Arquivo para uma thurman

| Ninfomaníaca: Volume 1 | Uma satisfatória aliança técnica-narrativa

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de janeiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.0

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Stacy Martin tem maior tempo em tela na pele da jovem Joe

Fiquei muito impressionado com o interesse popular que se criou ao redor do novo filme do dinamarquês Lars Von Trier. Não só pela inteligente campanha de marketing da produção, mas pelo tema que atrai universalmente todo tipo de pessoa: sexo. Com Ninfomaníaca (o primeiro volume), Trier parte para mais uma de suas peculiares análises psicológicas – que certamente afastarão muitos – mas acaba se saindo melhor quando oferece uma série de metáforas para suas questões.

A trama começa quando o solitário Seligman (Stellan Skarsgard) encontra Joe (Charlotte Gainsbourgh) ferida e largada em uma rua próxima à sua casa. Acolhendo-a, ela começa a contar a longa história de sua autodiagnosticada ninfomania. O volume 1 traz os cinco primeiros capítulos da história.

Logo em seus segundos iniciais, Lars Von Trier quebra a cara daqueles que esperam simplesmente por pornografia, ao trazer uma longa introdução que primeiro aposta num fundo preto para depois lentamente apresentar detalhes do cenário onde a ação se desenrolará. Passado o “choque” inicial, a narrativa começa de forma eficiente ao trazer “Führe Mich”, da banda de metal alemã Rammstein, como tema principal da produção e apresentação de sua complexa protagonista. Ao longo dos primeiros cinco capítulos que este primeiro volume abrange, Lars Von Trier oferece diferentes metáforas e associações (as quais não entrarei muito em detalhe) a respeito do sexo. Seja na pescaria, geometria (é) ou na composição musical de Bach, as escolhas do diretor são acertadas e bem acompanhadas por uma série de digressões do inconsciente (como clipes de peixes mordendo iscas ou um “placar” que traz a pontuação de uma curiosa competição) que sempre complementam a ideia oferecida pela reflexão de Trier.

Pode soar mais como um exercício de estilo do que uma reflexão propriamente dita, mas impossível não se entreter pela excepcional montagem de Molly Marlene Stensgaard, que não só oferece as digressões em seus momentos corretos, mas também oferece muito mais dinanismo visual à Ninfomaníaca. Stensgaard, aliada pela metáfora de Trier e por uma composição de Bach, faz um dos usos mais belos e geniais de tela dividida que já vi; onde acompanhamos a mais elaborada metáfora da narrativa, um feito técnico maravilhoso – além de servir também como bem colocado artifício de humor negro. Ainda sobre o bem sucedido uso da técnica como narrativa, Trier diminui a razão de aspecto da tela (transformando-a em um pequeno quadrado) ao trazer o segmento centrado na personagem de Uma Thurman, uma decisão que mostra-se acertada levando em consideração o teor intimista e sufocante deste.

Mas ainda que seja possível conferir Ninfomaníaca meramente por sua competência técnica, a pergunta que não quer calar é: e as cenas de sexo? Foi divulgado publicamente que o diretor usaria dublês de corpos para as cenas mais pesadas, substituindo os rostos pelo de seus atores digitalmente. A verdade é que tais cenas não são polêmicas como a divulgação prometeu (a menos a claro, que a verdadeira sujeira esteja guardada para o Volume 2) e servem seu propósito narrativo eficientemente, raramente soando como um excesso ou quebra de ritmo (ao contrário da polêmica cena envolvendo Azul é a Cor Mais Quente, para efeito de comparação tola). Vemos lá os corpos de Shia LaBeouf, Stacy Martin (um achado) e uma colagem de fotos de pênis que deixaria Tyler Durden com inveja e, sim, é explícito para o espectador habitual, mas longe de ser um pornô à la XVideos como muitos imaginavam.

