Arquivo para dragão

| O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos | Crítica

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de dezembro de 2014 by Lucas Nascimento

3.0

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É o fim? Galandriel vem a socorro do mago Gandalf

Se Uma Jornada Inesperada era uma longa e maçante introdução e A Desolação de Smaug um amontoado de eventos de transição, A Batalha dos Cinco Exércitos é todo clímax. A adaptação tripla de Peter Jackson chega ao fim e fica claro de uma vez por todas como a divisão de obras em múltiplos filmes é falha, dada a perda de estrutura. O último filme funciona pela ação, mas não é o bastante.

A trama começa logo após o final do anterior, com o dragão Smaug (Benedict Cumberbatch) partindo para destruir a Cidade do Lago. Enquanto isso, os anões liderados por Thorin (Richard Armitage) retomam o controle da Montanha Solitária, mas temem pela segurança do reino quando seu rei fica obcecado por poder e ouro. Também sedentos por poder, um vasto exército de orcs parte para tomar o reino dos anões, atraindo também uma legião de elfos para defendê-los. Ah, tem o hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) no meio também.

Isso aí, o protagonista da trilogia é reduzido a um mero protagonista neste último filme. Tudo bem que é uma decisão aceitável, já que a atenção que Thorin ganha aqui é muito interessante, especialmente graças à seu desenvolvimento como personagem, incluindo sua memorável pegada sombria. Me surpreende que o roteiro de Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo Del Toro tenha gastado um tempo considerável com a mudança do personagem, conferindo um envolvente clima “guerra fria” para levar ao estopim da batalha principal do título, tensão que aliás é muito mais interessante do que a ação em si.

Com exceção do excepcional confronto inicial com Smaug (sempre uma presença marcante e assombrosa, um milagre de CG), não é uma ação realmente empolgante. Mais genérico do que o habitual, Jackson oferece os mesmos movimentos de câmera, planos fechados que não nos permitem acompanhar toda a ação e uma mão pesadíssima para momentos que almejam a epicidade – com o slow motion e os ultra closes – mas que beiram o ridículo, seja em trocas de olhares embaraçosamente longas ou as subtramas estúpidas que o time de roteiristas tenta enfiar goela abaixo. O triângulo amoroso de Tauriel (Evangeline Lilly) com Legolas (Orlando Bloom) e o anão Kili (Aidan Turner) é vergonhoso, a insistência no ganancioso personagem de Ryan Gage é irritante e inconclusiva, e o clichê do herói Bard (Luke Evans) lutando para proteger sua família simplesmente não funciona.

E mesmo que eu não seja o maior fã da trilogia O Senhor dos Anéis, reconheço que um dos pontos altos de A Batalha dos Cinco Exércitos é a série de conexões que este faz com essa história. Imagino que os fãs devam ter tido orgasmos quando a bela Galandriel (Cate Blanchett) se une a Gandalf (Ian McKellen), Saruman (Christopher Lee) e Elrond (Hugo Weaving) para uma batalha com o sinistro Saruman (voz e movimentos também de Benedict Cumberbatch), assim como os lindos créditos finais.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos é um bom entretenimento capaz de oferecer cenas de ação pontualmente empolgantes. Vale mais pela conclusão da história geral iniciada com Uma Jornada Inesperada, mas que fique evidente como a divisão de histórias em múltiplos filmes – ou melhor, pedaços de filmes – não funciona.

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Trailer final de O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS

Posted in Trailers with tags , , , , , , , on 6 de novembro de 2014 by Lucas Nascimento

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O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, conclusão para a saga de Terra Média de Peter Jackson, acaba de ganhar seu último trailer. Muita batalha, pouco dragão, infelizmente. Confira:

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos estreia em 11 de Dezembro.

Primeiro pôster de O HOBBIT: A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , on 23 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

Quem acompanha aqui sabe que não sou o maior fã de O Hobbit, mas eu adoro um bom dragão. E é exatamente isso que temos no primeiro pôster oficial de O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, última parte da trilogia que Peter Jackson encerra este ano. É uma arte belíssima que mostra o dragão Smaug prester a atacar a Cidade do Lago, tendo o arqueiro Bard (Luke Evans) como seu oponente.

