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| Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível | Crítica

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2015, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , on 4 de junho de 2015 by Lucas Nascimento

3.5

Tomorrowland
A ótima Britt Roberston é Casey Newton

Quando fiquei sabendo do conceito de Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (ufa, título longo) pela primeira vez, logo bateu uma fadiga. Mais uma aventura – Disney – fantasiosa que gira em torno de um lugar mágico que só pode ser acessado por um jovem idealista e corajoso… Blá blá blá. Não fosse a presença do grande Brad Bird na direção, eu provavelmente o teria evitado.

A trama começa quando o jovem Frank Walker (Thomas Robinson, e George Clooney em fase adulta) descobre a utópica Tomorrowland em uma convenção para inventores na, claro, Disneyland. Anos depois, a jovem prodígio Casey Newton (Britt Roberston) começa a receber pistas da existência do local, graças a um pin que lhe foi concedido pela misteriosa Athena (Raffey Cassidy). Curiosa, Britt recorre ao velho Frank a fim de encontrar uma forma de retornar.

Este é o segundo filme live action de Brad Bird, que já havia comandado o ótimo Missão: Impossível – Protocolo Fantasma e as exemplares animações O Gigante de FerroRatatouilleOs Incríveis. Fica evidente que o cara tem talento, e este mesmo que consegue transformar boa parte de Tomorrowland em um filme muito agradável. Bird tem uma câmera inventiva e comanda sequências de ação que sabem muito bem como explorar o humor e objetos de cena (a fuga da casa de Frank é um grande exemplo de uso de props), chegando a impressionar quando embarca em um longo plano sequência que acompanha a primeira visita de Casey em Tomorrowland. Ah, agradeça também à trilha fantástica de Michael Giacchino.

Bird também co-assina o roteiro com Damon Lindelof, e é aí que as coisas começam a desandar. A forte presença simbólica de grandes gênios como Thomas Edison, Nikola Tesla e até o próprio Walt Disney são interessantes, explicando que estes teriam se unido para criar a utopia que da nome ao filme. É uma moral bonita e inspiradora, a de que o futuro pode sim ser otimista e que está nas mãos daqueles que ousarem sonhar com algo diferente, mas acaba tornando-se idealista demais (a sequência de cenas em que Casey desesperadamente tenta chamar a atenção de seus professores pessimistas é digna de um desenho animado, de tão caricata), além de diversas vezes me parecer como se os executivos da Disney estivessem testando ideias para novas atrações de seus parques temáticos.

E se você tremeu quando ouviu o nome de Lindelof, sinto dizer-lhes que ele ataca novamente. O roteirista certamente é muito bom para criar premissas instigantes (“Inventaram algo que não deveriam”, promete o clima de suspense durante a primeira metade do longa), mas decepcionante quando nos revela as respostas. Aqui, todas as boas realizações de Bird são estragadas em um terceiro ato risível que encontra num desperdiçado Hugh Laurie seu antagonista, e seus motivos (e pior, a solução dos heróis) confusos e vazios – ainda que soem minimamente interessantes no papel. E nada legal tentar explorar a capacidade de um robô de amar logo no final do filme, mesmo que a jovem Raffey Cassidy seja imensamente carismática; assim como Britt Roberston, que rouba completamente a cena de George Clooney, mesmo que este surja bem como de costume.

Pensar que Brad Bird trocou o novo Star Wars para fazer Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível é espantoso, porém compreensível. Temos aqui uma obra capaz de divertir e até provocar um efeito positivo, mas que é prejudicada por excesso de confiança e moralismo, desabando em sua errática conclusão.

Obs: Falei de Star Wars? Bird praticamente dirige uma cena do novo filme ao trazer diversos brinquedos da saga de forma NADA sutil em uma sequência de briga.

Obs II: Bird, obrigado por não nos fazer engolir um 3D convertido.

| Operação Big Hero | Crítica

Posted in Adaptações de Quadrinhos, Animação, Aventura, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , on 28 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

BigHero6
Hiro e o robô Baymax

Com a compra da Marvel pela Disney, a empresa de Mickey Mouse assumiu controle até das mais distintas obras da editora. No mercado japonês, as histórias do grupo Big Hero 6 são bem populares, mas confesso que nunca tinha ouvido falar desta até o lançamento desta nova divertida animação do estúdio, Operação Big Hero.

Escrita por Jordan Roberts, Daniel Gerson e Robert L. Baird, a trama é ambientada numa sociedade futurista que atende pelo nome de San Fransokyo (união entre a cidade californiana americana e a capital japonesa), apresentando-nos ao jovem Hiro (voz de Ryan Potter no original), menino prodígio que tenta escolher o que fazer com seu imenso potencial. Após a repentina morte de seu irmão em um incêndio, ele descobre seu robô Baymax (voz de Scott Adsit), que o ajudará a encontrar um misterioso mascarado que estaria envolvido na tragédia.

As animações da Walt Disney andam muito bem, ainda mais se compararmos com as da Pixar. Com John Lasseter atuando pesadamente como produtor de alguns projetos do estúdio, tivemos obras do calibre de Detona Ralph e o superpoderoso Frozen: Uma Aventura Congelante. Operação Big Hero continua esse strike bem-sucedido de sucessos, e se a animação anterior virava os contos de princesa de ponta cabeça, esta mergulha no gênero dos super-heróis. Visualmente, é um grande feito ao elaborar designs criativos para seus personagens e locações, especialmente ao observarmos as influências futuristas na elegante junção da arquitetura americana com a japonesa (a ponte Golden Gate, por exemplo, fascinante com telhados típicos da cultura oriental).

