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2015: Os Melhores dos Melhores

Posted in Melhores do Ano with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de dezembro de 2015 by Lucas Nascimento

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Chegou aquela hora do ano novamente… Junte-se a mim enquanto escolho os melhores filmes de 2015, mas atenção aos critérios abaixo:

  • A lista contém apenas filmes lançados no Brasil COMERCIALMENTE (logo, filmes de 2014 que chegaram este ano nos cinemas ou home video marcam presença aqui) e alguns lançamentos estrangeiros ficaram de fora (como Os Oito Odiados, Creed, A Grande Aposta, entre muitos outros).
  • Se  não concordar com minha opinião (e isso certamente vai acontecer), fique à vontade para comentar e apresentar sua própria seleção, mas seja educado, porque comentários grosseiros serão reprovados.

10. Perdido em Marte

4.0

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Perdido em Marte é um filme que surpreende pelo otimismo e o bom humor, e que deve despertar o interesse de muitos em exploração espacial. Ridley Scott pode errar bastante, mas compensa esperar por um projeto certeiro como este.

9. Star Wars: O Despertar da Força

4.0

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Star Wars: O Despertar da Força é um eficiente retorno à forma para a saga espacial que fez (e faz) parte da vida de uma gigantesca legião de fãs. Pode sim se apegar demais à nostalgia, mas é uma continuação digna que ainda oferece um caminho promissor para o futuro. A Força é forte nessa nova franquia.

8. Ex Machina: Instinto Artificial

4.5

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Ex Machina: Instinto Artificial é uma inteligente e questionadora ficção científica, capaz de iniciar um instigante debate sobre a evolução da inteligência artificial e sua relação com o Homem. Um baita começo para Alex Garland, que desde já mostra-se uma aposta promissora.

7. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

4.5

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Birdman é uma obra inteligente e repleta de comentários ácidos sobre a indústria de Hollywood e os bastidores do mundo do teatro, explorando um impecável elenco numa narrativa guiada por uma visão de mestre de Alejandro G. Iñarrítu.

6. Ponte dos Espiões

4.5

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Navegando com perfeição por um tema delicado, Ponte dos Espiões surpreende por mostrar-se um trabalho de Steven Spielberg que consegue muito bem funcionar como um thriller de espionagem inteligente, sem deixar de lado a abordagem séria que o diretor vem buscando nos últimos anos.

5. Whiplash: Em Busca da Perfeição

4.5

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Whiplash – Em Busca da Perfeição é uma obra que funciona exatamente como uma orquestra sinfônica. Cada departamento exerce sua função magistralmente, tal como instrumentos musicais, cada um a seu ritmo e sob a conduta de um sujeito inteligente para entregar uma experiência inebriante. Ao final, tudo o que posso dizer é “bravo”.

4. Kingsman: Serviço Secreto

4.5

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Kingsman: Serviço Secreto é tudo que um bom blockbuster deveria ser, misturando ação estilizada com humor inteligente, sarcasmo e uma metalinguagem acertadíssima. Uma ode ao gênero de espionagem pra deixar qualquer um sorrindo de orelha a orelha, comprovando que Matthew Vaughn é quem mais acerta no que faz.

3. A Travessia

5.0

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A Travessia é uma obra inspiradora e que traz Robert Zemeckis em sua melhor forma em anos. Beneficiando-se da ótima história, produção e um 3D avassalador, a saga de Philippe Petit transforma-se em uma das mais poderosas experiências cinematográficas de 2015.

2. Mad Max: Estrada da Fúria

5.0

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Mad Max: Estrada da Fúria é uma sinfonia de ação que reúne o que o gênero tem de melhor, provocando uma experiência vibrante em um universo rico e completamente surtado. O marketing não estava errado, 2015 realmente pertence aos loucos.

1. Divertida Mente

5.0

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Engraçado, poderoso e completamente imaginativo, Divertida Mente representa o renascimento da Pixar de suas cinzas, finalmente recuperando seu alto posto com uma narrativa corajosa e envolvente. Ah, como é bom estar de volta…

DIRETOR

George Miller | Mad Max: Estrada da Fúria

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Quem diria que, depois de dirigir as fofíssimas animações de Happy Feet, George Miller retornaria ao universo violento e explosivo de Mad Max. Aos 70 anos de idade, o veterano australiano é responsável pelas cenas de ação mais impressionantes de 2015, consistindo em perseguições de carro pelo deserto, motoqueiros com granadas e agressores com mastros em cima de carros em movimentos. É loucura, e uma realização técnica notável, ainda mais pelo longa conseguir se sustentar todo com uma narrativa frenética e um fiapo de história. Testemunhem Miller!

Robert Zemeckis | A Travessia

Damien Chazelle | Whiplash: Em Busca da Perfeição

Alejandro G. Inarritu | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Steven Spielberg | Ponte dos Espiões

ATOR

Oscar Isaac | O Ano Mais Violento

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Que ano para Oscar Isaac. Além de também ter excelentes papéis em Ex Machina: Instinto Artificial Star Wars: O Despertar da Força, o ator latino entregou uma performance arrebatadora no não tão memorável O Ano Mais Violento. Na pele de Abel Morales, Isaac encarna um comerciante que luta para fugir da corrupção e a tentação do crime, enquanto protege sua família e aposta no crescimento de seu negócio. É uma atuação calma e que nos faz lembrar do jovem Al Pacino de O Poderoso Chefão.

John Boyega | Star Wars: O Despertar da Força

Taron Egerton | Kingsman: Serviço Secreto

Michael Keaton | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Michael Fassbender | Macbeth: Ambição e Guerra

ATRIZ

Daisy Ridley | Star Wars: O Despertar da Força

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Quem? É o primeiro papel da estreante britânica Daisy Ridley, que rouba a cena como a sucateira Rey em O Despertar da Força. É a heroína que a saga merecia, sendo forte, realista e simplesmente adorável, graças à carimsática performance de Ridley. A vulnerabilidade da personagem também é um fator chave, já que Rey é uma jovem que inicialmente foge de seu destino, sendo fascinante acompanhar sua transformação ao longo da jornada – uma cena específica, na qual Rey aprende um certo truque, prova que Ridley e seu sotaque vieram pra ficar.

Alicia Vikander | Ex Machina: Instinto Artificial

Charlize Theron | Mad Max: Estrada da Fúria

Julianne Moore | Para Sempre Alice

Regina Casé | Que Horas ela volta?

ATOR COADJUVANTE

Harrison Ford | Star Wars: O Despertar da Força

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Que surpresa. Aos 70 e poucos anos, Harrison Ford continua imbatível na pele de Han Solo. Nem mesmo no último Indiana Jones vimos tamanha energia do veterano ator, que permanece engraçado e carimsático como o contrabandista, ao mesmo tempo em que conhecemos sua merecida faceta mais dramática com as revelações que O Despertar da Força traz, e Ford entrega uma das melhores performances de sua carreira.

JK Simmons | Whiplash: Em Busca da Perfeição

Samuel L. Jackson | Kingsman: Serviço Secreto

Edward Norton | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Mark Rylance | Ponte dos Espiões

ATRIZ COADJUVANTE

Katherine Waterston | Vício Inerente

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Shasta Fey é uma presença magnética e enloquecedora em Vício Inerente. Ex-namorada do protagonista Doc Sportello, Shasta é o catalisador de boa parte dos eventos da trama, e Katherine Waterston a vive com intensidade e uma certa diversão por trás de suas ações; como ao atiçar Doc constantemente. Tudo culmina em uma desafiadora cena em que a atriz contracena nua com Joaquin Phoenix, proferindo com hipnótica condução – e não me refiro à nudez – um dos grandes monólogos do longa.

Emma Stone | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Jessica Chastain | O Ano Mais Violento

Cate Blanchett | Cinderela

Cara Delevingne | Cidades de Papel

ROTEIRO ORIGINAL

Divertida Mente | Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley

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Divertida Mente é um daqueles projetos que já impressionam pela premissa. A ideia de se concentrar em emoções e o funcionamento destas no cotidiano é brilhante, mas talvez o fato de que Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley tenham escrito um roteiro que – no fundo – é um estudo sobre a depressão é ainda mais admirável. A importância da Tristeza também é um elemento complexo e responsável pela maior catarse do longa, colocando-o em um patamar altíssimo no hall de trabalhos da Pixar.

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)Alejandro Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. & Armando Bo

Ex Machina: Instinto Artificial | Alex Garlard

Frank | Jon Ronson e Peter Straughan

Homem Irracional | Woody Allen

ROTEIRO ADAPTADO

Vício Inerente | Paul Thomas Anderson

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Talvez o filme mais confuso do ano, mas é exatamente esse o objetivo de Paul Thomas Anderson ao adaptar o livro homônimo de Thomas Pynchon. Formado por uma narrativa maluca e repleta de tramas e personagens característicos, Vício Inerente é marcado pela excelente narração e os diálogos carregados de lirismo, em uma construção muito requintada e criativa na escolha do vocabulário. Um neo noir chapado.

Ponte dos Espiões | Joel Coen & Ethan Coen e Matt Charman

O Fim da Turnê | Donald Marguiles

Kingsman: Serviço Secreto | Jane Goldman & Matthew Vaughn

A Travessia | Robert Zemeckis e Christopher Browne

FOTOGRAFIA

Mad Max: Estrada da Fúria | John Seale

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Em termos de iluminação, é mais uma questão de controlar a luz do sol para as externas no deserto (ou seja, quase 80% das imagens), mas John Seale também é responsável pelo visual enloquecedor. A correção de cores ajuda a criar uma paleta de cores vibrante e dinâmica para os desertos onde a ação se desenrola, além de acertar em cheio no efeito de noite americana para as cenas noturnas; onde a colaração azul foi acrescentada pra mascarar a luz do dia.

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) | Emmanuel Lubezki

Sicario: Terra de Ninguém | Roger Deakins

A Travessia | Dariusz Wolski

Cinquenta Tons de Cinza | Seamus McGarvey

USO DE 3D

A Travessia

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Vou ser sincero aqui: foi uma das melhores experiências com 3D com já tive – talvez até uma das melhores envolvendo sala de cinema. A forma com que Robert Zemeckis utiliza a tecnologia é essencial para a trama de A Travessia, e o filme certamente sofrerá com a ausência desse efeito, que ajuda o espectador a virtualmente se sentir no topo do World Trade Center e captar a altura e profundidade que o 3D transmite em termos de distância e altura. Efeitos colaterais podem incluir vertigem e maravilhamento.

DESIGN DE PRODUÇÃO

Mad Max: Estrada da Fúria | Colin Gibson

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É preciso acompanhar bem de perto os mínimos detalhes para descobrir o imenso trabalho de produção de Mad Max. A equipe é capaz de criar verdadeiros ambientes a partir de sucata e objetos improvisados, além da conquista sem precedentes na criação dos veículos, cada um com uma personalidade própria. Gigantes caminhões de gasolina, carros construídos com peças de tanques de guerra e um show de heavy metal infernal são apenas alguns dos atrativos no mundo desértico de George Miller.

Cinderela

Vício Inerente

O Agente da U.N.C.LE.