Ninfomaníaca – Volume 1 é uma experiência satisfatória. Impressionante pela competência narrativa e os elementos audiovisuais que seu diretor contou para apresentar suas ideias (ainda que estas não impactem com a mesma proporção da forma com que foram exibidas). Deixa a polêmica de lado e enxergue o filme como um competente exercício. Agora, resta esperar por seu desfecho.

Obs: Durante os créditos finais, são exibidos alguns clipes do Volume 2, que estreia em Março.

Análise Blu-ray | PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , on 9 de dezembro de 2011 by Lucas Nascimento

O Filme

Certamente o filme mais importante da década de 90, Pulp Fiction – Tempo de Violência é um dos meus filmes preferidos, perfeito em absolutamente todos os sentidos. Traz Quentin Tarantino em ótima forma, com um dos roteiros mais fascinantes de todos os tempos e um elenco extremamente entrosado e talentoso. Uma obra-prima, clássico moderno.

Making Of

Com apenas 10 minutos de duração, acompanhamos os bastidores de duas cenas icônicas do filme: o acidente de carro com Butch e a dança entre os personagens de John Travolta e Uma Thurman. Bem curto, mas muito bem humorado (afinal, é Tarantino quem carrega a câmera do extra).

Cenas Excluídas

Aqui, é possível assistir a cinco cenas (dentre as quais, 3 são versões estendidas) que não entraram no corte final do filme. Elas não são tão empolgantes, mas certamente merecem uma conferida (em especial a que mostra Mia bancando a entrevistadora com uma câmera). Para cada clipe, Tarantino explica seus motivos para não inserí-los no corte final.

Pulp Fiction: Os Fatos

Apresentando diversas entrevistas e depoimentos com membros da produção e elenco, este extra mergulha fundo nos bastidores do longa, focando na origem do projeto. Há também uma “mini-biografia” sobre Quentin Tarantino, que revela sua entrada no ramo cinematográfico através da venda de roteiros, o sucesso de Cães de Aluguel e a gênese de Pulp Fiction, assim como sua calorosa recepção. Excepcional.

Entrevista com o Designer de Produção e a Decoradora de sets

Em menos de 10 minutos, o designer de produção David Wasco e a decoradora de sets Sandy Reynolds-Wasco falam sobre alguns dos cenários e locações do filme, enfatizando aqueles que deram mais trabalho. Fiquei surpreso ao ver que o restaurante retrô foi construído inteiramente para o longa.

A Palma de Ouro – Festival de Cannes, 1994

Servindo para manter a ótima recepção crítica do longa, temos aqui um trecho da premiação do Festival de Cannes em 1994, quando Pulp Fiction ganhou a Palma de Ouro de Melhor Filme. Nostálgico.

Charlie Rose Show – Entrevista Quentin Tarantino

Encostando em 1 hora de duração, o blu-ray traz uma entrevista da época do filme com Quentin Tarantino no “Charlie Rose Show”. A ótima conversa vai das origens do diretor/roteirista no ramo (ele descreve até sua infância e a paixão pelo cinema) até o sucesso de Pulp Fiction. Além disso, serve para Tarantino mostrar sua memória enciclopédica de filmes e seus pensamentos ao escrever uma história. Sensacional, esse tipo de coisa realmente me encoraja a seguir no ramo do cinema…

Programa Siskel & Ebert – “A Geração Tarantino”

No antigo programa de TV dos críticos Roger Ebert e Gene Sisker, dois discutem a repercussão de Pulp Fiction em seu período de estreia e apontam vários detalhes do longa que comprovam sua genialidade. É interessante como eles divagam sobre o que o futuro poderia trazer para Tarantino…

Nota Geral:

Pulp Fiction – Tempo de Violência é obrigatório para qualquer colecionador ou cinéfilo. Pela primeira vez em blu-ray, o longa apresenta qualidades de imagem e som impecáveis e diversos extras que exploram, de forma divertida e informativa, os bastidores de uma obra que alcança a perfeição. Recomendadíssimo!

Preço: R$ 49,90