Confira:

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E fiquem ligados, o primeiro trailer deve sair na Comic-Con!

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos estreia em 11 de Dezembro.

| Oldboy – Dias de Vingança | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2014, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 5 de junho de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

Oldboy
Made in America: Josh Brolin até que honra o martelo

Se arriscar a refilmar qualquer filme é brincar com fogo. Se arriscar a refilmar o neo-clássico sul coreano Oldboy é brincar com um furioso dragão cuspidor de fogo com apenas uma pistolinha de água como arma contra seus sopros incinerantes. O filme comandado pelo excepcional Chan Wook Park em 2003 impressiona por seu estilo apurado, trama surpreendente e violência sem pudor, algo que seria difícil de ser encontrado no remake Oldboy – Dias de Vingança. Nenhuma surpresa que essa nova versão não chegue nem perto do impacto do original, mas até que Spike Lee tenta.

A trama preserva os mesmos elementos do filme de 2002 (ambos baseados no mangá de Garon Tsuchiya e Nobuaki Minegishi), trazendo o desleixado Joe Doucett (Josh Brolin, intenso como requer o papel) sendo misteriosamente sequestrado e mantido em cativeiro em um quarto de hotel por duas décadas. Sem explicação ou contato humano, Doucett é libertado e descobre ter sido incriminado pelo assassinato de sua mulher, precisando encontrar o responsável por sua captura e encontrar sua filha perdida.

Eu geralmente não tenho muitos problemas com remakes, desde que tragam uma lógica consistente em sua adaptação para um novo público – seja de geração ou país diferente. Já com este Oldboy, é outro cenário: falha ao oferecer algo diferente que Chan Wook Park já não tivesse realizado com maestria há 12 anos e Lee não consegue atingir o mesmo impacto dramático (e absolutamente perturbador) de uma das reviravoltas mais sombrias de todos os tempos. O filme nunca nos envolve, nunca nos faz emergir na história como o original – que trazia até mesmo longas tomadas em POV para alcançar tal feito.

Uma pena, já que Spike Lee claramente tenta entregar um serviço decente. Sua direção é estilosa e energética ao retratar a passagem de anos nas cenas do hotel, agradando também por sua abordagem visual interessante nas sequências de flashback (que trazem os personagens “assistindo” os eventos em meio ao desenrolar destes) e por um plano-sequência particularmente inspirado. O mesmo não pode ser dito sobre sequências imortalizadas no original: a famosa luta do martelo? Bacana, Lee até tenta elevar o nível ao… trazer mais níveis para o cenário, mas não deixa de soar excessivamente coreografado. Condenável também a decisão do diretor em abusar de efeitos digitais visivelmente artificiais (sangue digital, até quando?), mas completamente apoiada a decisão de Sharlto Copley em construir um antagonista que se baseia completamente em quesitos do tipo – seja em visual, ou o bem-vindo exagero de sua performance.

Oldboy – Dias de Vingança não é nem um tentáculo do maravilhoso crustáceo que é o filme original sul coreano. Spike Lee se esforça, mas é incapaz de oferecer algo relevante para a história (talvez no final, que apresenta elementos completamente novos). Interessante como uma rápida cena deste remake o resume perfeitamente: Joe entra em um restaurante chinês e indaga uma lula viva no aquário. Fãs do original certamente perceberão a referência, mas será que o protagonista aqui teria mesmo a audácia de devorar o invertebrado vivo, como fez o ator Min-sik Choi?

Claro que não.

| O Hobbit: A Desolação de Smaug | As coisas que só um dragão é capaz de fazer

Posted in Aventura, Cinema, Críticas de 2013, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de dezembro de 2013 by Lucas Nascimento

3.5

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Evangeline Lilly é Tauriel: Elfa criada especialmente para o filme

É impressionante como algumas coisas podem ficar muito mais interessantes quando se coloca um dragão no meio. Hater confesso da primeira parte da adaptação cinematográfica de O Hobbit, a presença da lendária criatura cuspidora de fogo o fator determinante para me levar a este A Desolação de Smaug, filme que – ainda prejudicado por uma série de problemas de fácil solução – se revela absurdamente superior ao antecessor em todos os aspectos.