Ponte dos Espiões

MONTAGEM

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Tom Cross

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Toda a parte técnica de Whiplash é absolutamente impecável, mas a montagem de Tom Cross certamente é o grande atrativo nesse quesito. Centrado em um baterista, o trabalho de Cross é frenético e rápido, impressionando nas cenas em que Andrew toca o instrumento e os cortes ritimados vão acompanhando a música, quase como se Cross também fosse o baterista.

Mad Max: Estrada da Fúria| Margaret Sixel

Kingsman: Serviço Secreto | Eddie Hamilton e Jon Harris

Divertida Mente | Kevin Nolting

Star Wars: O Despertar da Força | Maryann Brandon e Mary Jo Markey

FIGURINO

Star Wars: O Despertar da Força | Michael Kaplan

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É muito importante em Star Wars que as personagens tenham um visual marcante. Ainda que O Despertar da Força traça diversas figuras conhecidas, é interessante como o figurinista Michael Kaplan soube fazer as atualizações apropriadas (vide o look moderno no capacete dos stormtroopers) e ainda sugerir pistas através de vestimentas, como o traje de sucateira de Rey – similar ao de Anakin e Luke Skywalker – e a importância temática da jaqueta de Poe Dameron. Aplausos também para a criação do já marcante traje e máscara do vilão Kylo Ren e armadura cromada da Capitã Phasma.

Mad Max: Estrada da Fúria

Cinderela

Vício Inerente

O Agente da U.N.C.L.E.

EFEITOS VISUAIS

A Travessia

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Em teoria, é “simples” o trabalho de efeitos visuais em A Travessia. Dispensa criação de criaturas digitais, motion capture e grandes invenções, concentrando-se em um elaboradíssimo trabalho de cenário digital. Um verdadeiro visionário no uso de CGI, Robert Zemeckis e sua equipe recriam com realismo e beleza a Nova York de 1974, assim como aqueles que são importantes personagens no longa: as torres do World Trade Center. Aliado ao 3D do filme, o que se vê no resultado final é impressionante – e ficarei chateado se a Academia virar a cara.

Star Wars: O Despertar da Força

Perdido em Marte

Mad Max: Estrada da Fúria

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Menção Honrosa: O rejuvenescimento digital de Michael Douglas em Homem-Formiga.

MAQUIAGEM

Star Wars: O Despertar da Força

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Efeitos práticos! Um dos grandes acertos de J.J. Abrams em O Despertar da Força foi a aposta em uma confecção tradicional para as variadas espécies alienígenas que encontramos ao longo da trama. Figuras como os comerciantes em Jakku (Unkar Plutt, o personagem especial de Simon Pegg), a gangue da morte Gauvian enfrentada por Han Solo e o bizarro grupo hospedado no palácio de Maz Kanata – em uma referência direta à cena da cantina de Uma Nova Esperança – são alguns dos destaques.

Vingadores: Era de Ultron

Mad Max: Estrada da Fúria

O Último Caçador de Bruxas

TRILHA SONORA

O Agente da U.N.C.L.E.| Daniel Pemberton

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Eu não era muito familiar com o nome de Daniel Pemberton, mas após conferir seu trabalho brilhante em O Agente da U.N.C.L.E., fica bem evidente que o sujeito é um dos novos talentos da geração. Sua música para a comédia de espionagem de Guy Ritchie confere todos os elementos necessários para um filme do gênero: traz a aventura, a sensualidade e o clima dos anos 60 com uma forte inspiração em Ennio Morricone e um uso transcendental da flauta baixo. Ansioso por mais!

Melhor faixa: Escape from East Berlin

Sicario: Terra de Ninguém | Jóhann Jóhannson

Divertida Mente | Michael Giacchino

Mad Max: Estrada da Fúria | Junkie XL

Macbeth: Ambição e Guerra | Jed Kurzel

CANÇÃO

“Writing’s on the Wall” – Sam Smith | 007 Contra Spectre

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Foi um ano fraquíssimo para canções no cinema. Nem sou um grande fã de “Writing’s On the Wall”, a balada de Sam Smith para os sinistros créditos de abertura de 007 Contra Spectre, mas foi o melhor que pude encontrar. Seguir o sucesso avalassador de Adele para Skyfall era difícil, mas o cantor inglês não faz feio com uma canção eficiente e que faz um uso interessante do falsete, mantendo a classe de James Bond ao mesmo tempo em que busca uma certa vulnerabilidade. Pode conter uma letra clichê, mas é uma boa melodia.

“Crazy in Love” – Beyonce | Cinquenta Tons de Cinza

“See You Again” – Wiz Khalifa | Velozes & Furiosos 7

CRÉDITOS 

007 Contra o Spectre

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Aberturas de 007 são rituais. Novamente sob os cuidados de Daniel Kleinman, os créditos de 007 Contra Spectre abraçam a breguice dos anos 70 e sobram referências para Viva e Deixe MorrerOctopussy, especialmente nas figuras fortes das chamas engolindo silhuetas e o gigante polvo que se agarra à pistolas e pernas de dançarinas voluptuosas.

Missão: Impossível – Nação Secreta

O Agente da U.N.C.L.E.

Vingadores: Era de Ultron

SURPRESA

O Agente da U.N.C.L.E.

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Realmente, eu não esperava nada. De trailers pouco chamativos e uma proposta um tanto fora de seu tempo, O Agente da U.N.C.L.E. acabou por firmar-se como um dos filmes mais divertidos de 2015, graças às performances certeiras de Henry Cavill e Armie Hammer e a consciência de Guy Ritchie de estar realizando um filme assumidamente exdrúxulo e que mira alto na nostalgia dos anos 60. Se Kingsman é uma ode ao Bond de Roger Moore, U.N.C.L.E. reverencia a era de Sean Connery.

DECEPÇÃO

Quarteto Fantástico

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Eu queria acreditar. Mesmo com uma recepção ruim ao casting e a assustadora ausência de marketing da Fox, eu queria acreditar que o novo Quarteto Fantástico seria a reinvenção que o grupo da Marvel precisa, apostando na atmosfera dark e a influência de ficção científica realista. Em partes, o filme de Josh Trank, mas é no geral uma grande decepção; pelo elenco desperdiçado e o fracasso em atingir o que prometia.

MELHORES TRAILERS

007 contra Spectre | Teaser

Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Trailer da Comic Con

A Colina Escarlate | Teaser

Creed: Nascido para Lutar | Trailer 1

Esquadrão Suicida | Trailer da Comic Con

Perdido em Marte | Trailer 2

Quarteto Fantástico | Teaser

O Regresso | Teaser

Star Wars: O Despertar da Força | Teaser 2

Star Wars: O Despertar da Força | Trailer Oficial

Steve Jobs | Trailer 1

A Travessia | Trailer 2

MELHORES PÔSTERES

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MAIS AGUARDADOS PARA 2016

Animais Fantásticos & Onde Habitam

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Capitão América: Guerra Civil

Deadpool

Doutor Estranho

Esquadrão Suicida

Rogue One: A Star Wars Story

X-Men: Apocalipse

Análise Blu-ray | WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 31 de maio de 2015 by Lucas Nascimento

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O Filme

5.0

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Ah, Whiplash. Um triunfo do cinema de baixo orçamento que felizmente ganhou reconhecimento da Academia, agora chega nas às prateleiras de livrarias e lojas especializadas em blu-ray. Um roteiro simples que nos joga na atmosfera dark do jazz e da ambição, trazendo um trabalho de direção monstruoso e impressionante, ainda mais quando descobrimos que Damien Chazelle acaba de entrar na casa dos 30 e rodou todo o filme em meros 19 dias. Sem falar nas excelentes performances de Miles Teller do oscarizado J.K. Simmons, que carregam essa grande obra nas costas. Sensacional. Crítica

Comentário em áudio com Damien Chazelle e J.K. Simmons

5.0

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Comentário em áudio devidamente legendado em português (valeu, Sony e aprende, Fox) com o diretor e roteirista Damien Chazelle e J.K. Simmons, que até brincam sobre a ausência de Miles Teller (“ele deve estar de ressaca numa poça de seu próprio vômito) enquanto dão ótimas informações a respeito da realização de Whiplash. Chazelle explica alguma de suas escolhas de enquadramento, cortes (o cara vai de Hitchcock a Lumet) e como o cronograma apertado ajudou a render cenas mais ferozes e até um sutil plano longo entre Teller e Melissa Benoist que só foi executado assim pela falta de tempo. Enquanto isso, Simmons se diverte com observações, referências e outras curiosidades. Excelente.

Metrônomos (42:56)

4.0

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Este é para os fãs de bateria. Damien Chazelle e bateristas como Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), Kenny Aronoff (Uncommon Studios), Doane Perry (Jethro Tull) e o jazzista Roy McCurdy (ex-membro do quinteto de Cannonball Adderley e Blood, Sweat & Tears) discutem a influência e paixão pelo instrumento em suas vidas.

Whiplash – Curta Metragem original (17:56)

4.0

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Pois então, a primeira aparição de Whiplash ao mundo foi na forma de um curta-metragem, realizado para obter orçamento do estúdio (o que comprova a decisão infeliz da Academia em indicar o roteiro de Chazelle como Adaptado, e não Original). O curta é inteiramente a cena do primeiro ensaio do estúdio, trazendo J.K. Simmons como Fletcher e Johnny Simmons (sem parentesco aí, aliás) como Andrew. É interessante observar como os enquadramentos de Chazelle e os cortes de Tom Cross permanecem os mesmos, enquanto a paleta de cores é radicalmente diferente no produto final. Ah, e graças a Deus por Miles Teller…

Fletcher em Casa (1:30)

4.0

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Única cena deletada do filme, oferece um raro momento de humanidade a Terence Fletcher, onde o vemos apreciando uma composição em seu apartamento. É uma cena sutil e muito eficiente, mas que tem seu corte da edição final justificado no comentário em áudio de Chazelle, afirmando ser muito cedo para adentrar nesse lado do antagonista. Sem falar que seria a única cena do filme todo sem a presença do personagem de Teller.

Uma noite no Festival Internacional de Toronto (7:50)

3.5

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Bem breve, o vídeo nos mostra um Q&A com Damien Chazelle, J.K. Simmons e Miles Teller após a primeira exibição do filme no Festival de Toronto. A platéia faz algumas boas perguntas, mas nada que seja tão revelador ou empolgante.

Trailer de cinema (2:10)

3.0

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Bom, temos um trailer! Vale mencionar que é uma prévia arrasadora, e que até classifiquei como uma das melhores do ano passado.

Nota geral: 3.5

Whiplash: Em Busca da Perfeição é um dos melhores filmes lançados em 2015 até o momento, e ganhou um lançamento sólido em blu-ray, ainda que um extra mais “tradicional” como um making of ou vídeos de bastidores faça falta. Porém, todos os comentários em áudio compensam.

Preço: R$ 69,90

Confira o curta original de WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO

Posted in Notícias with tags , , , , , , , on 2 de março de 2015 by Lucas Nascimento

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Vencedor de 3 estatuetas do Oscar, Whiplash – Em Busca da Perfeição permanece meu filme preferido lançado em 2015 até o momento. Com o lançamento do filme em blu-ray se aproximando, a Sony enfim liberou o curta original que Damien Chazelle dirigiu em 2013 para garantir orçamento.

