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| Em Transe | Thriller de hipnose se perde em suas reviravoltas

Posted in Cinema, Críticas de 2013, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , on 3 de maio de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

trance

Sou fascinado pela complexidade da mente humana e as incríveis funções do cérebro. Também nunca recusei um bom filme de heist (assalto). Então, após o diretor Christopher Nolan juntar os dois temas com maestria em A Origem, fiquei empolgado com a imersão de Danny Boyle em Em Transe, longa que compartilha de uma premissa similar mas que falha por ultrapassar a linha entre o “absurdamente bom” e o “absurdamente… absurdo”.

A trama gira em torno de um roubo a uma casa de leilões londrina. O bando liderado por Franck (Vincent Cassel) consegue com êxito roubar uma preciosa pintura, mas encontra um desafio ainda maior quando Simon (James McAvoy), o leiloeiro responsável pelo trabalho interno, recebe uma pancada na cabeça e esquece o paradeiro do quadro. Certo de que o sujeito não faz jogo duplo, Franck contrata a terapeuta Elizabeth (Rosario Dawson) para submeter Simon a sessões de hipnose, visando ajudá-lo a se lembrar de tudo.

É uma premissa sedutora para qualquer cineasta. Dono de um estilo autoral invejável, Danny Boyle fornece ao longa um visual arrebatador, dando ao diretor de fotografia Anthony Dod Mantle a possibilidade de “brincar” e experimentar diversas paletas de cores e iluminações distintas – dentre as quais destaca-se a contra-luz, utilizada com frequência. Boyle também é criativo ao oferecer diversos enquadramentos que capturam a estranheza de situações e ambientes, seja pela posição da câmera (que constantemente opta pelo “ângulo holandês, inclinado) ou pelas diferentes lentes escolhidas, alcançando um resultado onírico que se assemelha muito com seu trabalho em Trainspotting.

Mas se Em Transe é visualmente estimulante, também revela-se uma narrativa desequilibrada e cheia de furos. O roteiro de Joe Ahearne e John Hodge (que já havia sido adaptado em 2001 para a televisão) é hábil em fornecer enigmas e questionamentos para o espectador – especialmente por iniciar o longa na “metade” da história – e preencher seus personagens com atitudes capciosas.  No entanto, é decepcionante ao buscar explicações absurdas para os mistérios do longa, principalmente pelo implausível arco da Elizabeth de Rosario Dawson (que exibe corajosamente seu corpo em momentos-chave) e das demais reviravoltas que não fazem sentido dentro da trama. É difícil falar sobre suas falhas sem entregar spoilers, mas basta dizer que o longa se perde na tentativa de gerar ambiguidade.

Com uma trilha sonora agitadíssima assinada por Rick Smith, Em Transe é cativante em sua premissa e trabalho visual, mas são elementos desperdiçados por uma narrativa bagunçada e desestruturada. É daqueles filmes pra se ver com muita atenção, pois dessa forma será possível enxergar todos os furos de seu roteiro.

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Análise Blu-ray | CISNE NEGRO

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , on 8 de junho de 2011 by Lucas Nascimento

O Filme

Um dos melhores filmes lançados no Brasil em 2011, Cisne Negro é uma envolvente e perturbadora obra de arte, que apresenta uma trama psicológicamente intensa e uma excepcional performance de Natalie Portman, premiada com o Oscar por seu trabalho aqui. Darren Aronofsky continua provando que é um ótimo diretor e tem um talento único para contar histórias. Crítica

Extras

A Metamorfose do Cisne Negro

 

Dividido em 3 capítulos, o documentário leva o espectador por dentro dos bastidores do filme, acompanhando desde as filmagens em Nova York, passando pelas gravações em estúdio até chegar à pós-produção. Há diversos depoimentos do diretor Darren Aronofsky, Natalie Portman e, principalmente, do diretor de fotografia Matthew Libatique, que revela suas técnicas e o cuidado no visual do filme. Bem objetivo e esclarecedor.

Balé

O diretor Darren Aronosky comenta sobre sua opinião a respeito do balé O Lago dos Cisnes e também sobre sua influência na trama do filme. Além disso, há breves depoimentos do elenco sobre a questão de dualidade do filme. Curto, mas satisfatório.

Desenho de Produção

Como o próprio nome sugere, aqui aprendemos mais sobre a direção de arte do filme e seus cenários, com óbvia inspiração em diferentes versões de O Lago dos Cisnes; um certo desafio, levando em consideração o orçamento relativamente apertado da produção. Mais importante, há uma análise sobre como os cenários afetam a personalidade dos personagens e o rumo da trama.

Figurino

Sendo um filme sobre balé, obviamente teremos roupas de balé! Aqui, vemos um pouco do trabalho do figurino do filme, assinado por Amy Westcott e com colaborações da dupla Rodarte, especializada em vestuários de espetáculos (balé, inclusive). O que é bacana aqui é ver como cada peça de roupa contribui na construção dos personagens.

Perfil: Natalie Portman

A atriz Natalie Portman fala sobre seu envolvimento com o projeto e sua extrema dedicação física, que incluíam cerca de 5 horas de balé por dia, além de exercícios. Muito bom, mas poderia ser mais comprido e melhor explorado.

Perfil: Darren Aronofsky

Apresenta a mesma abordagem do extra anterior, mas dessa vez com Darren Aronosfky. O diretor fala dos elementos que o atraíram para o projeto e também faz uma interessante comparação entre este e seu filme anterior, O Lutador. Mais um extra que ajuda a comprovar o talento do cineasta.