A trama começa pouco depois de onde Uma Jornada Inesperada terminara, com a companhia dos anões liderada por Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage) fugindo de um grupo de orcs enquanto seguem para a Montanha Solitária, onde o poderoso dragão Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch) se encontra. Enquanto o hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) vai se afeiçoando cada vez mais ao Um Anel, o mago Gandalf (Ian McKellen) parte em uma missão secreta para descobrir a identidade de um misterioso Necromante – feiticeiro capaz de conjurar os mortos.

Depois de uma experiência maçante no filme de 2012, finalmente Peter Jackson e sua trupe de roteiristas (Fran Walsh, Philippa Boyens e Guillermo Del Toro) conseguiram reunir material o suficiente para suportar um longa-metragem com uma duração extensa como a que saga exibe. Mesmo que as opções escolhidas, que envolvem a criação de personagens e eventos ausentes na obra original de J.R.R. Tolkien, sejam completamente descartáveis dentro da narrativa central (triângulo amoroso até na Terra Média?), já é mais do que suficiente para ao menos “parecer dar” a impressão de uma história grandiosa ou pelo menos garantir cenas de ação envolventes (quando acompanhamos mortes inventivas como aquelas vistas na sequência dos barris, impossível se entediar). Funcionam de verdade as sequências que envolvem a investigação de Gandalf, graças à sempre carismática performance do ator e por trazer empolgantes conexões com os eventos de O Senhor dos Anéis.

Infelizmente, aquele mesmo problema do primeiro filme se repete aqui: enrolação, por falta de substantivo melhor. A começar por um prólogo completamente descartável que nos apresenta ao primeiro encontro entre Gandalf e Thorin: qual o sentido de vermos uma cena de introduções a essa altura da narrativa? Pior ainda é quando o clímax insiste em nos fazer acompanhar as 3 tramas diferentes de A Desolação de Smaug, quando tudo o que realmente importava era o conflito com o dragão. Quero dizer, eu pelo menos não comprei aquele triângulo amoroso descartável e… estranho, entre Legolas (Orlando Bloom, cujo único propósito no filme é nos relembrar o quão foda é seu personagem durante variadas batalhas), um dos anões e Tauriel (Evangeline Lily, que empresta suas feições angelicais para uma elfa criada especialmente para o filme). Está ali meramente para preencher espaços, e nos fazer desejar que o montador Jabez Olssen retorne logo para a situação do dragão.

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Smaug: o dragão mais badass dos últimos tempos

Aliás, que dragão. Sou fã absoluto de praticamente todas as versões da criatura em suas diferentes mídias, mas tenho quase certeza de que o Cinema nunca viu um dragão tão absurdo e carismático quanto Smaug. A começar pelo excepcional trabalho de efeitos visuais da Weta, que garante uma criação digital realista, e o da equipe artística responsável pelo visual detalhista e assustador da criatura, garantindo-lhe uma personalidade que se sobressai diante de todas as criaturas da produção. Ajuda também o fato de que Benedict Cumberbatch seja o responsável pela voz e motion capture do vilão (ele repete a dose também nas aparições do Necromante), cuja gravidade é delicadamente exacerbada a fim de garantir a Smaug a mais imponente voz possível. Posso estar enganado e falando precipitadamente, mas é provavelmente o melhor dragão já criado até hoje no cinema.

Enriquecido por um design de produção estupendo (reparem nas inteligentes influências absolutistas na Cidade do Lago), O Hobbit: A Desolação de Smaug funciona melhor como experiência do que o primeiro filme. Palmas pelas excelentes cenas de ação, uma história mais sustentada e um dragão simplesmente apaixonante. Agora, é sacanagem demais encerrar o filme com um cliff hanger abrupto como esse…

Veja só, Peter Jackson agora vai me fazer assistir O Hobbit: Lá e De Volta Outra Vez no ano que vem. Então, tá.

Obs: Fiquem durante os créditos para ouvir “I See Fire”, de Ed Sheeran. Lindíssima canção.