O curta já traz J.K. Simmons como o severo Fletcher, mas é Johnny Simmons (de Scott Pilgrim contra o Mundo) quem fica com o papel que seria de Miles Teller, e adapta uma das mais icônicas cenas do filme, e é interessante notar como o resultado no longa é praticamente idêntico. Confira:

OSCAR 2015: Os vencedores

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 23 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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MELHOR FILME

Birdman

MELHOR DIRETOR

Alejandro G. Iñárritu | Birdman

MELHOR ATOR

Eddie Redmayne | A Teoria de Tudo

MELHOR ATRIZ

Julianne Moore | Para Sempre Alice

MELHOR ATOR COADJUVANTE

J.K. Simmons | Whiplash – Em Busca da Perfeição

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette | Boyhood: Da Infância à Juventude

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Birdman | Alejandro G. Iñarritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

O Jogo da Imitação | Graham Moore

MELHOR ANIMAÇÃO

Operação Big Hero

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Ida

MELHOR FOTOGRAFIA

Birdman | Emmanuel Lubezki

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

O Grande Hotel Budapeste | Adam Stockhausen, Anna Pinnock

MELHOR FIGURINO

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

MELHOR MONTAGEM

Whiplash – Em Busca da Perfeição | Tom Cross

MELHOR MAQUIAGEM & CABELO

O Grande Hotel Budapeste

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Interestelar

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Sniper Americano

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Whiplash – Em Busca da Perfeição

MELHOR TRILHA SONORA

O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Glory” | Selma

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Citizenfour

MELHOR CURTA-METRAGEM

The Phone Call

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Feast

MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM

Crisis Hotline: Veterans Press 1

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Quatro | Categorias Principais

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 18 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Chegamos à ultima parte do especial. Hora de ver quem vai levar a melhor neste Oscar bizarro.

OBSERVAÇÕES:

  • Clique nos nomes de cada profissional para conferir seu histórico de indicações ao Oscar
  • Abaixo de cada perfil estão os prêmios que cada filme já garantiu na respectiva categoria
  • Nas categorias de ROTEIRO ORIGINAL e ROTEIRO ADAPTADO, clique nos títulos de cada filme para seu o roteiro completo em inglês

 

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O Abutre | Dan Gilroy

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Estreia de Dan Gilroy como diretor, ele foi lembrado apenas com seu ótimo roteiro de O Abutre, que gira em torno de um câmera obcecado em registrar tragédias e acidentes a fim de vendê-las para uma rede de telejornalismo. É um texto que critica e denuncia diversos padrões jornalísticos e sensacionalistas que encontramos em qualquer canal de TV, tablóide ou site, e Gilroy canaliza tudo isso em seu poderoso protagonista, Lou Bloom. É um sujeito detestável, mecânico, calculista e inteligente, sempre com excelentes diálogos no qual demonstra o quão acima está de outras pessoas, e o quão perto está da psicopatia. Grande estreia.

Quotação Memorável: “Um amigo é um presente que damos a nós mesmos” – Lou Bloom

Birdman | Alejandro Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Jr. & Armando Bo

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A presença de múltiplos roteiristas em um único projeto costuma ser um péssimo sinal, já que comumente resulta num turbilhão de ideias divergentes e diferentes entre si. Não poderia ser mais errado para Birdman, que traz um roteiro genial assinado pelo próprio Alejandro Iñarrítu, Nicólas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr e Armando Bo. O texto desse “quarteto fantástico” mergulha nos bastidores de uma peça de teatro ambiciosa, explorando temas como o processo de trabalho de um ator, crítica à cada vez maior obsessão de Hollywood com super-heróis e um estudo de personagem admirável em cima de Riggan Thomson, o alter-ego de Michael Keaton.

“A popularidade é a prima promíscua do prestígio” – Mike Shiner

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Boyhood: Da Infância à Juventude | Richard Linklater

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Levemos em consideração que Richard Linklater escreveu um roteiro por mais de uma década. A cada ano de filmagem de Boyhood, o diretor parava e escrevia as cenas que gravaria naquele período de tempo, tendo que ficar atento aos principais eventos de cultura pop (lançamentos de livros de Harry Potter até o novo filme de Star Wars) e também acontecimentos políticos, já que a posse de Obama é constantemente retratada aqui. Mas, como em todo filme de Linklater, o ponto alto do roteiro é o cuidado com que trabalha suas relações humanas, e com Mason o diretor é habilidoso ao provenir os detalhes de seu crescimento e o diferente olhar que este tem com o mundo.

Quotação Memorável: “Eu só achei que haveria mais” – Olivia

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo | E. Max Frye e Dan Futterman

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Um dos indicados surpresa da categoria, o roteiro de Foxcatcher é conciso ao trazer os eventos trágicos dessa “história que chocou o mundo”. A dupla de Frye e Futterman aposta em uma narrativa que se aproxima mais do suspense do que de um filme de esportes, criando diálogos intensos com John du Pont, assim como um estudo de personagem que tenta mergulhar em sua mente perturbada, abordando sua aceitação pela mãe. Mais do que isso, o roteiro consegue oferecer uma crítica ao ufanismo americano e o lado destrutivo da filosofia do self made man, assim como o poder do ícone e da imagem.

Quotação Memorável: “Ornitólogo, filatelista, filantropo” – John du Pont

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson e Hugo Guinness

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Tomando inspiração do trabalho de Stefan Zweig (em nenhum trabalho específico, mas sim o espírito de tais histórias) Wes Anderson e Hugo Guiness tecem uma das histórias mais malucas e divertidas dos últimos tempos, numa aventura frenética que ainda flerta com roubo de arte, espionagem, fuga de prisão e sociedades secretas. O Grande Hotel Budapeste também é povoado por figuras típicas da filmografia de Anderson, tendo destaque para o bon vivant M. Gustave, cujos diálogos sofisticados (e ultra bem escritos) sempre trazem citações poéticas, líricas e até um sonoro “holy fuck”. Maravilha de roteiro.

Quotação Memorável: “Viu, ainda há sutis lampejos de civilização neste açogue bárbaro que outrora foi conhecido como Humanidade. De fato, é o que provemos em nossas próprias modestas, humildes, insignificantes… Ah, foda-se.” – M. Gustave

  • WGA
  • BAFTA

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Birdman

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Uma Aventura Lego | Chris Miller & Phil Lord

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Sério, transformar um filme com intenções obviamente comerciais que seriam apenas um veículo para mais vendas de um produto em uma aventura divertida e original? Fácil, reverter o feitiço e apelar para uma metalinguagem auto-depreciativa, fórmula que Chris Miller e Phil Lord já fizeram funcionar com os dois Anjos da Lei. Em Lego, a dupla encara o aspecto capitalista/empresarial e enxerga um universo repleto de possibilidades, participações especiais (quando Batman vai dar uma volta na Millennium Falcon de novo? Ah é, nunca) e uma mensagem sincera e bonita, sem ser piegas.

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O Jogo da Imitação | Graham Moore, baseado no livro Alan Turing: The Enigma”, de Andrew Hodges

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Graham Moore opta por contar a história do matemático Alan Turing em três períodos distintos da sua vida, que se misturam na narrativa inconstante a fim de retratar sua identidade e a delicada questão de sua homossexualidade. Pessoalmente, acho que Moore quebra a narrativa mais interessante (que envolve seus estudos contra a Enigma, durante a Segunda Guerra Mundial) e aposta em subtramas que não conseguem a mesma força – especialmente a investigação do detetive de Rory Kinnear, que representa para mim a maior falha estrutural do roteiro. Tirando isso, O Jogo da Imitação é pura fórmula, mas garante ótimos diálogos, geralmente graças à personalidade intelectual/arrogante de Turing e seu contraste com a divertida Joan Clarke.

Quotação Memorável: “Se eu era Deus? Não. Porque Deus não venceu a guerra. Nós vencemos” – Alan Turing

  • WGA
  • USC Scripter

Sniper Americano | Jason Hall, baseado no livro “American Sniper – The Autobiography Of The Most Lethal Sniper In U.S. Military History”, de Chris Kyle, Scott McEwen e Jim DeFelice

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O roteiro de Sniper Americano é algo interessante, mas que sinceramente não gritava por uma indicação. Jason Hall dramatiza toda a carreira militar do atirador Chris Kyle, começando de sua infância e o desejo de lutar por seu país até sua trágica morte em 2013. Hall até tenta trazer algum questionamento dentro das experiências do protagonista, como sua devoção ao país ao invés de sua família cada vez mais dependente, explorando de forma rasa a psique de Kyle, que surge aqui como um patriota idealista. Gosto de como o roteiro cria situações e até personagens mais característicos, como o terrorista apelidado de “Açogueiro” e o sniper inimigo que persegue Kyle durante sua estadia no Iraque.

Quotação Memorável: “Só quero encontrar o Criador e responder por cada tiro que dei” – Chris Kyle

A Teoria de Tudo | Anthony McCarten, baseado no livro “Travelling to Infinity: My Life with Stephen”, de Jane Hawking

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Um dos fatores interessantes nessa adaptação da vida de Stephen Hawking, é que o livro em questão foi escrito sob o ponto de vista de sua esposa, Jane Hawking. O roteiro de Anthony McCarten respeita esse elemento e faz de A Teoria de Tudo um filme não apenas sobre o físico, mas sobre a relação do casal em si. Claro que Hawking acaba roubando os holofotes e torna-se de fato o protagonista, mas Jane ganha espaço com algumas sonolentas subtramas que envolvem outros interesses amorosos. O que realmente me agrada no roteiro é que ele aborda alguns dos estudos de Stephen Hawking sobre buracos negros e a origem do Universo, até flertando com a eterna discussão Ciência vs Religião, mesmo que não se aprofunde tanto quanto poderia.

Quotação Memorável: “Me perguntaram em Cambridge se eu era mesmo o Stephen Hawking. Eu disse que não, pois o verdadeiro é bem mais bonito.” – Stephen Hawking

  • BAFTA

Vício Inerente | Paul Thomas Anderson, baseado no livro “Vício Inerente”, de Thomas Pynchon

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Não vai ser possível assistir a Vício Inerente antes do Oscar, já que a Warner empurrou sua estreia no Brasil para 26 de Março, mas é interessante ver o roteiro de Paul Thomas Anderson aqui. Pelo que dizem, é uma tarefa árdua adaptar essa obra de Thomas Pynchon, que se concentra num detetive excêntrico que precisa ajudar sua ex-namorada e desvendar um plano para sumir com seu atual amante, o que o coloca numa jornada para interrogar diferentes suspeitos no auge da paranóia de Los Angeles, na década de 70.

Quotação Memorável: “Tecnicamente ele é judeu, mas quer ser um nazista” – Tia Reet

Whiplash – Em Busca da Pefeição | Damien Chazelle, baseado em seu próprio curta “Whiplash”

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Por um erro bobo da Academia, Whiplash veio parar em Roteiro Adaptado, ao invés de Original (já que o curta em questão fora realizado apenas para conseguir orçamento para o longa), mas fazer o que. O texto de Damien Chazelle traz uma história muito, muito simples, mas que envolve graças à riqueza de seus personagens e o cuidado na trajetória de seu protagonista. Andrew Nyeman é um sonhador ambicioso, mas também um arrogante egocêntrico; Terence Fletcher é um monstro, mas também tem seus motivos nada menos que lógicos. Nesse cenário, Chazelle ainda traz diversas referências ao meio musical, a história do Jazz e também um comentário interessante sobre a nova tendência mundial no meio do entretenimento. Ótimo.