Mas se há um fator que faz a diferença aqui é Baymax, o adorável robô inflável. Sua expressão minimalista e quase imutável garante ao personagem uma ingenuidade divertida e tocante, que logo caminha para um bem colocado senso de humor, provocando risadas de forma sutil; como os movimentos delicados e outrora desajeitados de Baymax. Os demais personagens também são muito bem trabalhados e diferentes entre si, especialmente na forma como os animadores ilustram suas distintas habilidades. O vilão mascarado, dentre todos, é o que mais chama a atenção, graças a seu visual amedrontador e sua locomoção através de milhares de nanobots – elemento que rende ótimas cenas de ação.

O que realmente não me agradou em Big Hero foram algumas soluções de roteiro. A identidade e motivações do vilão mascarado (como em Frozen, o filme tenta ocultar o real antagonista da história) surgem meio deslocadas da trama central, trazendo elementos de Contato e Os Vingadores. Sem falar que o filme peca ao se mostrar mais um exemplar da escola Marvel de “Ninguém está realmente morto”, principalmente por garantir uma grande cena emocional para algo… Irrelevante. Sinto que é um artifício barato para trapacear o espectador.

Operação Big Hero é uma animação eficiente e empolgante, capaz de entreter e divertir graças a seus personagens ecléticos. Pode não ter uma história ou apego emocional fortes como em Os Incríveis, já que também é uma aventura de super-heróis, mas vale a visita. E Baymax já merece entrar pra História como um dos robôs mais memoráveis dos últimos tempos.

Obs: Há uma ótima cena após os créditos.

Tom Hanks é Walt Disney no trailer de SAVING MR. BANKS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , on 11 de julho de 2013 by Lucas Nascimento

banks

Está virando moda em Hollywood mostrar os bastidores de histórias famosas. Com Michelle Williams e Anthony Hopkins recriando as produções de, respectivamente, O Príncipe Encantado e Psicose, agora Tom Hanks e Emma Thompson aliam-se para contar a história por trás do clássico Mary Poppins com este Saving Mr. Banks (o título faz referência aos conflitos criativos que manteriam vivo o personagem do sr. Banks). Confira o (extenso) primeiro trailer:

Saving Mr. Banks estreia em 13 de Dezembro nos EUA.

| Universidade Monstros | Primeiro prelúdio do estúdio fica aquém de sua gloriosa reputação

Posted in Animação, Cinema, Críticas de 2013 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

3.0

mu
Toga! Toga! Mike e Sully nos tempos de faculdade

A Pixar teve um período espetacular nos cinemas. De 2005 até 2010, o estúdio filiado pela Walt Disney foi responsável por alguns dos melhores filmes de animação de todos os tempos: Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E, Up – Altas Aventuras e Toy Story 3 conquistaram não só o público infantil, mas também fez muitos adultos chorarem (eu ainda apanho dos 10 minutos iniciais de Up) e refletirem sobre os temas contidos nesses trabalhos – quase todos indicados ao Oscar, dois deles ao de Melhor Filme. A Era de Ouro da Pixar acabou com Carros 2 e Valente, filmes que- mesmo tendo sido bem recebidos – careciam do valor sentimental/maduro encontrado em seus trabalhos anteriores. Universidade Monstros chega para tentar reafirmar o posto absoluto do estúdio, mas não é nada além de um filme divertido.

A trama serve como prelúdio para o genial Monstros S.A., mostrando Mike Wazowski (voz de Billy Cristal na versão original) e James P. Sullivan (voz de John Goodman) se conhecendo na Universidade Monstros, uma faculdade especializada no ensino dos sustos e formadora de funcionários para a famosa empresa do filme anterior. Aqui, a dupla se alia a um grupo ridicularizado a fim de ganhar um torneio essencial para o curso de Assustadores.

Comandado pelo estreante Dan Scanlon (que também assina o roteiro ao lado de Robert L. Baird e Daniel Gerson), Universidade Monstros é eficiente ao trabalhar alguns elementos de sua empolgante proposta: como funcionaria uma instituição de ensino de monstros? Daí entra a esperteza do texto ao transportar todos os estereótipos de universidades norte-americanas (os esportistas, os nerds, os hippies e toda aquela divisão de fraternidades) ao universo de monstros nada assustadores, mas que continuam surpreendendo por suas composições inventivas (a personagem dublada por Helen Mirren, uma mistura de inseto com dragão, é particularmente interesssante). As melhores piadas funcionam pelos pequenos detalhes.

O que nos leva ao grande problema do filme. A história aqui é pautada em uma estrutura formulaica, prevísivel e que não parece ter nada muito significativo a dizer (além de uma óbvia valorização do trabalho em equipe). Claro, o público-alvo nesse tipo de produção é a faixa etária dos 10 anos, mas a Pixar sempre conseguia trazer algo além. Não temos aqui uma história emocionante como a do velhinho Carl, um amadurecimento profundo como o de Andy ou um antagonista complexo como o crítico gastronômico Ego. O prelúdio se sai bem como uma animação divertida e que entretém, mas não parece demonstrar a ambição por temas mais elaborados. Como fã de Monstros S.A., fico decepcionado por não ter sido bem explorada a relação entre Mike e a salamandra Randy Boggs (voz de Steve Buscemi); é revelado aqui que os dois eram amigos, mas o desmantelamento dessa amizade se dá por motivos rasos, jamais ganhando o foco necessário para justificar a vilania do personagem no primeiro filme.

Ainda estou esperando que a Pixar volte a me estapear com suas incríveis doses de sentimento e humor. Universidade Monstros é um bom filme, mas o estúdio pode (e está devendo) fazer muito melhor.

Obs: Há uma engraçadíssima cena pós-créditos.

Obs II: Como de costume nos filmes da Pixar, é exibido um curta-metragem antes do início do filme. “O Guarda-Chuva Azul” é bonitinho, mas nada espetacular.