Dragão dá as caras no primeiro trailer de O HOBBIT: A DESOLAÇÃO DE SMAUG

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 11 de junho de 2013 by Lucas Nascimento

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Foi lançado hoje o primeiro trailer de O Hobbit: A Desolação de Smaug, segunda parte da adaptação para a obra de J. R. R. Tolkien. A prévia centra-se bastante nos elfos (trazendo de volta o Legolas de Orlando Bloom e apresentando a personagem da bela Evangeline Lilly) e, enfim, revela o visual do dragão Smaug ao trazê-lo confrontando o pequeno Martin Freeman. Confira:

O Hobbit: A Desolação de Smaug estreia em 13 de Dezembro.

| Sucker Punch – Mundo Surreal | Combo de cultura pop nerd e lindas beldades

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2011 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26 de março de 2011 by Lucas Nascimento


Emily Browning estonteante como Babydoll

Hoje em dia, todo mundo quer complicar. Dramas, comédias e principalmente filmes de ação; enchê-los de simbolismo, reviravoltas e conceitos inteligentes. Mas bem, complicar é para quem sabe complicar, o que não é o caso de Zack Snyder, que oferece belos visuais e cenas de ação, mas perde-se na fantasia nivelada que criou.

A brincadeira começa quando a jovem Babydoll (Emily Browning) é internada em um hospício por seu padrasto, – cena de abertura que soa magnífica com a canção “Sweet Dreams”, da própria Browing – onde passará por uma lobotomia em cinco dias. Enquanto a hora não chega, ela planeja uma fuga com as outras internas, criando um mundo imaginário que possibilitará sua saída.

Quem vê os trailers pensa: “caramba, o que dragões e batalhas com samurais gigantes têm a ver com uma fuga de prisão?”, e realmente todas as estonteantes e estilosas cenas de ação que o filme oferece – e que são o ápice da produção – são absolutamente desnecessárias e em nada contribuem para a trama; uma relação simbólica com o nível de realidade aqui e ali, mas nada de genial ou emocional, já que as personagens não sofrem não perigo real em tais sequências. Mas mal não faz, já que Snyder continua mostrando sua dinâmica visão em tais sequências.

O espectador embarca na mente de Babydoll, que viaja por ambientes variados mas todos com a mesma característica: um fabuloso design de produção que explora e faz referências a diversos gêneros do cinema, adotando também a mesma técnica de filmagem (a câmera balança sem parar nas trincheiras da Primeira Guerra e Snyder excita-se a grau masturbatório no uso da câmera lenta no tiroteio dos robôs) e alternando com habilidade a fotografia de Larry Fong em cada nível – por exemplo, cores cinzentas na Primeira Guerra, luzes de neon no combate dos robôs.


As igualmente belíssimas Abbie Cornish e Jena Malone, como Sweet Pea e Rocket

Mas que Sucker Punch seria bonito não havia sombra de dúvida, a dúvida estava em como Snyder iria juntar tudo isso em uma boa trama, coisa que infelizmente ele não alcança. Repito: complicar é para quem sabe, assim como Christopher Nolan em A Origem e Martin Scorsese em Ilha do Medo (dois filmes que curiosamente apresentam influência aqui). O diretor levou sua criação muito a sério e ainda tenta pagar de filósofo ao passar uma lição de moral fraca e descartável, além de apresentar uma estrutura episódica demais com os devaneios de Babydoll.

O elenco feminino é de cair o queixo de qualquer marmanjo. Mulheres lutando e atirando com vestimentas curtas e sensuais… Enfim, Emily Browning é carismática com sua Babydoll, seu desempenho na cena inicial também mostra sua eficáz carga dramática. Vanessa Hudgens e Jamie Chung pouco fazem na construção de suas Blondie e Amber – as personages tem pouco tempo em cena. Abbie Cornish e Jena Malone têm boa química como as irmãs Sweet Pea e Rocket.

Zack Snyder entrega quatro filmes dentro de um, todos com visuais e coreografias de luta impressionantes, mas confundiu-se na cola chamada roteiro que une todos eles, cujos conceitos não são nada para qual o espectador estivesse “despreparado”, frase de marketing da Warner. Agora, resta esperar o que o diretor vai fazer com o novo Superman…