Quotação Memorável: “Não há duas palavras na Língua Inglesa mais nocivas do que ‘bom trabalho'” – Terence Fletcher

APOSTA: O Jogo da Imitação

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Teoria de Tudo

MEU VOTO: Whiplash

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Gillian Flynn, baseado em seu livro “Garota Exemplar”

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A melhor coisa quando um escritor resolve adaptar sua própria obra para o cinema, é que comentários do tipo “estragaram o livro” ou “o livro foi melhor” são irrelevantes, já que a liberdade criativa está nas mãos do próprio autor. Enfim, o que importa aqui é que Gillian Flynn tem um roteiro impecável para Garota Exemplar, que respeita sua obra e faz as mudanças necessárias para que este funcione como uma narrativa audiovisual. O mistério de Amy Elliot Dunne oferece três estilos de histórias distintas, que vão do circo midiático que cerca o protagonista Nick Dunne, os contos duvidosos de sua esposa e a verdadeira batalha matrimonial que se forma a partir do segundo ato, revelando uma das femme fatales mais perigosas dos últimos tempos. Diálogos, reviravoltas e comentários sociais funcionam muitíssimo bem.

Quotação Memorável: “Quado eu penso na minha esposa, sempre penso na cabeça dela. Me imagino arrebentando seu lindo crânio, desenrolando seu cérebro à procura de respostas. As perguntas essenciais de qualquer casamento: No que está pensando? Como está se sentindo? O que fizemos um ao outro?” – Nick Dunne

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Wes Anderson | O Grande Hotel Budapeste

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Enfim a Academia reconheceu todo o talento e as bizarrices de Wes Anderson, e naquele que considero seu melhor filme. Sua obsessão por planos simétricos e enquadramentos milimetrados permanece presente aqui, onde o diretor explora com habilidade o universo fictício que criou. O uso de miniaturas para cenários mais cartunescos é divertido, assim como as animações e stop motion que surgem abruptamente, como já na famosa perseguição de ski. Outra decisão interessante já comentada no Volume II do especial, é a mudança da razão de aspecto da tela ao longo da projeção, em uma homenagem ao próprio Cinema e sua evolução pelos anos.

Alejandro G. Iñárritu | Birdman

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Alejandro González Iñárritu não é famoso por comédias (aliás, muito pelo contrário), o que torna Birdman a obra mais diferente de sua carreira. Seu comando na sátira à indústria de Hollywood e o mundo do teatro é ousado pelo experimento de simular um plano sequência de 2 horas, juntando planos de até 20 minutos em uma narrativa fluente. O domínio estético de Iñarrítu é invejável, com movimentos de câmera bem elaborados, travellings e uma direção precisa a seu talentoso elenco. Com a vitória de Alfonson Cuarón ano passado e a possível conquista de Iñarrítu nesta edição, uma coisa fica clara: viva Mexico!

  • DGA

Richard Linklater | Boyhood – Da Infância à Juventude

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Um dos autores mais interessantes da atualidade, Richard Linklater já mergulhou nas mais diferentes histórias (o mesmo cara responsável pela trilogia Antes fez Escola de Rock, uau), mas sempre manteve sua visão e humanidade. Com Boyhood – Da Infância à Juventude, Linklater trouxe seu projeto mais ambicioso e arriscado, ao passar 12 anos em uma história sobre o crescimento de um garoto. Sua direção permanece humanista e sem maneirismos, deixando o foco absoluto nas performances do elenco, destacando-se aqui e ali com uma conversa em plano sequência ou momentos mais intensos, como o padrasto alcoólatra no trânsito. Linklater também tem bom olho para belas paisagens.

  • BAFTA
  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

Bennett Miller | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

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Bennett Miller é a grande surpresa da categoria, ainda mais considerando que seu Foxcatcher não conseguiu uma vaga na categoria principal. Adotando um tom pesado e predominantemente lento, Miller é eficaz ao construir uma atmosfera silenciosa e pré-catástrofe durante toda a projeção do filme, o que certamente vai afastar espectadores que esperam um pouco mais de ação ou elementos chocantes. Há explosões dramáticas aqui e ali, e a câmera de Miller sempre registra de perto, capturando até os mínimos ruídos em um simples diálogo. E se em O Homem que Mudou o Jogo ele se aventurava em cenas de beisebol, aqui ele recria lutas olímpicas e pesados treinamentos. Sua opção por constantemente enquadrar esculturas, quadros e retratar os personagens vidrados na televisão também revela como Foxcatcher estuda o poder do ícone.

  • Festival de Cannes – Melhor Diretor

Morten Tyldum | O Jogo da Imitação

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Morten quem? Pois é, Morten Tyldum é um diretor norueguês (você talvez tenha visto seu ótimo Headhunters, lançado no Brasil em 2012) que fez com O Jogo da Imitação sua estreia no cinema de língua inglesa. A verdade é que acho o trabalho de Tyldum bem eficiente aqui, mas nada que realmente se destaque como um dos melhores do ano, que mereça ser reconhecido pela Academia. É uma condução firme, mas nada de espetacular.

APOSTA: Alejandro G. Inãrritu

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Richard Linklater

MEU VOTO: Alejandro G. Inãrritu

FICOU DE FORA: Damien Chazelle | Whiplash – Em Busca da Perfeição

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Ver um novato como Damien Chazelle gravar um filme todo em 19 dias é uma das coisas que dá inspiração para seguir a carreira de cineasta. Com Whiplash – Em Busca da Perfeição, Chazelle criou uma narrativa simples e intensa, lindamente fotografada e enquadrada (sem conhecimento de planos e foco é assombroso) e povoada por grandes atuações. Quero muito ver o que Chazelle trará no futuro.

filme

Um ator fracassado, uma adolescência inteira, um hotel excêntrico, um matemático brilhante, uma marcha por direitos, um sniper patriota, um físico deficiente e um baterista ambicioso marcam os indicados para Melhor Filme.

Birdman | Alejandro G. Iñárritu, John Lesher e James W. Skotchdopole

4.5

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Birdman é uma obra inteligente e repleta de comentários ácidos sobre a indústria de Hollywood e os bastidores do mundo do teatro, explorando um impecável elenco numa narrativa guiada por uma visão de mestre de Alejandro G. Iñarrítu.

  • PGA
  • SAG – Melhor Elenco

Boyhood: Da Infância à Juventude | Richard Linklater e Cathleen Sutherland

4.5

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“Em seus momentos mais profundos, Boyhood: Da Infância à Juventude é capaz de se transformar um espelho, fazendo com que o espectador olhe para si mesmo e identifique-se com os eventos do longa, em busca de uma catarse. Certamente trouxe um forte impacto em mim, não apenas como cinéfilo, mas como ser humano.”

  • BAFTA
  • Globo de Ouro – Drama
  • Critics Choice Awards

O Grande Hotel Budapeste | Wes Anderson, Scott Rudin, Steven Rales e Jeremy Dawson

5.0

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O Grande Hotel Budapeste é desde já um dos melhores trabalhos de 2014, e comprova que o invencionismo visual de Wes Anderson não atrapalha na condução de uma história que abraça o nonsense. Pelo contrário, ajuda e diverte.
Caramba, talvez seja um dos filmes mais divertidos que eu já vi na vida.”

  • Globo de Ouro – Musical ou Comédia
  • Critics Choice Awards – Melhor Comédia

O Jogo da Imitação | Nora Grossman, Ido Ostrowsky e Teddy Schwarzman

3.5

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O Jogo da Imitação é um bom filme, mas que não vai muito além da fórmula do biopic esperado de uma temporada de prêmios, pouco arriscando-se. Traz um roteiro eficiente, atuações impecáveis e um grande respeito pelo trabalho de Alan Turing, ainda que não seja uma obra excepcional como a de seu biografado.

  • Festival de Toronto – Prêmio do Júri

Selma: Uma Luta por Igualdade | Christian Colson, Oprah Winfrey, Dede Gardner e Jeremy Kleiner

3.5

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“Selma: Uma Luta por Igualdade é um filme eficiente e que carrega consigo uma mensagem atemporal sobre a luta de direitos raciais, carregado por uma direção acertada e uma performance espetacular de David Oyelowo. Pode não ser poderoso quanto os dizeres de Martin Luther King, mas é um belo atestado a este e seus ideais.”

Sniper Americano | Clint Eastwood, Robert Lorenz, Andrew Lazar, Bradley Cooper e Peter Morgan

3.0

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Sniper Americano traz seus bons momentos de tensão e pirotecnicas, mas é arrastado, longo e prejudicado pelo retrato idealista e nacionalista de seu protagonista. Quem diria que, num ano em que Eastwood lança um musical de coral e um filme sobre um atirador, o longa cantado seria melhor?”

A Teoria de Tudo | Tim Bevan, Eric Fellner, Lisa Bruce e Anthony McCarten

3.5

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A Teoria de Tudo é um biopic eficiente que traz excelentes performances do talentoso jovem elenco, ao mesmo tempo em que conta uma grande história de forma convencional, emocional e até formulaica. Poderia ter ido mais longe em seus questionamentos e na vida de Stephen Hawking, mas não deixa de ser uma bela homenagem ao renomado cientista.”

  • BAFTA – Filme Britânico

Whiplash – Em Busca da Pefeição | Jason Blum, Helen Estabrook e David Lancaster

5.0

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Whiplash – Em Busca da Perfeição é uma obra que funciona exatamente como uma orquestra sinfônica. Cada departamento exerce sua função magistralmente, tal como instrumentos musicais, cada um a seu ritmo e sob a conduta de um sujeito inteligente para entregar uma experiência inebriante. Ao final, tudo o que posso dizer é “bravo”.”

  • Festival de Sundance – Grande Prêmio do Júri

APOSTA: Birdman

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Boyhood

MEU VOTO: Whiplash

FICOU DE FORA: Garota Exemplar

5.0

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Garota Exemplar é um filme poderoso e surpreendente, seja por suas reviravoltas imprevisíveis ou pelo humor negro que adota para retratar temas e situações relevantes no momento – sendo a instituição casamento seu principal alvo. Um dos melhores do ano e também da filmografia do sr. David Fincher.”

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Três | Sons & Música

Posted in Prêmios with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

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Hora de falar sobre as categorias sonoras…

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Birdman | Martín Hernández e Aaron Glascock

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Não sei se foi a sala que assisti, mas o trabalho de som em Birdman é absurdamente espetacular. Talvez a fim de capturar o ambiente de uma tomada contínua – e assim, de múltiplos ambientes em uma tomada contínua – Hernández e Glascock trazem o som do filme nítido, claro e explosivo nos momentos certos. O grande destaque certamente é a primeira aparição física do super-herói Birdman, que traz consigo um espetáculo de explosões, lasers, mísseis e até uma água robótica gigante.

  • MPSE – Edição de Música

Interestelar | Richard King

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Christopher Nolan foi para o espaço com Interestelar, mas nem por isso abaixou o volume. Temos perseguições de carro em meio a milharais, ondas colossais atacando espaçonaves e algumas súbitas explosões, e Richard King permanece eficáz ao lhe garantir o impacto necessário. O que mais fascina aqui, porém, são as cenas em que Nolan aposta no silêncio do espaço, deixando apenas a trilha de Hans Zimmer ou os diálogos dos personagens em primeiro plano: a fuga do Dr. Mann é um bom exemplo, onde uma sequência de quase 7 minutos de silêncio é abruptamente interrompida por uma assustadora explosão. Vale apontar também a cena da tempestade poeira e o design sonoro das naves espaciais (especialmente as vibrações provocadas por impactos no espaço).

