre seu candidato.

Voltando à parte onde eu disse que não me interessava por política, eu fico surpreso que um filme cujo tema é completamente voltado à mesma, tenha conseguido funcionar tão bem para mim. Isso se deve à ótima direção de Clooney, que mantém o ritmo e tom eficiente durante toda a projeção, despertando o interesse do espectador por seus personagens – nesse sentido, o roteiro assinado por Grant Heslov, Clooney e Willimon também merece atenção, já que apresenta ótimos diálogos e contextualiza com objetividade o complexo mundo onde o longa se passa.

E é muito interessante acompanhar como os eventos vão se desenrolando nesse cenário político. Tomando o filme para si próprio, Ryan Golsing faz um excelente trabalho como Stephen, estabelecendo uma persona de “bom-moço” no primeiro ato e impressionando com sua mudança de caráter ao longo da ocorrêcia de eventos surpreendentes. Clooney aparece menos, mas consegue fazer de Mike Morris um personagem admirável em sua campanha (claramente inspirada na de Barack Obama, note por exemplo na imagem que traz o ator em um pôster eleitoral com design semelhante ao do atual presidente dos EUA), mas com “esqueletos no armário”. Aplausos também para Phillip Seymour Hoffman e Paul Giamatti, sempre ótimos coadjuvantes.

Tratando-se de um cenário aparentemente simples (sem locações exóticas, ou saltos temporais), não era de se esperar um cuidado tão atencioso e bonito com o visual. O diretor de fotografia Phedon Papamichael compõe cada ambiente do filme com imenso talento e criatividade, criando um dos planos mais bonitos do ano, onde Stephen tem uma revelação sobre Molly (estagiária de Morris, interpretada pela carismárica Evan Rachel Wood) enquanto senta no carro durante uma pesada chuva; e a câmera foca o rosto de Gosling enquanto o limpador do retrovisor vai removendo a água, ao mesmo tempo em que pequenas lágrimas vão descendo pela face do ator. Sensacional.

Tudo pelo Poder é um ótimo filme para fãs e não-fãs de política, mas principalmente aos admiradores de uma boa história, madura e inteligente. Esse é o poder do cinema: transformar um assunto que não interessa a alguns (no caso, eu) em um dos melhores filmes do ano.

Esta semana nos cinemas… (23/12)

Posted in Esta Semana nos cinemas with tags , , , , , , , on 22 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Confira abaixo as principais estreias desta semana de Natal nos cinemas brasileiros:

Compramos um Zoológico

Sinopse: O filme, baseado em uma história real, apresenta Benjamin, um pai solteiro que vive uma incrível história de superação. Após a morte da esposa, Benjamin e seus filhos mudam-se para o interior da Califórnia para renovar e reinaugurar um zoológico em decadência. Sem nenhuma experiência prévia, a família verá seus valores transformados pelo convívio com os animais do zoológico.

Censura: Livre

Crítica

A Fera

Sinopse: Kyle Kingson tem tudo: inteligência, beleza, riqueza e boas oportunidades, mas possui uma personalidade cruel. Após humilhar uma colega de classe, ele é amaldiçoado por ela para se tornar tudo o que ele despreza. Enfurecido com a sua nova horrível aparência, ele vai atrás da garota e descobre que só terá a sua beleza de volta se fazer com que alguém consiga amá-lo.

Censura: 12 anos

Vontade de ver: 1/5

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Sinopse: Acusado pelo bombardeio terrorista ao Kremlin, o agente Ethan Hunt é desautorizado junto com o resto da agência quando o Presidente dá início ao “Protocolo Fantasma”. Deixado sem qualquer recurso ou apoio, Ethan tem que encontrar uma maneira de limpar o nome de sua agência e prevenir um outro ataque.

Censura: 12 anos

Crítica

Tudo pelo Poder

Sinopse: Thriller político centrado na campanha de um candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. Sthephen Myers é um jovem e ambicioso diretor de comunicação que não mede esforços para promover o seu candidato, o governador Mike Morris.

Censura: 12 anos

Vontade de ver: 4/5

Bem, essas são suas opções para o fim de semana de Natal. Boa sessão!

Indicados ao Globo de Ouro 2012

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 15 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

Sem mais delongas, confira abaixo as indicações ao Globo de Ouro 2011 (só as categorias de cinema):
(Apostas em amarelo)

Melhor Filme de Drama

Os Descendentes

Histórias Cruzadas

A Invenção de Hugo Cabret

Tudo pelo Poder

O Homem que Mudou o Jogo

Cavalo de Guerra

Melhor Filme (Musical ou Comédia)

50%

O Artista

Missão Madrinha de Casamento

Meia-Noite em Paris

Uma Semana com Marilyn

Melhor Diretor

Woody Allen – Meia-Noite em Paris

George Clooney – Tudo pelo Poder

Michel Hazanavicius – O Artista

Alexander Payne – Os Descendentes

Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

Melhor Ator (Drama)

George Clooney – Os Descendentes

Leonardo DiCaprio – J. Edgar

Michael Fassbender – Shame

Ryan Gosling – Tudo pelo Poder

Brad Pitt – O Homem que Mudou o Jogo

Melhor Atriz (Drama)

Glenn Close – Albert Nobbs

Viola Davis – Histórias Cruzadas

Rooney Mara – MILLENNIUM: Os Homens que não Amavam as Mulheres

Meryl Streep – A Dama de Ferro

Tilda Swinton – Precisamos falar sobre o Kevin

Melhor Ator (Comédia ou Musical)

Jean Dujardin – O Artista

Brendan Gleeson – O Guarda

Joseph Gordon Levitt – 50%

Ryan Gosling – Amor a Toda Prova

Owen Wilson – Meia-Noite em Paris

Melhor Atriz (Comédia ou Musical)

Jodie Foster – Carnage

Charlize Theron – Jovens Adultos

Kristen Wiig – Missão Madrinha de Casamento

Michelle Williams – Uma Semana com Marilyn

Kate Winslet – Carnage

Melhor Ator Coadjuvante

Kenneth Branagh – Uma Semana com Marilyn

Albert Brooks – Drive

Jonah Hill – O Homem que Mudou o Jogo

Viggo Mortensen – Um Método Perigoso

Christopher Plummer – Toda Forma de Amor

Melhor Atriz Coadjuvante

Berenice Bejo – O Artista

Jessica Chastain – Histórias Cruzadas

Janet McTeer – Albert Nobbs

Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

Shailene WoodleyOs Descendentes

Melhor Roteiro

O Artista

Os Descendentes

O Homem que Mudou o Jogo

Meia-Noite em Paris

Tudo pelo Poder

Melhor Filme Estrangeiro

A Separação

A Pele que Habito

O Garoto com a Bicicleta

As Flores da Guerra

In the Lando of Blood and Honey

Melhor Filme de Animação

As Aventuras de Tintim

Carros 2

Gato de Botas

Operação Presente

Rango

Melhor Trilha Sonora

O ArtistaLudovic Bource

W.E. – Abel Korzeniowski

MILLENNIUM: Os Homens que não Amavam as MulheresTrent Reznor & Atticus Ross

Cavalo de GuerraJohn Williams

A Invenção de Hugo Cabret Howard Shore

Melhor Canção Original

Hello, Hello” – Gnomeu & Julieta, Elton John

“Lay you Head Down” – Albert Nobbs, Sinead O’Connor

“The Living Proof” – Histórias Cruzadas, Mary J. Blige

“The Keeper” – A Redenção, Gerard Butler

“Materpiece” – W.E., Madonna

Os vencedores serão anunciados em 15 de Janeiro.