Bate-Papo: A Preparação para o Papel

Mais comentários sobre as aulas de dança de Natalie Portman, só que agora com detalhes mais específicos (movimentos de braço, pernas e tal) e com Darren Aronofsky como entrevistador (uma mania nova da Fox). Meio repetitivo, mas é bacana ver a dinâmica entre o diretor e a atriz.

Bate-Papo: Dançando com a câmera

Basicamente uma continuação do extra anterior, mantém a conversa entre Portman e Aronofsky, para discutir o uso da câmera no meio das danças. Bem, com menos de 2 minutos de duração é impossível ter um aprofundamento consistente na área.

Especial do Fox Movie Channel

Bem, o blu-ray apresenta cinco divisões para um especial do programa Fox Movie Channel, mas resolvi comentar sobre ele em geral. Aqui, Natalie Portman, Winona Ryder, Vincent Cassel e Barbara Hershey falam muito sobre seus personagens e como fizeram para retratá-los. De bônus, o diretor faz um comentário sobre seu filme, as inspirações do balé, entre outros (nada muito diferente dos extras anteriores).

Nota Geral:

Cisne Negro apresenta ótimo material extra, repleto de detalhes sobre a produção desse grande filme. A qualidade de imagem é muito boa (eu pessoalmente não gosto do granulado), assim como a de som. Recomendado.

Preço: R$ 79,90

| Cisne Negro | A dualidade entre a Luz e as Trevas sob a visão de Darren Aronofsky

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Drama, Indicados ao Oscar, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de fevereiro de 2011 by Lucas Nascimento


Espelhos do Medo: Natalie Portman na performance de sua carreira

Cisne Negro é daqueles filmes que requerem uma segunda e talvez uma terceira visita, não apenas pela complexidade narrativa, mas pelo nível impressionante de detalhes que expõem a natureza e a personalidade da protagonista. A dualidade clássica entre a luz e as trevas é o ponto de foco central da narrativa, que acompanha a esforçada bailarina Nina Sayers.

Escolhida para o disputado papel principal na peça O Lago dos Cisnes, Nina deve satisfazer seu ambicioso diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel, excelente) ao traduzir para a dança, a personalidade graciosa do Cisne Branco e, simultaneamente, a sensualidade do Cisne Negro.

O problema é que Nina não consegue dançar como o Cisne Negro. Ela é o Cisne Branco em sua fidelíssima incorporação física; a sensacional performance de Natalie Portman enfatiza tais características ao traçar a jovem como frágil, graciosa e, sempre que algo dá errado ou imprevisto, dando a impressão de que seria capaz de se desmoronar em lágrimas, o que provavelmente é fruto de sua vida quase infantil; os bichos de pelúcia em seu quarto, a atenção constante e super-protetora de sua mãe (Barbara Hershey). São muitos detalhes bárbaros que contribuem para que essa seja a melhor performance da carreira de Portman, que mostra-se também uma dançarina eficáz.

Todo esse primeiro ato sobre o Cisne Branco é simpático e agradável, em certos momentos parecendo até mesmo uma animação de princesas da Disney (sombria, claro), no entanto, o espectador nunca se esquece de que este é um filme de Darren Aronofsky. Exibindo uma visão sinistra e sua tradicional marca, é impactante ver o cineasta preparar o terreno para a destruição psicológica que vem a seguir, provocando seu habitual desconforto no espectador.

Through the Looking Glass


I am to become Death: Nina dança o Cisne Negro

Enquanto Nina é graciosa e virginal, a novata Lily (Mila Kunis, da série extinta That’ 70s Show) é exatamente o oposto: sensual, provocante e agressiva, características que ela apresenta tanto em seu modo de vida quanto no balé, o que a torna perfeita para o papel do Cisne Negro. O perfil da personagem é retratado com muito carisma e atenção por Kunis, que enfim mostra um papel forte e memorável, mostrando-se mais do que um rosto (muito) bonito.

É maravilhoso observar os elementos simbólicos. A transição de Nina para “o lado sombrio” pode se dar perfeitamente pelo plano em que a personagem veste uma blusa preta dada por Lily, mas sem remover a vestimenta branca que ela já vestia, o que claramente estereotipa que, mesmo entrando nesse estado sombrio, o conflito interno entre a luz e as trevas continua, manifestando-se pela brilhante fotografia de Matthew Libatique , que utiliza espelhos e reflexos de forma genial; seja como contribuição dramática para a busca pela perfeição de Nina (em certos planos, é possível acompanhar a ação e a reação de personagens diferentes, graças ao espelho) ou a já mencionada dualidade…

O contraste entre preto e branco não é esquecido nem mesmo na polêmica cena de sexo entre as protagonistas; Nina usa roupas íntimas brancas, enquanto Lily traja preto. Mesmo questionando a existência de tal ato (acredite, realidade e imaginação se confundem excessivamente ao longo do filme) é importante na transformação assustadora de Nina, que ainda conta com alucinações, maquiagens, efeitos sonoros perturbadores e um uso magnífico de efeitos visuais (a pena que sai de suas costas no trailer é apenas a ponta do iceberg…) que resultam numa criação assustadora e uma dança final inesquecível.

Confundindo o espectador com níveis de realidade e alucinações, Cisne Negro é um retrato único da dualidade bem e mal através da direção onírica e sinistra de Darren Aronofsky, que entrega uma visão bizarra do mundo do balé e uma performance inesquecível de Natalie Portman.

Leia esta crítica em inglês (english)