Invencível | Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro

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Não tendo despontado nas categorias principais, Invencível teve que se contentar com duas indicações nas categorias sonoras. E sinceramente, não sei se era alguma irregularidade do cinema em que assisti ao filme, mas o trabalho de edição de som não me impressionou muito. Um fato um tanto incomum considerando que temos grandes sequências envolvendo batalhas aéreas, metralhadoras e bombardeios. O grande destaque do departamento é quando Louie e seus amigos ficam presos em alto mar, dando espaço ao som de ondas e até ataques-surpresa de tubarões ferozes.

  • MPSE – Edição de Diálogo & ADR

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos | Brent Burge e Jason Canovas

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Única indicação de A Batalha dos Cinco Exércitos ao Oscar (tornando-se o único filme da franquia da Terra Média a não ser indicado para Efeitos Visuais), o trabalho de som aqui faz o que se espera de um filme que promete uma gigantesca batalha. Temos lá exércitos de orcs, elfos, humanos e anões, além de criaturas que vão de águias até dragões cuspidores de fogo – cada um com suas respectivas armas (espadas, arcos, bastões de madeira). É uma vasta diversidade que a dupla equilibra bem, na medida que o espetáculo requer.

Sniper Americano | Alan Robert Murray e Bub Asman

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Outro tipo de trabalho que a Academia adora premiar: filmes de guerra. E no quesito de tiros, explosões e rajadas de vento, Sniper Americano não decepciona. As sequências que envolvem o silêncio do protagonista antes de um disparo letal são primorosas, especialmente quando a bala explode em um bang sutil e suave. Vale destacar também a cena em que o pelotão de Chris Kyle é surpreendido por uma feroz tempestade de areia, que torna praticamente todo diálogo inaudível.

  • MPSE – Efeitos Sonoros & Foley

APOSTA: Sniper Americano

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Invencível

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Corações de Ferro

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Em um filme onde tanques de guerra são um elemento central, é de se imaginar que o som será algo absurdo. E Corações de Ferro jamais decepciona nesse quesito, trazendo belas cenas de tiroteios, explosões e até uma intensa batalha entre dois tanques ferozes. O design de som também é esforçado, já que os protagonistas passam boa parte do filme dentro da barriga de ferro que é o tanque Fury, criando também um bom ambiente sonoro.

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Birdman | Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga

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Uma das grandes injustiças deste Oscar reside na ausência da trilha sonora de Antonio Sanchez para Birdman. Sua música toda em percussão jazzística é composta por baterias e tambores, traduzindo com excelência o estado de espírito dos personagens e os pontos de viradas da história, encaixando-se muitíssimo bem com os demais elementos sonoros do filme. A narrativa mentalinguística até brinca com tais elementos, como quando Riggan pede que “música toque”, preenchendo todo campo sonoro com uma peça musical não-diegética, mas que torna-se diegética na imaginação do personagem. Mas meu elemento preferido certamente é o batimento de um relógio que sutilmente preenche o camarim do protagonista, de forma a lembrá-lo que a hora final se aproxima.

  • Cinema Audio Society

Interestelar | Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten

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OK, essa é uma indicação polêmica. Para aqueles que não sabem, Interestelar sofreu diversas reclamações do público americano quanto à sua mixagem de som, atestando que a música era tão alta que os diálogos tornavam-se inaudíveis. O próprio Christopher Nolan teve que vir a público defender o trabalho – mixado do jeito que queria – , que chamou de “experimental”. Bem, realmente certas cenas sofrem desse problema (a perseguição no milharal é o melhor exemplo, já que o diálogo de Cooper é quase inaudível), mas confesso que o barulho ajudou muito na experiência sensorial do filme. A trilha de Hans Zimmer subindo, a tensão crescendo nas ações paralelas e as reviravoltas todas realmente me pegaram. Momentos como quando Cooper ouve sons da natureza na nave ou o próprio silêncio do espaço e sua revelação no mítico Tesseract também são dignos de nota.

Invencível | Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee

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Como já discuti acima, Invencível traz uma série de situações que testam o protagonista, e que também oferecem espaço para que a equipe de mixagem de som explore suas oportunidades. Não acho a trilha de Alexandre Desplat particularmente memorável aqui, mas o filme até consegue se sobressair em cenas como quando Louie corre uma maratona, e a paisagem sonora é dominada por sons de respiração, passos no chão e transmissões de rádio.

Sniper Americano | John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin

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Não há muita música em Sniper Americano, mas a trinca acima faz um ótimo trabalho ao criar sequências de múltiplas ações, cujos sons se misturam com habilidade. O primeiro encontro com o terrorista “Açogueiro” e o sniper inimigo rende uma das cenas mais intensas do longa, e o som que traduz o desespero das vítimas e a urgência do tiroteio é sobrenatural. Outro elemento muito interessante são as cenas em que Chris Kyle está de volta em sua casa, mas os sons de helicópteros e tiros continuam invadindo sutilmente seu cotidiano (a tomada da televisão desligada é genial, por exemplo). Ótimo trabalho.

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley

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Em um filme onde a música é um dos principais componentes da história, a mixagem de som é fundamental. E a equipe representada pela trinca acima acerta ao colocar a platéia dentro dos grupos musicais ali. A cacofonia sonora durante o preparo dos instrumentos (sendo afinados, testados) é impecável, transportando a platéia diretamente para a escola Shaffer (com os gritos de Terence Fletcher quase superando a bateria insana), o minúsculo apartamento de Andrew ou a magnitude do Carnegie Hall de Nova York. Números musicais como “Caravan” e “Whiplash” se destacam pela diversidade sonora. A mixagem de som de Whiplash – Em Busca da Perfeição é, realmente, a de uma música.

  • BAFTA

APOSTA: Whiplash

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Birdman

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Garota Exemplar

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Os filmes de David Fincher são impecáveis e minuciosos em todos os departamentos, e o de mixagem de som é um dos mais importantes. Tendo a trilha sonora atmosférica de Trent Reznor e Atticus Ross em seu pano de fundo, Garota Exemplar é composto por diversos voice overs e cenas em que a ação fica completamente muda, dando espaço à música e alguns efeitos sonoros-chave (como a sequência da “garota descolada” em que Amy revela suas reais intenções ou a antológica cena em que o personagem de Neil Patrick Harris se encontra numa situação inesperada). Não é um trabalho que grita por atenção, mas eficaz em sua sutilidade.

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O Grande Hotel Budapeste | Alexandre Desplat

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É um grande ano para Alexandre Desplat. Além da dupla indicação por O Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação (chegaremos nesse em alguns instantes), o compositor francês também trouxe ótimos trabalhos em Caçadores de Obras-Primas, Godzilla e Invencível. Em sua mais recente contribuição com Wes Anderson, Desplat cria a trilha musical mais divertida do ano ao tomar inspiração da musicalidade do Leste Europeu, dando vida aos mais diferentes tipos de personagens (“Mr. Moustafa”, “The Family Desgoffe und Taxis”, “M. Ivan”) e às situações mais loucas (“The Cold Blooded Murder of Deputy Vilmos Kovacs”, “Canto at Gabelmeister’s Peak”). Talvez seja o melhor trabalho de Desplat até hoje.

Melhor Faixa: “The Family Desgoffe und Taxis”

  • BAFTA
  • Grammy

Interestelar | Hans Zimmer

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Já disse inúmeras vezes aqui o quanto admiro Hans Zimmer. É sem dúvida o compositor mais talentoso trabalhando atualmente, e seu trabalho para o épico sci fi de Christopher Nolan é um dos maiores feitos de sua carreira. Adotando o órgão de igreja como principal instrumento, Zimmer teça uma música intimista e que traduz sonoramente a relação pai e filha entre Cooper e Murph (“Stay”, “Day One”) ao mesmo tempo em que almeja a grandiosidade (“No Time For Caution”), o terror do misterioso (“The Wormhole”), a tensão (“Mountains”, “Imperfect Lock”) e coisas simplesmente belíssimas (“Cornfield Chase”, “Where We’re Going”). Ouvir a trilha de Interestelar é uma experiência quase religiosa, catártica.

Melhor Faixa: “Coward”

O Jogo da Imitação | Alexandre Desplat

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Segunda indicação de Desplat na noite! E sua trilha mais cerebral para O Jogo da Imitação é mais uma chance de garantir a tão merecida estatueta. Dentro do âmbio da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, Desplat oferece uma música mais delicada e intimista, usando mais do piano para sugerir o alto intelecto do protagonista Alan Turing (“The Imitation Game”, “Decrypting” e “Crosswords”). Já quando se entrega ao drama mais pesado (“Christopher Is Dead”, “The Apple”) Desplat usa algo mais tradicional, e óbvio. Entre esta e O Grande Hotel Budapeste, fico com Wes Anderson.

Melhor Faixa: “Decrypting”

Sr. Turner | Gary Yershon

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Mais uma indicação surpresa para Sr. Turner, que conseguiu ter sua trilha sonora lembrada aqui. Não era familiarizado com o trabalho de Gary Yershon, mas gostei muito do que ouvi aqui. Mesmo sem ter assistido ao filme, a trilha de Yershon funciona bem e consegue transmitir a obsessão de seu protagonista através de um longo e distorcido violino, mas sem deixar uma elegante orquestra de fora. É um misto de terror, perfeição e drama; diferente de qualquer um dos outros indicados. Yershon é uma grande revelação.

Melhor Faixa: “Action Paiting”

A Teoria de Tudo | Jóhann Jóhannsson

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Nascido na Islândia, Jóhann Jóhannsson desponta com a trilha sonora de A Teoria de Tudo, adotando o piano como seu melhor amigo para contar a história de Stephen Hawking e sua esposa, Jane. A verdade é que há pouco de realmente original no trabalho de Jóhannsson, já que este é centrado em pianos, violinos de forma a fazer o espectador se emocionar o tempo todo (diga-se, fazer chorar). Algumas faixas são realmente bonitas (“Cambridge, 1963” e “Domestic Pressures”, por exemplo), e gosto quando a música se concentra na inteligência de Hawking (“Chalkboard”, “Camping”), mas no geral é um trabalho água com açúcar.

Melhor Faixa: “Cambridge, 1963”

  • Globo de Ouro

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: A Teoria de Tudo

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Trent Reznor & Atticus Ross

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David Fincher e a dupla Trent Reznor & Atticus Ross são um caso de compatibilidade sem igual: a dupla entende perfeitamente o tom e o clima dos filmes do diretor, e não foi diferente com o suspense Garota Exemplar, que exigiu uma música mais sutil, mas ao mesmo tempo abstrata (“The Way He Looks at Me”), radical (“Technically, Missing”) e assustadora (“What Have We Done with Each Other?”). Tem até espaço para a fofura, ainda que levemente distorcida (“Sugar Storm”). A Academia só lembrou deles uma vez, infelizmente.

Melhor Faixa: Technically, Missing

canção

“Everything is Awesome” | Uma Aventura Lego | Shawn Patterson

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Ainda não consigo entender como Uma Aventura Lego não conseguiu uma indicação a Melhor Animação… De verdade, acredito ser puro exibicionismo da Academia. Mas a canção irritante/adorável que povoa o mundo dos personagens foi lembrada. “Everything is Awesome” (ou “Tudo é Incrível” na versão BR) é uma música divertida e ainda mais viciante do que a vencedora do ano passado (“Let it Go”, claro). É uma letra bobinha que valoriza a amizade e o trabalho em equipe, mas serve bem à temática do filme.

LETRA

Everything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dreamEverything is better when we stick together
Side by side, you and I gonna win forever, let’s party forever
We’re the same, I’m like you, you’re like me, we’re all working in harmonyEverything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dream(Wooo)
3, 2, 1. GoHave you heard the news, everyone’s talking
Life is good ‘cause everything’s awesome
Lost my job, it’s a new opportunity
More free time for my awesome communityI feel more awesome than an awesome possum
Dip my body in chocolate frostin’
Three years later, wash off the frostin’
Smellin’ like a blossom, everything is awesome
Stepped in mud, got new brown shoes
It’s awesome to win, and it’s awesome to lose (it’s awesome to lose)Everything is better when we stick together
Side by side, you and I, gonna win forever, let’s party forever
We’re the same, I’m like you, you’re like me, we’re all working in harmonyEverything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dreamBlue skies, bouncy springs
We just named two awesome things
A Nobel prize, a piece of string
You know what’s awesome? EVERYTHING!

Dogs with fleas, allergies,
A book of Greek antiquities
Brand new pants, a very old vest
Awesome items are the best

Trees, frogs, clogs
They’re awesome
Rocks, clocks, and socks
They’re awesome
Figs, and jigs, and twigs
That’s awesome
Everything you see, or think, or say
Is awesome

Everything is awesome
Everything is cool when you’re part of a team
Everything is awesome when we’re living our dream

“Glory” | Selma – Uma Luta por Igualdade | John Stephens (John Legend) e Lonnie Lynn (Common)

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Grande favorito da categoria, “Glory” é a inusitada segunda indicação de Selma no Oscar deste ano. A música de John Legend e Common mistura gospel e hip hop para homenagear não apenas a figura de Martin Luther King, mas toda a luta de classes e de raças, trazendo até espertas referências aos incidentes de Ferguson. Pessoalmente, o coro forte de Legend me atrai mais do que a proclamação firme de Common, mas é uma bela música com uma poderosa mensagem.

  • Globo de Ouro
  • Critics Choice Awards

LETRA

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Hands to the Heavens, no man, no weapon
Formed against, yes glory is destined
Every day women and men become legends
Sins that go against our skin become blessings
The movement is a rhythm to us
Freedom is like religion to us
Justice is juxtapositionin’ us
Justice for all just ain’t specific enough
One son died, his spirit is revisitin’ us
Truant livin’ livin’ in us, resistance is us
That’s why Rosa sat on the bus
That’s why we walk through Ferguson with our hands up
When it go down we woman and man up
They say, “Stay down”, and we stand up
Shots, we on the ground, the camera panned up
King pointed to the mountain top and we ran up

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Now the war is not over, victory isn’t won
And we’ll fight on to the finish, then when it’s all done
We’ll cry glory, oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)
We’ll cry glory, oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

Selma’s now for every man, woman and child
Even Jesus got his crown in front of a crowd
They marched with the torch, we gon’ run with it now
Never look back, we done gone hundreds of miles
From dark roads he rose, to become a hero
Facin’ the league of justice, his power was the people
Enemy is lethal, a king became regal
Saw the face of Jim Crow under a bald eagle
The biggest weapon is to stay peaceful
We sing, our music is the cuts that we bleed through
Somewhere in the dream we had an epiphany
Now we right the wrongs in history
No one can win the war individually
It takes the wisdom of the elders and young people’s energy
Welcome to the story we call victory
The comin’ of the Lord, my eyes have seen the glory

One day when the glory comes
It will be ours, it will be ours
Oh one day when the war is won
We will be sure, we will be sure
Oh glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)
Oh glory (Glory, glory)
Hey (Glory, glory)

When the war is won, when it’s all said and done
We’ll cry glory (Glory, glory)
Oh (Glory, glory)

“Grateful” | Além das Luzes | Diane Warren

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Diane Warren (AKA Rita Ora) abocanha sua sétima indicação na categoria, tendo emprestado sua voz para canções-tema de filmes de ação como Armageddon e Con Air. Agora, ela fornece “Grateful” para o longa musical Além das Luzes (é, também nunca ouvi falar), sobre o romance entre uma aspirante a cantora e um policial. É uma boa música, mas não me parece muito diferente das milhares de músicas pops que encontramos nas rádios americanas.

LETRA

There were a lot of tears I had to cry through
A lot of battles left me battered and bruised
And I was shattered, had my heart ripped in two
I was broken, I was broken
There were a lot of times I stumbled and crashed
When I was on the edge, down to my last chance
So many times when I was so convinced that
I was over, I was over
But I had to fall yeah
To rise above it all

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful
Grateful

I was sinking, I was drowning in doubt
The weight all of the pain was weighing me down
Pulled it together and I pulled myself out
Learned a lesson, learned a lesson
That there’s a lot you gotta go through, hell yes
But that’s what got me strong, I got no regrets
And I’ve got only love, got no bitterness
Count my blessings, count my blessings, yeah
I’m proud of every tear, yeah
‘Cause they got me here

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful
Grateful

There is nothing I would change
That even one mistake I made
I got lost, found myself, found my way

I’m grateful for the storm
Made me appreciate the sun
I’m grateful for the wrong ones
Made me appreciate the right ones
I’m grateful for the pain
For everything that made me break
I’m thankful for all my scars
‘Cause they only make my heart
Grateful, grateful, grateful, grateful, grateful, oh
Grateful

You know that I’m grateful
You know that I care
No time for the wrong ones
I’ll always be there
Grateful
Woah (Grateful, grateful, grateful)
I’m grateful, oh yeah (Grateful, grateful)
Oh, I’m grateful, yeah

“I’m Not Gonna Miss You” | Glenn Campbell… I’ll Be Me | Glen Campbell e Julian Raymond

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Eu nunca tinha ouvido falar em Glen Campbell até sua indicação ao Oscar pelo documentário Glenn Campbell… I’ll Be Me. Acontece que Campbell é um cantor country que agora sofre de Alzheimer, e o longa em questão nos leva aos bastidores de seu último show. “I’m Not Gonna Miss You” é bonita e se beneficia de tocar durante uma cena com lembranças de arquivo da vida de Campbell.

LETRA

I’m still here, but yet I’m gone
I don’t play guitar or sing my songs
They never defined who I am
The man that loves you ‘til the end

You’re the last person I will love
You’re the last face I will recall
And best of all, I’m not gonna miss you
Not gonna miss you

I’m never gonna hold you like I did
Or say I love you to the kids
You’re never gonna see it in my eyes
It’s not gonna hurt me when you cry

I’m never gonna know what you go through
All the things I say or do
All the hurt and all the pain
One thing selfishly remains

I’m not gonna miss you
I’m not gonna miss you

“Lost Stars” | Mesmo Se Nada Der Certo | Gregg Alexander e Danielle Brisebois

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Um dos sucessos-surpresa do ano passado, Mesmo Se Nada Der Certo é um romance indie centrado em músicos aspirantes, então faz muito sentido que o filme tenha sido lembrado aqui. “Lost Stars” é uma agradável e linda balada de rock indie, que no filme é cantada por Adam Levine. Na cena em questão, o filme quase se transforma num videoclipe, quando começa a intercalar cenas do show ao vivo de Dave com a reação de Gretta, que logo sai para andar de bicicleta pela cidade.

LETRA

Please don’t see just a boy caught up in dreams and fantasies
Please see me reaching out for someone I can’t see
Take my hand let’s see where we wake up tomorrow
Best laid plans sometimes are just a one night stand
I’d be damned Cupid’s demanding back his arrow
So let’s get drunk on our tears and

God, tell us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and the lambs are on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

Who are we? Just a speck of dust within the galaxy?
Woe is me, if we’re not careful turns into reality
Don’t you dare let our best memories bring you sorrow
Yesterday I saw a lion kiss a deer
Turn the page maybe we’ll find a brand new ending
Where we’re dancing in our tears and

God, tell us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and the lambs are on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

I thought I saw you out there crying
I thought I heard you call my name
I thought I heard you out there crying
Just the same

God, give us the reason youth is wasted on the young
It’s hunting season and this lamb is on the run
Searching for meaning
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

I thought I saw you out there crying
I thought I heard you call my name
I thought I heard you out there crying

But are we all lost stars, trying to light up the dark?
But are we all lost stars, trying to light up the dark?

APOSTA: Glory

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Difícil, mas talvez I’m Not Gonna Miss You

MEU VOTO: Lost Stars

FICOU DE FORA: “Immortals” | Operação Big Hero | Fallout Boy

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Operação Big Hero é uma animação bem bacanuda, mas quando “Immortals” invade o longa durante a sequência de treinamento da equipe recém-formada, ele ameaça de se tornar algo realmente especial. A composição do grupo Fallout Boy mistura com elegância acordes japoneses com um rock pop, em total sincronia com o tema principal do filme, que envolve uma metrópole que mistura São Francisco e Tóquio.

LETRA

They say we are what we are
But we don’t have to be
I’m glad to hate you but I do it in the best way
I’ll be the watcher of the eternal flame
I’ll be the guard dog of all your fever dreams

I am the sand in the bottom half of the hourglass (glass, glass)
I try to picture me without you but I can’t
‘Cause we could be immortals, immortals
Just not for long, for long

If we meet forever now, you pull the blackout curtains down
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immor-immortals, immor-immortals
Immortals

Sometimes the only payoff for having any faith
Is when it’s tested again and again everyday
I’m still comparing your past to my future
It might be over, but they’re not sutures

I am the sand in the bottom half of the hourglass (glass, glass)
I try to picture me without you but I can’t
‘Cause we could be immortals, immortals
Just not for long, for long

If we meet forever now, you pull the blackout curtains down
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immortals

If we meet forever now, pull the blackout curtains down
We could be immor-immortals, immor-immortals
Just not for long, for long
We could be immor-immortals, immor-immortals
Immor-immortals, immor-immortals
Immortals

A última parte, sobre as categorias principais, sairá até o final da semana.

ESPECIAL OSCAR 2015 Ou (Como Aprendi a Ignorar as Loucuras da Academia e Curtir o Show) | Volume Dois | Categorias Técnicas

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 14 de fevereiro de 2015 by Lucas Nascimento

OSCAR15_2

Hora de avaliar as categorias mais divertidas… Vamos lá:

fotografia

Birdman | Emmanuel Lubezki

fot_birdman

“El Chivo” está de volta, e novamente desponta como o favorito na categoria de Fotografia. Em sua colaboração com Alejandro Iñarritu, Emmanuel Lubezki ajuda-o na complicada tarefa de coordenar e elaborar longuíssimos planos, ajudando a simular o efeito de tomada contínua de Birdman (curiosamente, elementos que também se manifestavam em Gravidade, ano passado), tornando uma experiência vibrante e quase documental – assemelhando-se à estética de uma peça de teatro, também. Lubezki controla as iluminações com eficiência, mudando de um ambiente quente para um frio com suavidade, apostando em time-lapses para avançar a narrativa e até transições espaciais bem camufladas pelo trabalho de montagem. Sensacional.

Razão de Aspecto: 1.85: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa M, Leica Summilux-C and Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT, Leica Summilux-C e Zeiss Master Prime Lenses

  • American Society of Cinematographers
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Ida | Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski

fot_ida

A maior surpresa entre os indicados, a fotografia do filme polonês Ida é um espetáculo visual que contou com dois diretores de fotografia. Rodado em preto e branco e na razão aspecto menor de 1.33: 1, a fotografia de Ida impressiona pelo cuidado ao nivelar os diferentes níveis de preto, e o contraste deste em cenas com interiores pouco iluminados (com as magistrais cenas no clube de Jazz, evocativas do cinema noir) ou tomadas externas dominadas por uma neve branquíssima. Chama atenção também os enquadramentos da dupla, que sempre parecem rebaixar suas personagens e torná-las menor, em uma proporção de tela já consideravelmente pequena. É um lindo trabalho, e certamente o elemento mais memorável do filme.

Razão de Aspecto: 1.33: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa Plus 4:3, Zeiss Ultra Prime Lenses

O Grande Hotel Budapeste | Robert Yeoman

fot_hotel

Simetria define qualquer trabalho de fotografia em um filme de Wes Anderson. Robert Yeoman, seu fiel escudeiro desde sua estreia no ramo, sempre fica atento ao trabalho de enquadramento, que visa uma perfeição estética que pode servir como uma variante cartunesca da obra de Stanley Kubrick. Em O Grande Hotel Budapeste, o elemento que mais se destaca na fotografia é a variação na razão de aspecto da tela, que alterna de acordo com a época em que a narrativa alcança. Como a maior parte é ambientada na década de 20, Yeoman tem a complicada tarefa de enquadrar as cenas na razão de 1.37: 1, um formato quadrado menor do que o vasto 2.35: 1 (quem diria que, em 2015, teríamos dois indicados com essas especificações) Fica interessante porque nem com a razão menor, Anderson não poupa em tomadas grandiosas, de cenários detalhados e épicas perseguições de ski.

Razão de Aspecto: 1.37: 1 | 1.85: 1 | 2.35: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arricam ST, Technovision/Cooke, Cooke S4, Varotal e Angenieux Optimo Lenses

Invencível | Roger Deakins

fot_unbroken

O sempre onipresente diretor de fotografia, Roger Deakins volta para sua 12ª indicação. Dessa vez, porém, confesso que não fui completamente impressionado por seu trabalho (o que geralmente acontece) no drama olímpico/Segunda Guerra/Aventuras de Pi de Angelina Jolie. Deakins adota uma paleta predominantemente cinza e próximo do sépia, ajudando na reconstrução do período. Nesse quesito, as cenas em que o protagonista sobrevive num campo de prisioneiros rendem belas tomadas, como o plano plongée que traz os personagens em um rio sujo de lama. É um trabalho eficiente, mas que pessoalmente não colocaria como um dos melhores de Roger Deakins; ele merece um Oscar por algo mais memorável.

Razão de Aspecto: 2.35: 1

Formato: 35 mm

Câmeras: Arri Alexa XT M, Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT Plus, Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT Studio, Zeiss Master Prime Lenses
Arri Alexa XT, Zeiss Master Prime Lenses

Sr. Turner | Dick Pope

fot_turner

É uma pena que Sr. Turner não tenha nem garantido uma data de estreia aqui no Brasil, o que dificulta comentar suas indicações. Mas já fica o mérito de uma biografia sobre um pintor obcecado por luz ter um trabalho de fotografia eficiente, e Dick Pope parece bastante inspirado na técnia de Barry Lyndon, que usou luz natural em 90% de suas cenas.

Razão de Aspecto: 2.35: 1

Formato: Codex

Câmeras: Arri Alexa Plus, Cooke Speed Panchro Lenses
Canon EOS C500, Cooke Speed Panchro Lense

APOSTA: Birdman

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Sr. Turner

MEU VOTO: Birdman

FICOU DE FORA: Interestelar | Hoyte Van Hoytema

fot_interstellar

Apaixonado por IMAX, Christopher Nolan sempre emprega o formato gigante em seus filmes, aumentando o escopo e fornecendo uma experiência mais imersiva. Hoyte Van Hoytema substitui o habitual Wally Pfister e ajuda a criar o visual incrível de Interestelar, que vai desde uma Terra rural e engolida por tempestades de poeira até a imensidão do espaço, incluindo remotos planetas – com lindas imagens gravadas na Islândia – e estações espaciais rodopiantes.

Menção Honrosa: Garota Exemplar | Jeff Cronenweth

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Caminhos da Floresta | Dennis Gassner e Anna Pinnock

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Me digam, o que seria dessa categoria sem algum indicado com uma floresta maluca/fantasiosa no meio? Caminhos da Floresta cumpre a cota da Academia, e o trabalho de Dennis Gassner e Anna Pinnock é realmente espetacular. Colocando a maior parte da trama dentro da floresta do título, a dupla é eficaz ao preservar o aspecto teatral da história (como a cachoeira que serve de palco para um número musical dos príncipes) e também referências mais surreais, como o interior imenso da barriga do Lobo.

O Grande Hotel Budapeste | Adam Stockhausen e Anna Pinnock

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Qualquer um que já assistiu a qualquer filme do Wes Anderson repara no Design de Produção, e alguns até passam a saber o que é tal departamento, já que este é um dos personagens dominantes. Em O Grande Hotel Budapeste, Anderson leva sua visão e sua equipe para uma nação européia fictícia dos anos 20, trazendo inspirações da arquitetura russa, alemã e suíça, seja nos interiores do hotel do título, o museu que é palco de uma perseguição ou as cartunescas ambientações em miniatura, que incluem uma pista de ski, um monastério e outros cenários típicos da imaginação do diretor.

  • Art Directors Guild – Filme de Época
  • BAFTA
  • Critics Choice Awards

Interestelar | Nathan Crowley e Gary Fettis

art_interstellar

Ano passado, Gravidade também descolou uma indicação nesta categoria, e Interestelar vai ainda mais além do que apenas interiores de espaçonaves e estações espaciais. A equipe de Nathan Crowley desenvolve sua própria mecânica na criação da nave rodopiante Endurance (cujo formato simboliza um relógio analógico, de grande importância à trama) e seus Rangers aerodinâmicos. Juntamente com o físico Kip Thorne e a equipe de efeitos visuais, eles também trabalharam em cima de uma mecânica na criação dos movimentos e aparência dos buracos gravitacionais, culminando na infinita complexidade do Tesseract descoberto no último ato – que por si só, já valeria a vitória do filme aqui.

O Jogo da Imitação | Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald

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Ambientado em três épocas diferentes, as duas designers de produção tiveram que recriar ambientes dos anos 20, 40 e 50. Todos os cenários são eficazes e fiéis em sua reconstrução histórica (o colégio interno dos anos 20 é grandioso), mas o grande destaque do trabalho da dupla é a recriação de Christopher, a máquina que Alan Turing desenvolve para quebrar códigos, que impressiona por sua complexidade.

Sr. Turner | Suzie Davies e Charlotte Watts

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Mais uma indicação para o filme que não estreiou aqui no Brasil… Bom, dá pra dizer que Sr. Turner se dedica a recriar palácios, galerias e ambientações num período de tempo que vai de 1775 a 1851. E como nosso protagonista é um pintor, ateliês e paisagens iluminadas devem fazer parte do pacote aqui. Enfim, díficil julgar sem assistir, mas parece uma indicação justa.

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Caminhos da Floresta

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: Expresso do Amanhã

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Um dos grandes sucessos cult do ano passado, Expresso do Amanhã é todo ambientado dentro de um enorme trem, onde cada vagão traz uma ambientação assustadoramente diferente da outra. Desde a suja ala de prisioneiros, passando pelas estufas verdes, discotecas psicodélicas até salas de máquina que abraçam totalmente o cyberpunk, o design de produção do filme é absolutamente espetacular.

Menções Honrosas: Era Uma Vez em Nova York e Grandes Olhos

figurino

Caminhos da Floresta | Colleen Atwood

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Colleen Atwood é mestre na confecção de figurinos, e ela já mostrou que contos de fada e elementos fantásticos são sua absoluta especialidade. Não teria profissional mais hábil do que Atwood para lidar com os figurinos do “Vingadores dos Contos de Fadas” que é Caminhos da Floresta, musical que reúne Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João e o Pé de Feijão e outras populares histórias do gênero. O interessante é ver como Atwood retrata de forma inusitada alguns personagens: o Príncipe de Chris Pine, por exemplo, surge com as vestes sempre sujas e desgastadas, enquanto o Lobo de Johnny Depp é outra criação que respeita as raízes teatrais da história.

  • Costume Designers Guild – Filme de Fantasia

O Grande Hotel Budapeste | Milena Canonero

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A veterana Milena Canonero (ele trabalhou com o Kubrick, uau!) volta para a cerimônia depois de sua vitória por Maria Antonieta, oito anos atrás, com a saga excêntrica de Wes Anderson. A principal porção da trama se passa nos anos 20, mas sendo um filme de Wes Anderson, fidelidade histórica não será exatamente algo a ser seguido à risca. Os trajes são coloridos, cartunescos e às vezes até exprimem de forma literal a função de seus personagens (como o “Lobby Boy” no chapéu de Zero) ou as vestes dos prisioneiros, mais estereotipadas possíveis, com suas listras preto e brancas.

  • BAFTA
  • Costume Designers Guild – Filme de Época
  • Critics Choice Awards

Malévola | Anna B. Sheppard e Jane Clive

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Opa, mais contos de fadas na categoria (porque você bem sabe, ou é conto de fada/fantasia ou figurino de época que desponta aqui), agora com a história de origem da vilã Malévola. Anna B. Sheppard e Jane Clive seguem de perto o traço da animação clássica, adaptando as vestimentas das personagens para um contexto real, ainda que mantendo características fantásticas (todos os vestidos de Malévola, especialmente a de sua fase sombria) e até cartunescas (a roupa bufante e peluda do rei, por exemplo). Bom trabalho, mas muito parecido com o de Caminhos da Floresta.

Sr. Turner | Jacqueline Durran

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Er… Sr. Turner ainda não estreiou. Mas hei, é mais um trabalho de figurinos de época, vindo da talentosa Jacqueline Durran.

Vício Inerente | Mark Bridges

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Outro filme que infelizmente não estreiará a tempo do Oscar, Vício Inerente traz um trabalho de figurino similar ao de Trapaça, no ano passado. Aproveita a psicodelia dos anos 70 para confeccionar uma mistura de fidelidade histórica com excentricidade, que parece ser o clima ideal do novo filme de Paul Thomas Anderson. Não vejo a hora de assistir.

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Caminhos da Floresta

MEU VOTO: Caminhos da Floresta

FICOU DE FORA: Magia ao Luar | Sonia Grande

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Anos 20. Sul da França. Quer mais o quê? A nova comédia de Woody Allen me decepcionou em muitos quesitos, mas o visual certamente não foi um deles. Sonia Grande conseguiu vestir os personagens de Magia ao Luar com classe e elegância, sabendo como deixar a Sophie de Emma Stone mais “fofa” e adorável, enquanto Colin Firth surge como um gentleman boêmio.

montagem

Boyhood: Da Infância à Juventude | Sandra Adair

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Em sua maioria, Boyhood é um filme com um trabalho de montagem praticamente invisível. Não temos grandes transições, digressões, cortes rápidos ou algo muito chamativo no trabalho de Sandra Adair. O que justifica a indicação certamente é a árdua tarefa que Adair teve em selecionar pedaços de 12 anos de material e construir uma narrativa que flua naturalmente e faça sentido ali. E funciona! Os 12 anos da vida de Mason passam com eficiência, sem qualquer tipo de separação textual (“ano 1”, “ano 2”, por exemplo) ou intervenção metalinguística, construindo-se uma narrativa sólida e envolvente.

  • ACE Eddie Awards – Drama

O Grande Hotel Budapeste | Barney Pilling

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A montagem de O Grande Hotel Budapeste segue os elementos clássicos da filmografia de Wes Anderson: cortes inusitados e até secos durante diálogos, a fim de promover um efeito cômico discreto (atire uma pedra quem não riu durante a conclusão da perseguição no museu ou a famosa cena do ski), e uma narrativa linear na maior parte do tempo – contando também com divisões de capítulos. Um bom exemplo da habilidade de Barney Pilling é quando M. Gustave e Zero vão seguindo diversos passos a fim de encontrar um informante, com cada setor da sequência de eventos contendo a frase “Você é M. Gustave?”, criando uma série de repetições que culminam na explosão de Gustave.

  • ACE Eddie Awards – Musical ou Comédia

O Jogo da Imitação | William Goldenberg

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Pois bem… Um dos meus problemas com O Jogo da Imitação é sua estrutura narrativa quebrada, que traz cenas durante a infância de Alan Turing, seu trabalho na Segunda Guerra e a investigação que sofreu nos períodos finais de sua vida. É um elemento do roteiro que pessoalmente acho que tira ritmo da trama central, ainda que William Goldenberg consiga encontrar boas transições e manter a narrativa fluindo quando esta se estabelece num único período. Aprecio como Goldenberg faz a passagem do tempo com cenas de arquivo do combate, ponteiros de relógio (enfatizando a luta contra o tempo) e uma eficiente narração em voice over.

Sniper Americano | Joel Cox e Gary Roach

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Filmes de guerra geralmente são queridos pelos votantes, e Sniper Americano realmente é primoroso no quesito cenas de ação. Quando a câmera nos leva para trás da mira de Chris Kyle, Joel Cox e Gary Roach começam a construir a tensão que passa pela cabeça do protagonista, e a dúvida sobre atirar ou não. Quando a violência explode, a dupla agarra o espectador pela garganta, como na impecável cena em que Kyle encontra o terrorista Açogueiro ao mesmo tempo em que é perseguido por um sniper inimigo. Estruturalmente, a dupla equilibra a carreira militar de Kyle com suas responsabilidades familiares, o que se prova como um dos pontos fracos da narrativa, mas o trabalho de Cox e Roach merece créditos pelas cenas mais intensas.

Whiplash: Em Busca da Perfeição | Tom Cross

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Toda a parte técnica de Whiplash é absolutamente impecável, mas a montagem de Tom Cross certamente é o grande atrativo nesse quesito. Centrado em um baterista, o trabalho de Cross é frenético e rápido, impressionando nas cenas em que Andrew toca o instrumento e os cortes ritimados vão acompanhando a música, quase como se Cross também fosse o baterista. As sequências musicais são fantásticas, e Cross ainda acerta ao conferir velocidade a eventos, como a cena que culmina no acidente de carro do protagonista: cortes rápidos e brutais, mas um longo plano quando o caminhão atinge seu carro. Trabalho perfeito.

  • BAFTA

APOSTA: Boyhood

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Whiplash

MEU VOTO: Whiplash

FICOU DE FORA: Garota Exemplar | Kirk Baxter

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Dessa vez sem o habitual parceiro Angus Wall, Kirk Baxter fica com a complicada tarefa de montar Garota Exemplar. Isso porque é um longa com duas tramas paralelas – a de Nick Dunne, e a da esposa Amy – que caminham diferentemente, enfrentando reviravoltas e até incongruências temáticas. Baxter se sai muito bem ao equilibrá-las, fornecendo transições memoráveis (o corte do beijo para a coleta de DNA é primoroso) e administrando sabiamente os diálogos que vão ficando mais intensos, fornecendo cortes calculados para cada participante. Outra ferramenta notável de Baxter é o fade to black, que o montador acerta ao usá-los rapidamente em cenas mais violentas. Que esnobada…

Menções honrosas: Noé, No Limite do Amanhã e Interestelar

maquiagem

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo | Bill Corso e Dennis Liddiard

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O grande atrativo na maquiagem de Foxcatcher obviamente é a transformação de Steve Carell em John du Pont. A dupla indicada merece créditos por deixar o ator radicalmente diferente, mas sem transformá-lo em um mero monstro caricato: o nariz é consideravelmente maior, a pele ganhou uma pigmentação mais envelhecida e Carell também usou implantes na boca, a fim de modificar seu modo de falar. Vale a pena ressaltar que a equipe cria uma interpretação do du Pont real, já que o resultado final não é idêntico ao falecido técnico de luta. Um trabalho admirável.

O Grande Hotel Budapeste | Frances Hannon e Mark Coulier

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No que diz respeito a penteados e bigodes, O Grande Hotel Budapeste é Wes Anderson na veia: do bigode pomposo de Bill Murray ao visual mais burguês fresco de Ralph Fiennes, a equipe de maquiagem e cabelo é eficaz ao caracterizar as figuras criadas por Anderson. Mas é mesmo o envelhecimento de Tilda Swinton que justifica a indicação, um trabalho que não tem tanto destaque no filme, mas que merece aplausos pelos detalhes e a transformação pesada da atriz.

  • BAFTA
  • Make Up Artists Guild – Maquiagem de Época
  • Make Up Artists Guild – Cabelo de Época

Guardiões da Galáxia | Elizabeth Yianni-Georgiou e David White

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Quando pensamos em uma ficção científica surtada e cartunesca como Guardiões da Galáxia, imediatamente nos vêm à mente o trabalho de maquiagem. E mesmo que não seja nada ultra elaborado como o trabalho de Rick Baker, Elizabeth Yianni-Georgiou merece parabéns por deixar figuras como Karen Gillan (Nebulosa), Lee Pace (Ronan) e Dave Baustista (Drax) irreconhecíveis, mas ainda assim manter seus bons trabalhos de atuação. Segue um padrão simples, ao meramente trocar a cor de seus atores, rendenco uma certa “sutileza alienígena”.

  • Critics Choice Awards
  • Make Up Artists Guild – Efeitos Especiais de Maquiagem
  • Make Up Artists Guild – Cabelo Contemporâneo

APOSTA: O Grande Hotel Budapeste

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Guardiões da Galáxia

MEU VOTO: Guardiões da Galáxia

efeitosvisuais

Capitão América 2: O Soldado Invernal | Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick

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Vou ser sincero: acho a indicação de Capitão América 2: O Soldado Invernal injusta. A equipe do filme é eficiente ao criar ambientes totalmente digitais e manda bem nas variadas destruições de heliportos, cruzadores e outros veículos aéreos gigantescos. Só acho que sinceramente não é algo muito impressionante, ainda mais considerando os outros indicados da categoria, e até confesso que achei o green screen gritantemente artificial em alguns momentos (a luta entre o Capitão e o Soldado Invernal no clímax). Mas dou mérito ao genial envelhecimento de Hayley Atwell como Peggy Carter.

Guardiões da Galáxia | Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould

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Opa, mais Marvel Studios aqui… Mas essa é bem merecida. A comédia espacial também trabalha muito com ambientes todos digitais, rendendo um bom trabalho de green screen e elaboração de detalhes (a luta com Ronan, em meio à nuvens azuladas brilhantes é espetacular), além de cenas de ação maciças que incluem batalhas áereas e perseguições de naves. O grande destaque, porém, fica com os dois principais personagens digitais: Rocket Raccoon e Groot, que impressionam pelo fotorrealismo e a expressividade de sua animação, jamais soando como criaturas digitais.

Interestelar | Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher

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Science, bitch! Como em todos os filmes de Christopher Nolan, os efeitos visuais são usados de forma orgânica e com um estudo científico que os ajudem a fazer sentido dentro daquele universo. Em Interestelar, a grande contribuição dos efeitos visuais foram a criação do buraco de minhoca e o buraco negro Gargantua, que tiveram orientação do físico Kip Thorne a fim de chegar o mais próximo possível de uma representação da tal anomalia. A equipe de Nolan cria alguma das mais belas imagens vistas em 2014, ajudando também a realçar ambientes reais (como as paisagens da Islândia, que servem como os planetas descobertos) e também a criar locais impossíveis de serem reproduzidos, como as “montanhas de água” e o enigmático Tesseract.

  • BAFTA
  • Visual Effects Society – Melhor Ambiente Digital (Tesseract)

Planeta dos Macacos: O Confronto | Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist

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É chegada a hora dos macacos. A excelente continuação do reboot de 2011 da continuidade ao trabalho da WETA na criação dos símios digitais, no maior uso de captura de performance em locações externas até hoje. Andy Serkis novamente lidera o elenco de mo-cap, e a equipe de Joe Letteri é impecável ao manter as nuances e expressões das performances do elenco, criando macacos ainda mais realistas e expressivos do que os do anterior – o salto da tecnologia, e também o fato de O Confronto ter uma fotografia mais escura, ajuda.

  • Visual Effects Society – Melhores Efeitos Visuais Constantes
  • Visual Effects Society – Melhor Personagem Digital (César)
  • Visual Effects Society – Melhor Composição
  • Critics Choice Awards

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido | Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer

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Uma das mais agradáveis surpresas desse Oscar foi encontrar o ótimo X-Men: Dias de um Futuro Esquecido entre os indicados para efeitos visuais. É a primeira indicação para a franquia, que traz novos personagens e ambientes para poder usufruir de eficientes efeitos de computação gráfica. As Sentinelas são bem criadas e suas adaptações de poderes fazem sentido, assim como os diferentes outros poderes que encontramos aqui (os buracos de minhoca de Blink, rajadas de fogo de Sunspot. Mas é mesmo o velocista Mercúrio que vale a indicação, que protagoniza a melhor cena de ação de 2014 durante sua corrida em câmera lenta, que provou-se um desafio para Bryan Singer e sua equipe.

  • Visual Effects Society – Melhor Fotografia Virtual (Cena da Cozinha)
  • Visual Effects Society – Melhor FX& Simulação de Animação (Cena da Cozinha)

APOSTA: Planeta dos Macacos

QUEM PODE VIRAR O JOGO: Interestelar

MEU VOTO: Interestelar

FICOU DE FORA: No Limite do Amanhã

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Vejo que a Academia optou por não indicar filmes de 2014 que trouxeram ótimos efeitos visuais, mas que tiveram uma recepção crítica ruim ou bem mediana. É o caso de Transformers: A Era da Extinção e O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, filmes que mereciam sim uma indicação pelo trabalho com CG. Seguindo essa linha da Academia, meu escolhido para entrar seria No Limite do Amanhã, uma excelente ficção científica que trabalha bem os efeitos visuais e cria ambientes, criaturas e cenas de ação muito eficientes.